segunda-feira, 11 de junho de 2018




III – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Nos primeiros parágrafos de sua preleção, o Ministro Flácus enfoca o tema da evolução da mônada, a partir do reino mineral:
“... a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação”.
Adiante:
 “Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada frequência do Universo. E o amor divino alcança-nos, a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes”.
*
Espantosa a afirmação dos Espíritos Superiores a Kardec, na pergunta 597-a, de “O Livro dos Espíritos”: “(...) Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância, quanto entre a alma do homem e Deus”.
*
Quão longos são os caminhos da evolução!...
E o homem, lidando com a razão há quarenta mil anos, ainda revela em suas atitudes traços de animalidade. Não se pode dizer que o homem já tenha tomado completa posse de sua humanidade.
*
Mais adiante, Flácus aborda a questão da interdependência que vige entre todos os seres da Criação – interdependência não apenas física, mas também psicológica. Daí não nos ser atitude lícita e inteligente menosprezarmos que se movimentam na retaguarda evolutiva, pelos quais, sem dúvida, necessitamos nos sentir responsáveis – assim como Jesus Cristo sentiu-se e sente-se por nós outros.
O que seria da Humanidade Terrestre se o Cristo não tivesse vindo a até nós?! Com certeza, ainda desconheceríamos o que seja Amor – com A maiúsculo!
*
Flácus, em sua palestra, estava justificando o trabalho que os espíritos mais esclarecidos necessitam desenvolver em nome da solidariedade universal – preparando os espíritos que ali estavam presentes para as tarefas sacrificiais que os mais lúcidos devem abraçar em favor da libertação dos que se demoram nas faixas da ignorância.
*
Vejamos a sua consideração:
“Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens”.
Com tais palavras, ele nos induz a pensar que, até certo ponto, o chamado vampirismo é natural. Assim como o corpo humano é parasitado por milhares de vidas inferiores, em evolução, a mente humana também. Todavia, a questão não é a de “carregarmos” conosco mentes desencarnadas, necessitadas de esclarecimento – a questão é nos deixarmos possuir por elas, e, em vez de fazer com que cresçam consentir que elas nos façam estagnar em nossa caminhada.
Mediunidade generalizada!...
Notemos a importância da Doutrina Espírita que, em nos conscientizando de semelhante situação, nos prepara para melhor a facearmos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de junho de 2018.




segunda-feira, 4 de junho de 2018




II – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O primeiro capítulo do livro “Libertação”, cujo prefácio de Emmanuel é de 1949 – a obra, portanto, está prestes a completar os seus 70 anos! -, nos deparamos com a belíssima e substanciosa prelação do Ministro Flácus, que estava na condição de um dos Ministros de “Nosso Lar”.
Sob o título “Ouvindo Elucidações”, André Luiz transcreve, em síntese, a palavra do Ministro, que, sem dúvida, mereceria uma “separata”, ou seja, uma impressão à parte, pois que, em nossa opinião, ela vale por um livro.
*
Na companhia do Instrutor Gúbio, André se pôs a ouvir a preleção de Flácus, que, em sua palavra, aborda a questão das Dimensões Inferiores do Mundo, ou Planeta Espiritual – dando-nos a conhecer a existência da denominada Dimensão das Trevas, que, “geograficamente”, se localiza logo abaixo da Crosta Terrestre.
*
À determinada altura de sua peroração, Flácus considera:
“A rigor, portanto, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizadas no ócio reprovável ou confundidas no eclipse temporário da razão”.
Começa, pois, com André Luiz, a se detalhar, com informações mais precisas, o que ele havia dito, em “Nosso Lar”, sobre as regiões subcrostais, dando-nos outra visão do significado teológico do chamado Inferno. André, que, com “Nosso Lar”, nos levara a efetuar uma “viagem ao futuro”, com “Libertação” começa a nos levar a realizar uma “viagem ao passado”.
*
E, em seguida, o Ministro considera:
“... a nossa Terra, com todas as esferas de substância ultrafísica que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores, que dominam na sabedoria e na santidade, não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor. Entretanto, guindados a singelas culminâncias da inteligência, somos micróbios que sonham com o crescimento próprio para a eternidade.”
Sabemos que, praticamente, não há distinção entre bactéria e micróbio. Mas, o que o Ministro quer dizer é que, um pouco mais avançados, até mesmo espiritualmente, deixamos de sermos bactérias, para, simplesmente, sermos micróbios – e, por vezes, micróbios que se vestem de terno e gravata e que sabem falar inglês!
*
A preleção de Flácus, belíssima, considera, um pouco mais adiante, que não passamos de “micróbios” lidando com a razão há quarenta mil anos...
O quanto evoluímos?!
O quanto temos a evoluir?!
E, não obstante, nos consideramos... Ah, deixa para lá, pois é melhor nem dizer.
E o pior é que exigimos, dos outros, respostas definitivas, quando sequer sabemos, ao certo, como se forma o bolo fecal em nossos intestinos físicos e perispirituais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 4 de junho de 2018.





