segunda-feira, 1 de julho de 2019


LIV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Na sequência, Gúbio tece considerações importantes sobre a condição geral dos espíritos fora do corpo, ou seja, desencarnados:
- (...) Desfazer-se alguém do veículo de carne não é iniciar-se na divindade. Há bilhões de espíritos em evolução que rodeiam os homens encarnados, em todos os círculos de luta, muito inferiores, em alguns casos a eles mesmos e que, facilmente, se convertem em instrumentos passivos de seus desejos e paixões. Daí, o imperativo de muita capacidade de sublimação para quantos se consagram ao intercâmbio entre os dois mundos, porque, se a virtude e transmissível, os males são epidêmicos.
Sem dúvida, as palavras acima VALEM O LIVRO.
“Há bilhões de espíritos...” – Quantos seriam?! Acaso os nossos irmãos e irmãs internautas já pensaram no assunto?! A Terra, hoje, com mais de sete bilhões de encarnados! A questão mediúnica, sem dúvida, carece de ser reexaminada pelos estudiosos e pelos espíritas em geral, porque, repetimos o que já dissemos alhures, não basta o nome desse ou daquele espírito na capa de um livro ou assumindo a autoria de qualquer comunicado para referendá-lo moralmente – tampouco, neste sentido, o nome de um espírito encarnado que se projetou nos meios doutrinários, valendo-se de métodos escusos, e pouco, ou melhor, muito pouco recomendáveis em seus labores, até de décadas...
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Em desdobramento, o psiquista, dialogando com o espírito que o assessorara, é convencido por ele de que o caso de Margarida não era de ordem espiritual, mas, sim, orgânica.
Disse-lhe:
- Não, não, isto não! Esclareça a problema. O enigma é de medicina comum. Sistema nervoso em frangalhos. Esta senhora é candidata aos choques da casa de saúde. Nada mais.
O psiquista, em vão, ainda tenta algo, sensibilizado com a situação da infeliz consulente.
O fenômeno mediúnico era autêntico, todavia, Gúbio esclarece:
- (...) os companheiros de ideal cristão, corporificados na Crosta da Terra, vão compreendendo agora que o fenômeno em si é tão rebelde quanto o rio encachoeirado que rola a esmo, sem comportas, sem disciplina. Jamais endossaremos um Espiritismo dogmático e intolerante.
Vale a repetição, evidentemente, a quem tenha ouvidos de ouvir, de vez que muitos espíritas andam moucos faz um tempão: “JAMAIS ENDOSSAREMOS UM ESPIRITISMO DOGMÁTICO E INTOLERANTE.” E o dogmatismo e intolerâncias espíritas chegaram às raias do absurdo na atualidade do pobre Movimento, distorcido pela vaidade de seus pretensos líderes, com o endosso de Instituições tomadas de assalto pelas trevas.
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No final do parágrafo, Gúbio arremata com mestria:
- É por esta razão que pugnamos pelo Espiritismo com Jesus, única fórmula de não nos perdermos em ruinosa aventura.
E, de fato, a aventura do Movimento, até a presente data, tem sido ruinosa, e poderá vir a ser muito mais ainda, principalmente com a “neutralidade” dos espíritas “taipeiros”, ou, para os que não estão afetos à linguagem caipira, dos espíritas acostumados a ficar “em cima do muro”...
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Gabriel, o esposo de Margarida, recebe do psiquista a orientação de que deve conduzi-la, ou dar prosseguimento ao tratamento psiquiátrico que a consumia aos poucos.
Saldanha, o representante das trevas (Gregório) festejou a vitória, abraçando os cooperadores e exortando-os:
- Vamos amigos! Quem começa a vingança dever marchar seguro até ao fim.
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Inútil, porém. Simples questão de pouco mais ou pouco menos de tempo, porquanto, na Terra quanto no Além, as trevas jamais triunfarão sobre a luz.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 1 de julho de 2019.