domingo, 18 de fevereiro de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLV

Em seus reveladores esclarecimentos, constantes do capítulo 44, de “Nosso Lar”, André Luiz, sob a supervisão de um colegiado de altos Mentores, em suas informações, acrescenta: “Há esferas de vida em toda parte (...), o vácuo sempre há de ser mera imagem literária. Em tudo há energias viventes e cada espécie de seres funciona em determinada zona da vida.”
Como somos pobres ao imaginarmos que a única espécie de “energia vivente”, que existe na Criação, é a humana! – fosse assim, creio mesmo, de minha parte, que a Criação Divina não se justificaria, porque teria criado uma imensidão completamente inútil. Contudo, corroborando o que os Espíritos adiantaram a Kardec, quando disseram, em “O Livro dos Espíritos”, que o vazio absoluto não existe (resposta à pergunta 36 – “Não, nada é vazio. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos.” - grifamos), André Luiz esclarece que essas “energias viventes”, para as quais ele sequer encontrou terminologia adequada, são seres que, igualmente, anseiam pela evolução.
Mesmo quando, na atualidade, cogita-se dos chamados “alienígenas”, ou dos seres extraterrestres, não se está fazendo justiça à diversidade da Vida existente no Universo. A verdade é que o ser humano é quase, ainda, um ser reptiliano, que se arrasta na lama de sua própria indigência espiritual... Imaginemos o que Jesus Cristo, que já houvera transcendido as questões da forma conhecida por nós outros, deve ter sentido quando, por amor à Humanidade, expôs-se à nova imersão nos fluidos pesados da matéria – um Anjo constantemente acossado por criaturas primitivas que O estraçalharam!...
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Quase nos derradeiros parágrafos do capítulo em estudo, André Luiz, registrando as palavras de Lísias, anotou:
- “Naturalmente, como aconteceu a nós outros, você situou como região da existência, além da morte do corpo, apenas os círculos a se iniciarem da superfície do globo para cima, esquecido do nível para baixo. A vida, contudo, palpita na profundeza dos mares e no âmago da terra. Além disso, há princípios de gravitação para o espírito, como se dá com os corpos materiais.”
Em outras palavras: não adianta o espírito querer ascender sem peso específico adequado em seu corpo espiritual – peso com que possa vencer a gravidade e se preservar, e, então, permitir a ele que paire nas regiões consideradas superiores.
A Parábola do Filho Pródigo, uma das mais completas em nossa opinião, que aborda toda a questão metafísica da evolução, ensina que o filho, que deliberara sair da Casa do Pai, foi “caindo”, ou seja, “partiu para uma terra distante”, onde, por fim, ele se fixou e da qual começou a levantar-se... A mônada, saindo do seio do Criador, projetou-se no Espaço, detendo-se, em sua “queda”, ou em sua projeção, onde pode, psiquicamente, harmonizar-se com a vida ao redor. Mais profundamente ainda, talvez, poderia ter caído, caso a sua “queda” não tivesse sido interrompida pelo fato dela ter “caído em si”...
Somente quando o espírito “cai em si” ele deixa de continuar “caindo”, e, assim, começa a se levantar, ou empreender a sua viagem de volta à Casa Paterna.
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Encerrando aquele diálogo com André, sentencia Lísias:
“ – Qual acontece a nós outros, que trazemos em nosso íntimo o superior e o inferior, também o planeta traz em si expressões altas e baixas, com que corrige o culpado e dá passagem ao triunfador para a vida eterna.”
Por tal motivo, André Luiz, além de se referir às Dimensões Espirituais – um planeta dentro de outro, qual deve existir um Universo dentro de outro, como há um corpo dentro de outro –, menciona a existência das chamadas Subdimensões, que, assim, tornam a questão das muitas moradas da Casa do Pai muito mais complexa e abrangente.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 19 de fevereiro de 2018.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLIV

Finalmente, no capítulo 44, André Luiz nos fala sobre a Dimensão das Trevas, ou seja, sobre a existência de um Planeta, subcrostal, denominado “Trevas” – de início, convém esclarecer que todas as Sete Esferas da Terra, ou Sete Dimensões, são desdobramentos naturais do próprio Orbe Terrestre.
André Luiz, assim, nos enseja, através de sua Obra Reveladora, verdadeira Revelação da Revelação: falar em Mundos Espirituais, no plural! O referido autor espiritual, através de Chico Xavier, pluralizou o Mundo Espiritual, dando maior significado as palavras de Jesus quando ensinou que há muitas moradas na Casa do Pai.
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Solicitando explicações de Lísias, a respeito do que ouvira do Governador, em sua referência a Terra, ao Umbral e às Trevas, André registrou:
- Chamamos Trevas às regiões mais inferiores que conhecemos. Considere as criaturas como itinerantes da vida, Alguns poucos seguem resolutos, visando ao objetivo essencial da jornada. São os espíritos nobilíssimos, que descobriram a essência divina em si mesmos, marchando para o alvo sublime, sem vacilações. A maioria, no entanto, estaciona, Temos então a multidão de almas que demoram séculos e séculos, recapitulando experiências. Os primeiros seguem por linhas retas. Os segundos caminham descrevendo grandes curvas.
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Em obras posteriores, não olvidemos que André Luiz ainda há de se referir à Dimensão do Abismo – notadamente na obra “Obreiros da Vida Eterna”! Conforme já tivemos ensejo de mencionar, a Obra Andreluizina nos leva a efetuar uma viagem no tempo – tanto nos leva ao Futuro, quando nos conduz à cidade de “Nosso Lar”, construída em zona superior do Umbral, quanto nos leva ao Passado, em seus preciosos relatos enfeixados no livro “Libertação”.
Há, ainda, em “Nosso Lar”, discreta menção a uma Quinta Dimensão, ou Terra, que é justamente aquela habitada por sua genitora, que, para estar com ele em “Nosso Lar”, carece de se materializar.
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André, dialogando com Lísias, anota:
- Outros (espíritos), preferindo caminhar às escuras, pela preocupação egoística que os absorve, costumam cair em precipícios, estacionando no fundo do abismo por tempo indeterminado. Compreendeu?”
Atentemos para a questão do livre arbítrio que preside a evolução do espírito: “preferindo caminhar às escuras”! Vejamos quanto, por simples questão de preferência, ou de escolha, podemos nos atrasar por séculos e séculos – por milênios, mesmo!
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Interessantíssima a pergunta de André:
- Entretanto, que me diz dessas quedas? Verificam-se apenas na Terra? Somente os encarnados são suscetíveis de precipitação no despenhadeiro?
Eis a preciosa resposta de Lísias, sobre a qual, infelizmente, muitos espíritas evitam refletir:
- Em qualquer lugar, o espírito pode precipitar-se nas furnas do mal...
No Mundo Espiritual, o espírito não apenas continua sujeito aos seus antigos carmas, quanto é passível de criar outros novos, porque a vida do espírito no Mais Além igualmente é presidida pela Lei de Causa e Efeito – no Mundo Espiritual também se planta e também se colhe!...
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Cada vez mais se patenteia no estudo das Obras de André Luiz, pela lavra mediúnica de Chico Xavier, que a encarnação, para a evolução do espírito, não passa de mero detalhe, ou de um estágio a mais para o seu crescimento.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 12 de fevereiro de 2018.







domingo, 4 de fevereiro de 2018

COMO VOCÊ INTERPRETA?! XLIII

Prosseguindo, no capítulo 43, de “Nosso Lar”, o Ministro Benevenuto, que tecia considerações sobre a iminência da guerra de 1939 a 1945, escuta um dos circunstantes a lhe indagar: - “Mas, o Espiritismo? (...). – Não surgiram as primeiras florações doutrinárias na América e na Europa, há mais de cinquenta anos? Não continua esse movimento novo a serviço das verdades eternas?”
A verdade, porém, é que o Espiritismo não logrou cumprir com a sua tarefa em solo europeu... Embora os esforços do Mundo Espiritual Superior e o de Allan Kardec, as trevas, momentaneamente, terminaram por prevalecer contra a Terceira Revelação, e, logo que o Codificador deixou o corpo, em 1869, disputas internas, principalmente as fomentadas por Leymarie, comprometeram a Doutrina. No que pesem todos os esforços dos adeptos sinceros, tendo à frente a viúva Allan Kardec, Amèlie Gabrielle de Lacombe Boudet, Leymarie, interessado em dinheiro e poder, cedeu espaço à Teosofia, deixando que as sucessivas guerras nas quais a França se envolveu terminasse com o trabalho de empanar o brilho da Doutrina na Europa.
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Benevenuto sentencia nas páginas de “Nosso Lar”: “O Espiritismo é a nossa grande esperança e, por todos os títulos, é o Consolador da humanidade encarnada; mas a nossa marcha é ainda muito lenta”.
Tendo se transferido – a Árvore do Evangelho – para o solo espiritual do Brasil, conforme narra, magistralmente, Humberto de Campos, nas páginas de “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, o Espiritismo, outra vez, está sob a mesma ameaça que fez com que ele se exilasse da Europa, pela ação quase dos mesmos espíritos que, a serviço das Trevas, impediram lá o seu maior florescimento.
De maneira estranha, os adversários da Causa seguiram Kardec ao Brasil, sendo que ele, tendo se corporificado como Chico Xavier, desde o começo de seu apostolado, em 1927, foi e vem sendo perseguido por aqueles que intentem lhe minimizar o esforço de complementar a Codificação. O trabalho missionário de Chico, da parte de alguns, vem sendo mesmo tratado com descaso.
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Chico dizia que Leymarie havia sido o “coveiro do Espiritismo na França”, e, ao que nos parece, prossegue ele, novamente encarnado, com a sua vocação para o sepultamento das ideias legítimas em torno da Doutrina do Consolador. Festejado como um de seus maiores líderes, como, igualmente, no século XIX, Leymarie, cria uma vertente psicológica no Espiritismo, que passa a concorrer com a evangelização do espírito de Emmanuel, que sempre se colocou a serviço do Cristo. Os estilos das Obras Mediúnicas da lavra de Chico Xavier são literalmente “copiados”, intento apenas não conseguido, pelos espíritos pseudossábios que o assistem, no campo da Poesia, porque não lograram imitar “Parnaso de Além-Túmulo”, e tampouco plagiar o inconfundível estilo literário de Humberto de Campos, por absoluta incapacidade espiritual e intelectual dos autores da mistificação.
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O Espiritismo, na atualidade, corre sério risco no Brasil, porquanto, infelizmente, contam-se às dezenas os que se matricularam na escola de Leymarie, olvidando os exemplos de vivência evangélica de Chico Xavier, que se caracteriza por ensinar e colocar a Doutrina em prática “á sombra do Abacateiro”.
Praticamente, com todas as Federações nas mãos, e o Movimento organizado em geral, Leymarie continua trabalhando para superar Kardec – a sua obcecante ideia, só Deus sabe desde quando!
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Benevenuto, no entanto, encerra as suas considerações, com palavras de otimismo: “Nossos serviços são astronômicos. Não esqueçamos, porém, que todo homem é semente da divindade. Ataquemos a execução de nossos deveres com segurança e otimismo, e estejamos sempre convictos de que, se bem fizermos a nossa parte, podemos permanecer em paz, porque o Senhor fará o resto”.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 5 de fevereiro de 2018.