segunda-feira, 28 de maio de 2018




I – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – André Luiz/Chico Xavier

Encerrada a série “COMO VOCÊ INTERPRETA?!”, abordando temas do livro “Nosso Lar” – que iniciamos em Fevereiro de 2017 –, daremos início a algumas reflexões sobre o livro “Libertação”, que o 7º da Obra Andreluizina.
Esclarecemos, no entanto, aos nossos internautas, que, dos vinte capítulos substanciosos que compõe o livro, destacaremos apenas alguns tópicos de cada capítulo, deixando com eles estudos que possam ser mais completos.
Solicitamos aos nossos irmãos e irmãs que nos prestigiam com os seus apontamentos que nos perdoem por não podermos responder a cada uma das arguições que nos são dirigidas, considerando-nos felizes por motivarmos entre eles a discussão sadia sobre os assuntos abordados.
Cremos que, de nossa parte, nos estudos efetuados sobre “Nosso Lar”, cumprimos com o nosso dever que era, e continua sendo, apenas o de despertar novo interesse pelo estudo das obras de autoria de André Luiz, repletas de interessantes informações sobre a vida do espírito, nos mais variados Planos que habita.
Agradecemos o prestígio e a consideração que não merecemos da parte de nossos confrades, rogando ao Senhor que continue a nos inspirar na compreensão de Suas divinas lições, e, sobretudo, nos encorajando a colocá-las em prática no cotidiano.
*
Do excelente prefácio de Emmanuel para o livro “Libertação”, datado de 22 de fevereiro de 1949 – a obra está prestes e completar 70 anos! – prefácio significativamente intitulado “Ante as Portas Livres”, salientamos apenas o que escreveu o venerável Benfeitor, ao recontar a antiga lenda egípcia do “peixinho vermelho”:
“O esforço de André Luiz, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho.
Encantando com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.
Fala, informa, prepara, esclarece...
Há, contudo, muitos peixes humanos que sorriem e passam, entre a mordacidade e a indiferença, procurando locas passageiras, ou pleiteando larvas temporárias.
Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos depois da morte do corpo.
Mas, sem André Luiz e sem nós, humildes servidores de boa vontade, para todos os caminheiros da vida humana pronunciou o Pastor Divino as indeléveis palavras: - ‘A cada um será dado de acordo com as suas obras.’”
*
Conscientes, assim, da nossa condição de pobre bagre, que tenta escapar das águas barrentas da lagoa existencial em que se movimenta, longe de nós qualquer pretensão da missão que coube ao destemido “peixinho vermelho”...
O que nos consola, porém, é saber, que já não mais pertencemos à classe dos anfíbios anuros, que se contentam com sua condição de girinos, ou, no máximo, de batráquios coaxantes.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de maio de 2018.



