domingo, 13 de agosto de 2017

10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP.

Agora, no próximo final de semana, nos dias 19 e 20, estará sendo realizado em São José dos Campos, o 10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, iniciativa, sem dúvida, das mais louváveis, que, há dez anos, foi começada na cidade de Uberaba, Minas Gerais.
Vale ressaltar, e com letras em maiúsculo, que O ENCONTRO SERÁ TOTALMENTE GRATUITO, com os irmãos e irmãs de Ideal de São José dos Campos, e vizinhanças, no Estado de São Paulo, arcando com as despesas que um conclave dessa natureza proporciona – embora, saibamos, nunca existe real necessidade de se provocar gastos além das possibilidades dos colaboradores de cada uma das cidades-sede.
Quando do I ENCONTRO, realizado em Uberaba, as críticas, partindo de alguns integrantes do próprio Movimento Espírita choveram, na tentativa de fazer com que a ideia morresse em seu próprio berço. Essas vozes dissonantes calaram-se, ou baixaram o tom, e o ENCONTRO continuou, como haverá de continuar enquanto, naturalmente, tal for possível aos seus organizadores. Nesse ínterim, inclusive, o ENCONTRO foi realizado em Portugal, na cidade de Lisboa, com a presença de grande público.
O objetivo do ENCONTRO, como se sabe, é o que colocar em destaque a OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER como complemento da OBRA KARDECIANA, ainda enfocando os exemplos que o inesquecível MÉDIUM sempre nos transmitiu na VIVÊNCIA da Doutrina.
Infelizmente, porém, temos constatado que, em outros setores, o interesse pessoal, visando ganho financeiro, vem imperando no Movimento Espírita, sob o olhar muito complacente dos espíritas que, com as exceções de praxe, se posicionam “em cima do muro”, fazendo vistas grossas para o que, em verdade, envergonha e enlameia o nosso Movimento.
Parece que o mercantilismo, entre médiuns e oradores menos vigilantes e comprometidos com o amor à Causa, vem se generalizando cada vez mais, sob o pretexto de se gerar divisas para obras assistenciais, que, pelo arrecadado em uma só noite, ou em um só final de semana, devem ter uma despesa astronômica, e que deveriam, a nosso ver, serem submetidas a uma operação semelhante à da “LAVA-JATO”.
A verdade é que a gleba do Movimento Espírita encontra-se repleto de joio, semeado entre trigo. O que é não é novidade, visto que o próprio Cristo nos advertira a respeito, em Mateus, 13, 24-30.
A MENSAGEM ESPÍRITA NÃO DEVE SER VENDIDA PARA SUSTENTAR OBRAS DE CARIDADE, PORQUE A MENSAGEM ESPÍRITA, EM SI, É A MAIOR CARIDADE QUE PODE SER PRATICADA.
Somos de opinião que, entre se vender a Mensagem Espírita, em Congressos, Simpósios, Seminários, Encontros, etc, com o fito de se manter obras ditas de Caridade, e não manter essas mesmas obras, melhor é que elas não sejam levadas adiante.
Neste sentido, gostaríamos de apelar aos irmãos e irmãs de Ideal para que não apoiem e não compareçam a EVENTOS ESPÍRITAS PAGOS – e, não raro, regiamente pagos! –, QUE NÃO OS PRESTIGIASSEM E NEM OS PROMOVESSEM, porque a sua simples presença será um endosso a esse crime que está a se cometer contra o ESPIRITISMO.
Mesmo no que tange às OBRAS ESPÍRITAS, necessário se torna que, economicamente, elas se tornem de mais fácil acesso ao bolso dos que por elas se interessem, evitando-se os preços exorbitantes, que, por vezes, proporcionam, em cada título, um ganho de até 500%.
Não participem, pois, de PALESTRAS PAGAS – seja o espetáculo qual for: de cura, de pintura mediúnica, de psicografia, de oratória, etc. Esses tais não merecem ser vistos e, tampouco, ouvidos.
Portanto, aproveitamos aqui o ensejo para convidá-los a comparecerem nos próximos dias 19 e 20 de Agosto, em São José dos Campos, para o 10º ENCONTRO NACIONAL DOS AMIGOS DE JESUS CRISTO COM CHICO XAVIER E SUA OBRA, provando, há 10 anos, que, com um pouco de desapego e ideal, é-se possível continuar DANDO DE GRAÇA O QUE DE GRAÇA SE RECEBE.
Deus abençoe o nosso ENCONTRO, ao qual, sim, compareceremos com os Amigos de Jesus e de Chico Xavier que mourejam fora do corpo carnal, agradecendo, de nossa parte, aos espíritas de São José dos Campos pelo amor com que organizam o Evento.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de Agosto de 2017.



