segunda-feira, 15 de outubro de 2018


XXI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

André Luiz faz questão de descrever de maneira pormenorizada o cenário com o qual se depara, assim que atravessa a “fronteira” das Dimensões – ele, Gúbio e Elói haviam “descido” abaixo da Crosta Terrestre. Haviam concluído uma verdadeira “viagem no tempo” – sem dúvida, poderiam ser considerados na condição de “agêneres” na Dimensão visitada, quase mesmo que na condição de extraterrestres!
*
“Lembrando a ‘selva oscura’, a que Alighieri se reporta no imortal poema, eu trazia o coração premido de interrogativas inquietantes.
Aquelas árvores estranhas, de frondes ressecadas, mas vivas, seriam almas convertidas em silenciosas sentinelas de dor, qual a mulher de Lot, transformada simbolicamente em estátua de sal? E aquelas grandes corujas diferentes, cujos olhos brilhavam desagradavelmente nas sombras seriam homens desencarnados sob tremendo castigo da forma? Quem chorava nos vales extensos de lama? criaturas que houvessem vivido na Terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós?”
No texto acima, sem dúvida, André Luiz nos leva a refletir nos fenômenos denominados zoantropia, licantropia e cinantropia.
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 Chico Xavier contava que um filho sempre costumava a espancar a mãe... Um dia, cansada de tanto dele apanhar, a mãe começou a maldizer o filho, dizendo que as suas mãos ainda haveriam de secar... Com o tempo, de fato, os braços do rapaz foram secando, assumindo a forma retorcida dos galhos de árvores ressequidas ao Sol... E ele, o filho agressivo – segundo Chico – haveria de renascer assim – com os braços e as mãos retorcidos, à semelhança dos galhos mortos de uma árvore.
*
Até então – segundo o impressionante relato do autor espiritual –, eles não se faziam notar pelos grupos hostis com os quais se defrontavam...
“...indiferentes, incapazes de registrar-nos a presença. Falavam em alta voz, em português degradado (destacamos), mas inteligível, evidenciando, pelas gargalhadas, deploráveis condições de ignorância. Apresentavam-se em trajes bisonhos e conduziam apetrechos de lutar e ferir.”
Notemos: eles poderiam lutar e ferir... Sim, em seus organismos perispirituais, os três amigos poderiam ser feridos – recomendamos aqui, para maiores esclarecimentos, a leitura do livro “O Rosário de Coral”, escrito pelo Dr.Wylm, editado pela FEB.
*
Gúbio, em seguida, fala com André e Elói sobre a necessidade de se materializarem – na verdade, auto-materilizarem-se!
“Finda a nossa transformação transitória, seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz.”
*
Então, eles passaram a inalar “as substâncias espessas que pairavam em derredor, como se o ar fosse constituído de fluidos viscosos.
Elói estirou-se, ofegante, e não obstante experimentar, por minha vez, asfixiante opressão, busquei padronizar atitudes pela conduta do Instrutor, que tolerava a metamorfose, silencioso e palidíssimo.”
Percebamos que nem o próprio Gúbio deixou de algo sofrer com a “metamorfose”...
*
Pelo exposto, podem os nossos irmãos encarnados imaginar o sacrifício relativo a que se expõem os desencarnados que sempre estão em contato com a Crosta...
Quando o contato é muito longo, sem indispensáveis intervalos de refazimento, o corpo espiritual, inclusive, pode ser afetado por doenças.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de outubro de 2018.
 


