segunda-feira, 18 de junho de 2018




IV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Prosseguindo em nossas reflexões em torno da preleção do Ministro Flácus, inserida no primeiro capítulo de “Libertação”, atentemos para a frase:
“Entretanto, nesse mesmo espaço, alonga-se a matéria noutros estados, e, nesses outros estados, a mente desencarnada, em viagem para o conhecimento e para a virtude, radica-se na esfera física, buscando dominá-la e absorvê-la, estabelecendo gigantesca luta de pensamento (destacamos) que ao homem comum não é dado calcular”.
Vejamos:
Nem todos os que desencarnam estão preparados para se “aclimatarem” no Plano Extrafísico...
Grande número dos que deixam o corpo carnal continua a “radicarem-se” na esfera física...
Os espíritos infelizes, fora do corpo, contando com “médiuns” encarnados, em todos os setores de atividade humana – inclusive na Doutrina Espírita, que, essencialmente, é uma doutrina libertadora –, buscam “dominar” a Terra – anseiam por quererem que a Terra continue sendo o seu “pasto psíquico”, através dos vampirismos que exercem...
O Mundo Espiritual de muitos que desencarnam é tão somente a “contraparte” da Terra...
“... estabelecendo gigantesca luta de pensamento...” – são as obsessões, que Allan Kardec, ao estudá-las, segundo a sua gravidade, classificou-as: simples, fascinação e possessão...
Inegável que as trevas possuem os seus “agentes” encarnados, que, não raro, são manipulados de forma inconsciente por elas, a fim de conspurcarem as fontes mais cristalinas destinadas a saciar a sede de Conhecimento e de Amor da Humanidade...
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Considerou Flácus:
“Frustrados em suas aspirações de vaidoso domínio no domicílio celestial (destacamos), homens e mulheres de todos os climas e de todas as civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar”.
Vejamos ainda:
No Mundo Espiritual próximo, do qual muitos procedem para a Terra e para o qual, da Terra, muitos hão de regressar, apenas se prolongam as atividades terrenas...
Em geral, são esses espíritos que entram em contato com os médiuns, e, portanto, pouco eles conseguem acrescentar ao que já sabem os homens...
Não é fácil, assim, romper com esse círculo vicioso em que se transforma o ato de reencarnar... Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, anotou com sabedoria no capítulo 20: “Nesse círculo vicioso, vive a criatura humana, de modo geral, sob o domínio da ignorância acalentada, procurando enganar-se depois do berço, para desenganar-se depois do túmulo, aprisionada ao binômio ilusão-desilusão, com que despende longos séculos, começando a recomeçando a senda em que lhe cabe avançar”.
Longos séculos!...
Indispensável muita coragem para romper com a hipocrisia, com a mentira, com os interesses inferiores, com o desejo de poder, com a ambição do mando, com o personalismo, enfim, com as máscaras que afivelamos à face...
A libertação é solitária...
A ascensão é penosa...
É de fazer sangrar a alma...
Lance-se a ele quem seja suficientemente ousado para encarar a verdade a respeito de si mesmo!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de junho de 2018.