segunda-feira, 24 de dezembro de 2018


XXX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Precisamos compreender que a redação erudita e gramaticalmente perfeita nas obras de André Luiz, pertence a ele, o seu Autor espiritual. Os diálogos são recontados por ele, de vez que, com certeza, a palavra dos espíritos infelizes não poderia ser tão precisa em seus argumentos quanto nos parece ser. André realizou verdadeira síntese, preservando, claro, a essência das lições transmitidas. E, em mediunidade, é quase sempre assim que acontece, cabendo ao espírito autor de qualquer obra, em parceria com o médium, tornar a sua redação tão clara e fiel quanto possível aos acontecimentos, sem, no entanto, faltar com a verdade dos fatos aos leitores.
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No capítulo sobre o qual refletimos – “Operações Seletivas” –, André continua a relatar a palavra de um dos “juízes” que efetuava a avalição daquela pequena multidão desencarnada, distribuindo sentenças de acordo com a sua orientação teológica – um tribunal “montado” além da morte, para “suprir” as expectativas daqueles que, mentalmente, esperavam ser “julgados”, a fim de que, segundo as suas concepções de crença religiosa, fossem destinados ao Céu, ao Inferno ou ao Purgatório. Impressionante como a sugestão mental prevalece nos espíritos por séculos, incapazes de conceberem ideias diferentes das que lhe foram impostas.
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“Amaldiçoados sejam pelo Governo do Mundo – prosseguia o implacável “juiz” – quem nos desrespeite as deliberações, baseadas, aliás, nos arquivos mentais de cada um.”
“Quem nos acusa de crueldade? Não será benfeitor do espírito coletivo o homem que se consagra à vigilância de uma penitenciária? e quem sois vós, senão rebotalho humano? Não viestes, até aqui, conduzidos pelos próprios ídolos que adorastes?”
Notemos que o espírito estava convicto de que, em nome das Leis Divinas, lhe competia julgar e sentenciar aquelas almas fora do corpo, que haviam cometido inúmeros equívocos na experiência terrestre...
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Ante a turba que começou a gritar por perdão, o “magistrado” continuou:
“Perdão? Quando desculpastes sinceramente os companheiros de estrada? onde está o juiz reto que possa exercer, impune, a misericórdia.”
Por mais nos pareça estranho, concluímos que, infelizmente, tais “tribunais” são necessários por corrigenda às mentes infantilizadas, que não estão amadurecidas para as realidades que transcendem.
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Neste instante, o “juiz” solicita que se aproxime uma mulher, determinando que ela confessasse os seus crimes.
“A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão de que rezava o ‘confiteor’ e gritou, lacrimosa:
- Perdoai-me! Perdoai-me, ó Deus meu!”
E começa a relatar que matara quatro filhinhos, com o auxílio de seu esposo, que lhe fora comparsa.
O “magistrado” indaga, em voz alta:
“Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?”
“A sentença foi lavrada por si mesma! não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba”...
E ali, de consciência culpada, a recordação de seus crimes vindo à tona, o espírito daquela mulher, sob a indução hipnótica das palavras do “magistrado”, começa a se transfigurar, no fenômeno denominado “licantropia”...
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Quantos de nós não traremos, escondida sob a condição humana, a forma de uma fera qualquer?! Quantos, realmente, pelos crimes cruéis que são capazes de praticar, mais nos parecem animais do que gente?! – com todo o respeito que os animais, nossos irmãos inferiores, nos merecem, muitos deles em condições de docilidade que os considerados humanos ainda não demonstram possuir?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 24 de dezembro de 2018 (*).

(*) Informamos aos nossos irmãos e irmãs que estaremos de volta com as postagens do Blog no dia 21 de janeiro de 2019. Muito grato.