segunda-feira, 17 de setembro de 2018


XVII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No desdobramento do capítulo III – “Entendimento” –, André Luiz nos traz impressionantes revelações, qual, por exemplo, a materialização de espíritos no Plano Espiritual (destacamos). Realmente, apenas semelhante detalhe faz uma enorme diferença, de vez que, por dedução, podemos concluir que o Mundo Espiritual é constituído por múltiplas Dimensões, e que os espíritos desencarnados, habitantes do Plano imediato à Crosta Terrestre, também estão rodeados por uma “população” invisível aos seus sentidos.
Os mais diversos Planos Espirituais, ou Planetas Espirituais, se interpenetram, ou, caso prefiram, conectam-se, com a matéria mais rarefeita de uns permeando a matéria mais concreta de outros.
André narra, com minúcias, uma sessão de materialização ocorrida em “gracioso templo” do Mundo Espiritual, com a presença de “doadores de fluidos”, ou seja, de médiuns de ectoplasmia – sim, de ectoplasmia no Além!...
*
Permitam-nos a indagação: o fenômeno de ectoplasmia no Mundo Espiritual, ou de materialização temporária de espíritos habitantes de superior Dimensão, não lhes parece endossar a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual?! Se os espíritos, habitantes de Dimensão Mais Alta, para fazerem-se perceber nas Dimensões Espirituais inferiores, carecem de se materializar temporariamente, não careceriam de reencarnar, caso “descessem” para a execução de uma tarefa que nelas lhes exigisse um tempo de permanência mais longo?!...
*
A narrativa de André Luiz não deixa margem a qualquer dúvida: “Os doadores de energia radiante, médiuns de materialização em nosso plano, se alinhavam, não longe, em número de vinte.”
Em seguida, ele descreve a liberação do ectoplasma e a materialização do espírito de uma mulher: “Esbranquiçada nuvem de substância leitosa-brilhante adensa-se em derredor e, pouco a pouco, desse bloco de neve translúcida, emerge a figura viva e respeitável de veneranda mulher.”
Voltamos a insistir: como os espíritas estudiosos podem aceitar o fenômeno da materialização no Mundo Espiritual descrito por André Luiz, e negar a reencarnação no Mundo Espiritual, quando, conforme sabemos, a reencarnação nada mais é que uma materialização do espírito sobre a Terra, em tempo de maior duração?!...
*
Após a materialização da referida senhora que viera de encontro a duas filhas, encorajando-as nas lutas da evolução, André começa a narrar a materialização de Matilde, mãe de Gregório, personagens centrais do livro “Libertação”.
Matilde dirigindo-se, particularmente, a Gúbio, lhe diz: “Irmão Gúbio, agradeço-te o concurso dadivoso. Creio haver chegado, efetivamente, o instante de aceitar-te a ajuda fraterna, em favor da libertação de meu infortunado Gregório. Espero, há séculos, pela renovação e penitência dele.”
Quantas lições preciosas! Sim, por vezes, necessitamos de esperar séculos pela oportunidade de aproximação daqueles que mais amamos, com o intuito de libertá-los... Gregório havia sido o Papa Gregório IX, nascido em 1145, em Anagni, Itália. Chamava-se, então, Ugolino Conti. Fora ele o organizador da Inquisição Pontifícia, e, por ironia, um grande admirador de Francisco de Assis, que ele próprio canonizara dois anos após a desencarnação do Poverello.
Quanto se desviara!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de setembro de 2018.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018