 





sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AOS COMENTARISTAS DO BLOG DO DR. INÁCIO FERREIRA

Solicitamos a compreensão de todos, mas, doravante, por motivos óbvios, os comentários anônimos ao Blog semanal do Dr. Inácio Ferreira, não serão mais publicados.
Certos da compreensão de todos os amigos internautas, rogamos a Jesus que a todos nos abençoe e guarde.

Uberaba, 11 de agosto de 2017.



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA – XX

No capítulo 28, de “Nosso Lar”, ainda colhemos precioso apontamento em torno da questão do tempo, ou do fuso horário, além da morte, nas Esferas mais próximas da Crosta. Você, porventura, já teria tido oportunidade de pensar em semelhante questão?!
Ao despedir-se de André Luiz, que, junto a Narcisa, havia se oferecido para dar plantão à noite, nas “Câmaras de Retificação”, Tobias lhes diz: “Desejo a vocês muita paz de Jesus, boa noite e serviço útil. Amanhã, às oito horas (grifamos), você poderá descansar. O máximo de trabalho, cada dia, é de doze horas, mas estamos em circunstâncias especiais.” Desta simples frase, você, amigo (a) internauta, poderá tirar muitas deduções, como, por exemplo, em “Nosso Lar”, cidade situada no “Umbral Fino”, o dia ser, igualmente, de vinte e quatro horas. Concorda?! Se não concordar, é simples: propõe uma teoria! Não faça como os críticos estéreis que se limitam a discordar e... pronto! – imaginam estar prestando um grande serviço à Doutrina! Eu não vou fazer isso, mas quase que os chamo de teólogos “dermatologistas”! Não, eu não posso fazer isso, e, como não posso fazer isso, por clara ofensa aos meus colegas “dermatologistas”, chamá-los-ei apenas e tão somente de rasos de entendimento. – Um espírito de elevada estirpe, igual do Dr. Inácio Ferreira, servindo-se de uma linguagem tão provocativa?! – eis que os imagino dizendo. Agradeço-lhes a consideração ao meu nome, mas, principalmente agora, desencarnado, eu me sinto muito longe de tal condição espiritual.
Ainda nos interessando a questão do tempo no Planeta Espiritual, que “abraça” a Crosta, Narcisa, dedicada enfermeira, esclarece a André: “... permaneço nas ‘Câmaras de Retificação’, em serviço ativo, há seis anos e alguns meses; entretanto, ainda me faltam mais de três anos para realizar meus desejos.” Outra lógica constatação: no Umbral, seja Grosso ou Fino, o ano é de doze meses! Será que o correr no tempo, no Planeta Espiritual, também não faz com que as coisas envelheçam?! O que vocês acham?! Não é dedução plausível?! Ora, André Luiz, no primeiro parágrafo do primeiro capítulo da Obra em análise, escreve: “Eu guardava a impressão de haver perdido a ideia de tempo. A noção de espaço esvaíra-se-me de há muito.” Tratava-se, evidentemente, de mera impressão, ou de fenômeno mental imediato que acomete o espírito em seu desenlace do corpo. Assemelha-se, em muitos casos, a alguém que, ao sair de um estado comatoso, necessita ser informado a respeito do quadro da existência física para a qual volta a despertar. Digamos que, em muitos desenlaces do corpo, o espírito pode ser acometido por transitório processo de Alzheimer...
Mas, gostaríamos de insistir, perguntando: se o tempo continua a passar na Dimensão Espiritual, a criança que lá se encontra domiciliada pode crescer, o jovem pode envelhecer e o idoso, “morrer”?! Eu perguntei primeiro – portanto, vocês é que devem responder. Estou, contudo, muito interessado nas respostas dos ortodoxos. Será que me dariam a honra dessa contradança doutrinária?!...
Narcisa, continuando a dialogar com André Luiz, elucida ao ilustre cientista, Dr. Carlos Chagas, que a Ministra Veneranda, a fim de lhe dispensar determinado endosso à futura existência na Terra, “exigiu-lhe” “dez anos consecutivos” de trabalho nas “Câmaras”! Não foi um pedido, ou um aconselhamento, mas, sim, uma exigência! Narcisa afirmou que, no primeiro instante, quis recusar, mas, depois, reconheceu que a Ministra estava com a razão. Claro que estava com a razão, pois determinadas concessões a quem não sabe o que fazer com elas é extremamente contraproducente, e, em vez de ser um benefício, podem ser prejudiciais àqueles que as recebem, pelo natural agravamento da responsabilidade.
Em nosso próximo post analisaremos o capítulo 29 – “A Visão de Francisco”, porque, agora, Narcisa estava sendo chamada ao “aparelho de comunicações urbanas”! – “Aparelho de comunicações urbanas”?! Podemos, então, pensar em “aparelho de comunicações interurbanas” no Além?! Que acham?! Que espíritos atrasados, que não conseguiam se comunicar pela telepatia?! Ora, que coisa! Vocês não acham, queridos (as) amigos (as)?! Espírito saiu do corpo que seja já tem que sair volitando e “telepatando”, ou não?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 7 de agosto de 2017. 






