segunda-feira, 13 de agosto de 2018


XII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

A explanação de Gúbio, no segundo capítulo de “Libertação”, é repleta de informações as mais significativas.
Agora, daremos destaque ao poder da vontade, inclusive, sobre o mundo microscópico, ou seja, sobre o organismo físico, que abriga milhões de células, que não passam de seres sob o comando de quem o enverga.
Esclarece o Instrutor:
“Dirija um homem a sua vontade para a ideia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo, com todas as características dos moldes estruturados pelo pensamento enfermiço, porque a sugestão mental positiva determina a sintonia e receptividade da região orgânica, em conexão com o impulso havido, e as entidades microbianas, que vivem e se reproduzem no campo mental dos milhões de pessoas que as entretêm, acorrerão em massa, absorvidas pelas células que as atraem, em obediência às ordens interiores, reiteradamente idealizada”.
Notemos que a questão da “obsessão” é muito mais complexa do que, habitualmente, se imagina. A auto-obsessão quando o homem pensa sistematicamente em doença costuma ser avassaladora para a saúde. Notemos que até as células estão sujeitas a serem “vampirizadas” por “entidades microbianas”... Não apenas os seres inteligentes podem ser obsidiados pelos seres inteligentes, estando ou não no corpo físico. Segundo Gúbio: “Existem princípios, forças e leis no universo minúsculo, tanto quanto no universo macroscópico”.
Percebamos, assim, a importância do otimismo, do pensamento buscando sintonia com as ideias elevadas. O homem, igualmente, pode cometer suicídio indireto, acalentando emoções enfermiças, porque, então, fazendo cair a sua resistência, permite que o seu organismo físico seja invadido por seres microscópicos que lhe comprometem a integridade.
Adiante, acrescenta o Instrutor:
“... o doente que se compraz na aceitação e no elogio da própria decadência acaba na posição de excelente incubador de bactérias e sintomas mórbidos, enquanto que o espírito em reajustamento, quando reage, valoroso, contra o mal, ainda mesmo que benéfico e merecido, encontra imensos recursos de concentrar-se no bem, integrando-se na corrente da vida vitoriosa”.
*
O paralelo traçado por Gúbio é interessantíssimo e revelador, e continua valendo mesmo para o espírito desencarnado, de vez que também nós, os considerados mortos, ainda trajamos uma veste constituída por seres que prosseguem evoluindo em nosso próprio corpo espiritual – para tais seres, cada um de nós outros representa o “criador”, ou o “deus”, em cujo seio, no dizer de Paulo, o Apóstolo (“Atos”, 17:28), eles vivem, existem e se movem, estando a caminho da “individualização” e da “consciência”, assim como, há milênios, logramos alcançar a racionalidade.
*
Notemos, ainda, que a questão da “coexistência”, em todos os Planos de Vida, é Lei – a “coexistência” entre luz e sombra, de vez que a sombra, impulsionando a luz a ser mais luz, ela mesma termina por se transfigurar em luz.
A sombra, portanto, não passa de luz temporariamente eclipsada, pois que, na Criação Divina, tudo é luz.
A noite incentiva os dias a serem mais longos...
O mal induz o bem a ser o Bem em plenitude...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de agosto de 2018.


