segunda-feira, 16 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LIII

No encerramento do capítulo 48, de “Nosso Lar”, André narra o emocionante encontro de Ricardo, que já estava reencarnado, com a família – Dona Laura, não nos esqueçamos, estava prestes a reencarnar, e, no outro dia, na companhia de Clarêncio, tomaria a direção da Terra, dando início aos preparativos imediatos para a sua volta ao corpo.
*
Ricardo, então, parcialmente liberto do corpo, manifesta-se, com o concurso de médiuns de efeitos físicos, num “globo cristalino”, espécie de TV de plasma, cujo surgimento André Luiz antecipa em várias décadas.
Interessante que, antes da materialização, maravilhoso hino, composto pelos filhos de Ricardo, é cantado ao som do piano, da harpa e da cítara.
*
Nos dias que correm, a Ciência anuncia que descobriu a existência de um novo órgão no corpo humano: o mesentério, ou interstício, formado de tecido conjuntivo – uma espécie de “plástico bolha” que reveste e protege quase todos os demais órgãos importantes do corpo.
A pergunta é a seguinte: há quantos anos o corpo vem sendo dissecado pelos anatomistas, e perquirido pelos fisiologistas, sem que eles, tendo semelhante órgão à vista, pudessem atinar com a sua existência?!
Quando será que, praticamente, tendo o Mundo Espiritual à vista da lógica, a Ciência confirmará a tese de sua existência, que, há mais de século e meio, vem sendo sustentada pelo Espiritismo?!...
*
Emocionante quando Judite, filha de Ricardo e Laura, abraça-se à figura do pai no “globo cristalino”, e lhe endereça, em nome da família, interessante pergunta:
- Pai querido, diga o que precisa de nós, esclareça em que poderemos ser úteis ao seu abnegado coração?
Dialogando com a filha com extremado carinho, Ricardo, então, responde, ao questionamento filial, com transcendente sabedoria:
- Ah! filhos meus, alguma coisa tenho a pedir-lhes do fundo de minhalma! roguem ao Senhor para que eu nunca disponha de facilidades na Terra, a fim de que a luz da gratidão e do entendimento permaneça viva em meu espírito!... (destacamos)
Em qualquer outra circunstância, com certeza, nós outros, haveríamos de pedir exatamente o contrário do que Ricardo solicitou – aliás, os homens encarnados, com raras exceções, vivem exorando ao Mundo Espiritual pela concessão de facilidades e privilégios a eles...
*
Após a reunião ter sido encerrada com uma prece formulada pelo Ministro Clarêncio, ele se aproximou de André Luiz e o convidou para que, no outro dia, integrasse a equipe que acompanharia Laura nos passos iniciais de seu processo reencarnatório.
Note-se que André Luiz, pelos cálculos efetuados, estava há cerca de dez anos sem visitar o seu lar. Após a sua permanência de quase nove anos em uma das regiões umbralinas, permanecera durante quase um ano em tratamento ativo em um dos hospitais de “Nosso Lar”...
*
E há gente que pensa que, ao deixar ao corpo, sairá volitando por aí, feito uma borboleta, tomando a direção que bem lhe aprouver aos mais diferentes campos do Universo...
Quanta ilusão!...
Ou, sem ofensa, quanta ignorância!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 16 de abril de 2018.

