segunda-feira, 16 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXIX

Antes de darmos sequência às nossas reflexões sobre os capítulos de “Nosso Lar”, livro de autoria de André Luiz, gostaríamos de fazer uma observação. Não nos esqueçamos de que se, em suas obras anteriores, ou seja, nos demais volumes de sua extraordinária Coleção, o competente autor espiritual escreveu sob o endosso de sua própria vivência além da morte do corpo carnal, e, sobretudo colhendo depoimentos de elevados Mentores da Vida Maior, em “Evolução em Dois Mundos” e “Mecanismos da Mediunidade” (além do maravilhoso “Agenda Cristã”), ele revelou a sua própria capacidade de espírito altamente lúcido. Eis algo que, infelizmente, muitos dos que se referem a André Luiz, com o intuito de minimizar o valor dos livros de sua lavra espiritual, esquecem-se de destacar.
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No capítulo 35 de “Nosso Lar”, intitulado “Encontro Singular”, André Luiz nos relata experiência comovente e altamente instrutiva, semelhante, sem dúvida, a muitas com as quais os desencarnados se defrontam, quando, é óbvio, em desencarnando, têm oportunidade para tanto – porque, a grande maioria daqueles que deixam o corpo na Terra sequer logra oportunidade igual à que André desfrutou, logo que adentrou a cidade espiritual. Até mesmo para estarmos com possíveis desafetos, e pedir-lhes perdão pelo prejuízo que lhes causamos, necessitamos ter merecimento.
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Todos os que já tiveram oportunidade de ler “Nosso Lar” sabem que André, no capítulo 35, narra o seu encontro com Silveira, um dos integrantes dos “Samaritanos”. O próprio Silveira, ao vê-lo em “Nosso Lar” surpreende-se com a sua presença lá, posto, talvez, não esperar que André tivesse desencarnado tão cedo.
André sente-se constrangido, de vez que Silveira, junto com a família, tinha sido prejudicado pelo seu pai, que, na condição de agiota, em vista da impossibilidade de que Silveira resgatasse com ele o débito adquirido, o espoliara de todos os bens, deixando-o numa situação econômica muito difícil – então, o referido chefe de família estava doente, com dois filhos igualmente acamados, certamente, à época, vitimados por alguma enfermidade tropical.
A esposa de Silveira havia tentado obter a intercessão da mãe de André junto ao esposo, de nome Laerte, todavia ele não a ouviu, e, encorajado pelo próprio filho ainda muito jovem, levou a cabo a execução da dívida, que, inclusive, levara a senhora Silveira a ficar sem o seu piano. Escreveu o autor espiritual: “Derrotados na luta, os Silveiras haviam procurado recanto humilde no Interior, amargando o desastre financeiro em extrema penúria.”
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Silveira, ao reencontrar André, age cavalheirescamente, e, nem de leve, menciona o desagradável episódio, que, junto a outros equívocos, muito estava custando ao pai de André Luiz, retido em obscuras regiões umbralinas.
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Procurando Narcisa, igualmente sua conselheira nos primeiros tempos de “Nosso Lar”, André, naturalmente avexado, descreve o ocorrido, escutando dela o seu próprio depoimento: “Já tive a felicidade de encontrar por aqui o maior número das pessoas que ofendi no mundo. Sei, hoje, que isso é uma bênção do Senhor que nos renova a oportunidade de restabelecer a simpatia interrompida, recompondo os elos quebrados, da corrente espiritual.”
E, em seguida, ouve-lhe a pergunta: “Aproveitou você, o belo ensejo?” Ante a negativa de André, a simpática Narcisa o incentiva: “Vá, meu caro, e abrace-o de outra maneira. Aproveite o momento, porque o Silveira é ocupadíssimo e talvez não se ofereça tão cedo outra oportunidade.”
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Recordemos aqui a recomendação de Jesus: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho...”
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Atitude linda a de Silveira que, quando André o procura, para desculpar-se em seu nome e em nome de seu pai, praticamente nem o deixa terminar de falar, não consentindo que ele prosseguisse se humilhando – repetindo, que bela atitude! Quantos, antes de se disporem a perdoar algum mal entendido, esperam que o pretenso ofensor se humilhe ao extremo!...
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Terminando, em nossa síntese, Silveira diz a André: “... seu pai foi meu verdadeiro instrutor. Devemos-lhe, meus filhos e eu, abençoadas lições de esforço pessoal. Sem aquela atitude enérgica que nos subtraiu as possibilidades materiais, que seria de nós no tocante ao progresso do espírito?”
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Pois é, caros internautas, poucas perguntas desta vez, mas, com certeza, a mais incisiva de todas as que aqui já tivemos oportunidade de lhes formular: - Antes de passarem por um constrangimento semelhante ao de André Luiz deste Outro Lado, algum de vocês, se for o caso, já procurou aproveitar “o belo ensejo”?!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 16 de outubro de 2017.