segunda-feira, 6 de agosto de 2018


XI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Os nossos estudos do livro “Libertação”, nesta semana, bem que poderiam ter por título: A Pergunta de André Luiz.
Continuando a dialogar com Gúbio, André lhe inquiriu: “Com que fim - perguntei – essas legiões retardadas se mancomunam, além da morte, se despidas da vestimenta grosseira de carne devem saber, mais que nunca, que se empenham em combates inúteis?”.
De fato, ao espírito encarnado, muito difícil compreender que, na Vida de além-túmulo, os homens fora do corpo não assimilem a realidade, capitulando diante de sua própria ignorância...
Não seria de se esperar que, pelo menos, deste Outro Lado da Vida, os espíritos lograssem tomar consciência de seus erros, inclusive de ordem dogmática, no campo da fé, em que, ao longo dos séculos, tanto temos errado?
Gúbio, o sábio Instrutor, sorriu, e a sua resposta, embora óbvia, não deixou de soar com o ineditismo que a Verdade sempre soa aos ouvidos de quem, voluntariamente, busca ignorá-la:
- “Reportamo-nos a espíritos perfeitamente humanos, não obstante desencarnados, e tais perguntas, André, poderiam ser formuladas, mesmo na Crosta da Terra. Por que razão, nós mesmos, antes de acordar a consciência para a revelação divina, nos precipitávamos nas linhas inferiores, todos os dias, contrariando espetacularmente a Lei? (...)”.
Sim, por que nós mesmos, quando no corpo carnal, não compreendemos a inutilidade do mal?! Como não considerarmos ilógico que o espírito, apenas por conta de seu desenlace do envoltório denso, possa renovar-se intimamente?!
E Gúbio questiona André:
“Ante as sugestões do Plano Divino que te povoam, agora, o pensamento, lembras-te de algum tempo passado em que tivesses cogitado sinceramente da própria sublimação?”.
*
A verdade é que o homem, moralmente, não se transforma mais além da morte do que possa se transformar na Terra, desde agora.
Por que ocorreria alguma mudança moral significativa no espírito, pelo fenômeno da desencarnação, e não lhe ocorreria, assim, alguma mudança de ordem intelectual?! Pode o espírito com inclinações inferiores, deixar de ser o que é de hora para outra?! Pode alguém de intelecto obtuso, transfigurar-se em espírito erudito, apenas por, supostamente, ir contemplar as estrelas mais de perto?!
*
Vejamos que André Luiz, após ouvir as considerações do Instrutor, ainda confessa o que, sem dúvida, nos é difícil de aceitar, quando não nos aprofundamos nos temas que não conhecemos se não superficialmente:
“A argumentação de Gúbio era bela e sugestiva; entretanto, eu sentia dificuldades para aceitar a ideia de purgatórios e infernos dirigidos.”.
Sobre a Terra, não os temos?! A criminalidade não é organizada e dirigida, muitas vezes, de dentro das penitenciárias, ou do interior dos palácios?!...
Quadrilhas de espíritos encarnados, no mundo inteiro, escravizam o poder, submetem os povos, incrementam a guerra, tramam tão somente em favor de seus próprios interesses... Tais legiões, sob o jugo de legiões outras, que as controlam do Invisível, mantém, em todos os aspectos, a Humanidade em longo cativeiro de ignorância, porquanto o seu objetivo é o da “conservação do primitivismo mental da criatura humana”.
Esta é uma das mais graves denúncias que o Moderno Espiritualismo já pode fazer ao homem em todas as épocas da Humanidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 6 de agosto de 2018.