XVI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo III – “Entendimento” –, André Luiz manifesta surpresa com as expedições socorristas que, muitas vezes, os espíritos mais esclarecidos organizam para atender aos encarnados, como também aos desencarnados que vibram noutra faixa mental.
Em suas palavras elucidativas, Gúbio explica:
“Somos todos, eles e nós, corações imantados uns aos outros, na forja de benditas experiências. No romance evolutivo e redentor da Humanidade, cada espírito possui capítulo especial.”
As ponderações do Instrutor nos levam a deduzir que o amparo mútuo é imprescindível à Evolução, e isto porque, simplesmente, ninguém prescinde do outro para evoluir – o outro, ou o próximo, é o nosso caminho para Deus!
Vivendo em regime de interdependência, não cuidar das necessidades alheias é expor-nos aos desastres que podem arrasar a vida dos semelhantes – quem não apaga o incêndio na casa do vizinho terá a sua casa consumida pelo fogo. Não é assim?!
Estamos empenhados num processo de evolução coletiva... Jesus Cristo, ao se corporificar na Terra, veio trabalhar pela condução das ovelhas tresmalhadas, mas também, certamente, para reafirmar-se, cada vez mais, na condição de Pastor do rebanho que o Criador Lhe confiou à tutela.
Amparar aos semelhantes, pois, é uma questão de inteligência, e de necessidade mútua.
As células, a fim de combaterem uma infecção que lhes ameaça a sobrevivência, saem de uma extremidade a outra do corpo, pois que têm interesse em preservar a integridade do organismo.
Não estamos, certamente, desconsiderando o Amor, que os espíritos lograrão em superior estágio evolutivo, mas, enquanto não nos deixamos mover pelo sentimento de Amor pelo próximo, pelo menos, devemos nos deixar levar pela inteligência.
*
Gúbio pondera:
“Os perigos que nos ameaçam os entes amados de agora ou de épocas que o tempo consumiu, desde muito, não nos deixam impassíveis. Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam. A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos.”
Infelizmente, é isto que o homem ainda não compreendeu... A melhor maneira de se preservar a espécie não é através da reprodução, mas, sim, dos cuidados àqueles que nascem, favorecendo-os com melhor qualidade de vida.
As nações egoístas estão navegando numa embarcação sujeita a naufrágio... Assim como se enfatiza a questão do equilíbrio ecológico, sem harmonia moral, com os povos vivendo em regime de solidariedade, um conflito é sempre arrasador, inclusive, para quem nele supostamente triunfa.
*
Reflitamos nos apontamentos do Instrutor:
“Em virtude do enigma de obsessão que nos propomos resolver, somos levados a buscar todas as personalidades que compõem o quadro de serviço. Perseguidores e perseguidos entrelaçam-se, em cada processo de auxílio, em grande expressão numérica. Cada espírito é um elo importante em extensa região da corrente humana.”
E como veremos no decorrer de nossas reflexões sobre o livro “Libertação”, quase sempre, para atender às carências de quem nos é caro, necessitamos de atender às necessidades de outros que, praticamente, nos são desconhecidos, e com os quais não temos maior afinidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 10 de setembro de 2018.




segunda-feira, 3 de setembro de 2018


XV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Encerrando o segundo capítulo, de excelente conteúdo revelador, Gúbio acrescenta às suas considerações:
“Formam associações (os desencarnados pouco esclarecidos) enormes e compactas, com base nas emanações da Crosta do Mundo, onde milhões de homens e mulheres lhes sustentam as exigências mais baixas: fazem vida coletiva provisória à força de sugarem as energias da residência dos irmãos encarnados, qual se fossem extensa colônia de criminosos, vivendo a expensas de generoso rebanho bovino.”
Notemos que o Instrutor, do ponto de vista espiritual, compara parte da Humanidade, pela inconsciência em que vive, a um “rebanho bovino”, que, quando não convenientemente vacinado, tem as suas energias sugadas por inúmeras colônias de parasitas...
Cremos, assim, que os homens, em geral, ignoram a grande proximidade em que podem estar vivendo com os desencarnados, que os vampirizam, em processo obsessivo que podemos considerar “pacífico”, porém, não menos prejudicial à economia psíquica de quem esteja encarnado.
Milhares de espíritos, ao deixarem o corpo físico, procuram continuar tendo apoio nos encarnados mais próximos, e, muitas vezes, sequer chegam a se ausentar do ambiente familiar, organizando uma vida paralela que, em quase tudo, é reflexo da vida que foram forçados a deixar.
*
Entre encarnados e desencarnados, pode, assim, estabelecer-se um “círculo vicioso”, com alternâncias na carne e fora da carne, até que um dos integrantes do grupo consiga romper o “círculo” e, então, passe a trabalhar pela libertação dos demais.
*
Gúbio aduz, com sabedoria:
“Se o perseguidor invisível aos olhos terrestres erige agrupamentos para culto sistemático à revolta e ao egoísmo, o homem encarnado, senhor de valiosos patrimônios de conhecimento santificante, garante-lhe a obra nefasta pela fuga constante às obrigações divinas de cooperador de Deus, no plano de serviço em que se localiza, alimentando ruinosa aliança.”
E, quase, concluindo:
“Há milhões de almas humanas que se não afastaram, ainda, da Crosta Terrestre, há mais de dez mil anos. Morrem no corpo denso e renascem nele, qual acontece às árvores que brotam sempre, profundamente arraigadas ao solo.”
Triste assim, sem dúvida, a situação do espírito humano na Terra, na atualidade.
O conhecimento espírita, mas, sobretudo, quando aliado à vivência do Evangelho Libertador, pode concorrer para que o espírito se emancipe de semelhantes grilhões – pesado cativeiro espiritual que quase o impede de avançar, ou que lhe possibilita avançar muito lentamente, como se fosse um molusco gastrópode, ou, em outras palavras, uma “lesma”...
*
O Instrutor terminando, fala, então, a respeito, muitas vezes, da necessidade da guerra que atinge os Dois Planos, a fim de que os espíritos se “desalojem” da situação em que estacionam... E, junto à situação de guerra, podemos ainda citar as causas variadas que induzem os espíritos a imigrarem – qual, nos dias que correm, tem acontecido com os “refugiados”, ou com os que atravessem as fronteiras dos países em busca de uma vida melhor alhures...
Lamentável, sob todos os aspectos, um mundo no qual a guerra ainda se faz um escândalo necessário, e, com ela, as perseguições a determinados grupos étnicos, religiosos, etc.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de setembro de 2018.




