domingo, 10 de fevereiro de 2019


XXXIV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VI, do livro em estudo, as informações prosseguem reveladoras, com Elói e André recebendo esclarecimentos de Gúbio, que se refere aos “corpos ovóides”, ou aos espíritos que regrediram no que tange à forma, pois, psiquicamente, não lograram sustentar a forma humana, que, no entanto, lhes permanece intrínseca.
O espírito, conforme ensina Kardec, não regride moralmente, mas, transitoriamente, pode, sim, não mais exercer controle mental sobre a sua forma humana.
André descreve: “... reparei, não longe de nós, como que ligadas às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas, obscuras. Semelhavam-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento.”
Tais “corpo ovóides”, em sua forma “concentrada”, podem ser comparados às “mônadas” da evolução inicial dos seres. Imaginemos um ovo de qualquer ave que, essencialmente, encerra a forma da espécie a que pertence. Não nos esqueçamos, de outro lado, que, praticamente, todo espírito reencarnante se transfigura em “ovóide”, tendo suprimido em seu corpo espiritual os implementos característicos do corpo humano.
Avançando um pouco mais, podemos dizer que o espírito, ao transcender a sua humanidade, retorna ao estado de origem, ou seja, de mônada, porém completamente lúcido. Em “O Livro dos Espíritos”, quando discorrem sobre a forma dos espíritos, os Autores da Codificação afirmam que, em si, o espírito é “uma flama, um clarão ou uma centelha etérea”.
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O “ovóide” nada mais que a expressão do “corpo mental”.
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No livro “Evolução em Dois Mundos”, atestando, em passant, a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual, André Luiz escreveu no capítulo II, da lavra mediúnica de Chico Xavier: “Esse corpo (perispírito) que evolve e se aprimora nas experiências de ação e reação, no plano terrestre e nas regiões espirituais que lhe são fronteiriças, é suscetível de sofrer alterações múltiplas, com alicerces na adinamia proveniente da nossa queda mental no remorso, ou na hiperdinamia imposta pelos delírios da imaginação, a se responsabilizarem por disfunções inúmeras da alma, nascidas do estado de hipo ou hipertensão no movimento circulatório das forças que lhe mantêm o organismo sutil, e pode também desgastar-se, na esfera imediata à esfera física, para nela se refazer, através do renascimento, segundo o molde mental preexistente, ou ainda restringir-se à fim de se reconstituir de novo, no vaso uterino, para a recapitulação dos ensinamentos e experiências de que se mostre necessitado, de acordo com as falhas da consciência perante a Lei.”
No texto acima está clara a questão da Reencarnação no Mundo Espiritual.
Não raro, para se reconstituírem, em seus corpos perispirituais, os corpos “ovóides” carecem de renascer no Mundo Espiritual, antes que voltem a reencarnar na Esfera Física.
O assunto, sem dúvida, é intrigante e maravilhoso, não obstante apenas para aqueles que não se encontram presos a preconceitos, ou que insistem em seus velhos dogmas doutrinários – dogmas que a Doutrina, em absoluto, não possui, mas nos quais muitos ainda sentem necessidade de se apoiarem endossando interesses de ordem pessoal.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de fevereiro de 2019.