segunda-feira, 9 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVIII

No capítulo 34 – “Com os Recém-Chegados do Umbral” –, André efetua notáveis considerações, a respeito dos espíritos que, desencarnados a mais ou menos tempo – alguns em condições de profunda demência –, foram resgatados pelos “Samaritanos” e encaminhados aos pavilhões das “Câmaras de Retificação”.
Interessante o diálogo que ele entabula com uma senhora, que auxilia a descer de um dos carros da missão socorrista, que – pasmem! – acreditava ter sido resgatada do Purgatório. Vejam os nossos irmãos internautas o poder de sugestão da mente sobre a vida do espírito! Durante séculos e séculos, “fazendo a cabeça” de seus seguidores, a Igreja Católica fez com que se lhes cristalizasse na mente a ideia de Céu, Inferno e Purgatório – é como se fosse uma hipnose de longo curso, da qual, muito lentamente, os espíritos haverão de despertar.
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Entrando em conversa com a referida senhora, André descobre que ela havia sido “dona” de muitos escravos, que fizera sofrer, tendo a consciência “aliviada” pelas periódicas confissões que realizava com um padre que lhe visitava a fazenda – o padre Amâncio –, em troca de hospedagem, mesa farta e polpudas doações para a Igreja.
No diálogo que, em síntese, o autor espiritual reproduz, ela estava convicta de que a raça negra era inferior: - “Escravo é escravo – dizia. – Se assim não fora a religião nos ensinaria o contrário. Pois havia cativos em casa de bispos, quanto mais em nossas fazendas? Quem haveria de plantar a terra, senão eles? E creia que sempre lhes concedi minhas senzalas como verdadeira honra!...”
Quem saberá dizer de quanto tempo um espírito assim necessitará a fim de modificar as suas concepções raciais?! Quanto carma, de fato, a Humanidade ainda tem a resgatar com os integrantes da raça negra, e outros irmãos nossos, como, por exemplo, os índios?! Às vezes, eu me ponho a pensar que o peso do carma que, coletivamente, paira sobre a Humanidade, caso desabasse de repente, a esmagaria! Poucos, talvez, escapassem desse “terremoto” generalizado! Não fosse a intercessão da Misericórdia Divina, junto à Divina Justiça, advogando a causa dos homens, a raça humana desapareceria, porque, em sua história, há carma suficiente para tanto!...
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Quando pergunta à antiga senhora de escravos – que tinha consciência de sua “morte” – imaginava ter sido sequestrada ao Purgatório! –, quando é que ela havia deixado a Terra, surpreso, ouve a resposta: - “Em Maio de 1888.”!...
Ora, André Luiz informa que as experiências colhidas para escrever o livro “Nosso Lar”, foram vivenciadas por ele em 1938, às vésperas de estourar a Segunda Grande Guerra (1939-1945) – portanto, a senhora que com ele dialogava havia desencarnado, simplesmente, há 50 anos! – sim, ela havia deixado o corpo há meio século, sem a menor noção de que tanto tempo houvera passado.
Observem, os nossos internautas, que, em determinadas circunstâncias, o espírito “perde” completamente a consciência de espaço e tempo – mormente quando o remorso faz com que ele “estacione” no exato ponto em que adquiriu a culpa. Provavelmente, não fosse a missão socorrista, empreendida pelos “Samaritanos”, a situação espiritual daquela infeliz irmã ter-se-ia prolongado por maior número de lustros. Espíritos existem que, com ou sem consciência de seu desenlace do corpo, permanecem, nas proximidades da Crosta por séculos! Eis, portanto, algo que todos os espíritos deveriam temer em sua desencarnação – mesmo na condição de espíritas, deveriam e devem temer: a ausência de lucidez em relação a si e, consequentemente, de sua nova condição existencial!...
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Informamos ainda que a mencionada senhora – veja-se que coisa! – desencarnou em consequência da Lei Áurea, promulgada pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888! O abalo emocional que experimentou foi tamanho – sabendo que todos os “seus” escravos não mais lhe pertenciam –, que ela teve uma apoplexia!...
Incrível, não!...
Quanta miséria em nós! Quanta sombra ainda por alijar do próprio espírito!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 9 de outubro de 2017. (*)
(*) Aniversário do Auto-de-Fé de Barcelona, Espanha, ocorrido em 9 de outubro de 1861.






segunda-feira, 2 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVII

Os nossos irmãos haverão de nos perdoar, uma vez mais, se nos demoramos na reflexão do capítulo 33, de “Nosso Lar”. Acontece, porém, que todos os capítulos da mencionada Obra estão repletos de preciosas lições – que não nos devem passar despercebidas, pelo seu conteúdo altamente elucidativo e revelador.
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Quando os “Samaritanos” estão regressando do Umbral, onde haviam resgatado inúmeros irmãos desencarnados quase em estado de completa demência, André Luiz não pode deixar de manifestar surpresa com “seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e bulhentos”, que “eram tirados por animais que, mesmo de longe”, lhe “pareceram iguais aos muares terrestres”.
Notando o meio de transporte quase primitivo, em comparação com o progresso tecnológico que, à época, já existia em “Nosso Lar”, utilizado para socorrer aqueles irmãos e irmãs, André indagou a Narcisa: - “Onde o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?” Sim, será que a cidade não dispunha de recursos mais avançados para semelhante tarefa de resgate?! Por que aqueles carros antigos, que, certamente, não mais circulavam nas ruas de “Nosso Lar”?! E, ainda, puxados por muares?! Com matilhas de cães na escolta dos “Samaritanos”, e os “íbis viajores”, pássaros da família dos pelicanos, que seguiam a caravana, com a tarefa de devorarem “as formas mentais odiosas e perversas, entrando em luta franca com as trevas umbralinas”?!...
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Informações paralelas: no antigo Egito, o Íbis era considerado sagrado e, segundo os pesquisadores, associado à adoração ao deus Thoth, o deus da escrita e da sabedoria, crendo que havia sido ele o criador dos hieróglifos. Às vezes, o Íbis era representado com a cabeça de um babuíno.
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O Íbis, acompanhando os “Samaritanos”, exerciam, naquelas regiões umbralinas, função semelhante a dos abutres e urubus, aves aparentadas com os condores, que são extremamente úteis na Natureza, devorando as vísceras cadavéricas de animais e homens insepultos. Ainda, pela informação de Narcisa a André Luiz, “entrando em luta franca com as trevas umbralinas”, os Íbis, pelo seu avantajado tamanho e grunhidos, inspiram medo às formas animalescas que pululam nas regiões limítrofes às cavernas existentes nos subterrâneos do Umbral.
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Não obstante, no referido capítulo de “Nosso Lar”, o que mais chama a atenção, sem dúvida, é resposta de Narcisa a André Luiz, justificando a não utilização de veículos mais modernos naquela tarefa de resgate: “Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino (destacamos); mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição. Além disso, em muitos casos, não se pode prescindir da colaboração dos animais.”
Aqui estacamos para indagar de nossos leitores: os “Samaritanos”, não estariam equipados com roupas especiais para aquele “mergulho” na referida sub-Dimensão umbralina, na qual, inclusive, lhes seria difícil respirar com facilidade?! Vocês se recordam de que, no livro “Libertação”, André Luiz, na companhia de Gúbio e Elói, necessita se materializar para ser percebido na cidade dos “gregorianos”, ou dos “draconianos”?!
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Apenas com o propósito de melhor auxiliar na reflexão daqueles que nos prestigiam com a sua atenção neste Blog, informamos que há um livro de autoria de Chico Xavier, publicado pela Editora GEEM, de São Bernardo do Campo – SP, com o sugestivo título “Astronautas do Além”.
O que, portanto, diante do exposto, os leitores atentos da Obra Andreluizina têm a nos dizer?!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 2 de outubro de 2017. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVI

No capítulo 33 do livro “Nosso Lar”, André Luiz, basicamente, aborda quatro assuntos importantes: as saudades que sentia da família terrestre; o desdobramento – fornece notícias de dois espíritos encarnados que, no instante do desprendimento pelo repouso do corpo físico, estavam visitando “Nosso Lar”; a chegada da equipe de resgate denominada “Samaritanos”; e outra vez, referência aos animais no Mundo Espiritual.
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Comentemos, inicialmente, a sua observação daqueles “dois vultos enormes” dos quais, segundo ele, “dos pés e dos braços pendiam filamentos estranhos, e da cabeça como que se escapava um longo fio de singulares proporções.” Evidentemente, André está fazendo referências aos laços perispirituais que unem o espírito ao corpo carnal. O “fio de singulares proporções” que ele observa à altura da cabeça, é uma espécie de cordão umbilical, de natureza elástica, que tão somente, se desprende em definitivo quando do fenômeno da desencarnação.
No livro intitulado “Obreiros da Vida Eterna”, em seu capítulo XIII – “Companheiro Libertado” –, narrando a desencarnação de Dimas, o autor espiritual anota o que lhe disse Jerônimo: “Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos sediados no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.”
Os nossos irmãos internautas, certamente, haverão de pensar não apenas no cordão umbilical que, constituído por duas artérias liga o feto à placenta – quando o cordão umbilical é cortado, a criança, então, passa a respirar com autonomia – é o maravilhoso fenômeno do nascimento! Pensarão, igualmente, os nossos irmãos, naquele “cordão” que liga o astronauta à sua nave, e, através do qual, ele recebe suprimento de oxigênio. Se o cordão que liga o astronauta à nave espacial se romper, ele se perderá no espaço sideral. (Semelhantemente, os mergulhadores de grande profundidade – a Organização Internacional do Trabalho considera essa profissão a mais perigosa do mundo! – quando deixam os submarinos, que lhes abrem as escotilhas, ao caminharam sobre o piso dos oceanos, ou em suas proximidades, permanecem presos a eles por uma espécie de “cordão”.) Analogias interessantes, para que os nossos irmãos reflitam no chamado “cordão de prata”, dentro qual circulam energias de natureza atômica que promovem a união entre espírito-perispírito-corpo!...
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Nos espíritos menos evolvidos, os laços perispirituais, claro, se revelam mais grosseiros, e, portanto, menos elásticos, não permitindo que o espírito se ausente do corpo para longas distâncias. O “cordão umbilical” pode também, em sua existência, ser considerado subjetivamente, ou do ponto de vista psicológico, nas “imantações” que o espírito, estando encarnado ou desencarnado, experimenta, não logrando, na maioria das vezes, afastar-se muito do local em que respira, como, por exemplo: família, casa, cidade, país, etc.
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Em alguns episódios de desdobramento, ou da “saída” temporária do espírito do corpo físico, os filamentos perispirituais podem reunir-se em um único, que lhes parece terminar à altura das pernas, dos joelhos aos pés.
Quanto maior for a distância que o espírito, em estado de projeção, esteja de seu corpo físico, mais adelgaçado o “cordão de prata” se apresenta, podendo, quando assim esteja determinado que ocorra, romper-se em definitivo.
Em “Obreiros da Vida Eterna”, em seu capítulo XIX – “A Serva Fiel” –, falando sobre o desenlace de Adelaide Câmara, a nossa Aura Celeste, mais uma vez, André Luiz registrou a palavra de Jerônimo, o Instrutor: “A cooperação de nosso plano é indispensável no ato conclusivo da liberação; todavia, o serviço preliminar do desenlace no plexo solar e mesmo no coração, pode, em vários casos, ser levado a efeito pelo próprio interessado, quando este haja adquirido, durante a experiência terrestre, o preciso treinamento com a vida espiritual mais elevada.”
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Não obstante, a fim de não nos estendermos em demasia, o que André Luiz, no capítulo 33 de “Nosso Lar”, quis demonstrar é que, em circunstâncias especiais, espíritos encarnados na Terra podem, perfeitamente, visitarem outras Dimensões, porquanto, afinal, o espírito não se encontra “emparedado” no corpo carnal.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de setembro de 2017.