segunda-feira, 30 de julho de 2018


X – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Terminada a alocução do Ministro Flácus, André, no segundo capítulo de “Libertação”, esclarece que o Instrutor Gúbio, entrara em conversação com ele e Elói, esmiuçando informações em torno da “arregimentação inteligente dos espíritos perversos”, que insistem em manter os encarnados cativos da ignorância espiritual.
Gúbio, sem rodeios, diz que tais espíritos organizam “verdadeiras cidades, em que se refugiam falanges compactas de almas que fogem, envergonhadas de si mesmos...” E acrescenta que “tais colônias perturbadoras devem ter começado com as primeiras inteligências terrestres entregues à insubmissão e à indisciplina ante os ditames da Paternidade Celestial”.
Notem, pois, os nossos companheiros, que, nos Planos da Erraticidade existem um sem número de cidades, que terminam por constituir estados e países – assim como na Crosta existem países, uns mais adiantados que outros, localizados no chamado “primeiro”, no “segundo”, ou no “terceiro mundo”, a realidade, no Planeta Espiritual é idêntica, também com a existência de países evolvidos uns, e subdesenvolvidos outros. Não obstante, a ação dos espíritos infelizes não se faz sentir, evidentemente, apenas sobre os encarnados, mas também entre si. Nas Dimensões além da Terra, com certeza, ainda subsiste a luta pelo poder e a tentativa de domínio do forte pelo mais fraco.
*
Gúbio, em seu diálogo com os pupilos, afirma que semelhantes entidades “arrebanham-se de conformidade com as tendências inferiores em que se afinam, ao redor da Crosta Terrestre, de cujas emanações e vidas inferiores ainda se nutrem...”. É um processo de vampirização coletiva! E, claro, nesse processo de vampirização coletiva, nos deparamos com o grave problema da fascinação que acomete pequenos, médios e grandes grupos de pessoas, que agem como “intermediários” dessas mentes fora do corpo, que incitam o homem à rebeldia e à guerra, não importando do que tenham que se valer para tanto.
*
O Instrutor ainda elucida: “O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primitivismo mental da criatura humana, a fim de que o Planeta permaneça, tanto quanto possível, sob seu jugo tirânico”.
Não olvidemos que “Nosso Lar” que, nos tempos idos, era uma “cidade murada”, com o propósito de se defender de possíveis invasões de hordas das trevas, continua sendo uma cidade que sempre se mantém vigilante em suas fronteiras – como, na Terra, cidades e países procuram vigiar os seus limites geográficos.
O espírito encarnado – esse “estranho ser”, que, a mim, por vezes, mais se assemelha a um molusco vivendo num corpo humano – ainda se contém em considerável grau de selvageria, e, se possível, fosse, cidades, estados e países viveriam invadindo uns aos outros, reclamando a sua posse.
*
Portanto, o Bem, que carece de se defender, não pode, sob pena de escravização, apassivar-se ante a sanha do mal.
*
André Luiz, após escutar Gúbio, escreve no capítulo II, ora em estudo, que, após a desencarnação, embora tivesse permanecido retido em zonas umbralinas, não se deparara com tais organizações inferiores, e, por isto, custava-lhe admitir “que as atividades maléficas gozassem de organismo diretor”. Destaquemos: “organismo diretor” – quer dizer, com organização hierárquica, semelhante à qual, infelizmente, o crime organizado conta na Terra – e não somente através de seus “comandos” encarcerados, mas dos que militam, com outros propósitos, em plena liberdade, até mesmo no campo da política humana.
*
A situação atual do homem, espírito encarnado, é grave e muito séria.
As trevas muito haverão de lutar para não perderem o domínio – embora hoje, parcial – do orbe terrestre. Parcial, porque, com o advento de Jesus Cristo, a luz resplandeceu no coração das sombras, e, assim, teve início o processo de redenção da Humanidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de julho de 2018.
 