segunda-feira, 21 de maio de 2018




COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVIII

Ainda no último capítulo do excelente “Nosso Lar”, livro de conteúdo ainda a ser explorado, mais atentamente, pelos espíritas em geral, dentre os quais eu me incluo, nos deparamos com o episódio de Narcisa que, atendendo ao apelo mental de André Luiz, o convida para irem à Natureza, a fim de “recolherem” fluidos no socorro a Ernesto, o segundo esposo de Zélia.
Antes, Narcisa teve o zelo de providenciar “passes de reconforto ao doente, isolando-o das formas escuras, que se afastaram como por encanto”. O passe, realmente, sendo, no dizer de Emmanuel, uma “transfusão de energias fisio-psíquicas”, através da simples imposição das mãos, opera prodígios. Nas Casas Espíritas, o passe é o legítimo “trabalho de cura”, sem desmerecermos, claro, o esforço dos medianeiros que se empenham no campo da cura segundo as suas características e as orientações de seus guias espirituais, que nem sempre possuem segura iniciação no estudo e na aplicação das forças “magnéticas”. Não nos esqueçamos de que Jesus curava pela imposição das mãos – Ele curava quando tocava e... quando era tocado! Curava através da saliva, do sopro, do olhar, de Sua simples Presença!...
*
Justificando o convite feito a André, para que fossem à Natureza, Narcisa, lhe diz: “Não só o homem pode receber fluidos e emiti-los. As forças naturais fazem o mesmo, nos reinos diversos em que se subdividem. Para o caso do nosso enfermo, precisamos das árvores. Elas nos auxiliarão eficazmente”.
Esse “para o caso de nosso enfermo”, naturalmente, nos leva a pensar na especificidade dos fluidos que Ernesto carecia, estando ele com os pulmões comprometidos. Com certeza, em outros casos fluidos de natureza diversa podem estar indicados, como aqueles nos quais, por exemplo, baseia-se a própria ciência Alopática, a Homeopática, a Fitoterápica, a Ortomolecular, e outras.
*
De mais notável, no entanto, no capítulo mencionado, é o encontro de Narcisa com os “servidores comuns do reino vegetal”, habitualmente chamados de “elementais”... Segundo André, ela os chamou com “expressões” que ele “não podia compreender”, ou seja, Narcisa a eles se dirigiu (eram “oito entidades espirituais”!) em seu “idioma”, nos induzindo a concluir que Narcisa, com certeza, já vivera entre eles e fora uma deles...
Concordam conosco, os irmãos e as irmãs internautas?!...
O assunto, ainda muito pouco estudado e desenvolvido pela literatura espírita, foi tratado, en passant, por Kardec, nas perguntas de 536 a 540, de “O Livro dos Espíritos”, quando os Instrutores falaram sobre a “Ação dos Espíritos Sobre os Fenômenos da Natureza”.
Vejamos a questão 538: “Os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria no mundo espírita, são seres à parte ou espíritos que viveram encarnados, como nós?” Resposta: “Que o serão, ou que o foram”.
Diante da resposta dos Espíritos a Kardec, solicitamos vênia para uma indagação a todos os irmãos de Ideal que se nos dignarem responder: - Se os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza já foram, ou viveram encarnados como nós, tornando, após, à condição em que viveram, teriam eles regredido na escala evolutiva?...
Gostaríamos muito de ouvi-los nesta questão.
*
Ainda sobre o tema dos “elementais”, tomamos a liberdade de indicar aos interessados o livro de autoria de Paulino Garcia, “Espíritos Elementais”, editado pela LEEPP – o livro, coordenado pelo nosso preclaro Odilon Fernandes, foi editado em 2004, portanto há exatos 14 anos.
*
Chico Xavier nos contava que quando perdia determinado objeto que precisava encontrar – um documento, uma página psicografada perdida em meio aos seus tantos papéis, enfim, algo que lhe fosse essencialmente útil –, solicitava o auxílio desses “seres” que, então, algumas vezes atendiam ao seu chamado.
Não obstante, cremos que semelhante providência não seja para os incréus, mesmo para os incréus espíritas, que, por excesso de racionalismo, desprezam, muitas vezes, as obras da fé.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de maio de 2018.





segunda-feira, 14 de maio de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVII

Ainda refletindo sobre o último capítulo do livro “Nosso Lar”, nos deparamos com interessantes lições.
André Luiz, desencarnado há mais dez anos, e residindo na colônia espiritual há quase dois, tendo, inclusive, retomado o trabalho num dos hospitais do Ministério da Regeneração, ainda não havia experimentando os fenômenos da telepatia e da volitação, que, comumente, atribuem-se a todos os espíritos que deixam o corpo carnal.
Você já reparou nesse detalhe nas páginas da magnífica obra da lavra de Chico Xavier?!
Em “Nosso Lar”, para se movimentar, André tomava o “aeróbus”, e mesmo quando, depois de mais de dez anos, voltou a Terra, na companhia de Clarêncio, que acompanhava Dona Laura nas etapas iniciais de seu processo reencarnatório, tudo indica que o fez com o concurso de uma aeronave, que, então, o teria deixado nas proximidades da Crosta.
*
Somente quando André reconheceu que, de fato, Zélia, sua ex-esposa, e Ernesto se amavam muito, e passou a se sentir “companheiro fraternal de ambos”, ao necessitar de ajuda, mentalmente procurou entrar em contato com Narcisa – pela primeira vez, ele tentou a possibilidade da telepatia, que, em “O Livro dos Médiuns”, Kardec chamou de “telegrafia humana”. Foi com grande surpresa, e alegria, que, decorridos, mais ou menos, vinte minutos, Narcisa se apresenta, dizendo-lhe: “Ouvi seu apelo, meu amigo, e vim ao seu encontro”.
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Sem dúvida, as conquistas de André Luiz no campo da espiritualidade própria, em tempo relativamente curto, se fizeram evidentes além da morte.
Todavia, enganam-se aqueles que imaginam que logo, ao deixarem o corpo, dispensarão, no Mais Além, o uso da palavra articulada. Chico Xavier nos contava que a sua mãezinha, Maria de São João de Deus, que, à época, estava se preparando para reencarnar, dissera a ele que estava estudando inglês no Mundo Espiritual – segundo ela, seria para facilitar o aprendizado do referido idioma quando, então, estivesse no corpo.
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Depois que André e Narcisa logram socorrer ao Dr. Ernesto em sua recuperação, inclusive através da transmissão do passe e intervindo para afastar as três entidades que o vampirizavam no leito, por sentir-se extremamente “mais leve”, André conquista a capacidade de volitar, ou de se transportar no espaço através da volição, ou do voo sem o concurso de qualquer objeto voador. Já ao fim de seu segundo dia na Terra – ele obtivera uma semana de licença para visitar a família –, André começa se movimentar entre a Terra e “Nosso Lar” por si mesmo, simplesmente alçando-se ao Espaço.
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Trata-se de outro equívoco quase generalizado entre os espíritas, que dizem que todos os espíritos, assim que deixam o corpo pesado para trás, adquirem a possibilidade de volitar, esquecidos de que o Mundo Espiritual também é regido pela Lei da Gravidade, e que, para volitar, o espírito carece de “perder peso”.
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Muitos encarnados, porém, pelo fenômeno do desdobramento, no instante do repouso físico, já tiveram a experiência da volitação, que, sem dúvida, é extremante interessante – todavia, o espírito se movimenta dentro de limites que, pelas Leis da Física, não podem ser ultrapassados.
*
Percebamos, assim, que o desabrochar das quase infinitas possibilidades do espírito estão diretamente relacionadas com as suas conquistas de ordem íntima, incluindo, é claro, as suas aquisições de ordem mental.
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Você, estimado (a) internauta, já teve oportunidade de experienciar no campo da telepatia, entre encarnado e encarnado, e no da volitação, em desdobramento?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 14 de maio de 2018.








segunda-feira, 7 de maio de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVI

O último capítulo de “Nosso Lar” – “Cidadão de ‘Nosso Lar’” –, sem dúvida, é um dos mais emocionantes. André Luiz não nega que se sentia muito abatido com a situação familiar encontrada, admitindo que o alimento espiritual estivesse lhe faltando, e esclarecendo que, em “Nosso Lar”, “atravessava vários dias de serviço ativo, sem alimentação comum...”
Aqui necessitamos efetuar pequeno stacatto para dizer que, quando examinar-se a situação dos espíritos recém-desencarnados, indispensável levar em conta a sub-Dimensão em que estejam eles domiciliados – “Umbral” é um termo genérico, que, realmente, não serve para se ajuizar a condição de cada espírito que nele estagia, após o desenlace. Nas circunvizinhanças da Terra, os espíritos “Umbralinos” continuam carecendo de alimentação quase tão grosseira quanto carecem os homens. Não nos esqueçamos de breve consulta ao capítulo 9, de “Nosso Lar”, quando o autor nos fala de certo embate havido entre os habitantes da cidade, concernente a problemas de alimentação.
*
Logo no segundo dia de sua visita à família encarnada, André, superando as surpresas consideradas desagradáveis, já se encontra realizando reflexões mais maduras, lutando consigo para aceitar a realidade, e, para tanto, ele recorre, de imediato, ao exemplo de sua mãezinha, prestes a voltar a Terra, a fim de socorrer a seu pai, com as três entidades femininas que Laerte infelicitara no mundo – de imediato, recordou-se ainda da própria Veneranda que “trabalhava séculos sucessivos pelo grupo espiritual que lhe estava mais particularmente ligado ao coração”... Pensou em Narcisa, na senhora Hilda vencendo “o dragão do ciúme inferior”, em Clarêncio, Tobias... A lembrança das lutas de todos esses amigos, fez com que ele colocasse o amor divino acima de seus interesses pessoais.
Grande vitória a de André Luiz, que, por isto mesmo, e por motivos outros, consideramos como sendo o nosso doutor Saulo de Tarso do Mundo Espiritual, que, às portas de Damasco, ante a visão do Cristo Redivivo, levantara-se da areia escaldante do deserto com o propósito de ser um novo homem...
Sim, Paulo de Tarso, na Terra, e André Luiz, no Mundo Espiritual, nos são dois grandes exemplos de renovação íntima – “... se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios, 5:17)
*
André não vacilou. Deixando o homem velho de lado, procurou os aposentos do Dr. Ernesto, a ver no que, em sua condição de médico fora do corpo carnal, poderia auxiliá-lo – e ele vai encontrar aquele que, em outras circunstâncias, consideraria por rival, ternamente acariciando a mão de Zélia, a sua ex-esposa, e, agora, sua irmã.
*
- “Roguei ao Senhor energias necessárias para manter a compreensão imprescindível e passei a interpretar os cônjuges como se fossem meus irmãos.”
A oração! Quão poucos são os que a ela recorrem no dia a dia, a fim de haurirem forças no enfrentamento das provas indispensáveis ao seu crescimento íntimo! –  até mesmo, irmãos e irmãs internautas, para penetrarmos o espírito de determinada lição que nos seja transmitida, carecemos, muitas vezes, de orar, rogando que os Espíritos Superiores nos facilitem o seu entendimento e nos auxiliem com os seus raciocínios...
Ninguém deveria abrir qualquer livro edificante, sem antes formular uma oração, predispondo o espírito a sorver a linfa cristalina, que, porventura, de suas páginas possam jorrar a fim de lhes atender a sede de Conhecimento!...
A oração, em si, é um Livro de Sabedoria, que, conduzindo os espíritos pelos caminhos da intuição, lhes faz apreender o que somente através da intelectualidade fria torna-se sempre mais difícil.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 7 de maio de 2018.