segunda-feira, 27 de agosto de 2018


XIV – REFLEXÕS SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, prosseguindo a discorrer sobre o processo da Evolução, considera:
“Educação para a eternidade não se circunscreve à ilustração superficial de que um homem comum se reveste, sentando-se, por alguns anos, num banco de universidade – é obra de paciência nos séculos.”
Realmente, a Evolução do espírito, com a fixação definitiva de valores ético-intelectuais, é trabalho para os séculos, e não realizado apenas sobre a Terra. Não podemos nos iludir com conquistas espirituais aparentemente efetuadas. O espírito há de ser testado de todas as maneiras – assim como, ao ser levado ao cadinho esfogueante, o aço deve sofrer sob o capricho do martelo, que, a pouco e pouco, lhe confere forma e consistência.
Muitas vezes – e muitas vezes –, o espírito reencarna em meio completamente inóspito, a fim de que tenha oportunidade de desenvolver certas qualidades, que, de outra maneira, não desenvolveria.
Muitos espíritos – é bom que se saiba – reencarnam de maneira completamente aleatória, ou seja, “aproveitando” o primeiro corpo ao qual consigam se ajustar – nada, porém, que não seja referendado pela Lei de Causa e Efeito, porque semelhante Lei, sobretudo, é de educação, e o espírito, onde estiver, caso o queira, consegue aprender sempre.
Poucos são os espíritos que podem “escolher” onde reencarnar, como reencarnar e junto a quem reencarnar – não é assim que funciona.
Daí a necessidade de angariarmos méritos, para que tais méritos, quanto possível, nos “advoguem” a causa, mesmo quando estejamos nós outros em estado de inconsciência.
Alguns espíritos, ou muitos, ou centenas, ou milhares, assim que deixam o corpo carnal, permanecem na orbita das mentes encarnadas, volitando na psicosfera do planeta, e, sem que se deem conta, são “atraídos” para um novo corpo em formação – e, não raro, pode ser corpo masculino, ou feminino, descendendo dessa ou daquela raça.
*
Gúbio, continuando a preciosa peroração, acrescenta:
“Para quem anestesiou as faculdades no prazer fugitivo, a separação da carne geralmente constitui acesso a doloroso estágio na incompreensão.”
Na incompreensão de tudo, mas, principalmente, da Vida que continua...
Para milhares de espíritos, o único ponto de referência é, e, durante muito tempo, continuará sendo a Terra.
Gúbio ainda fala do perigo que pode representar viver no Mundo Espiritual sem qualquer respaldo de lucidez e/ou de ordem moral, pois, os que não os possuem, podem cair nas mãos de “loucos perigosos” – quantas crianças e adolescentes caem, na Terra, nas mãos de “loucos perigosos”, que os viciam, corrompem, escravizam, etc?!
“Loucos perigosos, por voluntários, dirigidos por inteligências soberanas, especializadas em dominação, constituem hordas terríveis que, a bem dizer, vigiam as saídas das esferas inferiores em todas as direções.”
E, ante o espanto de André Luiz, elucida:
 “... o Senhor do Universo aperfeiçoa o caráter dos filhos transviados de Sua Casa, usando corações endurecidos, temporariamente, afastados de Sua Obra. Nem sempre o melhor juiz pode ser o homem mais doce.”
*
Reencarnar, portanto, para milhares de espíritos continua sendo quase uma “aventura”, na qual o espírito, com a finalidade de acordar, se arrisca na carne.
Dentro, porém, da situação a que se veja conduzido, o espírito deve procurar fazer o melhor, pois, é com base nesse melhor realizado que, a pouco e pouco, ele logrará a posse de si mesmo – posse que, infelizmente, poucos espíritos já conquistaram.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 27 de agosto de 2018