segunda-feira, 23 de julho de 2018


IX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Quase a encerrar a preleção, um companheiro, que estava assembleia, questionou o Ministro:
- “Grande benfeitor, reconhecemos a veracidade de vossas afirmativas; todavia, porque não suprime o Senhor Compassivo e Sábio tão pavoroso quadro?”
Flácus respondeu:
“Não será o mesmo que interrogar pela tardança de nossa própria adesão ao Reino Divino? Sente-se o meu amigo suficientemente iluminado para negar o lado sombrio da própria individualidade? (destacamos) Libertou-se de todas as tentações que fluem dos escaninhos misteriosos da luta interna? (...)”.
As Leis Divinas respeitam o livre arbítrio da criatura, embora ainda não detentora do livre arbítrio absoluto – nem poderia ser diferente, pois, caso contrário, a criatura, em sua imperfeição, haveria de fazer com que o mal, ou a ignorância, que existe em si, viesse a se perpetuar.
Não obstante, precisamos convir que, pela sua liberdade de escolha, o homem, indefinidamente, pode ser opor às Leis da Evolução.
Portanto, não creiam os nossos irmãos encarnados que o Mundo Espiritual possa tomar providências radicais na mudança do cenário da vida sobre a Terra, nem tampouco interferir nos rumos que o espírita imprimir ao Movimento – que não representa a Doutrina, mas que pode fazer com que a sua assimilação e entendimento se atrase na mente popular.
*
Flácus acentua:
“Somos simplesmente alguns bilhões de seres perante a Eternidade. E estejamos convencidos de que se o diamante é lapidado pelo diamante, o mau só pode ser corrigido pelo mau. Funciona a justiça, através da injustiça aparente, até que o amor nasça e redima os que se condenaram a longas e dolorosas sentenças diante da Boa Lei”.
 Diante do exposto, cremos que, encarnados e desencarnados, carecemos de nos preparar para ainda enfrentar muitas dificuldades na senda evolutiva, e que, de fato, a transformação da Humanidade, com a consequente transformação do mundo, é trabalho laborioso, no qual, porém, cada qual, pelo seu esforço, pode se destacar e, assim, se for o caso, elevar-se a Planos mais altos.
*
Quase a concluir a sua conferência, Flácus anota:
“... o Planeta, por enquanto ainda não passa de vasto crivo de aprimoramento, ao qual somente os indivíduos excepcionalmente aperfeiçoados pelo próprio esforço conseguem escapar, na direção das esferas sublimes”.
E cita Paulo de Tarso, em sua Epístola aos Efésios:
“... não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas e contra as hostes espirituais da maldade, nas próprias regiões celestes”.
Os espíritos infelizes organizam-se nas “regiões celestes”, ou espirituais, e, contando com os agentes de sua vontade na carne, pelejam contra a vitória definitiva do Reino Divino. Claro que não podem lograr o seu intento, porém, realmente podem conseguir retardá-la, qual o tem feito com a Doutrina nos tempos atuais, que, no Brasil, segundo as estatísticas, da desencarnação de Chico Xavier para cá, conseguiu, inclusive, perder adeptos. (*)

(*) Vide na Internet os vários Institutos de pesquisa.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 23 de julho de 2018.





domingo, 15 de julho de 2018


VIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIZ

Flácus, inspirado pelos Planos Maiores, acentua em sua preleção:
“Espíritos incompletos que somos ainda, aderimos aos movimentos que lhes dizem respeito e colhemos os benefícios da ascensão e da vitória ou os prejuízos da descida e da derrota, controlados pelas inteligências mais vigorosas que a nossa e que seguem conosco, lado a lado, na zona progressiva ou deprimente, em que nos colocamos.
 O inferno, por isto mesmo, é um problema de direção espiritual.
Satã é a inteligência perversa. (destacamos)
O mal é o desperdício do tempo ou o emprego da energia em sentido contrário aos propósitos do Senhor”.
Na condição de espíritas, não podemos olvidar a questão do livre arbítrio, repetindo aqui as célebres palavras de León Denis: “O Espiritismo será o que os homens o fizerem”.
Na atualidade, porém, observamos a existência de “dois” Movimentos Espíritas: o primeiro, e mais autêntico, o de seus adeptos que frequentam os grupos espíritas, interessados em colocar em prática as lições que aprendem; o segundo, e totalmente equivocado, o de seus adeptos que se deixaram picar pela “mosca azul” do poder, ditando normas, regras, estabelecendo direções, como se fossem altos mandatários do Mundo Espiritual na Terra...
*
Logo na sequência, severo alerta de Flácus:
“Misturam-se à multidão terrestre, exercem atuação singular sobre inúmeros lares e administrações e o interesse fundamental das mais poderosas inteligências, dentre elas, é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...” (destacamos)
Seríssimo!
“... adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...”.
Podem fazê-lo?! Claro, pois que o têm feito desde épocas imemoriais, mormente quando lograram desfigurar os ensinamentos cristãos, fazendo com o Cristianismo o que fizeram e ainda fazem...
O Espiritismo, infelizmente, vem se transformando numa caricatura dos princípios cristãos, com os espíritas incautos, fazendo em muito menor tempo, o que os cristãos primitivos levaram três séculos para começarem a fazer com o Evangelho.
*
Todavia, ainda se tem tempo para deter o processo da falência de nossos princípios doutrinários que vêm sendo espezinhados e ridicularizados, a partir do comportamento arbitrário e nada fraterno dos espíritas que se consideram “donos” do Movimento, na exibição apenas e tão somente de duvidosa cultura acadêmica ou do pretenso status social que possuem – que os Centros Espiritas bem intencionados, com os seus leais frequentadores, prossigam laborando pelo Mundo Melhor, sem se inclinarem à autoridade “papal” ou “cardinalícia” que alguns espíritas vêm procurando exercer no Movimento.
Que os Centros Espíritas proclamem a sua independência dos órgãos de condução e se transformem em colmeias de serviço e de amor ao próximo, e em escolas sem cátedras onde o verdadeiro Espiritismo possa ser ensinado aos seus adeptos, para que eles, por fim, aprendam a pensar por si mesmos.
Não se trata de rebeldia, mas, sim, de “defesa pacífica” da originalidade espírita, para que o Espiritismo não venha a se transformar em simplesmente mais um “ismo”, no campo da vaidade pessoal de tantos, que, praticamente por imposição, em trama de bastidores pelo poder, querem impor a sua liderança.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de julho de 2018.