domingo, 28 de janeiro de 2018

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLII

No capítulo 42 – “Em Conversação” –, André Luiz nos fala sobre o diálogo com o Ministro Benevenuto, que acabara de chegar dos campos da Polônia, afirmando: “Muito doloroso o quadro que vimos (...); habituados ao serviço da paz na América, nenhum de nós imaginava o que fosse o trabalho de socorro espiritual nos campos da Polônia. Tudo obscuro, tudo difícil. Não se podem, ali, esperar claridades de fé nos agressores, nem tão-pouco na maioria das vítimas, que se entregam totalmente a pavorosas impressões. Os encarnados não nos ajudam, apenas consomem nossas forças. Desde o começo do ministério, nunca vi tamanhos sofrimentos coletivos”.
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A Segunda Grande Guerra estava para acontecer e o Mundo Espiritual Superior, na tentativa de evitá-la, sentia-se impotente. Na tentativa de inspirar decisões que pudessem ser tomadas em favor da paz, evitando derramamento de sangue e a destruição de nobres patrimônios culturais da Humanidade, os espíritos, que transitavam nos gabinetes humanos, não logravam êxito. A mente encarnada fixa na violência, impedia o registro de qualquer apelo de ordem superior.
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Neste trecho do relato de André Luiz, aproveitamos para responder àqueles que vivem indagando pela influência do Mundo Espiritual sobre, por exemplo, a situação política vigente no Brasil, com tanta corrupção e injustiça prejudicando milhares. Muitos, diante de nossa aparente passividade, chegam a duvidar de que, realmente, possamos existir, nós, os desencarnados. Acontece, porém, que, consoante as Leis Divinas, não dispomos de outro poder de intervenção junto aos encarnados que não seja o da sugestão mental, através dos apelos direcionados, de mil formas diferentes, aos que ocupam posições de poder, conduzindo os destinos de tanta gente.
Sentimo-nos, literalmente, como humildes ferreiros batendo sobre “ferro frio”, sem a menor capacidade de moldá-lo conforme melhor convém à sua utilidade geral.
O mesmo acontece quando, muitas vezes, amigos vários nos questionam sobre a nossa capacidade de influenciação no Movimento Espírita, impedindo que desvios doutrinários aconteçam, chegando a deturpar a mensagem da Terceira Revelação. Claro que não estamos alheios aos atavismos do Movimento Espírita, que, a partir de determinados companheiros invigilantes, colocam a pureza da Doutrina sob séria ameaça. Acontece, porém, que os nossos alvitres, dos irmãos de Ideal que nos encontramos deste Outro Lado, não são atendidos, ou, então, são tidos a conta de alertas mistificadores, intermediados por sensitivos em estado obsessivo.
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O Ministro Benevenuto, em seu diálogo, ainda destacou: “Nunca, como na guerra, evidencia o espírito humano a condição de alma decaída, apresentando características essencialmente diabólicas”. Ousaríamos dizer que não apenas na guerra, mas em qualquer situação em que interesses escusos estejam em jogo – interesses ligados ao poder transitório, ao dinheiro, à vaidade, a pretenso poder espiritual conferido pela liderança de natureza religiosa... O Espiritismo, dizemos aqui o que temos dito alhures, vem sendo vítima do maior blefe mediúnico de todos os tempos, inédito nos anais do Espiritualismo em geral, com o envolvimento de centenas e centenas de espíritos encarnados, no Brasil e no Exterior, que estão se deixando influenciar maleficamente, dando azo a que o elitismo se acentue na gleba da Doutrina, fadada a reviver o Cristianismo em sua primitiva pureza.
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Os Espíritos Amigos, como elucida o Ministro Benevenuto, frustram-se profundamente, e não é sem grande tristeza que observam a mole humana encaminhar-se, uma vez mais, para o abismo da ilusão, sem a necessária coragem de romper com os interesses mesquinhos que já a fizeram cair tantas vezes.
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Nós mesmos, que nada somos, em mais de uma oportunidade, temos procurado alertar para os perigos que o Movimento Espírita atravessa, vendo, porém, baldados parte de nossos sinceros esforços, por aqueles que se unem para desqualificar-nos o tentame, a fim de continuarem usufruindo das benesses de um ilusório poder.
O que vem acontecendo em nosso Movimento, dá-nos plena convicção de que, infelizmente, o Espiritismo não se encontra preparado para a generalização de seus postulados, sem que, à sua frente, centenas viessem a reivindicar autoridade de liderança, a fim de serem entronizados como seus “chefes” religiosos, perturbados pela ideia de hegemonia espiritual – a mesma ideia que, na imagem bíblica, fez com que Satanás se precipitasse do Paraíso.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 29 de janeiro de 2018.