segunda-feira, 8 de outubro de 2018


XX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O capítulo IV do livro “Libertação” – “Numa Cidade Estranha” –, sem dúvida, é um dos mais interessantes e reveladores do livro, pois, na companhia de Gúbio e Elói, André Luiz visita a Dimensão das Trevas, que é uma Dimensão Subcrostal.
Chico Xavier dizia que quando tinha oportunidade de “enxergar” os diferentes Mundos, era como se ele “enxergasse” uma bola dentro de outra – uma bola de gude dentro de uma de beisebol, uma de beisebol dentro de uma de futebol de salão, uma bola de futebol de salão dentro de outra de futebol de campo, e, assim, sucessivamente.
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Estudando os livros de André Luiz – repetimos –, percebemos que ele leva o leitor a realizar uma “viagem no tempo” – quando, por exemplo, escreve “Nosso Lar”, ele conduz a mente do leitor ao futuro, mas quando escreve “Libertação”, conduz a mente do leitor ao passado... Claro que a referida “viagem no tempo” é realizada tomando a Terra como ponto de referência – a Terra é o tempo presente, onde o leitor das obras de André Luiz se encontra situado.
Inclusive, já tivemos oportunidade de afirmar, necessitamos de pluralizar o Mundo Espiritual – são Mundos Espirituais, sendo que a Terra não passa de ser mais um deles! Assim como o corpo físico nada mais é que um de nossos inúmeros corpos espirituais, ou perispíritos!...
Simples assim.
*
André relata: “Após a travessia de várias regiões ‘em descida’, com escalas por diversos postos e instituições socorristas, penetramos vasto domínio de sombras”.
A descrição que é feita a seguir nos transmite a impressão de que os três amigos – André, Gúbio e Elói – estão voltando à Terra da Idade Média – exceção feita à Natureza, que o autor espiritual fará questão de retratar com detalhes.
Esse “em descida”, colocado entre aspas, é muito interessante, porquanto, a rigor, quem saberá dizer o que fica em cima e o que ficam abaixo, o que fica a direita ou o que fica à esquerda... Mais uma vez, notemos um dos principais postulados da Física Quântica confirmado: o objeto observado depende do observador... Tal constatação do Mundo da Física vale, igualmente, para o Mundo Moral.
*
Descrevendo a paisagem desoladora com que eles se deparam, logo após atingirem a meta e “pisarem chão firme”, André registra:
“A claridade solar jazia diferenciada.
Fumo cinzento cobria o céu em toda a sua extensão.
A volitação fácil se fizera impossível.
A vegetação exibia aspecto sinistro e angustiado. As árvores não se vestiam de folhagem farta e os galhos, quase secos, davam a ideia de braços erguidos em súplicas dolorosas.”
Tentemos interpretar o texto acima: o Sol era o mesmo, porém quase encoberto por nuvens escuras – certamente, de acentuada poluição física (incêndios) e psíquica – das formas-pensamento que pairavam na psicosfera...
Natureza sofrida.
Com certeza, pouca água.
Entre espíritos sofredores, até a Natureza sofre.
Notemos, ainda, que, em quase tudo, a Dimensão é semelhante à da Crosta – Sol, vegetação, árvores, aves agoureiras, répteis (como haveremos de ver no próximo estudo)...
Um ambiente de desolação.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 8 de outubro de 2018.






