domingo, 15 de julho de 2018


VIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIZ

Flácus, inspirado pelos Planos Maiores, acentua em sua preleção:
“Espíritos incompletos que somos ainda, aderimos aos movimentos que lhes dizem respeito e colhemos os benefícios da ascensão e da vitória ou os prejuízos da descida e da derrota, controlados pelas inteligências mais vigorosas que a nossa e que seguem conosco, lado a lado, na zona progressiva ou deprimente, em que nos colocamos.
 O inferno, por isto mesmo, é um problema de direção espiritual.
Satã é a inteligência perversa. (destacamos)
O mal é o desperdício do tempo ou o emprego da energia em sentido contrário aos propósitos do Senhor”.
Na condição de espíritas, não podemos olvidar a questão do livre arbítrio, repetindo aqui as célebres palavras de León Denis: “O Espiritismo será o que os homens o fizerem”.
Na atualidade, porém, observamos a existência de “dois” Movimentos Espíritas: o primeiro, e mais autêntico, o de seus adeptos que frequentam os grupos espíritas, interessados em colocar em prática as lições que aprendem; o segundo, e totalmente equivocado, o de seus adeptos que se deixaram picar pela “mosca azul” do poder, ditando normas, regras, estabelecendo direções, como se fossem altos mandatários do Mundo Espiritual na Terra...
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Logo na sequência, severo alerta de Flácus:
“Misturam-se à multidão terrestre, exercem atuação singular sobre inúmeros lares e administrações e o interesse fundamental das mais poderosas inteligências, dentre elas, é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...” (destacamos)
Seríssimo!
“... adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...”.
Podem fazê-lo?! Claro, pois que o têm feito desde épocas imemoriais, mormente quando lograram desfigurar os ensinamentos cristãos, fazendo com o Cristianismo o que fizeram e ainda fazem...
O Espiritismo, infelizmente, vem se transformando numa caricatura dos princípios cristãos, com os espíritas incautos, fazendo em muito menor tempo, o que os cristãos primitivos levaram três séculos para começarem a fazer com o Evangelho.
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Todavia, ainda se tem tempo para deter o processo da falência de nossos princípios doutrinários que vêm sendo espezinhados e ridicularizados, a partir do comportamento arbitrário e nada fraterno dos espíritas que se consideram “donos” do Movimento, na exibição apenas e tão somente de duvidosa cultura acadêmica ou do pretenso status social que possuem – que os Centros Espiritas bem intencionados, com os seus leais frequentadores, prossigam laborando pelo Mundo Melhor, sem se inclinarem à autoridade “papal” ou “cardinalícia” que alguns espíritas vêm procurando exercer no Movimento.
Que os Centros Espíritas proclamem a sua independência dos órgãos de condução e se transformem em colmeias de serviço e de amor ao próximo, e em escolas sem cátedras onde o verdadeiro Espiritismo possa ser ensinado aos seus adeptos, para que eles, por fim, aprendam a pensar por si mesmos.
Não se trata de rebeldia, mas, sim, de “defesa pacífica” da originalidade espírita, para que o Espiritismo não venha a se transformar em simplesmente mais um “ismo”, no campo da vaidade pessoal de tantos, que, praticamente por imposição, em trama de bastidores pelo poder, querem impor a sua liderança.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de julho de 2018.