segunda-feira, 30 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LV

Concluindo as nossas reflexões sobre o capítulo 49, de “Nosso Lar”, reflexões que temos efetuado com os irmãos internautas que nos auxiliam o raciocínio, depreendemos que, de fato, a Sabedoria de Deus se patenteia não consentindo que encarnados e desencarnados, mormente os pertencentes ao mesmo grupo consanguíneo/afetivo, não estejam sempre em contato, pois, realmente, não lograriam suportar a realidade, ante os novos caminhos que uns e outros são chamados a trilhar, em obediência às suas necessidades de aprendizado.
Vejamos o caso de André Luiz:
- a esposa, Zélia, havia contraído novo matrimônio;
- a filha mais nova ironizava as saudades que a primogênita estava sentindo do pai, desencarnado há mais de dez anos;
- o seu único filho varão, praticando “loucuras” pela cidade...
Eis o que, com as suas próprias palavras, ele nos diz: “Angústias e decepções sucediam-se a tropel. Minha casa pareceu-me, então, um patrimônio que os ladrões e os vermes haviam transformado. Nem haveres, nem títulos, nem afetos! Somente uma filha ali estava – a primogênita – de sentinela ao meu velho e sincero amor”.
E carecemos de considerar que André Luiz, teria sido um homem devotado à família, que, ao que tudo indica, ainda sobrevivia a expensas do patrimônio material que ele lhe havia deixado. Contudo, em seu primeiro dia de sua visita ao lar – ele conseguira uma semana para tanto –, aliás, em suas primeiras horas, fora o suficiente para que registrasse: “Nem os longos anos do sofrimento, nos primeiros dias de além-túmulo, me haviam proporcionado lágrimas tão amargas”.
Como o homem encarnado carece de se exercitar no campo do desapego, notadamente no que ele, habitualmente, imagina ser sua propriedade!...
*
Outro fato digno de destaque é a visita que o Ministro Clarêncio lhe faz à noitinha. Percebendo o abatimento em que o amigo se encontrava mergulhado, Clarêncio não se dirigiu a ele com palavras de adulação – não o abraçou qual estivesse abraçando a vítima de uma ingratidão familiar. Sem meias palavras, o Ministro foi curto e grosso ao lhe dizer:
“Compreendo suas mágoas e rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho! (Vale a repetição, com destaque: “... rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho!) Não tenho diretrizes novas. Qualquer conselho de minha parte, portanto, seria intempestivo. Apenas, meu caro, não posso esquecer que aquela recomendação de Jesus para que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, opera sempre, quando seguida, verdadeiros milagres de felicidade e compreensão, em nossos caminhos”.
A hora do testemunho, que, em geral, sempre tememos, na palavra de Clarêncio é sempre ótima oportunidade de autossuperação...
E, no caso de André Luiz, era a de entender que a sua família não se resumia àqueles quatro corações queridos, que ele, depois de mais de dez anos, estava logrando visitar!...
*
No último parágrafo do referido capítulo, André escreveu magistralmente – após ouvir rapidamente a Clarêncio:
“Preciso era, pois, lutar contra o egoísmo feroz. Jesus conduzira-me a outras fontes.”
Sinceramente, sabedor como sou de que nada acontece antes do tempo devido, principalmente no campo das bênçãos que descem de Mais Alto sobre os homens na Terra, ponho-me, neste instante, a pensar se, em verdade, os homens, e, no caso, principalmente, os espíritas, estariam, de fato, preparados para receberem uma obra tão esclarecedora/reveladora como é “Nosso Lar”?!...
 O que você acha, amigo (a) internauta?!...
Sobre a Terra, um mundo ainda de tanta indiferença espiritual pela Vida, algum espírito seria capaz de chegar às conclusões alcançadas por André Luiz, o nosso eminente Dr. Carlos Chagas, um dos maiores humanistas do século?!...
Sei não...
Tenho quase a impressão de que, no que tange à Obra Mediúnica de Chico Xavier, pérolas foram atiradas aos porcos, que, a confundi-las com farelo, as andam fuçando...
E, no caso, os suínos somos nós, encarnados e desencarnados, os que receberam um nome na “pia batismal”, e, em qualquer circunstância, não se avexam de assumi-lo, e os que, a pretexto de humildade, não têm sequer coragem de decliná-lo...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de abril de 2018.