segunda-feira, 1 de outubro de 2018


XIX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No diálogo que mantém com o Instrutor, Matilde considera: “... compete-me trabalhar muito e sem desanimo, com incessante aproveitamento das horas. Moverei as cordas da intercessão, mobilizarei meus amigos, rogarei a Jesus fortaleza e serenidade. Iniciaremos a liberação com o teu abnegado concurso na zona abismal.”.
Notemos que não há quem alguma coisa faça sozinho... Matilde, embora a sua elevação espiritual, a fim de lograr a libertação de Gregório, necessitaria mover “as cordas da intercessão”. Gúbio, inicialmente, socorreria a Margarida, que, no passado, fora sua filha e que se encontrava imantada ao verdugo. A dolorosa trama, sem dúvida, também envolvia a Gúbio afetivamente. Margarida, que se encontrava encarnada, vítima de insidiosa obsessão, havia sido sua filha, e Gúbio, ao que tudo indica, igualmente, tinha responsabilidade sobre os desvios de Gregório. O Instrutor não havia sido “escolhido” aleatoriamente para a tarefa da libertação daquele que, um dia, chefiara os destinos da Igreja de Roma.
*
Em resposta à solicitação de Matilde, Gúbio lhe diz: “Socorreste-me com a tua intercessão, amparando-me o zelo afetivo, perante as necessidades de Margarida. Um coração paternal é sempre venturoso, em se humilhando pelos filhos que ama. Sou simplesmente teu devedor, e, se Gregório me flagelasse nos círculos em que domina, semelhante aflição se converteria igualmente em júbilo, dentro de mim.”.
*
Quem realmente ama é capaz de empreender qualquer sacrifício em prol do coração amado.
Não há quem, de fato, consiga avançar, nas sendas da evolução, esquecendo entes amados na retaguarda.
Gúbio desceria até os limites do abismo – “atravessaria” a Dimensão da Crosta, chegando às Trevas, descendo, praticamente, até o limiar do Abismo.
*
Matilde, então, promete que, em momento aprazado, iria à determinada região, nos “campos de saída”, encontrar-se, pessoalmente, com Gregório. (“A expressão “campos de saída” define lugares-limites entre as esferas inferiores e superiores.” – Nota de André Luiz).
Entre as Dimensões diferentes existem vários “pontos de contato”, ou “portais magnéticos”, semelhantes às “passagens” às quais, modernamente, a Física denomina “buracos de minhoca”, que são considerados um “atalho” através do espaço e do tempo.
O termo “buraco de minhoca”, criado por um físico estadunidense, John A. Wheller, em 1957 – um século após o lançamento de “O Livro dos Espíritos” –, é antecipado por André Luiz, em 1949!...
*
Ainda materializada, Matilde considera, em despedida: “Seguir-te-ei a ação e aproximar-me-ei no instante oportuno. Creio na vitória do amor, logo resplandeça o minuto do reencontro. Nesse dia abençoado, Gregório e os companheiros que mais se afinarem com ele serão trazidos por nós a círculos regeneradores e, dessas esferas de reajustamento, conto reorganizar elementos ante o futuro promissor, sonhando em companhia dele as realizações que nos competem alcançar.”.
 A expedição socorrista, em direção às Trevas, estava prestes a partir, com Gúbio, Elói e André.
Não seria fácil a tarefa da “descida”, pois que os três deveriam promover o adensamento de seu próprio corpo espiritual, passando a viver na situação de “agêneres” por tempo mais ou menos longo – caso tal não acontecesse, eles não teriam condições ser “vistos” e “ouvidos” pelos espíritos daquela “cidade estranha”, e, consequentemente, de se entenderem com eles diretamente, através da palavra articulada.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 1 de outubro de 2018.




segunda-feira, 24 de setembro de 2018


XVIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo III, de “Libertação”, após descrever a materialização de Matilde, espírito domiciliado em Dimensões de transcendência, André descreve o diálogo que travado entre ela e Gúbio, que haveriam de se empenhar no resgate de Gregório.
Gregório, habitando uma Dimensão Subcrostal, denominada “Trevas”, despencara de grande altura, pois que, de Papa que houvera sido, segundo Matilde, passara a desempenhar “a detestável função de grande sacerdote em mistérios ocultos”, e chefiava “condenável falange de centenas de outros espíritos desditosos, cristalizados no mal...”.
Matilde ainda afirma que, por séculos, esperava pela renovação de Gregório.
Veja-se como, nas sendas da evolução, os espíritos, em certas circunstâncias, podem se afastar uns dos outros – alguns continuam “ganhando altura”, enquanto muitos se lançam a profundos desfiladeiros...
Não obstante, os espíritos que avançam prosseguem se sentindo no dever de estender as mãos àqueles da retaguarda, qual a Divina Exemplificação do Senhor, que não hesitou em tomar corpo na Terra para socorrer as desgarradas ovelhas de Seu rebanho.
*
Matilde, em conversa com Gúbio, esclarece a respeito de Gregório: “Há cinquenta anos, porém, já consigo aproximar-me dele, mentalmente. Recalcitrante e duro, a princípio, Gregório agora experimenta algum tédio, o que constitui uma bênção nos corações infiéis ao Senhor.”.
É da Lei Divina que os espíritos, por mais empedernidos, se “cansem” do mal, porque contrário à sua natureza... À espera desse “momento psicológico”, os Espíritos Benfeitores que os espreitam à distância, agem com presteza. Em respeito ao seu livre arbítrio, deixam-nos com as suas decisões e escolhas, mas, ao seu mais leve desejo de renovação, eles se apresentam, e, então, organizam missões de resgate como as que André Luiz descreve em “Libertação”.
*
Lindas e profundas estas palavras de Matilde: “Irmão Gúbio, perdoa-me o pranto que não significa mágoa ou esmorecimento... Na pauta do julgamento humano comum, meu filho espiritual será talvez um monstro... Para mim, contudo, é a joia primorosa do coração ansioso e enternecido. Penso nele qual se houvera perdido a pérola mais linda num mar de lama e tremo de alegria ao considerar que vou reencontrá-lo... Não é paixão doentia que vibra em minhas palavras. É o amor que o Senhor acendeu em nós, desde o princípio. Estamos presos, diante de Deus, pelo magnetismo divino, tanto quanto as estrelas que se imantam umas às outras, no império universal.”.
Não olvidemos, nas palavras de Matilde, que até os “monstros” têm mães... Sim, o que seria de nós outros, espíritos recalcitrantes no mal, sem o amor de nossas mães, que a tudo renunciam para aconchegar-nos ao seu peito?!...
*
Gúbio, simplesmente responde: “Nobre Matilde! estamos prontos. Dita ordens! Por mais que fizéssemos por tua alegria, nosso esforço seria pobre e pequenino, diante dos sacrifícios em que te empenhas por nós todos.”.
Matilde se fizera Benfeitora de muitos, e, agora, solicitava a alguns deles que a auxiliassem na libertação do espírito pelo qual se sentia responsável – Gregório!
Para obtermos intercessão em favor dos que amamos, carecemos de interceder em benefício daqueles que são amados por outros.
*
Em seguida, Matilde anuncia a sua volta ao corpo para breve, principalmente com o intuito de receber Gregório na condição de filho... Ela ainda esclarece que Gregório, com o passar do tempo, haveria de receber muitos daqueles que integravam as falanges do mal sob o seu comando. Certamente, haveria de permanecer à frente de alguma Instituição assistencial de amparo aos mais desvalidos.
Notemos assim que, na maioria das vezes, fazer o Bem não é uma missão, mas um resgate.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 24 de setembro de 2018.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018