segunda-feira, 9 de julho de 2018


VII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Continuando com a sua profunda alocução, o Ministro Flácus considera no primeiro capítulo de “Libertação”:
“A mente infantil da Terra, embalada pela ternura paternal da Providência, através da teologia comum, nunca pode apreender, mais intensivamente, a realidade espiritual que nos governa os destinos”.
A verdade é que todas as religiões mais tradicionais da Humanidade se encontram ultrapassadas – pararam no espaço e no tempo, prosseguindo a pregar o que pregavam ao tempo de seus primeiros iniciados.
O Espiritismo, que é Fé Raciocinada, igualmente, corre o risco de estagnação, de vez que são muito poucos os seus adeptos, encarnados e desencarnados, que estão realizando perquirições sérias, procurando ampliar as informações que os Espíritos transmitiram a Kardec no século XIX. A Obra Xavieriana, propositalmente, tem sido rejeitada por espíritas que não aceitam que o Mundo Espiritual, através da mediunidade singular de Chico Xavier, desdobrou, a partir da Codificação.
As palestras, habitualmente, realizadas nos Centros Espíritas, e nos mais diversos Encontros sob a chancela da Doutrina, são demasiadamente superficiais e com base na chamada “filosofia de autoajuda”, que não deixa de ser recurso de imediatismo espiritual, ante a impossibilidade de apresentar-se algo doutrinariamente mais consistente.
Fala-se para agradar e ser aplaudido, e não para informar, esclarecer, libertar.
*
Prosseguindo, considera Flácus:
“Raros compreendem na morte simples modificação de envoltório (destacamos), e escasso número de pessoas, ainda mesmo em se tratando dos religiosos mais avançados, guardaram a prudência de viver, no vaso físico, de conformidade com os princípios superiores que esposaram. Somos defrontados, agora, pela necessidade da proclamação de verdades velhas para os velhos ouvidos e novas para os ouvidos novos da inteligência juvenil situada no mundo”.
Flácus, elevado mentor da Vida Maior, considera que, em maioria, somos inteligências juvenis – espíritos imaturos, agindo levados por interesses pessoais, sem quase nenhuma preocupação com a vivência da Mensagem que veiculamos.
De fato, no Movimento Espírita atual, o que mais falta, mormente entre os que se arvoram em seus líderes, é a exemplificação da Doutrina, de vez que, semelhantemente ao que, no campo da política, vem acontecendo no Brasil, o exemplo de cima está faltando, porquanto sobra vaidade e personalismo, ambição de poder e mistificação mediúnica.
*
Flácus ainda considera:
“E, se há uma corrente, brilhante e maravilhosa, de criaturas encarnadas e desencarnadas que se dirigem para o monte da sublimação, desferindo glorioso cântico de trabalho, imortalidade, beleza e esperança, exaltando a vida, outra corrente existe, escura e infeliz, nas mesmas condições, interessada em descer aos recôncavos das trevas...”
Por invigilância do Movimento Espirita atual, o futuro do Espiritismo no Brasil se encontra seriamente ameaçado, de vez que, em seus caminhos, ou descaminhos, o Movimento está a repetir os enganos cometidos pelas cadaverizadas religiões de massa. E o que pior: sob o incentivo e a orientação de seus pretensos líderes, médiuns encarnados e “orientadores” do Mundo Espiritual!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 9 de julho de 2018.