segunda-feira, 31 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XIX
 
Nas obras de André Luiz, pelas lavra de Chico Xavier, especialmente em “Nosso Lar”, existem detalhes que necessitam ser mais bem apreciados pelos estudiosos da Vida além da morte – detalhes de suma importância para uma compreensão mais ampla do Planeta Espiritual, que chamamos de Verdadeira Pátria, mas que ainda está longe de nos ser a Moradia Ideal.
No capítulo 28 – “Em Serviço” –, André Luiz, logo no terceiro parágrafo informa que Tobias, ligando o “receptor”, entrou em contato com “os Samaritanos em atividade no Umbral”“Estabelecido o contato elétrico, o pequenino aparelho, sob os meus olhos, começou a transmitir o recado...” Vejamos que a energia de natureza “elétrica” continua tendo o seu lugar no Mundo Espiritual, e, certamente, toda e qualquer espécie de energia, inclusive ainda desconhecidas dos homens na Terra.
“aparelho”, sem dúvida, deveria ser um transmissor e receptor de voz, precursor da telefonia celular. Tais aparelhos, muito utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram nos anos 40 – a obra de André Luiz é de 1943, porém, relatando episódios de 1938. Durante a denominada Primeira Grande Guerra (1914-1918), o meio de comunicação mais comum era o pombo-correio. Vejamos que salto gigantesco! 
Adiante, no capítulo 28, o Grupo dos “Samaritanos” informa que haviam logrado sequestrar às trevas espirituais “vinte e nove irmãos” – o verbo “sequestrar” nos leva a inferir que eles estivessem sendo mantidos prisioneiros. Estranhando o fato, André Luiz questiona: “- Como assim? Porque esse transporte em massa? Não são todos espíritos?” A que se devia a estranheza de André Luiz?! Por que motivo os vinte e nove se encontravam retidos nas zonas mais obscuras do Umbral?! Por que não tiveram condições de seguir adiante, alcançando, por exemplo, as portas de “Nosso Lar”?! E mais: a Segunda Grande Guerra, conforme se sabe se desenvolveu mais nos campos da Europa – ora, “Nosso Lar”, localizada nos céus do Brasil, que, geograficamente, se manteve muito afastado do palco das lutas, enviou missões socorristas ao mundo europeu. Seriam vítimas pertencentes à “Força Expedicionária Brasileira”?!
Respondendo a André, Tobias lembra-lhe que ele mesmo não havia chegado a “Nosso Lar” de outro modo, ou seja: André havia sido “sequestrado” às regiões umbralinas, de onde fora transportado com o auxílio de uma maca. E explica: “... a Natureza não dá saltos, e que, na Terra, ou nos círculos do Umbral, estamos revestidos de fluidos pesadíssimos. São aves e têm asas, tanto o avestruz como a andorinha; entretanto, o primeiro apenas subirá às alturas se transportado, enquanto a segunda corta, célere, as vastas regiões do céu.” A Lei Gravitacional também funciona para os corpos espirituais?! Será a “Gravidade” que impede que os espíritos, após o seu desenlace do corpo carnal, atinjam as Esferas Superiores, demorando-se ao redor da Terra?! São questões que, fraternalmente, enviamos aos nossos internautas. O que vocês acham?! Como interpretam?!
Interessante, ainda, é que Tobias, conversando com Narcisa, lamentou o reduzido número de atendentes no Hospital para assistir, ao mesmo tempo, tantas vítimas – aqui, no Mais Além, em determinados setores de atividades espirituais, igualmente, é pequeno o número de companheiros dispostos a colaborar. Com o Cristo, continuamos a rogar ao Senhor da seara por maior número de trabalhadores: “A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara.” (Mateus, cap. 9 – vv. 37 e 38). Com o propósito de colaborar, André Luiz, então, ofereceu-se para permanecer de plantão! O seu esforço, ao lado de Narcisa e alguns outros, foi tamanho naquela noite que lhe ocasionou a “fadiga dos braços”... Então, meu caro internauta, os móveis e utensílios outros não foram movimentados por eles valendo-se do poder da mente?! O perispírito, ou corpo espiritual, é suscetível de experimentar cansaço?! – desgaste pelo esforço físico despendido?!...
Sinceramente, eu não sei se alguns espíritas andam mesmo lendo e refletindo sobre o livro “Nosso Lar”! O que vocês me dizem?! Estão lendo e não estão estendendo, ou estão lendo, entendendo e silenciando por não concordarem, ou por conveniência?!...
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 31 de julho de 2017.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA – XVIII