XVII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No desdobramento do capítulo III – “Entendimento” –, André Luiz nos traz impressionantes revelações, qual, por exemplo, a materialização de espíritos no Plano Espiritual (destacamos). Realmente, apenas semelhante detalhe faz uma enorme diferença, de vez que, por dedução, podemos concluir que o Mundo Espiritual é constituído por múltiplas Dimensões, e que os espíritos desencarnados, habitantes do Plano imediato à Crosta Terrestre, também estão rodeados por uma “população” invisível aos seus sentidos.
Os mais diversos Planos Espirituais, ou Planetas Espirituais, se interpenetram, ou, caso prefiram, conectam-se, com a matéria mais rarefeita de uns permeando a matéria mais concreta de outros.
André narra, com minúcias, uma sessão de materialização ocorrida em “gracioso templo” do Mundo Espiritual, com a presença de “doadores de fluidos”, ou seja, de médiuns de ectoplasmia – sim, de ectoplasmia no Além!...
*
Permitam-nos a indagação: o fenômeno de ectoplasmia no Mundo Espiritual, ou de materialização temporária de espíritos habitantes de superior Dimensão, não lhes parece endossar a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual?! Se os espíritos, habitantes de Dimensão Mais Alta, para fazerem-se perceber nas Dimensões Espirituais inferiores, carecem de se materializar temporariamente, não careceriam de reencarnar, caso “descessem” para a execução de uma tarefa que nelas lhes exigisse um tempo de permanência mais longo?!...
*
A narrativa de André Luiz não deixa margem a qualquer dúvida: “Os doadores de energia radiante, médiuns de materialização em nosso plano, se alinhavam, não longe, em número de vinte.”
Em seguida, ele descreve a liberação do ectoplasma e a materialização do espírito de uma mulher: “Esbranquiçada nuvem de substância leitosa-brilhante adensa-se em derredor e, pouco a pouco, desse bloco de neve translúcida, emerge a figura viva e respeitável de veneranda mulher.”
Voltamos a insistir: como os espíritas estudiosos podem aceitar o fenômeno da materialização no Mundo Espiritual descrito por André Luiz, e negar a reencarnação no Mundo Espiritual, quando, conforme sabemos, a reencarnação nada mais é que uma materialização do espírito sobre a Terra, em tempo de maior duração?!...
*
Após a materialização da referida senhora que viera de encontro a duas filhas, encorajando-as nas lutas da evolução, André começa a narrar a materialização de Matilde, mãe de Gregório, personagens centrais do livro “Libertação”.
Matilde dirigindo-se, particularmente, a Gúbio, lhe diz: “Irmão Gúbio, agradeço-te o concurso dadivoso. Creio haver chegado, efetivamente, o instante de aceitar-te a ajuda fraterna, em favor da libertação de meu infortunado Gregório. Espero, há séculos, pela renovação e penitência dele.”
Quantas lições preciosas! Sim, por vezes, necessitamos de esperar séculos pela oportunidade de aproximação daqueles que mais amamos, com o intuito de libertá-los... Gregório havia sido o Papa Gregório IX, nascido em 1145, em Anagni, Itália. Chamava-se, então, Ugolino Conti. Fora ele o organizador da Inquisição Pontifícia, e, por ironia, um grande admirador de Francisco de Assis, que ele próprio canonizara dois anos após a desencarnação do Poverello.
Quanto se desviara!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de setembro de 2018.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018