segunda-feira, 9 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LII

No capítulo 48 – “Culto Familiar” –, antepenúltimo do livro “Nosso Lar”, André relata a realização de um Culto do Evangelho na residência de Dona Laura.
Prestes a reencarnar – no outro dia, na companhia do Ministro Clarêncio, ela tomaria a direção do orbe terrestre –, com a participação de alguns de seus familiares e amigos, é realizado um Culto do Evangelho, no qual, Ricardo, o seu esposo, que já se encontrava reencarnado, se materializaria.
Segundo André Luiz, pouco mais de trinta pessoas participava daquele momento de recolhimento e oração – vejamos que André se refere aos espíritos como “pessoas”, e não como entidades estranhas...
Espírito é gente, é criatura humana!
Ricardo, que estava na Terra, no momento do repouso de seu corpo físico, ainda na idade infantil, dele se desprenderia e se mostraria aos familiares e amigos numa imagem projetada numa espécie de TV de plasma – num “globo cristalino”.
*
O ambiente era de elevação, e vários amigos estavam aos diversos instrumentos musicais – piano, harpa e cítara. Na Terra, segundo informações de André, já haviam se passado quarenta minutos depois da meia-noite, e, naturalmente, no lar de Ricardo todos já se encontravam dormindo.
*
Lísias e as irmãs, então, começaram a cantar uma canção que havia sido composta por eles mesmos, evocando a presença espiritual do genitor.
Abaixo, transcrevemos apenas os últimos versos do belo poema:
“Nossa casa não te olvida
O sacrifício, a bondade,
A sublime claridade
De tuas lições no bem;
 Atravessa a sombra espessa,
Vence, pois, a carne estranha,
Sobe ao cume da montanha,
Vem conosco orar também.”
*
Chico Xavier, que nas proximidades do ano 2000, começara a falar com mais frequência a respeito da nova reencarnação de Emmanuel, chegou a informar que ele, Emmanuel, descenderia da família de Laura e Ricardo, sendo-lhes, com certeza, um neto muito querido – quem sabe, até mesmo, filho de Lísias e Lascínia, que haveriam de reencarnar um pouco mais tarde – o casal, como marido e mulher, estava às vésperas de se unir em “Nosso Lar”.
*
A se confirmarem as palavras de Chico, Emmanuel estaria hoje com, aproximadamente, 15, 16 anos de idade. Ele dizia também que Emmanuel haveria de militar no campo da Educação e que, talvez, mais tarde, fosse ao Senado.
*
Tudo o mais que se diz a respeito da reencarnação de Emmanuel, não passa de mera especulação, porque Chico, ao que se sabe, nunca revelou maiores detalhes do retorno do Benfeitor Espiritual ao corpo físico.
Gracejando, certa vez, ele disse que, agora, ambos haveriam de trocar de posição, e que Emmanuel lhe teria dito que ele, Chico, veria, então, o quanto é difícil guiar um espírito na Terra.
*
Ao término da bela prece-evocação, Ricardo se materializa na tela do “globo cristalino” e inicia breve diálogo com Laura e os filhos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 9 de abril de 2018.


sábado, 31 de março de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LI

Na sequência do capítulo 47, de “Nosso Lar”, Dona Laura confidencia ao Ministro Genésio o teor de seus outros dois receios em sua intenção de reencarnar, acompanhando a Ricardo, o esposo, que já se encontrava reencarnado.
O 1º receio, conforme vimos, era alusivo ao esquecimento do passado, alegando que tinha medo de reincidir em velhos erros, que ela considerava na condição de úlceras mal cicatrizadas. Em resposta, o Ministro, que estava representando o Governador, lhe diz: “Não ignoro o que representam as sombras do campo inferior, mas é indispensável coragem, e caminhar para diante. Ajudá-la-emos a trabalhar muito mais no bem dos outros, que na satisfação de si mesma. o grande perigo, ainda e sempre, é a demora nas tentações complexas do egoísmo.”
O trabalho em favor do próximo é poderoso auxílio para que o espírito reencarnado supere o esquecimento específico de seus compromissos espirituais, de vez que, procurando ser útil aos semelhantes, ele estará estabelecendo defesas naturais contra o olvido de seus deveres.
*
Em seguida, continuando a dialogar com o Ministro, ela se refere ao seu 2º receio: a influência do meio. O seu 2º receio, evidentemente, seria consequência do 1º, pois, a influência do meio é que nos facilita o esquecimento de nossas obrigações espirituais com a Vida. E, sem dúvida, a influência do meio, chega a ser mais difícil a ser superada que o esquecimento do passado – o olvido temporário, não raro, chega a ser benéfico para o espírito, mas, em um orbe de provas e expiações, a influência do meio é muito difícil de ser vida: as tentações, os arrastamentos, as oportunidades de cair, os atalhos que a estrada oferece, a formação educacional que, por vezes, não concorre para a espiritualização da criatura...
*
E, por fim, Dona Laura expõe ao Ministro Genésio, o seu 3º receio, ou medo, na reencarnação: a questão dos ascendentes biológicos, ou da herança genética que lhe tocaria na formação de seu novo corpo...
Realmente, nem sempre, ao reencarnar, o espírito logra sobrepor-se à matéria – na maioria das vezes, ele se sujeita, integralmente, às leis da hereditariedade. E sabemos, sem nenhuma ideia de eugenia, que existem corpos que não facilitam o aprendizado do espírito – ele pode reencarnar debaixo de limitações físicas imperceptíveis, que, inclusive, podem interferir em seu estado de ânimo nas atividades que deve exercer. Existem organismos, por exemplo, mais predispostos a desenvolverem determinados vícios...
*
Veja-se caro (a) internauta, como a questão da reencarnação é complexa, e não se trata, simplesmente, de “entrar em um novo corpo formação”... O espírito consciente de que a reencarnação é uma “tentativa de magna importância”, preocupa-se com os detalhes de sua volta ao corpo. Falando a respeito do assunto com o Ministro, Dona Laura lhe diz: - “Ah, é verdade (...), pedi essa providência para que não me encontre demasiadamente sujeita à lei da hereditariedade. Tenho tido grande preocupação, relativamente ao sangue.”.
Dona Laura, mãe de Lísias, era uma das benfeitoras da comunidade de “Nosso Lar”, e certos cuidados, por méritos seus, estavam sendo tomados em seu processo reencarnatório. Imaginemos, no entanto, o espírito que volta a Terra sem contar com nenhum mérito de sua parte, e que, portanto, deve se sujeitar às condições disponíveis – certamente, para ele, a partir de seu próprio corpo, torna-se muito mais difícil lidar com as adversidades.
Veja-se quanto é complexo o problema da reencarnação, no sentido de que o espírito supere os embaraços que lhe têm sido impostos pela sua própria imperfeição.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 2 de abril (*) de 2018
(*) Data de Nascimento do Médium Chico Xavier – a ele o nosso carinho e a nossa gratidão.