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXV

Prosseguindo a refletir sobre o capítulo 32 – “Notícias de Veneranda” –, da reveladora obra “Nosso Lar”, após a explanação inicial de Narcisa, André Luiz questiona sobre a natureza do mobiliário existente dos salões dos parques do Ministério do Esclarecimento... Notemos bem: m o b i l i á r i o! Em outras palavras, André se interessa em saber pelos “móveis” que compõem os salões, formados por “um verdadeiro castelo de vegetação”! Evidentemente, ele perguntava sobre mesas, cadeiras, possíveis estantes, etc. Perguntamos aos que consideram tudo o que existe no Mundo Espiritual como sendo fruto da mente: André Luiz teria sido iludido a tal ponto de não conseguir distinguir um objeto abstrato de um concreto?! Aos que vêm rotulando a sua obra de ficção, insistimos: por que, em nenhuma página de suas volumosas obras, sequer en passant, ele não se preocupa em esclarecer aos seus leitores, dizendo que estivesse fazendo literatura espírita de ficção?! Quando se refere à Natureza em “Nosso Lar”, mencionando o reino mineral, o vegetal e o animal, estaria ele apenas preocupado com literatura?! Se assim é, o que nos garante que, quando fala do reino hominal, além da morte, também não estivesse simplesmente compondo personagens imaginárias para as suas obras?! Eis algumas poucas perguntas que, respeitosamente, endereçamos aos nossos internautas, e aos adeptos da tese de que tudo, no Planeta Espiritual seja fruto de uma ilusão de natureza mental.
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Ainda digno de nota é o que Narcisa diz ao autor espiritual de “Nosso Lar”, quando se refere às comemorações do Natal – do Nascimento de Jesus –, no mês de Dezembro, demonstrando que certas tradições terrestres continuam sendo cultivadas pelos desencarnados – pelo menos, nas Dimensões mais próximas da Crosta, de vez que, com certeza, nas Superiores, apegos a eventos assinalados pelo calendário humano já devem ter sido superados, embora, de nossa parte, acreditemos que o Advento de Jesus, descendo a Terra, essa pobre Esfera de nosso Sistema Solar, seja motivo de reverência em todas as demais Esferas do Sistema.
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Falando, agora, um pouco mais sobre Veneranda, Narcisa afirma que ela “é a entidade com maior número de horas de serviço na colônia e a figura mais antiga do Governo e do Ministério, em geral. Permanece em tarefa ativa, nesta cidade, há mais de duzentos anos.”
Novamente: se tudo o que existe no Mundo, ou Planeta, Espiritual, é de “mentirinha”, poderosa alucinação que, desde a Codificação, e mesmo antes dela, tem acometido a cabeça de inúmeros autores espirituais – inclusive, a do Cristo, que fala na existência de muitas moradas na Casa do Pai! –, por que Veneranda haveria de se preocupar em trabalhar tanto na cidade de “Nosso Lar”, onde, há mais de dois séculos, se encontrava em serviço ativo?! Trabalhar, fazendo o quê?!...
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Para os chamados “puristas”, que vêm apregoando um “retorno” à Obra Kardeciana, rotulando a Obra Xavieriana de perturbação psíquica da parte do Médium, o Mundo Espiritual só serve como “estação de transição” para que o espírito possa, na primeira oportunidade, reencarnar – não serve para mais nada! Ora, até a Bíblia descreve o Éden, ou o Paraíso, com a sua exuberante Natureza, acolhendo, inclusive, a serpente, “mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito”...
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Para os “puristas”, considerados, por eles mesmos, “kardecistas da gema”, toda a Vida existe em função da matéria, e não do espírito, de vez que a Vida só tem utilidade quando o espírito está a pelejar nos campos da matéria grosseira! O Mundo Espiritual é apenas “trampolim” para uma nova existência terrena, de vez que, além da morte, nada se faz – não se estuda, não se trabalha, não se copula... Ops! Desculpem-me! De fato, para os “puristas”, o perispírito deve mesmo ser destituído de genitália, apenas não sabendo eu, nas culminâncias de minha ignorância, como é que, sendo o perispírito o MOB – “Modelo Organizador Biológico” –, através do qual o corpo carnal se organiza, ele, lisinho da silva, pode formar pênis e vulva, e, em alguns casos, anômalos, os dois de uma vez em um só corpo...
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Apenas para encerrar, ainda sobre Veneranda, Narcisa esclarece: “Intimamente, ela vive em zonas muito superiores à nossa e permanece em ‘Nosso Lar’ por espírito de amor e sacrifício. Soube que essa benfeitora sublime vem trabalhando, há mais de mil anos, pelo grupo de corações bem-amados que demoram na Terra, e espera com paciência.”
O Senhor, por certo, haverá de continuar esperando, com paciência, pelos “puristas” e, igualmente, por nós outros, impuros de corpo e alma!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de setembro de 2017.