segunda-feira, 23 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! LIV

O capítulo 49 – “Regressando a Casa” –, é o penúltimo dos 50 capítulos de “Nosso Lar”. Nele, de maneira sintética, o autor narra as suas surpresas de espírito, quando, depois de quase dez anos no Mundo Espiritual, tem oportunidade de rever a família na Terra.
Durante uma semana, André, despedindo-se de Dona Laura, permaneceria em visita à família consanguínea, domiciliada no Rio de Janeiro.
Logo nos primeiros parágrafos, o autor espiritual fala de sua emoção ao rever Zélia, a esposa, que, então, se mostrou insensível ao seu espontâneo gesto de amor. Ela estava conversando com um cavaleiro, médico, que havia ido ver a Ernesto, o seu segundo esposo, que estava acamado, acometido de grave enfermidade nos pulmões.
A constatação de André é uma lição a quantos consideram que os seus afetos, por mais queridos, sejam sua propriedade. Afinal, Zélia não parecia ser a “alma gêmea” de André Luiz, porque as “almas gêmeas”, com raras exceções, costumam ser fieis àqueles que demandam o Mais Além...
*
Zélia chorava, dizendo ao médico que cuidava de Ernesto que não haveria de suportar uma segunda viuvez. E André registra nas páginas do livro:
“Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara do meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia. Valia a pena ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões? Corri ao meu quarto, verificando que outro mobiliário existia na alcova espaçosa. No leito, estava um homem de idade madura, evidenciando melindroso estado de saúde. Ao lado dele, três figuras negras iam e vinham, mostrando-se interessadas em lhe agravar os padecimentos.”
Além de tudo, Zélia se consorciara com um homem de espírito comprometido com entidades infelizes que se valiam de seu estado de debilidade para vampirizá-lo, concorrendo para o seu desenlace.
*
André, desde que desencarnou, mantivera-se na expectativa de um dia, poder reencontrar a companheira, que supunha ser a metade de sua alma...
Quantas surpresas reservam-se ao espírito na desencarnação?! Convém, pois, que todos nós estejamos sempre preparados para enfrentar os próprios equívocos... André, na juventude, pressionado pela família, renegara o amor de uma jovem serviçal de sua casa, e agora, talvez, consorciando-se por conveniência social, sentia-se abandonado!...
A Lei de Causa e Efeito é inexorável, e, no espaço e no tempo, não poupa a espírito algum.
*
Os filhos de André, igualmente, quase que já o haviam esquecido, a não ser pela filha primogênita, que, naquele dia, começara a pensar no pai desencarnado. Zélia, no entanto, repreende a filha – simplesmente por mencionar a memória de André, ela repreende a filha! Positivamente, Zélia não era a “alma gêmea”, ou, pelo menos, a alma de afinidade com os seus mais elevados sentimentos.
*
Zélia, ao repreender a filha mais velha, diz o que André, amargamente, pode escutar:
“(...) Já proibi a vocês, terminantemente, qualquer alusão nesta casa, a seu pai. (...) Já vendi tudo quanto nos recordava aqui o passado morto; modifiquei o aspecto das próprias paredes, e você não me pode ajudar nisso?”
André, em sua própria casa, era considerado um “passado morto”!...
Para inteirar, a filha caçula de André lança acusações sobre a irmã por se interessar pelo “maldito” Espiritismo, negando que os mortos pudessem voltar a Terra.
- Onde já se viu tal disparate? Essa história dos mortos voltarem é o cúmulo dos absurdos!
*
Convém, pois, a vocês que ainda vão morrer prepararem-se, não tanto para as surpresas de além-túmulo, mas para um melhor conhecimento próprio, junto àqueles que, infelizmente, revelam-se de espírito tão pequeno.
Zélia, sem dúvida, tinha todo o direito de consorciar-se com Ernesto – afinal, já amargara muito tempo de solidão afetiva, na condução solitária dos destinos da família, para o que ela se revelara frágil. Todavia, ela não necessitava, praticamente, de exorcizar a memória do ex-marido, pai de seus três filhos, que, pelo menos, lhe deixara o teto sob o qual passara a viver com outro companheiro.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 23 de abril de 2018.




  

segunda-feira, 16 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LIII

No encerramento do capítulo 48, de “Nosso Lar”, André narra o emocionante encontro de Ricardo, que já estava reencarnado, com a família – Dona Laura, não nos esqueçamos, estava prestes a reencarnar, e, no outro dia, na companhia de Clarêncio, tomaria a direção da Terra, dando início aos preparativos imediatos para a sua volta ao corpo.
*
Ricardo, então, parcialmente liberto do corpo, manifesta-se, com o concurso de médiuns de efeitos físicos, num “globo cristalino”, espécie de TV de plasma, cujo surgimento André Luiz antecipa em várias décadas.
Interessante que, antes da materialização, maravilhoso hino, composto pelos filhos de Ricardo, é cantado ao som do piano, da harpa e da cítara.
*
Nos dias que correm, a Ciência anuncia que descobriu a existência de um novo órgão no corpo humano: o mesentério, ou interstício, formado de tecido conjuntivo – uma espécie de “plástico bolha” que reveste e protege quase todos os demais órgãos importantes do corpo.
A pergunta é a seguinte: há quantos anos o corpo vem sendo dissecado pelos anatomistas, e perquirido pelos fisiologistas, sem que eles, tendo semelhante órgão à vista, pudessem atinar com a sua existência?!
Quando será que, praticamente, tendo o Mundo Espiritual à vista da lógica, a Ciência confirmará a tese de sua existência, que, há mais de século e meio, vem sendo sustentada pelo Espiritismo?!...
*
Emocionante quando Judite, filha de Ricardo e Laura, abraça-se à figura do pai no “globo cristalino”, e lhe endereça, em nome da família, interessante pergunta:
- Pai querido, diga o que precisa de nós, esclareça em que poderemos ser úteis ao seu abnegado coração?
Dialogando com a filha com extremado carinho, Ricardo, então, responde, ao questionamento filial, com transcendente sabedoria:
- Ah! filhos meus, alguma coisa tenho a pedir-lhes do fundo de minhalma! roguem ao Senhor para que eu nunca disponha de facilidades na Terra, a fim de que a luz da gratidão e do entendimento permaneça viva em meu espírito!... (destacamos)
Em qualquer outra circunstância, com certeza, nós outros, haveríamos de pedir exatamente o contrário do que Ricardo solicitou – aliás, os homens encarnados, com raras exceções, vivem exorando ao Mundo Espiritual pela concessão de facilidades e privilégios a eles...
*
Após a reunião ter sido encerrada com uma prece formulada pelo Ministro Clarêncio, ele se aproximou de André Luiz e o convidou para que, no outro dia, integrasse a equipe que acompanharia Laura nos passos iniciais de seu processo reencarnatório.
Note-se que André Luiz, pelos cálculos efetuados, estava há cerca de dez anos sem visitar o seu lar. Após a sua permanência de quase nove anos em uma das regiões umbralinas, permanecera durante quase um ano em tratamento ativo em um dos hospitais de “Nosso Lar”...
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E há gente que pensa que, ao deixar ao corpo, sairá volitando por aí, feito uma borboleta, tomando a direção que bem lhe aprouver aos mais diferentes campos do Universo...
Quanta ilusão!...
Ou, sem ofensa, quanta ignorância!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 16 de abril de 2018.