domingo, 3 de fevereiro de 2019


XXXIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Continuando as suas elucidações no capítulo VI – “Observações e Novidades”, Gúbio faz importante revelação a respeito das “inteligências sub-humanas”:
“Aqui mesmo, nesta cidade, tínhamos, a princípio, autêntico império de vidas primitivas que, pouco a pouco, se fez ocupado por extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis. Entrincheiravam-se nestes sítios, guardando o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa, e exercem funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas...”
Destacamos os ensinamentos:
1 – A cidade, ou o espaço correspondente a ela, era ocupado por vidas primitivas, que, evidentemente, careciam de evolver, ou seja, de ser “impulsionadas” a sair da mesmice evolutiva em que se encontravam.
2 – Tais vidas primitivas, então, foram “dominadas” por “extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis”, que, certamente, embora as escravizando, induziram-nas a trabalhar, e, de alguma sorte, desenvolver a sua capacidade intelectual. Vejamos que o “processo” é semelhante ao que ocorreu, e tem ocorrido, ao longo da história da Humanidade, em que alguns povos são submetidos a outros, que terminam por lhes ensejar algum bem.
3 – Essas “almas vaidosas e cruéis”, segundo Gúbio, entrincheiravam-se, e entrincheiram-se, com “o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa”, opondo-se às Leis Divinas – fugindo à Lei do Carma, ansiando por perpetuarem-se no poder, enfim, amotinarem-se contra o Criador – almas insanas, quais, sobre a Terra, deparamo-nos com tantas, que imaginam que lograrão enganar a Eterna Justiça.
4 – “... funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas...” Na sequência, esclarece o Instrutor: “Usam a violência em largas doses, todavia, no curso dos anos, a influenciação intelectual delas trará grandes benefícios aos oprimidos de agora e estejamos convictos de que, apesar de blasonarem inteligência e poder, permanecerão nos postos que ocupam apenas enquanto perdurar o consentimento da Divina Direção...” – o mal a serviço do Bem. Como ensinou Jesus sobre a necessidade do escândalo... Essa situação de opressão – ela mesma – termina por “fermentar” e, assim, possibilitar o surgimento de lideranças libertárias e progressistas, que levam ao povo escravizado a novas concepções existenciais. Tal fenômeno pode ser apreciado na história política, social, religiosa, etc, de todos os povos.
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Que “inteligências sub-humanas” serão as referidas por Gúbio?! Certamente, seres racionais, ou completamente racionais, ainda não são – são “sub-humanos”! Sem dúvida, o Instrutor se refere aos espíritos denominados, genericamente, de “elementais”, que, aliás, se fazem presentes em literatura de ficção de muitos autores encarnados. No livro “Roteiro”, de Emmanuel, no capítulo 9, “O Grande Educandário”, o Benfeitor Espiritual, igualmente, se refere a “bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços do progresso planetário”...
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Essas “criaturas” – Gúbio não as denomina de “espíritos”, posto não terem ainda atingido a razão plena – constituem um elo de transição entre a animalidade e a racionalidade, entre o instinto e a inteligência, uma espécie que, digamos, se situaria entre o macacóide e o homem propriamente dito.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de fevereiro de 2019.  



domingo, 27 de janeiro de 2019


XXXII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VI – “Observações e Novidades” – do livro “Libertação”, André Luiz afirma que, por ordem de Gregório, os três – Gúbio, Elói e ele – foram alojados num aposento de janelas gradeadas, que os mantinham em condição de cativeiro.
O texto a seguir, na palavra de Gúbio, enseja, sem dúvida, muitas reflexões aos estudiosos:
“Não mediste ainda – respondeu, prestimoso –, a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contato conosco e a maior percentagem desses semi libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente.”
Vejamos: passadas algumas décadas do que Gúbio disse a André, a situação por ele exposta ainda não se alterou... Durante o sono físico, “três quartas partes da população” encarnada, praticamente, “invade” as zonas espirituais mais próximas, que, então, fica superpovoada – na atualidade, mais de cinco bilhões de almas, semi libertas do corpo, mantém contato mais direto com o Plano Espiritual ao redor... Imaginem os nossos irmãos o que, então, é suscetível de acontecer. Notemos, ainda, como a existência de Leis que regulem o contato do Mundo Físico com o Mundo Espiritual, e vice-versa, são imprescindíveis, pois, caso contrário seria uma calamidade...
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Continuando, esclarece o Instrutor:
“Por aqui, muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos de carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas.”
Talvez, aqui, devêssemos apenas silenciar para pensar nos “dramas” que se entabulam entre os Dois Mundos – as tramas terríveis, as sugestões, as hipnoses, o vampirismo, o assédio/contato sexual, etc... Mais uma vez, aproveitamos para recordar ao homem a importância da oração antes de ele se entregar ao repouso físico! – a importância de sanear, psiquicamente, os seus aposentos, valendo-se de pensamentos elevados, de leitura edificante, de conversas sobre assuntos nobres...
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Gúbio, logo adiante, acentua com sabedoria:
“O homem encarnado vive simultaneamente em três planos diversos. Assim como ocorre à árvore que se radica no solo, guarda ele raízes transitórias na vida física; estende os galhos dos sentimentos e desejos nos círculos de matéria mais leve, quanto o vegetal se alonga no ar; e é sustentando pelos princípios sutis da mente, tanto quanto a árvore é garantida pela própria seiva. Na árvore, temos raiz, copa e seiva por três processos diferentes de manutenção para a mesma vida e, no homem, vemos corpo denso de carne, organização perispirítica em tipo de matéria mais rarefeita e mente, representando três expressões distintas de base vital, com vistas aos mesmos fins.”
Habitualmente, nem mesmo os estudiosos do Espiritualismo mais avançado costumam pensar que o homem vive, simultaneamente, em três planos diversos!
No livro “No Mundo Maior”, no capítulo 3 – “A Casa Mental” –, André Luiz se refere à transcendente questão do Inconsciente, do Consciente e do Superconsciente, que possibilita ao espírito certa onipresença no tempo, abarcando Passado, Presente e Futuro.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de janeiro de 2019.