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXIV

No capítulo 32 de “Nosso Lar”, André Luiz nos traz importantes informações a respeito da extraordinária figura de Veneranda, Ministra da Regeneração. Veneranda, em uma de suas últimas encarnações sobre o orbe terrestre, ficou conhecida como Isabel de Aragão, rainha de Portugal, e, com justiça, considerada na condição de Rainha Santa Isabel. Ela era um dos espíritos que integrava a Falange que oferecia retaguarda espiritual à tarefa do médium Chico Xavier.
Poderíamos aqui, evidentemente, tecer os mais diferentes comentários em torno de sua extraordinária personalidade, que, até hoje, se encontra, igualmente, nos Dois Planos da Vida, empenhada no progresso espiritual do povo lusitano, sendo ela, sem dúvida, um dos iluminados espíritos que, junto a Portugal, representa Jesus. Todavia, nos limitaremos, neste post, a destacar alguns tópicos do capítulo referido acima, endereçando-os, principalmente, àqueles nossos irmãos e irmãs de Ideal que insistem na equivocada tese de que tudo o que existe no Mundo Espiritual seja fruto da mente. Infelizmente, o objetivo de semelhante argumento, inspirado pelos espíritos adversários da Doutrina Espírita, é o de reduzir a Obra Mediúnica de Chico Xavier à mera obra de ficção!...
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“Aquelas árvores acolhedoras, aquelas virentes sementeiras, reclamavam-me a todo momento.”
- “No grande parque – dizia ela (Narcisa) – não há somente caminhos para o Umbral ou apenas cultura de vegetação destinada aos sucos alimentares.”
“Trata-se dos ‘salões verdes’ para serviço de educação. Entre as grandes fileiras das árvores (...). Periodicamente, as árvores eretas se cobrem de flores, dando-nos ideia de pequenas torres coloridas, cheias de encantos naturais. Temos assim, no firmamento, o teto acolhedor, com as bênçãos do Sol ou das estrelas distantes.”
“Todos os Ministérios pediram cooperação, inclusive o da União Divina, que solicitou o concurso de Veneranda na organização de recintos dessa ordem, no Bosque das Águas.”
Vejamos: em apenas sete parágrafos, inúmeras referências à Natureza em o Mundo, ou Planeta, Espiritual! Tudo seria simples projeção da mente de Veneranda, provocando ilusões na mente de André Luiz?! Alias, frequentemente, neste espaço mesmo temos indagado aos nossos leitores: o que, sobre a Crosta, não será construção da mente?! O Universo é plasmado pela Mente do Criador!...
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Na atualidade do mundo, alguns irmãos e irmãs, no Brasil e, também, em Portugal, têm se deixado levar por aqueles que, inclusive, andam dizendo que “Emmanuel” não passa de uma “invenção” de Chico Xavier, enquanto outros afirmam que André Luiz, escrevendo a série “Nosso Lar”, era um espírito obsessor de Chico! São eles, em maioria, a reencarnação de sacerdotes da Igreja de Roma, que admitiam que as comunicações mediúnicas pudessem ocorrer, mas que, então, somente o Demônio pudesse comunicar-se! O assunto, pois, é antigo, e Kardec, com autoridade, o contesta, em “O Livro dos Médiuns”. Os ataques ao Evangelho do Cristo, periodicamente, se travestem de modernidade, mas continuam os mesmos de outrora, conseguindo envolver os incautos.
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Por pensar assim, dias atrás, tivemos oportunidade de saber no Youtube, o depoimento de um confrade anunciando que não é mais espírita, qual se ele for, ou não, espírita, viesse a fazer alguma diferença para a Doutrina. Impressionante, a importância que o referido irmão se dá em seu depoimento, com o qual procura influenciar a opinião alheia. A sua ideia está tão fixa nos postulados espíritas, que, temos certeza, não conseguirá ele produzir filmes, para exibir em seu canal, sem buscar no Espiritismo a sua fonte de inspiração, nem que seja para escrachá-lo. Realmente, notamos que a porta, que já era estreita, anda se estreitando ainda mais – creio que o Senhor, devido à grande insanidade reinante entre os espíritos encarnados, e também desencarnados, deliberou encostá-la mais um tanto junto ao batente do portal em que ela se descerra.
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O que vocês acham, ou não acham, sobre o exposto?! Vocês acham que o Mundo, ou Planeta, Espiritual seja uma ilusão, qual o Budismo considera ser a existência do homem na Terra?! Em que sentido, a vida humana no orbe terrestre seria uma ilusória aventura?!...
Semana que vem voltaremos a nos encontrar, e, então, com um pouco mais de espaço, continuaremos no assunto.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de setembro de 2017.










segunda-feira, 4 de setembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXIII
 
No capítulo 31, de “Nosso Lar”, André nos relata o episódio que envolve um “espírito-vampiro”, que – interessante –, ludibriando os “vigilantes das primeiras linhas”, fora bater ao grande portão da cidade, suplicando asilo.
E segue a nossa primeira pergunta: como seria possível que um espírito da tal natureza atravessasse as linhas de defesa da cidade, que, recordemos, era fortificada, construída à semelhança das antigas “cidades-estado”?! O que vocês acham?!
O fato – permitam-nos – nos leva a comparar o texto do autor espiritual com o que é descrito na Parábola das Bodas, em Mateus, capítulo 22, versículos 1 a 14, quando – vejamos – um convidado é descoberto na festa e colocado para fora da mesma, porque “não trazia a veste nupcial”... O que seria a “veste nupcial”, claro, numa interpretação transcendente, qual é o objetivo da Parábola contada por Jesus?!
O referido “espírito-vampiro” estava pedindo socorro, “no grande portão que dá para os campos de cultura”... Outra pergunta: que “campos de cultura” seriam tais?! O que neles se cultivava, e com que finalidade?! André Luiz estaria recorrendo apenas a mera figura literária?!...
André e Narcisa compadeceram-se daquela mulher, “coberta de andrajos, rosto horrendo e pernas em chaga viva”... Contudo, não dispondo de autoridade para acolhê-la, deliberaram chamar o Irmão Paulo, “orientador dos vigilantes”, ou, modernamente, dos seguranças. (Não nos esqueçamos de que, dias atrás, em abençoada Casa Espírita do grande Recife, o Centro Espírita “Amor ao Próximo”, ocorreu lamentável ato de violência, cometido por criminosos. Será que chegaremos ao ponto de, em nossos templos de fé, ter que revistar um por um de seus frequentadores eventuais?! Autoridades incompetentes – não generalizando – as que estão se responsabilidade pela segurança pública no Brasil!) O que vocês fariam, ou fazem, quando algum suspeito aparece na Casa Espírita          que frequentam, ou mesmo bate às portas de sua residência?! Compadecem-se, colocam-no para dentro, ou, prudentemente, redobram a vigilância?!
Sem rodeios, observando a situação espiritual da infeliz entidade, Irmão Paulo conclui: “Esta mulher, por enquanto, não pode receber nosso socorro. Trata-se de um dos mais fortes vampiros que tenho visto até hoje.
É preciso entregá-la à própria sorte.” 
Estando ela rodeada por cinquenta e oito “pontos escuros”, Irmão Paulo explicou que elas representavam as cinquenta e oito crianças que ela, profissional de ginecologia na Terra, havia assassinado ao nascerem!

