segunda-feira, 10 de setembro de 2018


XVI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo III – “Entendimento” –, André Luiz manifesta surpresa com as expedições socorristas que, muitas vezes, os espíritos mais esclarecidos organizam para atender aos encarnados, como também aos desencarnados que vibram noutra faixa mental.
Em suas palavras elucidativas, Gúbio explica:
“Somos todos, eles e nós, corações imantados uns aos outros, na forja de benditas experiências. No romance evolutivo e redentor da Humanidade, cada espírito possui capítulo especial.”
As ponderações do Instrutor nos levam a deduzir que o amparo mútuo é imprescindível à Evolução, e isto porque, simplesmente, ninguém prescinde do outro para evoluir – o outro, ou o próximo, é o nosso caminho para Deus!
Vivendo em regime de interdependência, não cuidar das necessidades alheias é expor-nos aos desastres que podem arrasar a vida dos semelhantes – quem não apaga o incêndio na casa do vizinho terá a sua casa consumida pelo fogo. Não é assim?!
Estamos empenhados num processo de evolução coletiva... Jesus Cristo, ao se corporificar na Terra, veio trabalhar pela condução das ovelhas tresmalhadas, mas também, certamente, para reafirmar-se, cada vez mais, na condição de Pastor do rebanho que o Criador Lhe confiou à tutela.
Amparar aos semelhantes, pois, é uma questão de inteligência, e de necessidade mútua.
As células, a fim de combaterem uma infecção que lhes ameaça a sobrevivência, saem de uma extremidade a outra do corpo, pois que têm interesse em preservar a integridade do organismo.
Não estamos, certamente, desconsiderando o Amor, que os espíritos lograrão em superior estágio evolutivo, mas, enquanto não nos deixamos mover pelo sentimento de Amor pelo próximo, pelo menos, devemos nos deixar levar pela inteligência.
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Gúbio pondera:
“Os perigos que nos ameaçam os entes amados de agora ou de épocas que o tempo consumiu, desde muito, não nos deixam impassíveis. Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam. A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos.”
Infelizmente, é isto que o homem ainda não compreendeu... A melhor maneira de se preservar a espécie não é através da reprodução, mas, sim, dos cuidados àqueles que nascem, favorecendo-os com melhor qualidade de vida.
As nações egoístas estão navegando numa embarcação sujeita a naufrágio... Assim como se enfatiza a questão do equilíbrio ecológico, sem harmonia moral, com os povos vivendo em regime de solidariedade, um conflito é sempre arrasador, inclusive, para quem nele supostamente triunfa.
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Reflitamos nos apontamentos do Instrutor:
“Em virtude do enigma de obsessão que nos propomos resolver, somos levados a buscar todas as personalidades que compõem o quadro de serviço. Perseguidores e perseguidos entrelaçam-se, em cada processo de auxílio, em grande expressão numérica. Cada espírito é um elo importante em extensa região da corrente humana.”
E como veremos no decorrer de nossas reflexões sobre o livro “Libertação”, quase sempre, para atender às carências de quem nos é caro, necessitamos de atender às necessidades de outros que, praticamente, nos são desconhecidos, e com os quais não temos maior afinidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 10 de setembro de 2018.