domingo, 20 de janeiro de 2019


XXXI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Comentando o fenômeno de “licantropia”, a que tivera oportunidade de presenciar, envolvendo pobre espírito de uma mulher, André perguntou a Gúbio se ela permaneceria no “aviltamento da forma”...
Sintetizando a resposta do Instrutor, transcrevemos: “Tudo, André, em casos como este se resume a problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida.”
Caberia àquela entidade feminina movimentar-se interiormente, a fim de conseguir libertar-se da hipnose, a que, com base na consciência culpada, ela fora induzida.
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Vejamos agora que intrigante.
O “magistrado” anunciou, em seguida, que Espíritos Seletores haveriam de se materializar naquele ambiente! – em meio àquele verdadeiro “tribunal” montado além da morte... Uma pergunta se nos impõe, tomando a liberdade de transferi-la para os nossos internautas: - De onde procederiam tais “Espíritos Seletores”, que haveriam de se materializar na cidade dos gregorianos?!
Conta André: “E pouco a pouco, diante de nossos olhos assombrados, três entidades tomaram forma perfeitamente humana...”
Que entidades seriam essas, cuja autoridade era acatada, inclusive, pelos “magistrados” que efetuavam o julgamento daquelas almas que não atinavam com as realidades profundas da Vida de além-túmulo?!
O próprio autor espiritual de “Libertação” diz: “Ainda não sei de que recôndita organização provinham tais funcionários espirituais; no entanto, reparei que o chefe da expedição tríplice mostrava infinita melancolia na tela fisionômica.”
Com certeza, digo-lhes, de minha parte, que não provinham das Altas Esferas – possivelmente, haviam atravessado as fronteiras de alguma Dimensão paralela onde se reuniam, e se reúnem, com as suas organizações religiosas, que insistem em manter, arrebanhando almas ao seu modo de “pensar” a Criação Divina.
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Os espíritos que estavam ali sendo “julgados”, com certeza, caso considerados culpados, seriam condenados a expiações semelhantes àquelas nas quais haviam acreditado, ou fingido acreditar, quando encarnados.
Tudo induz o leitor atento a admitir que, naquela “cidade estranha”, estava sendo protagonizado um “julgamento” de acordo com o sistema teológico da Igreja Católica – aquelas entidades esperavam, naquele arremedo de “Purgatório”, a sua liberação para o “Céu”, ou a sua condenação ao “Inferno”...
Notemos o poder extraordinário da mente, que organiza para si, além da morte, o cenário em que há de continuar vivendo, iludindo-se para desiludir-se só Deus sabe quando...
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Vale ressaltar que os “Espíritos Seletores” portavam um aparelho – “um captador de ondas mentais” –, uma espécie de avançado “detector de mentiras”, que colocava à mostra os pensamentos e as intenções dos espíritos sob exame – a aura daquelas entidades registrava a condição de cada uma delas, como se lhes “radiografando” as emoções.
Tais aparelhos haverão, sim, sem demora, de aparecerem na Crosta, servindo como auxiliares na identificação íntima dos encarnados.
No livro “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz a eles se refere com o nome de “psicoscópio”.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de janeiro de 2019.