Narcisa, em sua condição de mulher, chega a insistir com o “orientador dos vigilantes” para que aquela entidade fosse recebida. – “Reconheço, minha amiga – respondeu o diretor da vigilância, impressionando pela sinceridade –, que todos somos espíritos endividados; entretanto, temos a nosso favor o reconhecimento das próprias fraquezas e a boa vontade de resgatar nossos débitos; mas esta criatura, por agora, nada deseja senão perturbar quem trabalha.”
Concordam com a atitude de Irmão Paulo?! Parece-nos – não acham?! – que as Leis Divinas, embora sendo a expressão do Amor de Deus, funcionam alicerçadas na Justiça. Ainda em Mateus, no capítulo 25, na Parábola dos Talentos, Jesus é claro ao dizer: “E o servo inútil lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.” 
Tais elucubrações, em nosso post desta semana, levam-nos a deduzir que, realmente, em todos os setores da Vida, de acordo com a palavra de nossos Maiores “a disciplina deve anteceder a espontaneidade”!
Assim que teve negada a sua entrada em “Nosso Lar”, a pobre entidade revolta-se e começa a ofender a Irmão Paulo, que, então, lhe responde com severidade fraternal: “Faça, então, o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja. Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e tentam curar-se, junto de servidores de boa vontade.”
E ele próprio concluiu, falando com André e Narcisa: “Observaram o Vampiro? Exibe a condição de criminosa e declara-se inocente; é profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre desesperadamente e alega tranquilidade; criou um inferno para si própria e assevera que está procurando o céu.”
A infeliz, naturalmente, como esclarece o orientador, seria atendida alhures pela Bondade Divina, mas, naquele momento, a caridade legítima mandava que as portas de “Nosso Lar” não lhe fossem abertas.
Dura realidade, não é?!
Segundo a legenda grafada na Bandeira do Brasil, sem ordem não há progresso. O que nos leva a pensar que, infelizmente, a falta de Progresso existente no Brasil, basicamente, é falta de Ordem, a começar pela imoralidade de alguns que lhe orientam o serviço de vigilância.
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 4 de setembro de 2017.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXII

No capítulo 30, de “Nosso Lar”, André Luiz traz à baila o palpitante assunto “Herança e Eutanásia”, contando sobre a situação familiar de uma jovem que, do Outro Lado, prestava assistência ao seu pai, vítima da eutanásia, aplicada a ele pelo seu próprio filho médico.
O pai agonizava no leito, quando o filho, de nome Edelberto, administra-lhe a chamada “morte suave”, interessado que estava, rapidamente, em receber a herança do genitor.
O fato nos faz recordar da resposta que os Espíritos Superiores transmitiram a Kardec, na questão de número 808-a, de “O Livro dos Espíritos”: - A riqueza hereditária, entretanto, não é fruto das más paixões? R – Que sabes disso? Remonta à origem e verás se é sempre pura. Sabes se no princípio ela não foi o fruto de uma espoliação ou de uma injustiça? Mas sem falar em origem que pode ser má, crês que a cobiça de bens, mesmo os melhores adquiridos, e os desejos secretos que se concebem de os possuir o mais cedo possível, sejam sentimentos louváveis? Isso é o que Deus julga, e te asseguro que o seu julgamento é mais severo que o dos homens.”
Sabemos de caso recente, acontecido a uma amiga nossa, em cidade do interior do Estado de São Paulo, que, aos noventa de idade, um pouco mais, foi pressionada psicologicamente por alguns de seus familiares, interessados em sua morte rápida, para que se apropriarem do que lhe pertencia – ela não foi envenenada como no caso descrito por André Luiz, mas, cotidianamente, recebia sucessivos abalos emocionais, provocados pelos familiares referidos, até que veio a sucumbir.
Em “Nosso Lar”, a filha, chamada Paulina, se desdobrava junto ao pai para que ele esquecesse o episódio e procurasse perdoar o filho criminoso, libertando-se daquela situação que criara uma obsessão em grupo. – “Perdoe Edelberto, papai! – apelava ela. – Procure sentir nele, não o filho leviano, mas o irmão necessitado de esclarecimento. Estive em nossa casa, ainda hoje, lá observando extremas perturbações. Daqui desse leito, o senhor envolve todos os nossos em fluidos de amargura e incompreensão, e eles lhe fazem o mesmo por idêntico modo. O pensamento, em vibrações sutis, alcança o alvo, por mais distante que esteja. A permuta de ódio e desentendimento causa ruína e sofrimento nas almas. Mamãe recolheu-se, faz alguns dias, ao hospício, ralada de angústia. Amália e Cacilda, entraram em luta judicial com Edelberto e Agenor, em virtude dos grandes patrimônios materiais que o senhor ajuntou nas esferas da carne.”
Quantos casos semelhantes espalhados no mundo?! Famílias inteiras em desagregação pela ambição desmedida!...
Notemos que, mesmo do leito hospitalar, ao qual se encontrava recolhido, certamente por méritos pessoais não mencionados, o genitor, envolto em sentimento de ódio, afetava a família na Terra.
Comentando o assunto com André Luiz, Narcisa esclarece: “Os casos de herança, em regra, são extremamente complicados. Com raras exceções, acarretam enorme peso a legadores e legatários. Neste caso, porém, vemos não só isso, mas também a eutanásia. A ambição do dinheiro criou, em toda a família de Paulina, esquisitices e desavenças. Pais avarentos possuem filhos esbanjadores. Fui a casa de nossa amiga, quando o irmão, o Edelberto, médico de aparência distinta, empregou, no genitor quase moribundo, a chamada ‘morte suave’. Esforçamo-nos por o evitar, mas foi tudo em vão. O pobre rapaz desejava, de fato, apressar o desenlace, por questões de ordem financeira, e aí temos agora a imprevidência e o resultado – o ódio e a moléstia.”
E arremata:
“Deus criou seres e céus, mas nós costumamos transformar-nos em espíritos diabólicos, criando nossos infernos individuais.”
Vejamos, ainda, a preocupação de Narcisa em dizer a André que, pelo Mundo Espiritual, tudo havia sido feito para demover o filho infeliz de seu intento de assassinar o próprio pai. Sempre, sim, na condição de desencarnados, procuramos interceder em favor de nossos irmãos ainda na carne, no entanto, na maioria das vezes, eles nos fazem “ouvidos de mercador”, e, então, em respeito ao seu livre arbítrio, nada mais nos compete fazer.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de agosto de 2017