No desdobramento do capítulo 27, de “Nosso Lar”, ensinamentos valiosíssimos são transmitidos por André Luiz a todos os que desejam se iniciar, seriamente, nos assuntos da Vida além da morte do corpo carnal.
Antes, porém, retrocedendo ao capítulo 10 – “No Bosque das Águas”, estimaríamos formular breve comentário, que, não raro, nos passa imperceptível – mesmo a nós que, na situação de desencarnados, nos propomos a estudar Obra tão substanciosa.
André Luiz, quando encarnado, fora o grande cientista Dr. Carlos Chagas, que, certamente, desfrutava de uma condição social consentânea com a sua formação acadêmica – estudou em boas escolas, residia em casa confortável, ainda dispunha ele de meio de transporte próprio, diversos cooperadores sob as suas ordens, e, embora vivesse rodeado por doentes, médico humanitário que fora, os de sua mais estreita convivência pertenciam à classe mais privilegiada de então.
O Dr. Carlos Chagas, por contingências de sua posição, mesmo que o quisesse ser, não era mais um na multidão – era o mestre de Medicina, tratado com deferência, Doutor Honoris Causa da Universidade de Harvard e Universidade de Paris, detentor de muitos outros títulos de que se fizera merecedor.
Pois bem. Ao desencarnar, o Dr. Carlos Chagas, que é o nosso André Luiz, viu-se sendo mais um na multidão – mais um entre os milhares de desencarnados que, na década de 30 e 40, residiam em “Nosso Lar”, e se punham a esperar o transporte coletivo – o “Aeróbus”!
Interessante, não?!
O fato nos faz recordar a mensagem que Allan Kardec fez questão de inserir logo no segundo capítulo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, transmitida por “Uma Rainha de França”, em Havre, em 1863: “Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Quanta desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre!”
André Luiz não teve qualquer problema em tomar o “Aeróbus”, mas, com certeza, muita gente habituada a andar na classe VIP, vai ter! Sei de um caso de renomado espírita que, certa vez, ficou contrariado por ter sido buscado no hotel onde estava hospedado por alguém que possuía, digamos, um carro já bastante surrado. Ele chegou até a bater a porta do veículo com violência, com o propósito de ver se a arrancava de vez...
Não se trata de uma piada. Os protagonistas ainda estão por aí, no corpo – bem, pelo menos, até ontem estavam! Tanto o espírita transportado quanto o espírita transportador!...
É... Vai ser dura, deste Outro Lado, a decepção de muita gente viciada em ser tratada, na Terra, apenas e tão somente por “doutor”, sendo que – não digo de Harvard, ou Paris – não possuem semelhante título nem na cidade de nossa simpática Conquista, vizinha de nossa não menos simpática Uberaba.
André Luiz, no ponto, esperando o “Aeróbus”, na companhia de Lísias, para, depois, pegando a fila, esperar ser atendido por Clarêncio, a fim de levar uma carraspana danada! E tem espírita imaginando que será recebido aqui, no Além, com pompa e cerimônia! Seria cômico, se não fosse trágico. É sala VIP em Congressos, hotéis de luxo – de cinco estrelas para cima –, excelentes banquetes... Sei não. Eu já sou o passado, ou melhor, o futuro de todos vocês, que, literalmente, significa desencarnação.
Bem, o espaço deste post está esgotando. Antes do ponto final, falta-me, evidentemente, lembrar a vocês que o nosso Dr. Carlos Chagas retomou o seu brilhante trabalho no Mundo Espiritual limpando vômitos de gente doente no chão! É isso mesmo que você leu: gente doente! Espírito é Gente! Pela época, não havia outra coisa que ele pudesse fazer, a não ser, segundo as suas próprias palavras: “Foi então, que, instintivamente, me agarrei aos petrechos de higiene e lancei-me ao trabalho com ardor.” E mais: ele diz que suou muito! Ou seja: a não ser que ele tenha suado por outras artimanhas biológicas, o perispírito continua possuindo glândulas sudoríparas! Louvado seja Deus! O que haveria de ser de nós, essa cambada de espíritos medíocres, se as nossas glândulas sudoríparas não sobrevivessem, continuando a nos dar a oportunidade de extravasar pelos poros as nossas mazelas morais!...
Um “viva” às glândulas sudoríparas!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 24 de julho de 2017.