domingo, 21 de janeiro de 2018

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLI

No capítulo 42 – “A Palavra do Governador” –, de “Nosso Lar”, André Luiz nos informa que o Governador, na certeza de que o grande conflito não seria evitado, embora todos os esforços dos espíritos esclarecidos junto aos gabinetes nos quais a guerra estava sendo decidida deliberou visitar o Ministério da Regeneração, para dirigir a sua palavra paternal a todos os moradores da referida cidade espiritual, enfocando a necessidade de trinta mil voluntários para os serviços defensivos de “Nosso Lar”.
Permitam-nos aqui formular algumas questões.
O que, por exemplo, o Governador quis dizer quando disse: “Haverá serviço para todos, nas regiões de limite vibratório, entre nós e os planos inferiores, porque não podemos esperar o adversário em nossa morada espiritual”?!
O Governador, por certo, não estava se referindo apenas e tão somente à maior organização de serviços no amparo aos que haveriam de desencarnar vitimados pela guerra, certo?!
De que maneira “Nosso Lar”, e outras cidades mais próximas ao orbe poderiam vir a sofrer com a guerra?! Será que a guerra, agitando os encarnados, oportunizaria aos vândalos desencarnados uma tentativa de invasão à “Nosso Lar”?!
Vejamos o que ele considera em seguida: “Seria caridade permitir a invasão de vários milhões de espíritos desordeiros? Não podemos, portanto, hesitar no que se refere à defesa do bem”.
E, um pouco mais adiante: “Todos devemos estar prontos para o sacrifício individual, mas não podemos entregar nossa morada aos malfeitores. (...) Preparemos, pois, legiões de trabalhadores que operem esclarecendo e consolando, na Terra, no Umbral e nas Trevas, em missões de amor fraternal; mas precisamos organizar, neste Ministério, antes de tudo, uma legião especial de defesa, que nos garanta as realizações espirituais, em nossas fronteiras vibratórias”.
Pedimos vênia para recordar aos nossos irmãos internautas o episódio, já comentado por nós, inserido no capítulo 31, intitulado “Vampiro”, quando um espírito, logrando atravessar as linhas de vigilância, intenta ter acesso à cidade. Recordam-se?!
Sabe-se que o mal, igualmente, pode agir por oportunismo. Encontrando ensejo, muitos espíritos encarnados, aparentando equilíbrio, de instante para outro, podem se transfigurar nos delinquentes que ainda são. Concordam?!
Numa manifestação pública de contestação, qual, ultimamente, vem ocorrendo no Brasil e no mundo, sendo inicialmente pacífica, de repente termina por degenerar, e quem não se supunha capaz de atos de violência e vandalismo, surpreende negativamente a si mesmo, e, não raro, aos seus próprios familiares, fazendo igual ou pior que os agitadores confessos costumam fazer.
No início do capítulo 42, Narcisa, em conversa com André Luiz, considerou: “Precisamos organizar determinados elementos para o serviço hospitalar urgente, embora o conflito se tenha manifestado tão longe, bem como exercícios adequados contra o medo”.
Medo de quê?! – indagamos. – Não nos seria uma reação natural, o receio, caso soubéssemos que hordas de malfeitores estivessem marchando em direção à nossa cidade, prestes, então, a ser por elas vandalizada?! Quantas vezes, por ocasião de uma catástrofe natural, como a de um terremoto, verificam-se saques, invasões de domicílio, atentados, de toda ordem, contra a dignidade humana?! Infelizmente, o mal que ainda existe em nós, e em nossos semelhantes, permanece à espreita e, em se lhe oferecendo oportunidade, manifesta-se.
Notemos, uma vez mais, quanto os Dois Planos, o Físico e o Extrafísico, incessantemente, agem e reagem um sobre o outro, com ações e intenções atravessando fronteiras vibratórias.
Ousamos dizer que os Dois Planos, são irmãos “siameses”, mormente para aqueles espíritos que não possuem lucidez da mudança provocada pela morte, para, mentalmente, se situarem em uma nova condição, que lhes possibilite passar a viver no degrau de cima da Escada que devemos transpor.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 22 de janeiro de 2018.