segunda-feira, 2 de julho de 2018




VI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Ainda no capítulo I, de “Libertação”, o Ministro Flácus faz espantosa afirmação:
“Mentes cristalizadas na rebeldia, tentam solapar, em vão, a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras que lhes vergastam as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações”. (destacamos)
Diante do que elucida o Ministro Flácus, o que dizer àqueles nossos confrades que vivem afirmando que os espíritos, antes de voltar a Terra, em novo corpo, passam por “Institutos de Reencarnação”?! Se tal ocorresse com todos os espíritos, seria a falência moral desses “Institutos”, já que, ao que se vê, a suposta preparação pouco lhes tem servido ao êxito em seu regresso ao corpo.
Como falar-se, por exemplo, em “Institutos de Reencarnação” funcionando para espíritos que sequer aceitam as Vidas Sucessivas?! Será que os fanáticos religiosos, espalhados por toda a parte do orbe terrestre, se submetem a tais “Institutos”?!...
*
Muitos espíritas, infelizmente, continuam a pensar muito “pequeno” em relação à Vida, e a grandeza da Revelação Espírita – passaram a se considerar “donos” do Mundo Espiritual, como se o Mundo Espiritual se inclinasse a atender aos seus caprichos pessoais...
*
Pelo exposto por Flácus, existem espíritos, altamente intelectualizadas, que, igualmente, dominam o conhecimento da técnica reencarnatória, e que providenciam para que os seus “agentes” tomem corpo na Terra, a fim de impedir o progresso da Humanidade.
Parece ficção, mas não é – a Vida parece ficção! Estamos diante da mais pura realidade, com espíritos, inclusive, renascendo no meio espírita, para criaram a perturbação, desviando a Doutrina de seus propósitos.
Chico Xavier, desde que reencarnou com a missão de complementar a Obra Kardeciana, sempre teve as trevas em seu encalço – começou quando ele tinha 5 anos de idade e, tendo ficado órfão, foi morar com uma senhora desequilibrada, sua madrinha, através da qual, várias vezes, o Mundo Espiritual inferior tentou matá-lo – enfiando garfos em seu ventre –, ou prejudicar a sua lucidez intelectual deixando que ele crescesse em estado de subnutrição – literalmente, ele passou fome...
Até a sua desencarnação, em 2002, aos 92 de idade, Chico teve as trevas por companhia, rondando os seus passos, padecendo, inclusive, ao que sabemos, ameaças de morte, com revólver apontado à sua cabeça...
*
Ainda hoje, infelizmente, passados mais de quinze anos de seu desenlace, os “despojos” de Chico são disputados pelas “hienas” do Mundo Espiritual inferior, que não desistem de lhe sugar a abençoada carcaça...
Porém, o reinado das próprias trevas tem seu fim, e, felizmente, já estamos às vésperas de indispensável “limpeza” na seara, que, então, sob o fôlego de espíritos mais nobres, que estão reencarnados e reencarnando, há de respirar novos ares.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 2 de julho de 2018.







segunda-feira, 25 de junho de 2018




V – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, ANDRÉ LUIZ/ CHICO XAVIER