XVI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo III – “Entendimento” –, André Luiz manifesta surpresa com as expedições socorristas que, muitas vezes, os espíritos mais esclarecidos organizam para atender aos encarnados, como também aos desencarnados que vibram noutra faixa mental.
Em suas palavras elucidativas, Gúbio explica:
“Somos todos, eles e nós, corações imantados uns aos outros, na forja de benditas experiências. No romance evolutivo e redentor da Humanidade, cada espírito possui capítulo especial.”
As ponderações do Instrutor nos levam a deduzir que o amparo mútuo é imprescindível à Evolução, e isto porque, simplesmente, ninguém prescinde do outro para evoluir – o outro, ou o próximo, é o nosso caminho para Deus!
Vivendo em regime de interdependência, não cuidar das necessidades alheias é expor-nos aos desastres que podem arrasar a vida dos semelhantes – quem não apaga o incêndio na casa do vizinho terá a sua casa consumida pelo fogo. Não é assim?!
Estamos empenhados num processo de evolução coletiva... Jesus Cristo, ao se corporificar na Terra, veio trabalhar pela condução das ovelhas tresmalhadas, mas também, certamente, para reafirmar-se, cada vez mais, na condição de Pastor do rebanho que o Criador Lhe confiou à tutela.
Amparar aos semelhantes, pois, é uma questão de inteligência, e de necessidade mútua.
As células, a fim de combaterem uma infecção que lhes ameaça a sobrevivência, saem de uma extremidade a outra do corpo, pois que têm interesse em preservar a integridade do organismo.
Não estamos, certamente, desconsiderando o Amor, que os espíritos lograrão em superior estágio evolutivo, mas, enquanto não nos deixamos mover pelo sentimento de Amor pelo próximo, pelo menos, devemos nos deixar levar pela inteligência.
*
Gúbio pondera:
“Os perigos que nos ameaçam os entes amados de agora ou de épocas que o tempo consumiu, desde muito, não nos deixam impassíveis. Os homens não se acham sozinhos na estreita senda de provas salutares em que se confinam. A responsabilidade pelo aperfeiçoamento do mundo compete-nos a todos.”
Infelizmente, é isto que o homem ainda não compreendeu... A melhor maneira de se preservar a espécie não é através da reprodução, mas, sim, dos cuidados àqueles que nascem, favorecendo-os com melhor qualidade de vida.
As nações egoístas estão navegando numa embarcação sujeita a naufrágio... Assim como se enfatiza a questão do equilíbrio ecológico, sem harmonia moral, com os povos vivendo em regime de solidariedade, um conflito é sempre arrasador, inclusive, para quem nele supostamente triunfa.
*
Reflitamos nos apontamentos do Instrutor:
“Em virtude do enigma de obsessão que nos propomos resolver, somos levados a buscar todas as personalidades que compõem o quadro de serviço. Perseguidores e perseguidos entrelaçam-se, em cada processo de auxílio, em grande expressão numérica. Cada espírito é um elo importante em extensa região da corrente humana.”
E como veremos no decorrer de nossas reflexões sobre o livro “Libertação”, quase sempre, para atender às carências de quem nos é caro, necessitamos de atender às necessidades de outros que, praticamente, nos são desconhecidos, e com os quais não temos maior afinidade.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 10 de setembro de 2018.




