domingo, 17 de março de 2019


XXXIX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VII – “Quadro Doloroso” –, André Luiz e Elói prosseguem estudando, através das elucidações de Gúbio, a questão dos corpos “ovóides”. Notemos que já é o segundo capítulo do livro que André, praticamente, dedica ao estudo dos espíritos que, no Mundo Espiritual, “perderam” a forma humana, não sendo, pois, um registro eventual do autor de “Libertação”.
*
Nos primeiros parágrafos do referido capítulo, André se detém a descrever o cenário que tanto o impressionara naquela “cidade estranha”:
- Aleijados de todos os matizes, idiotas de máscaras variadas, homens e mulheres de fisionomia torturada, iam e vinham. Ofereciam a perfeita impressão de alienados mentais. Exceção de alguns que nos fixavam de olhar suspeitoso e cruel, com manifesta expressão de maldade, a maior parte, a meu ver, situava-se entre a ignorância e o primitivismo, entre a amnésia e o desespero.
André ainda diz que a cidade apresentava-se em desmantelo, com “detritos a transparecerem de toda parte”, o que leva o leitor a supor que tais entidades, inclusive, fizessem as suas necessidades em plena rua – e que o lixo, igualmente, fosse abundante em quase todos os lugares – a cidade, por assim dizer, era/é um “lixão” a céu aberto!...
Imaginemos, assim, as condições sanitárias em que viviam, e vivem, a população da referida urbe, contraindo as mais diversificadas moléstias em seu corpo espiritual.  Não nos espantemos, porquanto sabemos que, sobre a Terra, num país, por exemplo, como o Brasil, as condições sanitárias de várias cidades ainda deixam muito a desejar. Inúmeras doenças entre os encarnados são oriundas da falta de higiene e de limpeza nas casas e nos logradouros públicos!...
*
Por mencionarmos o assunto, segue outra questão aos nossos internautas:
- No Mundo Espiritual, principalmente nas Dimensões mais próximas, o perispírito é passível de contrair determinadas enfermidades, que passam a requerer tratamento médico especializado no Além?!...
E, com a sua permissão, mais outra:
- O carma... Esgotar-se-ia para o espírito com a morte do corpo físico, no qual, não raro, ele costuma se imprimir?!...
*
Sei não! Está faltando muito estudo a respeito, não é?!... Mas, sigamos adiante.
*
André Luiz informa em determinado parágrafo do capítulo em exame que “as mentes extraviadas, de modo geral, lutam com ideias fixas, implacáveis e obcecantes, gastando muito tempo a fim de se reajustarem.”
Ideias fixas – elas podem perdurar séculos! Acontece de o espírito reencarnar inúmeras vezes, sem, no entanto, conseguir a completa liberação dos pensamentos cristalizados, que, apenas gradativamente, vão se desfazendo... Daí a necessidade do “choque biológico” do fenômeno reencarnação/desencarnação/, que, para o espírito, não deixa de funcionar quase como o chamado “eletrochoque”, ou eletroconvulsoterapia, método terapêutico, sem dúvida, sujeito a muitas discussões acadêmicas, em cujo mérito não entraremos agora.
*
André, um pouco adiante, considera:
- Fossem poucos os transeuntes infelizes e poder-se-ia pensar num serviço metódico de assistência individual; mas, que dizer e uma cidade constituída por milhares de loucos declarados?
A “cidade estranha” era uma cidade de “zumbis”, sob o domínio de mentes cruéis que os mantinham em cativeiro, que películas cinematográficas quase conseguem retratar com perfeição na atualidade. Porém, caso não vivessem ali, onde é que haveriam de viver?! Vagando por que caminhos, ou estradas?! O que haveriam de comer e beber?! Ou será que tais entidades não carecem ter os seus envoltórios alimentados, e de se protegerem das intempéries?!...
Chega de perguntas, não é?!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de março de 2019.