domingo, 25 de março de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – L

O capítulo 47 de “Nosso Lar” – “A Volta de Laura” –, em nossa opinião, é um dos mais intrigantes do livro. O texto aborda diálogos em torno da reencarnação de Dona Laura, mãe de Lísias, que seguiria o esposo Ricardo, que já se encontrava na Terra, e, novamente, com ele se consorciaria.
Mais uma vez, chamamos a atenção de nossos irmãos e irmãs internautas para a reunião, que, praticamente, na véspera de seu regresso ao corpo grosseiro, acontecia na casa da genitora de Lísias.
- Povoava-se a encantadora residência de melodias e luzes. As flores pareciam mais belas.
Numerosas famílias foram saudar a companheira, prestes a regressar. Os visitantes, na maioria, cumprimentavam-na, carinhosos, ausentando-se, sem maiores delongas; no entanto, os amigos mais íntimos lá permaneceram até alta noite. (...).
Quanto contraste, não é?! Na Terra, quando alguém se encontra prestes a deixar o corpo físico, a residência se cobre de luto e, não raro, copiosas lágrimas de inconformação são derramadas... Poucos, ou pouquíssimos, os que veem na “morte” a libertação do espírito, que, caso tenha cumprido com os seus deveres na romagem terrestre, retorna ao Mundo Espiritual na condição de vitorioso!...
O Ministro Genésio, com o intuito de mais encorajá-la ao tentame, diz à valorosa senhora:
- (...) É uma glória seguir para o mundo, nas suas condições. Milhares e milhares de horas de serviço a seu favor, perante a comunidade de mais dum milhão de companheiros. (...)
Em resposta, ela argumenta:
- Tudo isso me reconforta (...), mas devemos compreender que a reencarnação é sempre uma tentativa de magna importância. (...).
“Tentativa de magna importância”!... (todos os destaques são nossos)
Veja-se que, embora a sua condição espiritual, Dona Laura receava os desafios que haveria de enfrentar na Terra, temendo que, talvez, pudesse vir a falhar em seus propósitos de elevação!...
Realmente, para o espírito consciente do que representa viver num orbe de provas e expiações, não é fácil tomar a decisão de voltar, sabendo que haverá de expor-se a inúmeros perigos em que pode vir a se comprometer perante a Lei do Carma...
*
O Ministro Genésio, representando a Governadoria, prossegue em seu diálogo com Laura, que, no entanto, expõe a ele quais os seus três maiores receios, no ato de reencarnar – ela não duvidava da Proteção Divina, mas...
Vamos ao 1º deles:
- Bem sei que a Terra está cheia da grandeza divina. Basta recordar que o nosso Sol é o mesmo que alimenta os homens; no entanto, meu caro Ministro, tenho receio daquele olvido temporário em que nos precipitamos. (...)
Você, certamente, nas palavras da genitora de Lísias, também prestou atenção quando ela se refere à dupla natureza do Sol, que, ao mesmo tempo, é estrela para a Terra e para o Mundo Espiritual?!...
Teria você alguma explicação para o fenômeno singular?!...
Na próxima semana, veremos quais são os outros dois grandes receios de Dona Laura. Não perca, pois, as “cenas” do próximo capítulo...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de março de 2018.







segunda-feira, 19 de março de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLIX

Ao comunicar a André Luiz o propósito de reencarnar, a sua mãe, justificando o sacrifício, lhe diz:
- Não consideras a angustiosa condição de teu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para reerguê-lo e meus esforços têm sido improfícuos. Laerte é hoje um céptico de coração envenenado. Não poderia persistir em semelhante posição, sob pena de mergulhar em abismos mais fundos. Que fazer, André? Terias coragem de revê-lo em tal situação, esquivando-te ao socorro justo?”
Notemos que muitos espíritos, a fim de começarem a empreender a sua mudança íntima, espíritos que se unem ao nosso grupo familiar, pedem muito tempo de trabalho a todos os que por eles se interessam, e, não raro, esse trabalho costuma ser improfícuo, impondo, então, a necessidade de maior esforço e renúncia dos que se sentem no dever de auxiliá-lo.
A consciência de quem sobe não permite que os que ficaram para trás sejam simplesmente esquecidos, largados à própria sorte.
Felizmente é assim, pois, caso contrário, espíritos retardatários que somos haveríamos de “mergulhar em abismos mais fundos”, dos quais não sabemos dizer como e nem quando haveríamos de nos resgatar.
*
A mãezinha de André ainda lhe diz que o seu pai seria constrangido à reencarnação imediata... Certamente que Laerte não desejava voltar ao corpo carnal – algo dementado que se encontrava, não estava em condições de escolher o melhor para sim. Foi neste sentido que André formulou a indagação:
- Mas isso é possível? E a liberdade individual?
A sua mãe respondeu:
- Há reencarnações que funcionam como drásticos. Ainda que o doente não se sinta corajoso, existem amigos que o ajudam a sorver o remédio santo, embora muito amargo. Relativamente à liberdade irrestrita, a alma pode invocar esse direito somente quando compreenda o dever e o pratique. Quando ao mais, é indispensável reconhecer que o devedor é escravo do compromisso assumido. (...)
A resposta obtida por André nos leva a pensar nos defensores dos direitos humanos para todas as criaturas, inclusive para aqueles que, pelos crimes praticados, se tornam grandes devedores da coletividade. Qualquer infrator da lei, quando não se dispõe, conscientemente, ao reajuste, deve ser constrangido a ele, pois, se assim não acontecer, o mal haverá de se perpetuar em seu espírito.
O livre arbítrio é relativo, e não absoluto, a não ser, claro, para os espíritos que se redimiram.
*
Em seu sacrifício de amor, a mãezinha de André lhe comunica que, além de consorciar-se, outra vez, com o seu pai, Laerte, receberia, na condição de filhas, duas mulheres que ele havia deliberadamente enganado.
Ao espanto que André demonstra, a genitora esclarece:
- (...) Ninguém ajuda eficientemente, intensificando as forças contrárias, como não se pode apagar na Terra um incêndio com petróleo. É indispensável amar, André! Os que descreem perdem o rumo verdadeiro, peregrinando pelo deserto; os que erram se desviam da estrada real, mergulhando no pântano.
Quem, talvez, já estando encarnado, não se encontra dentro das lutas afetivas que esboçou para si mesmo no Mundo Espiritual, antes de novo mergulho na carne?! Quem, com certeza, não estaria fugindo ao compromisso, desprezando corações, que, antes reencarnar, prometera trabalhar para redimir?!...
*
É de se notar que a genitora de André, quando na Terra, sequer conhecera o Espiritismo, não constituindo diferencial para o espírito qualquer rotulagem de natureza religiosa que ele venha a ostentar, esteja encarnado ou desencarnado. O que verdadeiramente conta é a riqueza moral que o espírito estesoura em sua capacidade de amar.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 19 de março de 2018.




segunda-feira, 12 de março de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLVIII

No capítulo 46 – “Sacrifício de Mulher” –, André efetua anotações que levam a quem esteja encarnado a muitas reflexões. Habitante do Mundo Espiritual há mais de dez anos, contando o seu tempo de permanência no Umbral Grosso e em “Nosso Lar” – ele informa que, somando o seu tempo de hospitalização e trabalho, após receber alta, já se encontrava residindo na referida cidade há quase dois anos –, André ainda não voltara a Terra, e, assim, não visitara a sua família consanguínea – esposa e filhos.
Vejamos: mais de dez anos desencarnado e André Luiz nem sequer reunira condições ideais para visitar a família! Quantos, equivocadamente, imaginam que, ao desencarnar, o espírito possa ir aonde quer?! Você é dos tais, caro/a internauta?! Crê que, ao deixar o corpo carnal, volitará para aonde desejar?! Que, logo que desembaraçar-se da carcaça, permanecerá à volta daqueles que ama, ou não, fazendo o que lhe aprouver?!...
Notemos ainda que as atividades que André abraçara em “Nosso Lar” não lhe permitia ausentar-se delas – ele tinha ordens a obedecer. – “Cumpria, pois, aguardar a palavra de ordem.” – esclarece.
Muitos se dirigem aos Centros Espíritas esperando obter, através da mediunidade, um contato com os seus entes queridos desencarnados, sem pensar que, muitos deles, pelas mais diversas causas, se encontram transitoriamente impedidos de atendê-los. Em muitos casos, os comunicados mediúnicos de familiares e amigos são recados transmitidos pelos Benfeitores Espirituais, seus ou do próprio médium, mas que não são diretamente escritas pelos remetentes.
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André Luiz afirma que a saudade lhe doía fundo, mas, que, “em compensação, de longe em longe”, ele era visitado pela sua mãezinha, residente em Plano Superior.
Ele não permanecia indiferente à sorte dos seus – apenas, talvez, ainda não se sentisse preparado para lhes efetuar proveitosa visita.
Os considerados “mortos” não se esquecem daqueles que deixaram na Terra, e nem se desinteressam pelas lutas em que são encontram mergulhados. Assim como os encarnados não olvidam os que partiram, com mais forte razão, os que partiram não olvidam os que ficaram! Com mais forte razão, por quê?! Porque, então, melhor podem compreender os perigos aos quais o espírito se encontra exposto em sua romagem terrestre, e o quanto, perante a Lei de Causa e Efeito, ele pode vir a se complicar.
*
O célebre autor de “Nosso Lar”, conta que, “nos primeiros dias de 1940”, a sua genitora, ao ir vê-lo nas Câmaras, lhe comunicou a intenção de voltar a Terra, ou seja, de reencarnar! André, de imediato, não pode compreender a decisão materna. Ora, se ela, sua mãezinha, que residia em Dimensão Superior, estava programando reencarnar, o que lhe tocaria no futuro?! Quantos são os que ouvimos dizer que não mais desejam reencarnar na Terra! Quanta ilusão a respeito de si, no que tange à deficitária condição evolutiva em que ainda nos encontramos! Para a grande maioria, o ato de reencarnar não é uma escolha, mas uma imposição da Lei! Quem, se pudesse, escolheria desencarnar?! O processo é o mesmo – tem espírito que reencarna dormindo e, quando acorda, já está de chupeta na boca, sendo embalado por um colo de mãe!...
André argumenta: - “Não concordo. Voltar a senhora à carne? Porquê? Internar-se, de novo, no caminho escuro, sem necessidade imediata?”
Os motivos da decisão da mãezinha de nosso amigo, veremos posteriormente – mas ela estava em condições de escolher por si mesma, e, podendo escolher, compreendeu a necessidade de voltar para socorrer aqueles que permaneciam sob a tutela de seu amor.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 12 de março de 2018.




segunda-feira, 5 de março de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA – XLVII