segunda-feira, 20 de agosto de 2018


XIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, DE ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, codinome de alto Instrutor da Vida Espiritual, ainda esclarece:
“Nossa mente é uma entidade colocada entre forças inferiores e superiores, com objetivos de aperfeiçoamento.
(...) O espírito encarnado sofre a influenciação inferior, através das regiões em que se situam o sexo e o estômago e recebe os estímulos superiores, ainda mesmo procedentes de almas não sublimadas, através do coração e do cérebro”.
Notemos que o ser encarnado, quanto o desencarnado, que ainda não alcançou patamares evolutivos mais altos, vive, no presente, entre o passado e o futuro – o hoje vive entre o ontem e o amanhã.
Através dos “chakras”, ou “centros de força”, considerados inferiores, o Básico e o Esplênico, e os superiores, o Coronário, o Frontal e o Cardíaco, o homem, ou seja, o espírito se divide entre apelos que o “puxam para baixo”, e outros que o “puxam para cima”...
Imaginemos uma árvore que, pela sua raiz fincada no solo, recebe influencias do centro da Terra, e pela sua copa, lançada às alturas, recebe influencias do Cosmos – do magma que é sinônimo de morte, e da claridade solar que se traduz em vida.
*
Afirma Gúbio, estendendo o seu raciocínio:
“Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se no caminho que deseja.”
Eis a questão do livre arbítrio, que vai se acentuando quanto mais o espírito cresce, para, depois, anular-se completamente, com a sua vontade se submetendo à Vontade do Criador.
Jesus ensinava: “Não busco a minha vontade, mas a Vontade do Pai que me enviou”.
Sob a ação do Determinismo, acatado inconscientemente, o ser evolui, adquire o livre arbítrio, que vai se desenvolvendo, para, posteriormente, voltar a ser Determinismo, mas com lucidez.
*
Anotamos, assim, que, no uso de seu livre arbítrio, o ser pode levar indefinido tempo no processo de sua maturação psíquica. Metaforicamente, ele pode ficar vagando entre os seus “chakras” inferiores e superiores, por vezes, estacionando por séculos no “Laríngeo”, quando o homem costuma ser mais “garganta”, ou seja, mais palavra que ação – ou se refestelando no “Solar”, como alguém que vai a praia apenas para expor-se ao Sol, e não para refletir na transcendência do mar.
*
Gúbio, continuando a ponderar, elucida com sabedoria:
“Atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente”.
Para que elas se modifiquem, ou comecem a se modificar, muitas vezes, necessitam do concurso da dor...
Assim como a paisagem terrestre, que não se modifica sem que sofra a ação de fortes “sacudidas”, o espírito para se transformar carece de experimentar “terremotos” em seu mundo íntimo, no soterramento de seus egos...
É quando, então, o sofrimento surge para cumprir com a sua parte no processo da Criação Divina – somente o sofrimento pode “desalojar” o espírito do comodismo em que ele estaciona, com os seus equívocos e ilusões.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de agosto de 2018.