segunda-feira, 3 de setembro de 2018


XV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Encerrando o segundo capítulo, de excelente conteúdo revelador, Gúbio acrescenta às suas considerações:
“Formam associações (os desencarnados pouco esclarecidos) enormes e compactas, com base nas emanações da Crosta do Mundo, onde milhões de homens e mulheres lhes sustentam as exigências mais baixas: fazem vida coletiva provisória à força de sugarem as energias da residência dos irmãos encarnados, qual se fossem extensa colônia de criminosos, vivendo a expensas de generoso rebanho bovino.”
Notemos que o Instrutor, do ponto de vista espiritual, compara parte da Humanidade, pela inconsciência em que vive, a um “rebanho bovino”, que, quando não convenientemente vacinado, tem as suas energias sugadas por inúmeras colônias de parasitas...
Cremos, assim, que os homens, em geral, ignoram a grande proximidade em que podem estar vivendo com os desencarnados, que os vampirizam, em processo obsessivo que podemos considerar “pacífico”, porém, não menos prejudicial à economia psíquica de quem esteja encarnado.
Milhares de espíritos, ao deixarem o corpo físico, procuram continuar tendo apoio nos encarnados mais próximos, e, muitas vezes, sequer chegam a se ausentar do ambiente familiar, organizando uma vida paralela que, em quase tudo, é reflexo da vida que foram forçados a deixar.
*
Entre encarnados e desencarnados, pode, assim, estabelecer-se um “círculo vicioso”, com alternâncias na carne e fora da carne, até que um dos integrantes do grupo consiga romper o “círculo” e, então, passe a trabalhar pela libertação dos demais.
*
Gúbio aduz, com sabedoria:
“Se o perseguidor invisível aos olhos terrestres erige agrupamentos para culto sistemático à revolta e ao egoísmo, o homem encarnado, senhor de valiosos patrimônios de conhecimento santificante, garante-lhe a obra nefasta pela fuga constante às obrigações divinas de cooperador de Deus, no plano de serviço em que se localiza, alimentando ruinosa aliança.”
E, quase, concluindo:
“Há milhões de almas humanas que se não afastaram, ainda, da Crosta Terrestre, há mais de dez mil anos. Morrem no corpo denso e renascem nele, qual acontece às árvores que brotam sempre, profundamente arraigadas ao solo.”
Triste assim, sem dúvida, a situação do espírito humano na Terra, na atualidade.
O conhecimento espírita, mas, sobretudo, quando aliado à vivência do Evangelho Libertador, pode concorrer para que o espírito se emancipe de semelhantes grilhões – pesado cativeiro espiritual que quase o impede de avançar, ou que lhe possibilita avançar muito lentamente, como se fosse um molusco gastrópode, ou, em outras palavras, uma “lesma”...
*
O Instrutor terminando, fala, então, a respeito, muitas vezes, da necessidade da guerra que atinge os Dois Planos, a fim de que os espíritos se “desalojem” da situação em que estacionam... E, junto à situação de guerra, podemos ainda citar as causas variadas que induzem os espíritos a imigrarem – qual, nos dias que correm, tem acontecido com os “refugiados”, ou com os que atravessem as fronteiras dos países em busca de uma vida melhor alhures...
Lamentável, sob todos os aspectos, um mundo no qual a guerra ainda se faz um escândalo necessário, e, com ela, as perseguições a determinados grupos étnicos, religiosos, etc.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de setembro de 2018.