domingo, 14 de janeiro de 2018

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XL

Refletindo sobre as narrativas de André Luiz, enfeixadas no capítulo 41 – “Convocados à Luta” –, de “Nosso Lar”, percebemos, com clareza, que os espíritos conscientes indignam-se com as atitudes tomadas pelos países que se lançam à guerra, encabeçando “a desordem na Casa do Pai”, e não hesitam em se colocarem ao lado dos que são agredidos, afirmando que os países agressores, diante da Lei,  pagarão “um preço terrível”.
Muito importante o que o referido autor espiritual considera, quando traduz a palavra de Salústio: “... os países agressores convertem-se, naturalmente, em núcleos poderosos de centralização das forças do mal”.
Vejamos aqui, em forma de obsessão, a presença da “mediunidade coletiva”! Podemos mesmo nos referir a um “pentecostes” das trevas! Na época de Segunda Grande Guerra, os alemães, com as exceções de praxe, claro, instigados por Hitler e seus sequazes, os adeptos do nazismo, estabeleceram sintonia com as regiões trevosas – com os espíritos que, em falanges imensas, desejavam dominar para escravizar o pensamento humano. Não olvidemos que a “suástica”, o símbolo do nazismo, era uma cruz “retorcida” – a cruz gamada! O propósito foi, e continua sendo, o de sempre se opor ao Cristo de Deus!...
A loucura coletiva que tomou conta do povo alemão, estendendo-se aos seus aliados – em especial, Itália e Japão –, deixou claro o que comentava Salústio: “Legiões infernais precipitam-se sobre grandes oficinas do progresso comum, transformando-as em campos de perversidade e horror”.
No livro “Libertação”, André Luiz, transcrevendo a preleção do Ministro Flácus, anotou no capítulo primeiro: “Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens”.
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Por que um acontecimento qual o da guerra interessa tanto o Mundo Espiritual?! Por que, no caso, a Segunda Grande Guerra, tanto interessava aos habitantes de "Nosso Lar”, que, por assim dizer, estavam à distância dos campos de batalha?! Em “Nosso Lar”, em 1938, às vésperas de estourar a guerra, faziam-se soar constantes clarinadas, qual se o Mundo Espiritual Superior estivesse desferindo sentido lamento pelo desastre que estava prestes a ocorrer!...
Salústio, ainda em diálogo com André Luiz, explanando sobre as clarinadas que se faziam ouvir, disse: “Temos o sinal de que a guerra prosseguirá com terríveis tormentos para o espírito humano (...), embora a distância, toda a vida psíquica americana teve na Europa a sua origem. Teremos grande trabalho em preservar o Novo Mundo”.
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Não resta dúvida de que se, após uma guerra de destruição, a Humanidade se empenha na retomada do progresso, qual ocorreu após o término da Segunda Guerra Mundial, o progresso até então havido, se não tivesse sofrido drástica interrupção, teria sido muito maior – principalmente, no campo da fraternidade legítima, de vez que, até hoje, sob o aspecto moral, os homens estão a lidar com as sequelas morais deixadas pelo confronto de lamentável memória.
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No desdobramento do capítulo 41, André Luiz transcreve alguns diálogos registrados entre os habitantes comuns de “Nosso Lar”, naturalmente preocupados com os familiares e amigos que, estando encarnados, haveriam de sofrer as consequências da desordem, que haveria de criar – como criou – centenas de carmas individuais e coletivos, que, em maioria, ainda não foram ressarcidos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de janeiro de 2018.