Retomando as nossas reflexões sobre o capítulo 45, de “Nosso Lar” – “No Campo da Música” –, logo de início lançamos uma pergunta aos nossos irmãos internautas/leitores:
- Como você interpreta a informação de Lísias a André Luiz de que existem noivados no Mundo Espiritual?
Sem maiores acréscimos, indagamos ainda como você interpreta o que próprio Lísias volta dizer parágrafos adiante:
“Lascínia e eu fundaremos aqui, dentro em breve, nossa casinha de felicidade, crendo que voltaremos à Terra precisamente daqui uns trinta anos.”?!
Tomamos a liberdade de continuar questionando:
- Então, Lísias e Lascínia se casariam em “Nosso Lar”? Iriam constituir um casal? Morariam na mesma casa, sendo apenas e tão somente noivos, ou na condição de casados? E, estando eles casados no Mundo Espiritual, qual haveria de ser a espécie de relacionamento que o casal manteria? Você acha que poderia, por exemplo, haver sexo entre eles?! Afinal, o que haveriam de ficar fazendo juntos, sob o mesmo teto, durante trinta anos?! Você considera que o relacionamento sexual entre aqueles que verdadeiramente se amam seja algo pecaminoso, impossível de acontecer entre dois espíritos?! Crê que quando alguém esteja na relação sexual com outro alguém apenas os seus corpos, ou envoltórios, estejam se relacionando?!...
*
Interessante que Lísias, ao informar André que Lascínia se faria acompanhar de duas irmãs, pedindo a ele que, junto a elas, fizesse as honras de cavalheiro, ele se mostrou cheio de escrúpulos, imaginando, talvez, que Lísias estivesse querendo incliná-lo afetivamente para uma delas.
- Mas, Lísias... – respondeu André – você deve compreender que estou ligado a Zélia.
Lísias, então, lhe responde:
- Era o que faltava! Ninguém quer ferir seus sentimentos de felicidade. Não creio, no entanto, que a união esponsalícia deve trazer esquecimento da vida social. Não sabe mais ser o irmão de alguém, André?
Realmente, um homem não pode nutrir sincera amizade por uma mulher, e vice-versa, sem que, pela maioria, ele seja julgado em suas intenções.
É uma coisa horrorosa!
*
Outra informação interessantíssima transmitida por André Luiz, no capítulo em estudo, é o fato de Lísias, gentilmente, ter pagado para ele o ingresso no “Campo da Música”.
E, assim, seguem mais perguntas aos nossos estimados internautas/leitores:
- Pagou como e por quê?! Tudo, em o Mundo Espiritual, não é feito de graça, ou não?! O bônus-hora, em “Nosso Lar”, funcionaria, então, como moeda aquisitiva?! Uma consulta médica seria paga?! Já tivemos oportunidade de estudar, anteriormente, que, em “Nosso Lar”, uma casa pode ser adquirida... Existirão, dentro do sistema econômico vigente, casas bancárias na referida cidade espiritual?! Os alimentos têm que ser “comprados”?! Economicamente, quem manteria a cidade, suprindo-a com o indispensável?! Cairia “maná” dos céus?!...
*
Mais uma informação interessante de Lísias, a respeito do “Campo da Música”:
“Nas extremidades do Campo, temos certas manifestações que atendem ao gosto pessoal de cada grupo dos que ainda não podem entender a arte sublime; mas, no centro, temos a música universal e divina, a arte santificada, por excelência.”
Não é curiosa esta informação?! Não é lógica?! Não somos, naturalmente, levados a pensar na “periferia” da Vida, e em seu “centro”?! Não estaremos todos, em todos os aspectos, em nossa caminhada evolutiva, realizando uma jornada da “periferia” para o “centro”?!
Enfim, cremos que estamos com material de reflexão para alguns lustros, não?!
Vamos ver, através das respostas fornecidas, como anda o nosso pensamento a respeito de tantos assuntos, sobre os quais, com certeza, os ortodoxos já possuem posição definida.
E eu não sou capaz entender o grande silêncio em torno de tais assuntos, que, em geral, é feito pelos expositores nos ditos Congressos Espíritas...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 5 de março de 2018.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLVI

Alguns espíritas tomam as narrativas de André Luiz, em “Nosso Lar”, para serem excessivamente rigorosos com o autor espiritual, que, sem dúvida, em suas páginas, procurou apequenar-se, a fim de transmitir aos encarnados as realidades da Vida além da morte.
André Luiz, em “Nosso Lar”, adotou – digamos assim – o mesmo comportamento que o médium Chico Xavier adotava, quando se colocava no centro das lições que afirmava pertencerem a Emmanuel, quando, na maioria das vezes, o Benfeitor Espiritual parecia ser excessivamente rigoroso com ele.
Fazemos este preâmbulo para que os nossos irmãos não deixem de melhor reparar no que o autor de “Nosso Lar” anotou nos primeiros parágrafos do capítulo 45 – “No Campo da Música”.
“(...) Não obstante a escassez dos meus dias de serviço, já dedicava grande amor àquelas Câmaras. As visitas diárias do Ministro Genésio, a companhia de Narcisa, a inspiração de Tobias, a camaradagem dos companheiros, tudo isso me falava particularmente ao espírito. Narcisa, Salústio e eu, aproveitávamos todos os instantes de folga para melhorar o interior, aqui e ali, suavizando a situação dos enfermos, que estimávamos de todo o coração, como se fossem nossos filhos.”
Ora, que categoria de espírito que houvesse, há tão pouco tempo, sido albergado em “Nosso Lar”, se mostraria assim tão amoroso com os doentes, a ponto de quase considerá-los como se lhe fossem filhos?!
Por iniciativa própria, com Narcisa e Salústio, aproveitando instantes de folga, André se dedicava a oferecer aos enfermos melhores condições de tratamento.
Vocês conhecem, na Terra, algum médico que, no hospital público em que trabalha, aja dessa maneira?! Claro que deve existir, mas, de tão raro, chega a ser quase invisível ao olhar humano, não é mesmo?!
*
As novidades relatadas no capítulo 45 são inúmeras:
- Novamente, André faz referências ao entardecer e ao anoitecer, em “Nosso Lar”, tornando a deixar evidente a existência de dia e noite no Mundo Espiritual, porque o chamado Mundo Espiritual é também um orbe que gira em torno de si mesmo e do Sol, nos conhecidos movimentos de Rotação e Translação. Você já pensou nisto?! Quantos imaginam o Mundo Espiritual um mundo estático, não é?!
- Dona Laura, mãe Lísias, iniciaria o seu processo de reencarnação, ou de volta ao corpo carnal, na próxima semana e, por conta disso, “a casa estava repleta de contentamento” – não havia qualquer sinal de luto ou tristeza.
- André, que havia sido convidado ao “Campo da Música”, ouve de Dona Laura palavras bem humoradas: “Tome cuidado com o coração!...” Com certeza, a mãezinha de Lísias desejou alertá-lo para que procurasse se resguardar das saudades da família que ele havia deixado na Terra... Ou ainda, quem sabe, para que se cuidasse em seu campo afetivo, em relação a novas amizades que pudesse vir a fazer...
- Lísias diz a André, quando ambos descem do aeróbus, numa das praças do Ministério da Elevação: “Finalmente, vai você conhecer minha noiva, a quem tenho falado muitas vezes a seu respeito.” André, esboçando surpresa, diz ao amigo: “É curioso encontrarmos noivados, também por aqui...”
A surpresa do autor espiritual de “Nosso Lar” é semelhante, inclusive, de muitos espíritas que até hoje ficam sem entender que haja noivados no Mundo Espiritual – e, cá entre nós, muito mais que noivados...
*
Seria interessante que os estudiosos do Espiritismo procurassem explicar tais esclarecimentos, não permanecendo na expectativa de que os considerados “mortos” tenham a obrigação de tudo explicar.
Vocês não acham?!...


INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de fevereiro de 2018.




domingo, 18 de fevereiro de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLV

Em seus reveladores esclarecimentos, constantes do capítulo 44, de “Nosso Lar”, André Luiz, sob a supervisão de um colegiado de altos Mentores, em suas informações, acrescenta: “Há esferas de vida em toda parte (...), o vácuo sempre há de ser mera imagem literária. Em tudo há energias viventes e cada espécie de seres funciona em determinada zona da vida.”
Como somos pobres ao imaginarmos que a única espécie de “energia vivente”, que existe na Criação, é a humana! – fosse assim, creio mesmo, de minha parte, que a Criação Divina não se justificaria, porque teria criado uma imensidão completamente inútil. Contudo, corroborando o que os Espíritos adiantaram a Kardec, quando disseram, em “O Livro dos Espíritos”, que o vazio absoluto não existe (resposta à pergunta 36 – “Não, nada é vazio. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos.” - grifamos), André Luiz esclarece que essas “energias viventes”, para as quais ele sequer encontrou terminologia adequada, são seres que, igualmente, anseiam pela evolução.
Mesmo quando, na atualidade, cogita-se dos chamados “alienígenas”, ou dos seres extraterrestres, não se está fazendo justiça à diversidade da Vida existente no Universo. A verdade é que o ser humano é quase, ainda, um ser reptiliano, que se arrasta na lama de sua própria indigência espiritual... Imaginemos o que Jesus Cristo, que já houvera transcendido as questões da forma conhecida por nós outros, deve ter sentido quando, por amor à Humanidade, expôs-se à nova imersão nos fluidos pesados da matéria – um Anjo constantemente acossado por criaturas primitivas que O estraçalharam!...
*
Quase nos derradeiros parágrafos do capítulo em estudo, André Luiz, registrando as palavras de Lísias, anotou:
- “Naturalmente, como aconteceu a nós outros, você situou como região da existência, além da morte do corpo, apenas os círculos a se iniciarem da superfície do globo para cima, esquecido do nível para baixo. A vida, contudo, palpita na profundeza dos mares e no âmago da terra. Além disso, há princípios de gravitação para o espírito, como se dá com os corpos materiais.”
Em outras palavras: não adianta o espírito querer ascender sem peso específico adequado em seu corpo espiritual – peso com que possa vencer a gravidade e se preservar, e, então, permitir a ele que paire nas regiões consideradas superiores.
A Parábola do Filho Pródigo, uma das mais completas em nossa opinião, que aborda toda a questão metafísica da evolução, ensina que o filho, que deliberara sair da Casa do Pai, foi “caindo”, ou seja, “partiu para uma terra distante”, onde, por fim, ele se fixou e da qual começou a levantar-se... A mônada, saindo do seio do Criador, projetou-se no Espaço, detendo-se, em sua “queda”, ou em sua projeção, onde pode, psiquicamente, harmonizar-se com a vida ao redor. Mais profundamente ainda, talvez, poderia ter caído, caso a sua “queda” não tivesse sido interrompida pelo fato dela ter “caído em si”...
Somente quando o espírito “cai em si” ele deixa de continuar “caindo”, e, assim, começa a se levantar, ou empreender a sua viagem de volta à Casa Paterna.
*
Encerrando aquele diálogo com André, sentencia Lísias:
“ – Qual acontece a nós outros, que trazemos em nosso íntimo o superior e o inferior, também o planeta traz em si expressões altas e baixas, com que corrige o culpado e dá passagem ao triunfador para a vida eterna.”
Por tal motivo, André Luiz, além de se referir às Dimensões Espirituais – um planeta dentro de outro, qual deve existir um Universo dentro de outro, como há um corpo dentro de outro –, menciona a existência das chamadas Subdimensões, que, assim, tornam a questão das muitas moradas da Casa do Pai muito mais complexa e abrangente.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 19 de fevereiro de 2018.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XLIV