segunda-feira, 27 de agosto de 2018


XIV – REFLEXÕS SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, prosseguindo a discorrer sobre o processo da Evolução, considera:
“Educação para a eternidade não se circunscreve à ilustração superficial de que um homem comum se reveste, sentando-se, por alguns anos, num banco de universidade – é obra de paciência nos séculos.”
Realmente, a Evolução do espírito, com a fixação definitiva de valores ético-intelectuais, é trabalho para os séculos, e não realizado apenas sobre a Terra. Não podemos nos iludir com conquistas espirituais aparentemente efetuadas. O espírito há de ser testado de todas as maneiras – assim como, ao ser levado ao cadinho esfogueante, o aço deve sofrer sob o capricho do martelo, que, a pouco e pouco, lhe confere forma e consistência.
Muitas vezes – e muitas vezes –, o espírito reencarna em meio completamente inóspito, a fim de que tenha oportunidade de desenvolver certas qualidades, que, de outra maneira, não desenvolveria.
Muitos espíritos – é bom que se saiba – reencarnam de maneira completamente aleatória, ou seja, “aproveitando” o primeiro corpo ao qual consigam se ajustar – nada, porém, que não seja referendado pela Lei de Causa e Efeito, porque semelhante Lei, sobretudo, é de educação, e o espírito, onde estiver, caso o queira, consegue aprender sempre.
Poucos são os espíritos que podem “escolher” onde reencarnar, como reencarnar e junto a quem reencarnar – não é assim que funciona.
Daí a necessidade de angariarmos méritos, para que tais méritos, quanto possível, nos “advoguem” a causa, mesmo quando estejamos nós outros em estado de inconsciência.
Alguns espíritos, ou muitos, ou centenas, ou milhares, assim que deixam o corpo carnal, permanecem na orbita das mentes encarnadas, volitando na psicosfera do planeta, e, sem que se deem conta, são “atraídos” para um novo corpo em formação – e, não raro, pode ser corpo masculino, ou feminino, descendendo dessa ou daquela raça.
*
Gúbio, continuando a preciosa peroração, acrescenta:
“Para quem anestesiou as faculdades no prazer fugitivo, a separação da carne geralmente constitui acesso a doloroso estágio na incompreensão.”
Na incompreensão de tudo, mas, principalmente, da Vida que continua...
Para milhares de espíritos, o único ponto de referência é, e, durante muito tempo, continuará sendo a Terra.
Gúbio ainda fala do perigo que pode representar viver no Mundo Espiritual sem qualquer respaldo de lucidez e/ou de ordem moral, pois, os que não os possuem, podem cair nas mãos de “loucos perigosos” – quantas crianças e adolescentes caem, na Terra, nas mãos de “loucos perigosos”, que os viciam, corrompem, escravizam, etc?!
“Loucos perigosos, por voluntários, dirigidos por inteligências soberanas, especializadas em dominação, constituem hordas terríveis que, a bem dizer, vigiam as saídas das esferas inferiores em todas as direções.”
E, ante o espanto de André Luiz, elucida:
 “... o Senhor do Universo aperfeiçoa o caráter dos filhos transviados de Sua Casa, usando corações endurecidos, temporariamente, afastados de Sua Obra. Nem sempre o melhor juiz pode ser o homem mais doce.”
*
Reencarnar, portanto, para milhares de espíritos continua sendo quase uma “aventura”, na qual o espírito, com a finalidade de acordar, se arrisca na carne.
Dentro, porém, da situação a que se veja conduzido, o espírito deve procurar fazer o melhor, pois, é com base nesse melhor realizado que, a pouco e pouco, ele logrará a posse de si mesmo – posse que, infelizmente, poucos espíritos já conquistaram.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 27 de agosto de 2018



segunda-feira, 20 de agosto de 2018


XIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, DE ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, codinome de alto Instrutor da Vida Espiritual, ainda esclarece:
“Nossa mente é uma entidade colocada entre forças inferiores e superiores, com objetivos de aperfeiçoamento.
(...) O espírito encarnado sofre a influenciação inferior, através das regiões em que se situam o sexo e o estômago e recebe os estímulos superiores, ainda mesmo procedentes de almas não sublimadas, através do coração e do cérebro”.
Notemos que o ser encarnado, quanto o desencarnado, que ainda não alcançou patamares evolutivos mais altos, vive, no presente, entre o passado e o futuro – o hoje vive entre o ontem e o amanhã.
Através dos “chakras”, ou “centros de força”, considerados inferiores, o Básico e o Esplênico, e os superiores, o Coronário, o Frontal e o Cardíaco, o homem, ou seja, o espírito se divide entre apelos que o “puxam para baixo”, e outros que o “puxam para cima”...
Imaginemos uma árvore que, pela sua raiz fincada no solo, recebe influencias do centro da Terra, e pela sua copa, lançada às alturas, recebe influencias do Cosmos – do magma que é sinônimo de morte, e da claridade solar que se traduz em vida.
*
Afirma Gúbio, estendendo o seu raciocínio:
“Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se no caminho que deseja.”
Eis a questão do livre arbítrio, que vai se acentuando quanto mais o espírito cresce, para, depois, anular-se completamente, com a sua vontade se submetendo à Vontade do Criador.
Jesus ensinava: “Não busco a minha vontade, mas a Vontade do Pai que me enviou”.
Sob a ação do Determinismo, acatado inconscientemente, o ser evolui, adquire o livre arbítrio, que vai se desenvolvendo, para, posteriormente, voltar a ser Determinismo, mas com lucidez.
*
Anotamos, assim, que, no uso de seu livre arbítrio, o ser pode levar indefinido tempo no processo de sua maturação psíquica. Metaforicamente, ele pode ficar vagando entre os seus “chakras” inferiores e superiores, por vezes, estacionando por séculos no “Laríngeo”, quando o homem costuma ser mais “garganta”, ou seja, mais palavra que ação – ou se refestelando no “Solar”, como alguém que vai a praia apenas para expor-se ao Sol, e não para refletir na transcendência do mar.
*
Gúbio, continuando a ponderar, elucida com sabedoria:
“Atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente”.
Para que elas se modifiquem, ou comecem a se modificar, muitas vezes, necessitam do concurso da dor...
Assim como a paisagem terrestre, que não se modifica sem que sofra a ação de fortes “sacudidas”, o espírito para se transformar carece de experimentar “terremotos” em seu mundo íntimo, no soterramento de seus egos...
É quando, então, o sofrimento surge para cumprir com a sua parte no processo da Criação Divina – somente o sofrimento pode “desalojar” o espírito do comodismo em que ele estaciona, com os seus equívocos e ilusões.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de agosto de 2018.