A preleção do Ministro Flácus, sem dúvida, é a mais substanciosa página do Espiritismo, e do Espiritualismo em geral, abordando o tema da existência do Mundo Espiritual e o regime de interdependência em que vivem encarnados e desencarnados.
*
Discorrendo sobre a situação da comunidade dos que vivem fora do corpo, nas proximidades do orbe terrestre, o Ministro elucida:
“Um reino espiritual dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e do poder”.
Infelizmente, desta realidade, nem mesmo o Espiritismo tem escapado, pois que há muito joio lançado em meio ao trigo do Movimento Espirita, e muitos lutam pelo poder, chegando mesmo a serem tirânicos contra aqueles que não rezam pela sua cartilha.
O chamado Movimento Espírita está contaminado, em quase todos os seus seguimentos, e carece ser saneado, com os seus militantes voltando a se devotarem ao verdadeiro espírito da Doutrina.
*
Outra afirmação importante de Flácus:
“Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a dominação da Terra”.
Vejamos a situação espiritual do Brasil, onde os “filhos do desespero”, que, atualmente, se encontram encarnados, sequer pensam na existência de Deus e agem como não tivessem que vir a prestar contas à Lei. Colocam-se acima de tudo e de todos, e sob forte hipnose, são comparsas do crime organizado, que, no Brasil, se apresenta, também, disfarçado de partidos políticos.
Há uma onda de cepticismo percorrendo o país de ponta a ponta, da qual somente os que perseverarem até o fim haverão de ser salvos, ou seja: escaparão de sua influência funesta e arrasadora.
A verdade é que o Brasil, esse gigante, que concentra as esperança de vir a ser a Pátria do Evangelho, agoniza, quase ferido de morte pelos seus próprios filhos.
*
A afirmação que Flácus faz em seguida é estarrecedora:
“... e anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária”.
Representam eles a figura do Demônio, ou do anjo do mal, que se atreve a colocar em oposição ao Criador. A sua ousadia é tanta, e tão inconsequente, e tão insana, que desejam perverter a Lei Divina!
Organizam-se eles, no mundo todo, em falanges imensas, e, principalmente, através da Política e da Religião, agridem os homens, espíritos encarnados que, com extrema dificuldade, estão lutando para saírem do lugar comum.
*
O Espiritismo, evidentemente, não haveria de ser poupado desse “ataque” das trevas, que lhe é movido pelos seus pseudo profitentes, que estão ocupando o poder, a partir de um simples Centro Espírita até a um órgão unificador.
Na atualidade, a fim de que o “poder” se descentralizasse, seria interessante que surgisse uma vertente paralela ao poder dos órgãos unificadores atuais – o que está dividido carece sem dúvida, de ser mais fracionado ainda, porquanto a verdadeira unificação se alicerça na descentralização do poder, promovendo a união espiritual.
O Espiritismo há de ser forte quando os homens se enfraquecerem em sua ânsia de poder.
Com o devido respeito às Leis Divinas, ouso clamar aos Céus que, infelizmente, Chico Xavier, aos 92 de idade, desencarnou cedo demais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de junho de 2018.