Finalmente, no capítulo 44, André Luiz nos fala sobre a Dimensão das Trevas, ou seja, sobre a existência de um Planeta, subcrostal, denominado “Trevas” – de início, convém esclarecer que todas as Sete Esferas da Terra, ou Sete Dimensões, são desdobramentos naturais do próprio Orbe Terrestre.
André Luiz, assim, nos enseja, através de sua Obra Reveladora, verdadeira Revelação da Revelação: falar em Mundos Espirituais, no plural! O referido autor espiritual, através de Chico Xavier, pluralizou o Mundo Espiritual, dando maior significado as palavras de Jesus quando ensinou que há muitas moradas na Casa do Pai.
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Solicitando explicações de Lísias, a respeito do que ouvira do Governador, em sua referência a Terra, ao Umbral e às Trevas, André registrou:
- Chamamos Trevas às regiões mais inferiores que conhecemos. Considere as criaturas como itinerantes da vida, Alguns poucos seguem resolutos, visando ao objetivo essencial da jornada. São os espíritos nobilíssimos, que descobriram a essência divina em si mesmos, marchando para o alvo sublime, sem vacilações. A maioria, no entanto, estaciona, Temos então a multidão de almas que demoram séculos e séculos, recapitulando experiências. Os primeiros seguem por linhas retas. Os segundos caminham descrevendo grandes curvas.
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Em obras posteriores, não olvidemos que André Luiz ainda há de se referir à Dimensão do Abismo – notadamente na obra “Obreiros da Vida Eterna”! Conforme já tivemos ensejo de mencionar, a Obra Andreluizina nos leva a efetuar uma viagem no tempo – tanto nos leva ao Futuro, quando nos conduz à cidade de “Nosso Lar”, construída em zona superior do Umbral, quanto nos leva ao Passado, em seus preciosos relatos enfeixados no livro “Libertação”.
Há, ainda, em “Nosso Lar”, discreta menção a uma Quinta Dimensão, ou Terra, que é justamente aquela habitada por sua genitora, que, para estar com ele em “Nosso Lar”, carece de se materializar.
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André, dialogando com Lísias, anota:
- Outros (espíritos), preferindo caminhar às escuras, pela preocupação egoística que os absorve, costumam cair em precipícios, estacionando no fundo do abismo por tempo indeterminado. Compreendeu?”
Atentemos para a questão do livre arbítrio que preside a evolução do espírito: “preferindo caminhar às escuras”! Vejamos quanto, por simples questão de preferência, ou de escolha, podemos nos atrasar por séculos e séculos – por milênios, mesmo!
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Interessantíssima a pergunta de André:
- Entretanto, que me diz dessas quedas? Verificam-se apenas na Terra? Somente os encarnados são suscetíveis de precipitação no despenhadeiro?
Eis a preciosa resposta de Lísias, sobre a qual, infelizmente, muitos espíritas evitam refletir:
- Em qualquer lugar, o espírito pode precipitar-se nas furnas do mal...
No Mundo Espiritual, o espírito não apenas continua sujeito aos seus antigos carmas, quanto é passível de criar outros novos, porque a vida do espírito no Mais Além igualmente é presidida pela Lei de Causa e Efeito – no Mundo Espiritual também se planta e também se colhe!...
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Cada vez mais se patenteia no estudo das Obras de André Luiz, pela lavra mediúnica de Chico Xavier, que a encarnação, para a evolução do espírito, não passa de mero detalhe, ou de um estágio a mais para o seu crescimento.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 12 de fevereiro de 2018.