segunda-feira, 13 de agosto de 2018


XII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

A explanação de Gúbio, no segundo capítulo de “Libertação”, é repleta de informações as mais significativas.
Agora, daremos destaque ao poder da vontade, inclusive, sobre o mundo microscópico, ou seja, sobre o organismo físico, que abriga milhões de células, que não passam de seres sob o comando de quem o enverga.
Esclarece o Instrutor:
“Dirija um homem a sua vontade para a ideia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo, com todas as características dos moldes estruturados pelo pensamento enfermiço, porque a sugestão mental positiva determina a sintonia e receptividade da região orgânica, em conexão com o impulso havido, e as entidades microbianas, que vivem e se reproduzem no campo mental dos milhões de pessoas que as entretêm, acorrerão em massa, absorvidas pelas células que as atraem, em obediência às ordens interiores, reiteradamente idealizada”.
Notemos que a questão da “obsessão” é muito mais complexa do que, habitualmente, se imagina. A auto-obsessão quando o homem pensa sistematicamente em doença costuma ser avassaladora para a saúde. Notemos que até as células estão sujeitas a serem “vampirizadas” por “entidades microbianas”... Não apenas os seres inteligentes podem ser obsidiados pelos seres inteligentes, estando ou não no corpo físico. Segundo Gúbio: “Existem princípios, forças e leis no universo minúsculo, tanto quanto no universo macroscópico”.
Percebamos, assim, a importância do otimismo, do pensamento buscando sintonia com as ideias elevadas. O homem, igualmente, pode cometer suicídio indireto, acalentando emoções enfermiças, porque, então, fazendo cair a sua resistência, permite que o seu organismo físico seja invadido por seres microscópicos que lhe comprometem a integridade.
Adiante, acrescenta o Instrutor:
“... o doente que se compraz na aceitação e no elogio da própria decadência acaba na posição de excelente incubador de bactérias e sintomas mórbidos, enquanto que o espírito em reajustamento, quando reage, valoroso, contra o mal, ainda mesmo que benéfico e merecido, encontra imensos recursos de concentrar-se no bem, integrando-se na corrente da vida vitoriosa”.
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O paralelo traçado por Gúbio é interessantíssimo e revelador, e continua valendo mesmo para o espírito desencarnado, de vez que também nós, os considerados mortos, ainda trajamos uma veste constituída por seres que prosseguem evoluindo em nosso próprio corpo espiritual – para tais seres, cada um de nós outros representa o “criador”, ou o “deus”, em cujo seio, no dizer de Paulo, o Apóstolo (“Atos”, 17:28), eles vivem, existem e se movem, estando a caminho da “individualização” e da “consciência”, assim como, há milênios, logramos alcançar a racionalidade.
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Notemos, ainda, que a questão da “coexistência”, em todos os Planos de Vida, é Lei – a “coexistência” entre luz e sombra, de vez que a sombra, impulsionando a luz a ser mais luz, ela mesma termina por se transfigurar em luz.
A sombra, portanto, não passa de luz temporariamente eclipsada, pois que, na Criação Divina, tudo é luz.
A noite incentiva os dias a serem mais longos...
O mal induz o bem a ser o Bem em plenitude...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de agosto de 2018.