segunda-feira, 13 de agosto de 2018


XII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

A explanação de Gúbio, no segundo capítulo de “Libertação”, é repleta de informações as mais significativas.
Agora, daremos destaque ao poder da vontade, inclusive, sobre o mundo microscópico, ou seja, sobre o organismo físico, que abriga milhões de células, que não passam de seres sob o comando de quem o enverga.
Esclarece o Instrutor:
“Dirija um homem a sua vontade para a ideia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo, com todas as características dos moldes estruturados pelo pensamento enfermiço, porque a sugestão mental positiva determina a sintonia e receptividade da região orgânica, em conexão com o impulso havido, e as entidades microbianas, que vivem e se reproduzem no campo mental dos milhões de pessoas que as entretêm, acorrerão em massa, absorvidas pelas células que as atraem, em obediência às ordens interiores, reiteradamente idealizada”.
Notemos que a questão da “obsessão” é muito mais complexa do que, habitualmente, se imagina. A auto-obsessão quando o homem pensa sistematicamente em doença costuma ser avassaladora para a saúde. Notemos que até as células estão sujeitas a serem “vampirizadas” por “entidades microbianas”... Não apenas os seres inteligentes podem ser obsidiados pelos seres inteligentes, estando ou não no corpo físico. Segundo Gúbio: “Existem princípios, forças e leis no universo minúsculo, tanto quanto no universo macroscópico”.
Percebamos, assim, a importância do otimismo, do pensamento buscando sintonia com as ideias elevadas. O homem, igualmente, pode cometer suicídio indireto, acalentando emoções enfermiças, porque, então, fazendo cair a sua resistência, permite que o seu organismo físico seja invadido por seres microscópicos que lhe comprometem a integridade.
Adiante, acrescenta o Instrutor:
“... o doente que se compraz na aceitação e no elogio da própria decadência acaba na posição de excelente incubador de bactérias e sintomas mórbidos, enquanto que o espírito em reajustamento, quando reage, valoroso, contra o mal, ainda mesmo que benéfico e merecido, encontra imensos recursos de concentrar-se no bem, integrando-se na corrente da vida vitoriosa”.
*
O paralelo traçado por Gúbio é interessantíssimo e revelador, e continua valendo mesmo para o espírito desencarnado, de vez que também nós, os considerados mortos, ainda trajamos uma veste constituída por seres que prosseguem evoluindo em nosso próprio corpo espiritual – para tais seres, cada um de nós outros representa o “criador”, ou o “deus”, em cujo seio, no dizer de Paulo, o Apóstolo (“Atos”, 17:28), eles vivem, existem e se movem, estando a caminho da “individualização” e da “consciência”, assim como, há milênios, logramos alcançar a racionalidade.
*
Notemos, ainda, que a questão da “coexistência”, em todos os Planos de Vida, é Lei – a “coexistência” entre luz e sombra, de vez que a sombra, impulsionando a luz a ser mais luz, ela mesma termina por se transfigurar em luz.
A sombra, portanto, não passa de luz temporariamente eclipsada, pois que, na Criação Divina, tudo é luz.
A noite incentiva os dias a serem mais longos...
O mal induz o bem a ser o Bem em plenitude...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de agosto de 2018.


