Ensaio Sobre o
Esquecimento - I
(Apenas para Reflexão dos Interessados)
Sem dúvida, o esquecimento das existências passadas é uma das
Leis que, nos mundos menos evolvidos, funciona na bênção da Reencarnação.
O esquecimento, porém, não é absoluto, e menos absoluto se
torna à exata medida em que o espírito avança na escala evolutiva.
Ao que já se sabe, o olvido das vidas anteriores, em muitos
espíritos, continua a viger no Mundo Espiritual – poucos são os que, mesmo na
condição de desencarnados, têm acesso às reminiscências do pretérito.
Em alguns espíritos, a lembrança de experiências vivenciadas
por ele no tempo, quando, outra vez, toma o corpo material, pode se apresentar
em forma de intuição, de inclinações, tendências vocacionais ou não, etc.
O propósito deste pequeno ensaio é o de afirmar aos
estudiosos interessados no tema, que o esquecimento, não raro, igualmente se
apresenta ao espirito em relação à sua vida imediatamente anterior ao
desenlace.
Alguns pontos, que consideramos lógicos, corroboram, neste sentido,
as nossas conclusões.
Assim como o espírito encarnado não pode, e não deve, viver
em função de suas existências anteriores, o desencarnado, igualmente, não pode,
e não deve, viver em função de suas reminiscências no corpo recentemente
deixado.
Caso o espírito, ao deixar o corpo, conservasse, integrais,
as recordações da experiência finda, ele haveria de se sentir afetado tanto
quanto afetado se sentiria na condição de encarnado com as lembranças de vidas
anteriores.
Cremos que, qual ocorre com crianças, que, nos primeiros anos
de seu regresso ao corpo físico possui certos lampejos do passado, nos
primeiros tempos – dias, meses e alguns poucos anos – de sua desencarnação o
espírito pode, perfeitamente, inclusive com detalhes, conservar na memória traços
de sua permanência no corpo.
Em alguns espíritos, ou muitos, esses traços mnemônicos
possuem a função de permitir que a consciência acione o “gatilho” do remorso,
do arrependimento, para que lhes enseje a visão das faltas cometidas e, sendo o
caso, o desejo de reparação – embora seja comum que muitos espíritos, somente
bem mais tarde, venham a ter esse desejo de reparação despertado.
O esquecimento do passado, às avessas, ou seja da Terra para
o Mundo Espiritual, possibilita ao espírito um certo desapego indispensável à
sua mais perfeita integração ao seu novo habitat.
Portanto, somos de opinião, que os nossos irmãos encarnados,
em seus elucubrações filosófico-doutrinárias, deveriam, sim, cogitar da
existência desse esquecimento às avessas, de vez que a lembrança integral do
espírito do que ele tenha vivenciado na Terra interferiria em nova realidade
existencial, com os efeitos sendo praticamente os mesmos que decorreriam caso,
ao reencarnar, ele não olvidasse o passado.
Talvez, voltemos, quando oportuno, a novas considerações.
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 5 de Fevereiro de 2023.