segunda-feira, 27 de agosto de 2018


XIV – REFLEXÕS SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, prosseguindo a discorrer sobre o processo da Evolução, considera:
“Educação para a eternidade não se circunscreve à ilustração superficial de que um homem comum se reveste, sentando-se, por alguns anos, num banco de universidade – é obra de paciência nos séculos.”
Realmente, a Evolução do espírito, com a fixação definitiva de valores ético-intelectuais, é trabalho para os séculos, e não realizado apenas sobre a Terra. Não podemos nos iludir com conquistas espirituais aparentemente efetuadas. O espírito há de ser testado de todas as maneiras – assim como, ao ser levado ao cadinho esfogueante, o aço deve sofrer sob o capricho do martelo, que, a pouco e pouco, lhe confere forma e consistência.
Muitas vezes – e muitas vezes –, o espírito reencarna em meio completamente inóspito, a fim de que tenha oportunidade de desenvolver certas qualidades, que, de outra maneira, não desenvolveria.
Muitos espíritos – é bom que se saiba – reencarnam de maneira completamente aleatória, ou seja, “aproveitando” o primeiro corpo ao qual consigam se ajustar – nada, porém, que não seja referendado pela Lei de Causa e Efeito, porque semelhante Lei, sobretudo, é de educação, e o espírito, onde estiver, caso o queira, consegue aprender sempre.
Poucos são os espíritos que podem “escolher” onde reencarnar, como reencarnar e junto a quem reencarnar – não é assim que funciona.
Daí a necessidade de angariarmos méritos, para que tais méritos, quanto possível, nos “advoguem” a causa, mesmo quando estejamos nós outros em estado de inconsciência.
Alguns espíritos, ou muitos, ou centenas, ou milhares, assim que deixam o corpo carnal, permanecem na orbita das mentes encarnadas, volitando na psicosfera do planeta, e, sem que se deem conta, são “atraídos” para um novo corpo em formação – e, não raro, pode ser corpo masculino, ou feminino, descendendo dessa ou daquela raça.
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Gúbio, continuando a preciosa peroração, acrescenta:
“Para quem anestesiou as faculdades no prazer fugitivo, a separação da carne geralmente constitui acesso a doloroso estágio na incompreensão.”
Na incompreensão de tudo, mas, principalmente, da Vida que continua...
Para milhares de espíritos, o único ponto de referência é, e, durante muito tempo, continuará sendo a Terra.
Gúbio ainda fala do perigo que pode representar viver no Mundo Espiritual sem qualquer respaldo de lucidez e/ou de ordem moral, pois, os que não os possuem, podem cair nas mãos de “loucos perigosos” – quantas crianças e adolescentes caem, na Terra, nas mãos de “loucos perigosos”, que os viciam, corrompem, escravizam, etc?!
“Loucos perigosos, por voluntários, dirigidos por inteligências soberanas, especializadas em dominação, constituem hordas terríveis que, a bem dizer, vigiam as saídas das esferas inferiores em todas as direções.”
E, ante o espanto de André Luiz, elucida:
 “... o Senhor do Universo aperfeiçoa o caráter dos filhos transviados de Sua Casa, usando corações endurecidos, temporariamente, afastados de Sua Obra. Nem sempre o melhor juiz pode ser o homem mais doce.”
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Reencarnar, portanto, para milhares de espíritos continua sendo quase uma “aventura”, na qual o espírito, com a finalidade de acordar, se arrisca na carne.
Dentro, porém, da situação a que se veja conduzido, o espírito deve procurar fazer o melhor, pois, é com base nesse melhor realizado que, a pouco e pouco, ele logrará a posse de si mesmo – posse que, infelizmente, poucos espíritos já conquistaram.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 27 de agosto de 2018