segunda-feira, 6 de agosto de 2018


XI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Os nossos estudos do livro “Libertação”, nesta semana, bem que poderiam ter por título: A Pergunta de André Luiz.
Continuando a dialogar com Gúbio, André lhe inquiriu: “Com que fim - perguntei – essas legiões retardadas se mancomunam, além da morte, se despidas da vestimenta grosseira de carne devem saber, mais que nunca, que se empenham em combates inúteis?”.
De fato, ao espírito encarnado, muito difícil compreender que, na Vida de além-túmulo, os homens fora do corpo não assimilem a realidade, capitulando diante de sua própria ignorância...
Não seria de se esperar que, pelo menos, deste Outro Lado da Vida, os espíritos lograssem tomar consciência de seus erros, inclusive de ordem dogmática, no campo da fé, em que, ao longo dos séculos, tanto temos errado?
Gúbio, o sábio Instrutor, sorriu, e a sua resposta, embora óbvia, não deixou de soar com o ineditismo que a Verdade sempre soa aos ouvidos de quem, voluntariamente, busca ignorá-la:
- “Reportamo-nos a espíritos perfeitamente humanos, não obstante desencarnados, e tais perguntas, André, poderiam ser formuladas, mesmo na Crosta da Terra. Por que razão, nós mesmos, antes de acordar a consciência para a revelação divina, nos precipitávamos nas linhas inferiores, todos os dias, contrariando espetacularmente a Lei? (...)”.
Sim, por que nós mesmos, quando no corpo carnal, não compreendemos a inutilidade do mal?! Como não considerarmos ilógico que o espírito, apenas por conta de seu desenlace do envoltório denso, possa renovar-se intimamente?!
E Gúbio questiona André:
“Ante as sugestões do Plano Divino que te povoam, agora, o pensamento, lembras-te de algum tempo passado em que tivesses cogitado sinceramente da própria sublimação?”.
*
A verdade é que o homem, moralmente, não se transforma mais além da morte do que possa se transformar na Terra, desde agora.
Por que ocorreria alguma mudança moral significativa no espírito, pelo fenômeno da desencarnação, e não lhe ocorreria, assim, alguma mudança de ordem intelectual?! Pode o espírito com inclinações inferiores, deixar de ser o que é de hora para outra?! Pode alguém de intelecto obtuso, transfigurar-se em espírito erudito, apenas por, supostamente, ir contemplar as estrelas mais de perto?!
*
Vejamos que André Luiz, após ouvir as considerações do Instrutor, ainda confessa o que, sem dúvida, nos é difícil de aceitar, quando não nos aprofundamos nos temas que não conhecemos se não superficialmente:
“A argumentação de Gúbio era bela e sugestiva; entretanto, eu sentia dificuldades para aceitar a ideia de purgatórios e infernos dirigidos.”.
Sobre a Terra, não os temos?! A criminalidade não é organizada e dirigida, muitas vezes, de dentro das penitenciárias, ou do interior dos palácios?!...
Quadrilhas de espíritos encarnados, no mundo inteiro, escravizam o poder, submetem os povos, incrementam a guerra, tramam tão somente em favor de seus próprios interesses... Tais legiões, sob o jugo de legiões outras, que as controlam do Invisível, mantém, em todos os aspectos, a Humanidade em longo cativeiro de ignorância, porquanto o seu objetivo é o da “conservação do primitivismo mental da criatura humana”.
Esta é uma das mais graves denúncias que o Moderno Espiritualismo já pode fazer ao homem em todas as épocas da Humanidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 6 de agosto de 2018.