domingo, 24 de dezembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXIX

O capítulo 41 – “Convocados à Luta” –, de “Nosso Lar”, é interessantíssimo, porque, principalmente, nos fala sobre a interação existente entre Plano Físico e Plano Espiritual – estamos todos conectados, e não apenas do ponto de vista psíquico.
A lógica nos diz que, em verdade, não pode haver solução de continuidade em nenhum dos departamentos da Vida no Universo – a Lei de Ação e Reação impera no âmbito da Criação Divina, envolvendo os seres macro e microscópicos, visíveis e considerados invisíveis. Uma única célula doente pode comprometer a saúde de todo o organismo, quanto uma única célula sadia pode promover a sua regeneração.
*
Antes de abordarmos o tema que André Luiz aborda no capítulo 41, a questão da Segunda Grande Guerra Mundial (1939/1945), que, segundo os estudiosos, no curto espaço de seis anos, ceifou, entre a população civil e militar, cerca de 50 milhões de vidas humanas, atentemos para o curioso texto que Allan Kardec fez publicar na “Revue Spirite”, mês de outubro de 1868, sob a responsabilidade do Dr. Barry, espírito, como também no capítulo 18, de “A Gênese”.
De acordo com alguns pesquisadores, o Dr. Barry teria sido o Dr. James Barry – James Miranda Stuart Barry –, um cirurgião do exército britânico, dos que mais se destacaram na Batalha de Waterloo. Ele era na verdade uma mulher, Margaret Ann Bulkley, que passara a vida disfarçada de homem para poder dedicar-se à Medicina. Desencarnou a 25 de julho de 1865.
*
“Permiti-me acrescentar algumas palavras, como complemento, à comunicação que vem de vos dar o eminente Espírito de Arago. Sim, certamente, a Humanidade se transforma como já se transformou em outras épocas, e cada transformação é marcada por uma crise que é, para o gênero humano, o que são as crises de crescimento para os indivíduos; crises frequentemente penosas, dolorosas, que carregam com elas as gerações e as instituições, mas sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. A Humanidade terrestre, chegada a um de seus períodos de crescimento, está em pleno, há um século, no trabalho da transformação; é porque ela se agita por todas as partes, presa de uma espécie de febre e como movida por uma força invisível, até que ela tenha retomado a sua situação sobre novas bases. Quem a vir, então, encontrá-la-á muito mudada em seus costumes, seu caráter, suas leis, suas crenças, em uma palavra, em todo o seu estado social. Uma coisa que vos parecerá estranha, mas que por isso não é menos uma rigorosa verdade, é que o mundo dos Espíritos que vos cerca sofre o contragolpe de todas as comoções que agitam o mundo dos encarnados; digo mais: nele toma uma parte ativa. Isto nada tem de surpreendente para quem sabe que os Espíritos não fazem senão um com a Humanidade; que dela saem e que nela devem reentrar; é, pois, natural que se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Ficai, pois, certos de que, quando uma revolução social se realiza sobre a Terra, ela movimenta igualmente o mundo invisível; todas as paixões boas e más ali são superexcitadas como entre vós; uma indizível efervescência reina entre os Espíritos que ainda fazem parte de vosso mundo e que esperam o momento de nele reentrar. À agitação dos encarnados e dos desencarnados se juntam às vezes, e frequentemente mesmo, porque tudo se mantém na Natureza, as perturbações dos elementos físicos; é então, por um tempo, uma verdadeira confusão geral, mas que passa como um furacão, depois do qual o céu volta a se tornar sereno, e a Humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuída de novas idéias, percorre uma nova etapa de progresso. (destacamos) É no período que se abre que se verá o Espiritismo florir, e que ele dará os seus frutos. É, pois, para o futuro, mais do que para o presente, que trabalhais; mas era necessário que esses trabalhos fossem elaborados antes, porque preparam os caminhos da regeneração pela unificação e a racionalidade das crenças. Felizes aqueles que os aproveitam desde hoje, será para eles tantos ganhos e dificuldades poupadas.”
*
Como os nossos irmãos e irmãs internautas, principalmente na parte que transcrevemos em destaque, interpretam o texto acima, de autoria do Dr. Barry?!
Conforme o dito popular, nele existe “pano prá manga”... E nós, sinceramente, desejamos ouvi-los.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 25 de dezembro de 2017.

NOTA: Este Blog estará de volta no dia 15 de janeiro de 2018. Obrigado.