segunda-feira, 9 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LII

No capítulo 48 – “Culto Familiar” –, antepenúltimo do livro “Nosso Lar”, André relata a realização de um Culto do Evangelho na residência de Dona Laura.
Prestes a reencarnar – no outro dia, na companhia do Ministro Clarêncio, ela tomaria a direção do orbe terrestre –, com a participação de alguns de seus familiares e amigos, é realizado um Culto do Evangelho, no qual, Ricardo, o seu esposo, que já se encontrava reencarnado, se materializaria.
Segundo André Luiz, pouco mais de trinta pessoas participava daquele momento de recolhimento e oração – vejamos que André se refere aos espíritos como “pessoas”, e não como entidades estranhas...
Espírito é gente, é criatura humana!
Ricardo, que estava na Terra, no momento do repouso de seu corpo físico, ainda na idade infantil, dele se desprenderia e se mostraria aos familiares e amigos numa imagem projetada numa espécie de TV de plasma – num “globo cristalino”.
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O ambiente era de elevação, e vários amigos estavam aos diversos instrumentos musicais – piano, harpa e cítara. Na Terra, segundo informações de André, já haviam se passado quarenta minutos depois da meia-noite, e, naturalmente, no lar de Ricardo todos já se encontravam dormindo.
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Lísias e as irmãs, então, começaram a cantar uma canção que havia sido composta por eles mesmos, evocando a presença espiritual do genitor.
Abaixo, transcrevemos apenas os últimos versos do belo poema:
“Nossa casa não te olvida
O sacrifício, a bondade,
A sublime claridade
De tuas lições no bem;
 Atravessa a sombra espessa,
Vence, pois, a carne estranha,
Sobe ao cume da montanha,
Vem conosco orar também.”
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Chico Xavier, que nas proximidades do ano 2000, começara a falar com mais frequência a respeito da nova reencarnação de Emmanuel, chegou a informar que ele, Emmanuel, descenderia da família de Laura e Ricardo, sendo-lhes, com certeza, um neto muito querido – quem sabe, até mesmo, filho de Lísias e Lascínia, que haveriam de reencarnar um pouco mais tarde – o casal, como marido e mulher, estava às vésperas de se unir em “Nosso Lar”.
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A se confirmarem as palavras de Chico, Emmanuel estaria hoje com, aproximadamente, 15, 16 anos de idade. Ele dizia também que Emmanuel haveria de militar no campo da Educação e que, talvez, mais tarde, fosse ao Senado.
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Tudo o mais que se diz a respeito da reencarnação de Emmanuel, não passa de mera especulação, porque Chico, ao que se sabe, nunca revelou maiores detalhes do retorno do Benfeitor Espiritual ao corpo físico.
Gracejando, certa vez, ele disse que, agora, ambos haveriam de trocar de posição, e que Emmanuel lhe teria dito que ele, Chico, veria, então, o quanto é difícil guiar um espírito na Terra.
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Ao término da bela prece-evocação, Ricardo se materializa na tela do “globo cristalino” e inicia breve diálogo com Laura e os filhos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 9 de abril de 2018.