segunda-feira, 30 de julho de 2018


X – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Terminada a alocução do Ministro Flácus, André, no segundo capítulo de “Libertação”, esclarece que o Instrutor Gúbio, entrara em conversação com ele e Elói, esmiuçando informações em torno da “arregimentação inteligente dos espíritos perversos”, que insistem em manter os encarnados cativos da ignorância espiritual.
Gúbio, sem rodeios, diz que tais espíritos organizam “verdadeiras cidades, em que se refugiam falanges compactas de almas que fogem, envergonhadas de si mesmos...” E acrescenta que “tais colônias perturbadoras devem ter começado com as primeiras inteligências terrestres entregues à insubmissão e à indisciplina ante os ditames da Paternidade Celestial”.
Notem, pois, os nossos companheiros, que, nos Planos da Erraticidade existem um sem número de cidades, que terminam por constituir estados e países – assim como na Crosta existem países, uns mais adiantados que outros, localizados no chamado “primeiro”, no “segundo”, ou no “terceiro mundo”, a realidade, no Planeta Espiritual é idêntica, também com a existência de países evolvidos uns, e subdesenvolvidos outros. Não obstante, a ação dos espíritos infelizes não se faz sentir, evidentemente, apenas sobre os encarnados, mas também entre si. Nas Dimensões além da Terra, com certeza, ainda subsiste a luta pelo poder e a tentativa de domínio do forte pelo mais fraco.
*
Gúbio, em seu diálogo com os pupilos, afirma que semelhantes entidades “arrebanham-se de conformidade com as tendências inferiores em que se afinam, ao redor da Crosta Terrestre, de cujas emanações e vidas inferiores ainda se nutrem...”. É um processo de vampirização coletiva! E, claro, nesse processo de vampirização coletiva, nos deparamos com o grave problema da fascinação que acomete pequenos, médios e grandes grupos de pessoas, que agem como “intermediários” dessas mentes fora do corpo, que incitam o homem à rebeldia e à guerra, não importando do que tenham que se valer para tanto.
*
O Instrutor ainda elucida: “O objetivo essencial de tais exércitos sombrios é a conservação do primitivismo mental da criatura humana, a fim de que o Planeta permaneça, tanto quanto possível, sob seu jugo tirânico”.
Não olvidemos que “Nosso Lar” que, nos tempos idos, era uma “cidade murada”, com o propósito de se defender de possíveis invasões de hordas das trevas, continua sendo uma cidade que sempre se mantém vigilante em suas fronteiras – como, na Terra, cidades e países procuram vigiar os seus limites geográficos.
O espírito encarnado – esse “estranho ser”, que, a mim, por vezes, mais se assemelha a um molusco vivendo num corpo humano – ainda se contém em considerável grau de selvageria, e, se possível, fosse, cidades, estados e países viveriam invadindo uns aos outros, reclamando a sua posse.
*
Portanto, o Bem, que carece de se defender, não pode, sob pena de escravização, apassivar-se ante a sanha do mal.
*
André Luiz, após escutar Gúbio, escreve no capítulo II, ora em estudo, que, após a desencarnação, embora tivesse permanecido retido em zonas umbralinas, não se deparara com tais organizações inferiores, e, por isto, custava-lhe admitir “que as atividades maléficas gozassem de organismo diretor”. Destaquemos: “organismo diretor” – quer dizer, com organização hierárquica, semelhante à qual, infelizmente, o crime organizado conta na Terra – e não somente através de seus “comandos” encarcerados, mas dos que militam, com outros propósitos, em plena liberdade, até mesmo no campo da política humana.
*
A situação atual do homem, espírito encarnado, é grave e muito séria.
As trevas muito haverão de lutar para não perderem o domínio – embora hoje, parcial – do orbe terrestre. Parcial, porque, com o advento de Jesus Cristo, a luz resplandeceu no coração das sombras, e, assim, teve início o processo de redenção da Humanidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de julho de 2018.
 


segunda-feira, 23 de julho de 2018


IX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Quase a encerrar a preleção, um companheiro, que estava assembleia, questionou o Ministro:
- “Grande benfeitor, reconhecemos a veracidade de vossas afirmativas; todavia, porque não suprime o Senhor Compassivo e Sábio tão pavoroso quadro?”
Flácus respondeu:
“Não será o mesmo que interrogar pela tardança de nossa própria adesão ao Reino Divino? Sente-se o meu amigo suficientemente iluminado para negar o lado sombrio da própria individualidade? (destacamos) Libertou-se de todas as tentações que fluem dos escaninhos misteriosos da luta interna? (...)”.
As Leis Divinas respeitam o livre arbítrio da criatura, embora ainda não detentora do livre arbítrio absoluto – nem poderia ser diferente, pois, caso contrário, a criatura, em sua imperfeição, haveria de fazer com que o mal, ou a ignorância, que existe em si, viesse a se perpetuar.
Não obstante, precisamos convir que, pela sua liberdade de escolha, o homem, indefinidamente, pode ser opor às Leis da Evolução.
Portanto, não creiam os nossos irmãos encarnados que o Mundo Espiritual possa tomar providências radicais na mudança do cenário da vida sobre a Terra, nem tampouco interferir nos rumos que o espírita imprimir ao Movimento – que não representa a Doutrina, mas que pode fazer com que a sua assimilação e entendimento se atrase na mente popular.
*
Flácus acentua:
“Somos simplesmente alguns bilhões de seres perante a Eternidade. E estejamos convencidos de que se o diamante é lapidado pelo diamante, o mau só pode ser corrigido pelo mau. Funciona a justiça, através da injustiça aparente, até que o amor nasça e redima os que se condenaram a longas e dolorosas sentenças diante da Boa Lei”.
 Diante do exposto, cremos que, encarnados e desencarnados, carecemos de nos preparar para ainda enfrentar muitas dificuldades na senda evolutiva, e que, de fato, a transformação da Humanidade, com a consequente transformação do mundo, é trabalho laborioso, no qual, porém, cada qual, pelo seu esforço, pode se destacar e, assim, se for o caso, elevar-se a Planos mais altos.
*
Quase a concluir a sua conferência, Flácus anota:
“... o Planeta, por enquanto ainda não passa de vasto crivo de aprimoramento, ao qual somente os indivíduos excepcionalmente aperfeiçoados pelo próprio esforço conseguem escapar, na direção das esferas sublimes”.
E cita Paulo de Tarso, em sua Epístola aos Efésios:
“... não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas e contra as hostes espirituais da maldade, nas próprias regiões celestes”.
Os espíritos infelizes organizam-se nas “regiões celestes”, ou espirituais, e, contando com os agentes de sua vontade na carne, pelejam contra a vitória definitiva do Reino Divino. Claro que não podem lograr o seu intento, porém, realmente podem conseguir retardá-la, qual o tem feito com a Doutrina nos tempos atuais, que, no Brasil, segundo as estatísticas, da desencarnação de Chico Xavier para cá, conseguiu, inclusive, perder adeptos. (*)