domingo, 17 de dezembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXVIII

Continuando com as nossas reflexões sobre o capítulo 40 – “Quem Semeia Colherá”, de “Nosso Lar”, André Luiz – notemos – afirma que foi ele a se sentir atraído para uma “visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação”, na qual Elisa se encontrava internada. Interessante: o espírito compromissado se sente, espontaneamente, atraído pelo compromisso assumido perante a Lei Divina, insculpida na consciência!...
Elisa, conforme nos relata André, sequer conseguira identificá-lo, mas ele não tivera grande dificuldade em reconhecê-la.
Narcisa, a respeito, pronuncia frase lapidar, que nos merece meditação atenta: “Todos nós, meu irmão, encontramos no caminho os frutos do bem ou do mal que semeamos. Esta afirmativa não é frase doutrinária, é realidade universal.” (grifamos)
*
Precisamos ainda colocar em destaque o seguinte: quando André teve rápido envolvimento com Elisa, ele, então, era muito jovem, e ela, ao que tudo indica, era mais experimentada no campo da sedução afetiva. Todavia, mesmo assim, a sua consciência não deixou de, parcialmente, responsabilizá-lo pelo destino da infeliz jovem que se entregara aos desmandos da existência.
Quando André, sem se identificar, pergunta a Elisa se ela o odiava, a moça respondeu:
- “No período do meu sofrimento anterior, amaldiçoava-lhe a lembrança, nutrindo por ele um ódio mortal; mas a irmã Nemésia modificou-me. Para odiá-lo, tenho de odiar a mim mesma. No meu caso, a culpa deve ser repartida. Não devo, pois, recriminar ninguém.”
*
Sobre a Terra, na condição de encarnados, são muitos os que imaginam que as suas faltas – principalmente as consideradas mais leves –, cometidas em momento de imaturidade ou insensatez, ficarão esquecidas... Ledo engano! A Lei é a Memória Integral da Vida, e, com certeza, conforme nos ensinou Jesus: “Até que o céu e a terra passem nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra.” Ou seja: o espírito não se sentirá redimido, enquanto, num canto qualquer de sua consciência, permanecer a mais insignificante pendência cármica.
*
Vejamos ainda mais: muitos anos haviam se passado do ligeiro caso entre André e Elisa, todavia, ela sequer lhe esquecera do timbre de voz... Evidentemente, André não era mais o jovem de antanho, e, por certo, o tempo lhe alterara a fisionomia e até mesmo o som da voz – não obstante, o rapaz marcara tão profundamente o espírito da jovem que ela o “adivinhava”: - “E a sua voz – disse Elisa, ingenuamente – parece a dele.”
André, embora não se revelasse de pronto, por razões expostas no capítulo, não estava com a intenção de disfarce, mas, o credor sempre pressente a presença do devedor – aliás, o “pressentimento” entre André e Elisa era recíproco – um parecia estar à espera do outro! Por que ambos ter-se-iam conduzido, quase no mesmo período, a “Nosso Lar”?!
*
Mais tarde, quando André desencarna, e, então, a sua esposa, Zélia, consorcia-se com Ernesto, não estaria ele já se submetendo à chamada “lei de talião”?! Não estaria agora, por sua vez, experimentando o abandono afetivo a que votara uma jovem de quem arrebatara o coração?!
*
Qual haveria de ser, junto a André, o futuro de Elisa?!
Não há quem nos cruze o caminho por mera obra do acaso.
A mãezinha de André Luiz não havia comunicado a ele a intenção de reencarnar proximamente com o intuito de auxiliar o ex-esposo, Laerte, em relação a duas mulheres que, em novo matrimônio com ele, haveriam de receber na condição de filhas?!...
*
Não convém, pois, que coloquemos apenas as “barbas de molho” – coloquemos todos os “pelos” que nos cresçam no corpo e na alma, com os quais, muitas vezes, aos olhos argutos da Lei, pretendemos, inutilmente, ocultar as nossas próprias faltas.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 18 de dezembro de 2017.




domingo, 10 de dezembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXVII

O capítulo 40 de “Nosso Lar”, que tem por título “Quem Semeia Colherá”, nos traz ensinamentos profundos. André Luiz, valendo-se de sua própria experiência na jornada terrestre, conta-nos mais um pedaço de sua história de vida.
No capítulo 35 – “Encontro Singular” –, o autor nos fala a respeito de seu encontro com Silveira, que, em “Nosso Lar”, fazia parte dos “Samaritanos” – Silveira foi a primeira pessoa que ele teve oportunidade de reconhecer além da morte. Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre, os que deixam o corpo, têm oportunidade, de imediato, de estarem com os corações amados que os precederam na Grande Viagem.
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A segunda pessoa que André Luiz pode identificar no Mundo Espiritual, mais particularmente em “Nosso Lar”, a cidade que abrira as portas para recebê-lo, foi Elisa, uma jovem que havia trabalhado na casa de seus pais. Quando André conheceu Elisa, ele, igualmente, era muito jovem, e, emocionalmente, deixou-se envolver.
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Então, vejamos: Silveira e Elisa foram as duas pessoas que André, em seus primeiros tempos de desencarnado, logrou identificar no Mundo Espiritual. Ele que, na condição de médico, privara na Terra com muita gente, e que, com certeza, possuía numerosa família, não nos relata que tenha se deparado com nenhum de seus amigos ou familiares, e nem mesmo com uma fisionomia conhecida.
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Quantos ensinamentos, nas páginas luminosas de “Nosso Lar”! Quantas ilusões, que, na condição de encarnados, os homens cultivam por séculos e séculos, podem desfazer-se através de uma leitura atenta dessa obra! Aquela ideia tão restrita de família que se tem na Terra, amplia-se consideravelmente, ou pode ampliar-se para aqueles que já estão começando a compreender que, em qualquer parte do Universo, temos uma família! Soam aos nossos ouvidos, uma vez mais, as palavras do Divino Mestre: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”...
Temos absoluta convicção de que os Espíritos Superiores que inspiraram André Luiz o orientaram no sentido de compor a obra “Nosso Lar” com base em suas experiências existenciais, sim, mas recorrendo a tonalidades um pouco mais fortes em sua realidade pessoal, porque, em verdade, André Luiz não é um espírito comum.
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Interessante ainda o que André nos relata, no início do capítulo em pauta, dizendo que não conseguia explicar a grande atração que ele estava sentido, ou que começara a sentir, por uma “visita ao departamento feminino das Câmaras de Retificação”.
Notemos quanto somos “atraídos”, aparentemente sem explicação, pelos nossos compromissos cármicos. “Nosso Lar”, à época, era uma cidade que contava com mais de um milhão de habitantes, e, contudo, André, de repente, se viu diante de Silveira e de Elisa.
Os nossos desafetos, tanto quanto os nossos afetos, parecem, muitas vezes, surgirem do nada – quando menos esperamos, ao dobrarmos uma esquina, damos de cara com o carma!...
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Quando os pais de André perceberam o seu envolvimento com Elisa, despediram a jovem, que, a partir daí – Elisa dizia a André que, antes de conhecê-lo, já vivenciara certas aventuras, portanto ele não era o primeiro a envolver-se com ela –,  entregou-se a experiências mais “dolorosas”, até que, contraindo sífilis, veio a desencarnar no abandono e completamente cega.
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No próximo post desejamos efetuar outra interessante abordagem que este capítulo nos enseja à reflexão.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de dezembro de 2017.