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXI
 
No início do capítulo 29 – “A Visão de Francisco” –, de “Nosso Lar”, André Luiz, conforme dissemos, recebe uma ligação ao aparelho de “comunicações urbanas”, ou, em outras palavras, ao nosso velho e útil telefone com fio. Era Laura, a mãezinha de Lísias, que desejava as suas notícias, já que ele não voltara para casa – voltamos a frisar que a comunicação entre ambos não aconteceu telepaticamente, mas sim através da palavra articulada.
Ao telefone, a simpática matrona lhe diz: “Muito bem, meu filho! apaixone-se pelo seu trabalho, embriague-se de serviço útil. Somente assim, atenderemos à nossa edificação eterna. Lembre-se, porém, que esta casa também lhe pertence.”
Reflitamos sobre como, em obediência aos Desígnios Superiores, as coisas acontecem: muito provavelmente, André Luiz não fora parar na casa de Lísias e sua mãe por obra do acaso, posto o acaso não existe nem mesmo aqui, ou muito menos aqui, na Vida além da morte. Chico Xavier, quando encarnado, ao informar sobre a reencarnação de Emmanuel – ele sempre se referia ao fato com muita discrição –, dizia que Emmanuel haveria de descender da família de Laura e Ricardo, que, segundo ele, seriam seus avós. Claro, igualmente, está que, André Luiz, através da mediunidade de Chico, não se ligaria à Obra de Emmanuel por mero acidente de percurso.
*
Bem, vamos lá.
Um rapaz, internado num dos Pavilhões das “Câmaras de Retificação”, começara a gritar, e Narcisa se mobilizara para atendê-lo. Era Francisco, que, alucinado, se referia à visão que estava tendo de um “monstro”, assim dizendo: “Irmã Narcisa, lá vem ‘ele!’, o ‘monstro! Sinto os vermes novamente! ‘Ele!’ ‘Ele!...’ Livre-me ‘dele’, irmã! não quero, não quero!...” O “monstro”, referido por Francisco, era a visão de seu próprio corpo já em adiantado estado de decomposição...
Narcisa, então, assim explica o fenômeno a André: “O pobrezinho era excessivamente apegado ao corpo físico e veio para a esfera espiritual após um desastre, oriundo de pura imprudência. Esteve, durante muitos dias, ao lado dos despojos, em pleno sepulcro, sem se conformar com situação diversa. Queria firmemente levantar o corpo hirto, tal o império da ilusão em que vivera e, nesse triste esforço, gastou muito tempo.” 
Antes de prosseguir, permitam-me narrar o que, em certa ocasião, Chico contou aos amigos.
Chico tinha o hábito de orar no cemitério – sempre que podia, a fim, talvez, de não ser incomodado em suas preces e reflexões, Chico se dirigia ao chamado “campo santo”. Numa dessas visitas ao cemitério, em tarde muito chuvosa, Chico se deparou com a figura de um homem ao pé de um túmulo. Ele estava de chapéu, envergando uma capa escura que lhe caía, praticamente, até aos tornozelos – usava botinas pesadas, próprias para quem trabalha em terreno lamacento. O médium, contudo, percebeu que aquele homem, um espírito fora do corpo, estava cheirando à bebida – estava alcoolizado! Ambos, então, começaram a conversar com naturalidade, pois Chico sempre dialogava com os “mortos” com a mesma espontaneidade que conversava com os “vivos”.
- Meu irmão – perguntou-lhe Chico, no rápido diálogo que se desdobrou –, o quê está fazendo aqui, debaixo dessa chuva?...
- Eu trabalho aqui! – respondeu apontando para uma das covas.
- O senhor é coveiro?! – tornou o médium com simplicidade.
- Não! – replicou o espírito daquele homem que, segundo Chico, era muito alto e robusto. – Eu pulo aí dentro para tirar quem não quer sair... É por esse motivo que eu bebo! O mau cheiro é muito forte! Se eu não beber, eu não aguento!...
*
Quanta coisa, para os espíritos, existe no primeiro “ensaio de movimento”, além da matéria densa, que os homens encarnados desconhecem, não é mesmo?! Quem poderia imaginar a existência de coveiros “às avessas”, trabalhando no Mundo Espiritual, “desenterrando os espíritos” excessivamente apegados à forma que se deteriora?!...
Francisco, o personagem de André Luiz no capítulo em estudo, havia deixado o corpo num desastre – certamente, quando ainda contava viver mais longamente na Terra, sem qualquer preocupação de ordem transcendente. Narcisa, em sua preciosa elucidação, acrescentou que o rapaz “amedrontava-se com a ideia de enfrentar o desconhecido e não conseguia acumular nem mesmo alguns átomos de desapego às sensações físicas.”
Acreditem: para a esmagadora maioria dos que deixam o corpo físico, pelo fenômeno da desencarnação, morrer representa o mesmo que, em trajes menores, alguém ver-se numa praia, diante do mar infinito que se sente impelido a enfrentar, mas que, sem saber nadar ou nadando mal, sequer ousa tirar os pés da areia!...
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 21 de agosto de 2017. 