segunda-feira, 18 de junho de 2018




IV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Prosseguindo em nossas reflexões em torno da preleção do Ministro Flácus, inserida no primeiro capítulo de “Libertação”, atentemos para a frase:
“Entretanto, nesse mesmo espaço, alonga-se a matéria noutros estados, e, nesses outros estados, a mente desencarnada, em viagem para o conhecimento e para a virtude, radica-se na esfera física, buscando dominá-la e absorvê-la, estabelecendo gigantesca luta de pensamento (destacamos) que ao homem comum não é dado calcular”.
Vejamos:
Nem todos os que desencarnam estão preparados para se “aclimatarem” no Plano Extrafísico...
Grande número dos que deixam o corpo carnal continua a “radicarem-se” na esfera física...
Os espíritos infelizes, fora do corpo, contando com “médiuns” encarnados, em todos os setores de atividade humana – inclusive na Doutrina Espírita, que, essencialmente, é uma doutrina libertadora –, buscam “dominar” a Terra – anseiam por quererem que a Terra continue sendo o seu “pasto psíquico”, através dos vampirismos que exercem...
O Mundo Espiritual de muitos que desencarnam é tão somente a “contraparte” da Terra...
“... estabelecendo gigantesca luta de pensamento...” – são as obsessões, que Allan Kardec, ao estudá-las, segundo a sua gravidade, classificou-as: simples, fascinação e possessão...
Inegável que as trevas possuem os seus “agentes” encarnados, que, não raro, são manipulados de forma inconsciente por elas, a fim de conspurcarem as fontes mais cristalinas destinadas a saciar a sede de Conhecimento e de Amor da Humanidade...
*
Considerou Flácus:
“Frustrados em suas aspirações de vaidoso domínio no domicílio celestial (destacamos), homens e mulheres de todos os climas e de todas as civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar”.
Vejamos ainda:
No Mundo Espiritual próximo, do qual muitos procedem para a Terra e para o qual, da Terra, muitos hão de regressar, apenas se prolongam as atividades terrenas...
Em geral, são esses espíritos que entram em contato com os médiuns, e, portanto, pouco eles conseguem acrescentar ao que já sabem os homens...
Não é fácil, assim, romper com esse círculo vicioso em que se transforma o ato de reencarnar... Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, anotou com sabedoria no capítulo 20: “Nesse círculo vicioso, vive a criatura humana, de modo geral, sob o domínio da ignorância acalentada, procurando enganar-se depois do berço, para desenganar-se depois do túmulo, aprisionada ao binômio ilusão-desilusão, com que despende longos séculos, começando a recomeçando a senda em que lhe cabe avançar”.
Longos séculos!...
Indispensável muita coragem para romper com a hipocrisia, com a mentira, com os interesses inferiores, com o desejo de poder, com a ambição do mando, com o personalismo, enfim, com as máscaras que afivelamos à face...
A libertação é solitária...
A ascensão é penosa...
É de fazer sangrar a alma...
Lance-se a ele quem seja suficientemente ousado para encarar a verdade a respeito de si mesmo!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de junho de 2018.



segunda-feira, 11 de junho de 2018




III – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Nos primeiros parágrafos de sua preleção, o Ministro Flácus enfoca o tema da evolução da mônada, a partir do reino mineral:
“... a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação”.
Adiante:
 “Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada frequência do Universo. E o amor divino alcança-nos, a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes”.
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Espantosa a afirmação dos Espíritos Superiores a Kardec, na pergunta 597-a, de “O Livro dos Espíritos”: “(...) Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância, quanto entre a alma do homem e Deus”.
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Quão longos são os caminhos da evolução!...
E o homem, lidando com a razão há quarenta mil anos, ainda revela em suas atitudes traços de animalidade. Não se pode dizer que o homem já tenha tomado completa posse de sua humanidade.
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Mais adiante, Flácus aborda a questão da interdependência que vige entre todos os seres da Criação – interdependência não apenas física, mas também psicológica. Daí não nos ser atitude lícita e inteligente menosprezarmos que se movimentam na retaguarda evolutiva, pelos quais, sem dúvida, necessitamos nos sentir responsáveis – assim como Jesus Cristo sentiu-se e sente-se por nós outros.
O que seria da Humanidade Terrestre se o Cristo não tivesse vindo a até nós?! Com certeza, ainda desconheceríamos o que seja Amor – com A maiúsculo!
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Flácus, em sua palestra, estava justificando o trabalho que os espíritos mais esclarecidos necessitam desenvolver em nome da solidariedade universal – preparando os espíritos que ali estavam presentes para as tarefas sacrificiais que os mais lúcidos devem abraçar em favor da libertação dos que se demoram nas faixas da ignorância.
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Vejamos a sua consideração:
“Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens”.
Com tais palavras, ele nos induz a pensar que, até certo ponto, o chamado vampirismo é natural. Assim como o corpo humano é parasitado por milhares de vidas inferiores, em evolução, a mente humana também. Todavia, a questão não é a de “carregarmos” conosco mentes desencarnadas, necessitadas de esclarecimento – a questão é nos deixarmos possuir por elas, e, em vez de fazer com que cresçam consentir que elas nos façam estagnar em nossa caminhada.
Mediunidade generalizada!...
Notemos a importância da Doutrina Espírita que, em nos conscientizando de semelhante situação, nos prepara para melhor a facearmos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de junho de 2018.