(*) Vide na Internet os vários Institutos de pesquisa.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 23 de julho de 2018.





domingo, 15 de julho de 2018


VIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIZ

Flácus, inspirado pelos Planos Maiores, acentua em sua preleção:
“Espíritos incompletos que somos ainda, aderimos aos movimentos que lhes dizem respeito e colhemos os benefícios da ascensão e da vitória ou os prejuízos da descida e da derrota, controlados pelas inteligências mais vigorosas que a nossa e que seguem conosco, lado a lado, na zona progressiva ou deprimente, em que nos colocamos.
 O inferno, por isto mesmo, é um problema de direção espiritual.
Satã é a inteligência perversa. (destacamos)
O mal é o desperdício do tempo ou o emprego da energia em sentido contrário aos propósitos do Senhor”.
Na condição de espíritas, não podemos olvidar a questão do livre arbítrio, repetindo aqui as célebres palavras de León Denis: “O Espiritismo será o que os homens o fizerem”.
Na atualidade, porém, observamos a existência de “dois” Movimentos Espíritas: o primeiro, e mais autêntico, o de seus adeptos que frequentam os grupos espíritas, interessados em colocar em prática as lições que aprendem; o segundo, e totalmente equivocado, o de seus adeptos que se deixaram picar pela “mosca azul” do poder, ditando normas, regras, estabelecendo direções, como se fossem altos mandatários do Mundo Espiritual na Terra...
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Logo na sequência, severo alerta de Flácus:
“Misturam-se à multidão terrestre, exercem atuação singular sobre inúmeros lares e administrações e o interesse fundamental das mais poderosas inteligências, dentre elas, é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...” (destacamos)
Seríssimo!
“... adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...”.
Podem fazê-lo?! Claro, pois que o têm feito desde épocas imemoriais, mormente quando lograram desfigurar os ensinamentos cristãos, fazendo com o Cristianismo o que fizeram e ainda fazem...
O Espiritismo, infelizmente, vem se transformando numa caricatura dos princípios cristãos, com os espíritas incautos, fazendo em muito menor tempo, o que os cristãos primitivos levaram três séculos para começarem a fazer com o Evangelho.
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Todavia, ainda se tem tempo para deter o processo da falência de nossos princípios doutrinários que vêm sendo espezinhados e ridicularizados, a partir do comportamento arbitrário e nada fraterno dos espíritas que se consideram “donos” do Movimento, na exibição apenas e tão somente de duvidosa cultura acadêmica ou do pretenso status social que possuem – que os Centros Espiritas bem intencionados, com os seus leais frequentadores, prossigam laborando pelo Mundo Melhor, sem se inclinarem à autoridade “papal” ou “cardinalícia” que alguns espíritas vêm procurando exercer no Movimento.
Que os Centros Espíritas proclamem a sua independência dos órgãos de condução e se transformem em colmeias de serviço e de amor ao próximo, e em escolas sem cátedras onde o verdadeiro Espiritismo possa ser ensinado aos seus adeptos, para que eles, por fim, aprendam a pensar por si mesmos.
Não se trata de rebeldia, mas, sim, de “defesa pacífica” da originalidade espírita, para que o Espiritismo não venha a se transformar em simplesmente mais um “ismo”, no campo da vaidade pessoal de tantos, que, praticamente por imposição, em trama de bastidores pelo poder, querem impor a sua liderança.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de julho de 2018.