domingo, 13 de agosto de 2017

10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP.

Agora, no próximo final de semana, nos dias 19 e 20, estará sendo realizado em São José dos Campos, o 10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, iniciativa, sem dúvida, das mais louváveis, que, há dez anos, foi começada na cidade de Uberaba, Minas Gerais.
Vale ressaltar, e com letras em maiúsculo, que O ENCONTRO SERÁ TOTALMENTE GRATUITO, com os irmãos e irmãs de Ideal de São José dos Campos, e vizinhanças, no Estado de São Paulo, arcando com as despesas que um conclave dessa natureza proporciona – embora, saibamos, nunca existe real necessidade de se provocar gastos além das possibilidades dos colaboradores de cada uma das cidades-sede.
Quando do I ENCONTRO, realizado em Uberaba, as críticas, partindo de alguns integrantes do próprio Movimento Espírita choveram, na tentativa de fazer com que a ideia morresse em seu próprio berço. Essas vozes dissonantes calaram-se, ou baixaram o tom, e o ENCONTRO continuou, como haverá de continuar enquanto, naturalmente, tal for possível aos seus organizadores. Nesse ínterim, inclusive, o ENCONTRO foi realizado em Portugal, na cidade de Lisboa, com a presença de grande público.
O objetivo do ENCONTRO, como se sabe, é o que colocar em destaque a OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER como complemento da OBRA KARDECIANA, ainda enfocando os exemplos que o inesquecível MÉDIUM sempre nos transmitiu na VIVÊNCIA da Doutrina.
Infelizmente, porém, temos constatado que, em outros setores, o interesse pessoal, visando ganho financeiro, vem imperando no Movimento Espírita, sob o olhar muito complacente dos espíritas que, com as exceções de praxe, se posicionam “em cima do muro”, fazendo vistas grossas para o que, em verdade, envergonha e enlameia o nosso Movimento.
Parece que o mercantilismo, entre médiuns e oradores menos vigilantes e comprometidos com o amor à Causa, vem se generalizando cada vez mais, sob o pretexto de se gerar divisas para obras assistenciais, que, pelo arrecadado em uma só noite, ou em um só final de semana, devem ter uma despesa astronômica, e que deveriam, a nosso ver, serem submetidas a uma operação semelhante à da “LAVA-JATO”.
A verdade é que a gleba do Movimento Espírita encontra-se repleto de joio, semeado entre trigo. O que é não é novidade, visto que o próprio Cristo nos advertira a respeito, em Mateus, 13, 24-30.
A MENSAGEM ESPÍRITA NÃO DEVE SER VENDIDA PARA SUSTENTAR OBRAS DE CARIDADE, PORQUE A MENSAGEM ESPÍRITA, EM SI, É A MAIOR CARIDADE QUE PODE SER PRATICADA.
Somos de opinião que, entre se vender a Mensagem Espírita, em Congressos, Simpósios, Seminários, Encontros, etc, com o fito de se manter obras ditas de Caridade, e não manter essas mesmas obras, melhor é que elas não sejam levadas adiante.
Neste sentido, gostaríamos de apelar aos irmãos e irmãs de Ideal para que não apoiem e não compareçam a EVENTOS ESPÍRITAS PAGOS – e, não raro, regiamente pagos! –, QUE NÃO OS PRESTIGIASSEM E NEM OS PROMOVESSEM, porque a sua simples presença será um endosso a esse crime que está a se cometer contra o ESPIRITISMO.
Mesmo no que tange às OBRAS ESPÍRITAS, necessário se torna que, economicamente, elas se tornem de mais fácil acesso ao bolso dos que por elas se interessem, evitando-se os preços exorbitantes, que, por vezes, proporcionam, em cada título, um ganho de até 500%.
Não participem, pois, de PALESTRAS PAGAS – seja o espetáculo qual for: de cura, de pintura mediúnica, de psicografia, de oratória, etc. Esses tais não merecem ser vistos e, tampouco, ouvidos.
Portanto, aproveitamos aqui o ensejo para convidá-los a comparecerem nos próximos dias 19 e 20 de Agosto, em São José dos Campos, para o 10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, provando, há 10 anos, que, com um pouco de desapego e ideal, é-se possível continuar DANDO DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA SE RECEBE.
Deus abençoe o nosso ENCONTRO, ao qual, sim, compareceremos com os Amigos de Jesus e de Chico Xavier que mourejam fora do corpo carnal, agradecendo, de nossa parte, aos espíritas de São José dos Campos pelo amor com que organizam o Evento.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de Agosto de 2017.