domingo, 3 de dezembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXVI

Realmente, o caso Tobias, inserido no capítulo 38 de “Nosso Lar”, é um desafio à capacidade de compreensão dos espíritos que não possuem mais avançada noção de fraternidade na Terra. No capítulo seguinte, de número 39 – “Ouvindo a Senhora Laura” –, a mãezinha de Lísias chega a dizer a André Luiz: - “Quando nos atemos aos pontos de vista propriamente humanos, essas coisas dão até para escandalizar.”
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Possivelmente, inclusive, este terá sido um dos pontos mais contestados da obra, quando “Nosso Lar”, editado pela FEB, foi lançado em 1944, tratando de um assunto considerado tabu, mesmo numa Doutrina de vanguarda espiritual quanto o Espiritismo.
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Recordo-me que, quando André Luiz escreveu “Sexo e Destino”, obra, igualmente, editada pela FEB, cujo prefácio é de 1963, Chico contou-nos que foi visitado por um dos diretores da “Federação”, em Uberaba. – “Ele nos disse, em tom de repreensão – contou Chico –, que não sabia em que lugar de sua casa ele haveria de colocar o livro, visto que possuía filhas menores... Eu, simplesmente, lhe respondi: - Onde o senhor irá colocar o livro em sua casa, eu não sei, mas na minha ele ficará em lugar de destaque na estante...”
 Vejamos o que, mesmo no meio espírita, seja o moralismo e o preconceito. “Sexo e Destino” é obra extraordinária, repleta de elevado conteúdo moral, abordando o tema da sexualidade, que é assunto humano, com belíssima prece de Emmanuel no prefácio, que, ao dirigir-se a Jesus, afirma, recordando o episódio da mulher adúltera: “Jerusalém agora é o mundo!...”
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André Luiz, depois da visita realizada à casa de Tobias, procura Dona Laura, porquanto ele próprio se mostrava um tanto alarmado com a situação doméstica do companheiro em ”Nosso Lar”, acolhendo em sua residência Hilda e Luciana, que haviam sido, respectivamente, a sua primeira e a sua segunda esposa na Terra, de vez que, Tobias, por se ter enviuvado muito cedo, desposara Luciana em segundas núpcias.
Dona Laura, sem rodeios, disse a André: - “Não será fácil para você, presentemente, a penetração, no sentido elevado, da organização doméstica que visitou ontem...”
E, em seguida, sublinha: - “O caso Tobias é o caso de vitória da fraternidade real, por parte das três almas interessadas na aquisição de justo entendimento. Quem não se adaptar à lei de fraternidade e compreensão, logicamente não atravessará essas fronteiras.”
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Recordamo-nos, sim, meu amigo, das críticas maldosas dirigidas ao livro de Paulino Garcia, intitulado “Meu Filho Nasceu no Além”, recebido por seu intermédio, editado pela LEEPP – Uberaba. Sei que alguém, não escondendo a sua revolta, ao constatar a questão do casamento no Plano Espiritual – Paulino unindo-se à Jamile, que se engravidou e teve um filho – e a questão dos casais homossexuais, bradou a sua revolta: - “Quer dizer, então, que, no Mundo Espiritual, continua a mesma p...?! A mesma sem-vergonhice?!...”
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Dias atrás, a visita da filósofa americana Judith Butler ao Brasil, apenas para a realização de uma conferência, aos gritos de “queimem a bruxa”, terminou com feroz agressão física a ela, justamente da parte de uma mulher que se revelou extremamente preconceituosa – em vez de manifestar-se pacificamente, ela voltou-se contra outra que procurava defender a filósofa, dizendo: - “Quem é você? Você é feia! Olha esse cabelo, olha essa sua cor...”
Ah, como somos ainda assim tão pequeninos e miseráveis!...
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Vale a pena que os nossos irmãos internautas releiam com atenção os capítulos 38 e 39 de “Nosso Lar”, um livro, sobre todos os aspectos, muito avançado para o seu tempo, e, talvez, passados já mais de 70 anos de sua concepção mediúnica, uma obra ainda muito avançada para os dias atuais.
Ao fim do diálogo com Dona Laura, André sentencia:
- “Agora não mais me preocupava a situação de Tobias, nem as atitudes de Hilda e Luciana. Impressionava-me, sim, a imponente questão da fraternidade humana.”

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 4 de dezembro de 2017