segunda-feira, 1 de outubro de 2018


XIX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No diálogo que mantém com o Instrutor, Matilde considera: “... compete-me trabalhar muito e sem desanimo, com incessante aproveitamento das horas. Moverei as cordas da intercessão, mobilizarei meus amigos, rogarei a Jesus fortaleza e serenidade. Iniciaremos a liberação com o teu abnegado concurso na zona abismal.”.
Notemos que não há quem alguma coisa faça sozinho... Matilde, embora a sua elevação espiritual, a fim de lograr a libertação de Gregório, necessitaria mover “as cordas da intercessão”. Gúbio, inicialmente, socorreria a Margarida, que, no passado, fora sua filha e que se encontrava imantada ao verdugo. A dolorosa trama, sem dúvida, também envolvia a Gúbio afetivamente. Margarida, que se encontrava encarnada, vítima de insidiosa obsessão, havia sido sua filha, e Gúbio, ao que tudo indica, igualmente, tinha responsabilidade sobre os desvios de Gregório. O Instrutor não havia sido “escolhido” aleatoriamente para a tarefa da libertação daquele que, um dia, chefiara os destinos da Igreja de Roma.
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Em resposta à solicitação de Matilde, Gúbio lhe diz: “Socorreste-me com a tua intercessão, amparando-me o zelo afetivo, perante as necessidades de Margarida. Um coração paternal é sempre venturoso, em se humilhando pelos filhos que ama. Sou simplesmente teu devedor, e, se Gregório me flagelasse nos círculos em que domina, semelhante aflição se converteria igualmente em júbilo, dentro de mim.”.
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Quem realmente ama é capaz de empreender qualquer sacrifício em prol do coração amado.
Não há quem, de fato, consiga avançar, nas sendas da evolução, esquecendo entes amados na retaguarda.
Gúbio desceria até os limites do abismo – “atravessaria” a Dimensão da Crosta, chegando às Trevas, descendo, praticamente, até o limiar do Abismo.
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Matilde, então, promete que, em momento aprazado, iria à determinada região, nos “campos de saída”, encontrar-se, pessoalmente, com Gregório. (“A expressão “campos de saída” define lugares-limites entre as esferas inferiores e superiores.” – Nota de André Luiz).
Entre as Dimensões diferentes existem vários “pontos de contato”, ou “portais magnéticos”, semelhantes às “passagens” às quais, modernamente, a Física denomina “buracos de minhoca”, que são considerados um “atalho” através do espaço e do tempo.
O termo “buraco de minhoca”, criado por um físico estadunidense, John A. Wheller, em 1957 – um século após o lançamento de “O Livro dos Espíritos” –, é antecipado por André Luiz, em 1949!...
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Ainda materializada, Matilde considera, em despedida: “Seguir-te-ei a ação e aproximar-me-ei no instante oportuno. Creio na vitória do amor, logo resplandeça o minuto do reencontro. Nesse dia abençoado, Gregório e os companheiros que mais se afinarem com ele serão trazidos por nós a círculos regeneradores e, dessas esferas de reajustamento, conto reorganizar elementos ante o futuro promissor, sonhando em companhia dele as realizações que nos competem alcançar.”.
 A expedição socorrista, em direção às Trevas, estava prestes a partir, com Gúbio, Elói e André.
Não seria fácil a tarefa da “descida”, pois que os três deveriam promover o adensamento de seu próprio corpo espiritual, passando a viver na situação de “agêneres” por tempo mais ou menos longo – caso tal não acontecesse, eles não teriam condições ser “vistos” e “ouvidos” pelos espíritos daquela “cidade estranha”, e, consequentemente, de se entenderem com eles diretamente, através da palavra articulada.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 1 de outubro de 2018.