segunda-feira, 17 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XVII

No capítulo 27 – “O trabalho, enfim” –, de “Nosso Lar”, obra sobre a qual, na companhia de nossos irmãos e irmãs internautas, estamos refletindo, André Luiz descreve a situação da maioria dos internos nas “Câmaras de Retificação”, que, sem dúvida, quase que corresponde às regiões purgatoriais da Igreja Católica. (“Retificar” significa “corrigir”, “consertar”, etc.)
Muitas missões de resgate partem de “Nosso Lar”, com espíritos voluntários percorrendo as regiões mais obscuras, ou periféricas do denominado “Umbral”. Nada a estranhar, de vez que, na Terra, por exemplo, conhece-se o abnegado trabalho da organização internacional chamada “Médicos Sem Fronteiras”, formada por profissionais que, inclusive, se expõem a inúmeros perigos para levar socorro aos carentes. Em “Nosso Lar”, digamos, o “Médicos Sem Fronteiras” é chamado de “Samaritanos”. Além de assistência médica, o grupo “Samaritanos”, semelhante a “Médicos Sem Fronteiras”, não é formado apenas por médicos, mas também por profissionais da área de nutrição, etc, providenciam alimentos e roupas aos recém-desencarnados.
Curioso que, enquanto percorria as “Câmaras de Retificação”, André descreve a crise de um interno de nome Ribeiro, que, além do desequilíbrio próprio, estava, no Mundo Espiritual, registrando a perturbação de alguns de seus familiares encarnados, agravando a sua situação. Narcisa, que ali prestava serviços esclareceu a Tobias: “Hoje, muito cedo, ele se ausentou sem consentimento nosso, a correr desabaladamente.” Impressionante, não?! Para onde, o pobre Ribeiro pretendia correr?! Como poderia ele, na condição de desencarnado, alcançar o seu antigo lar terrestre?!
André, ainda, não deixa de registrar algo interessante aos nossos estudos e reflexões: “Seguimos através de numerosas filas de camas bem cuidadas, sentindo a desagradável exalação ambiente, oriunda, oriunda, como vim a saber mais tarde, das emanações mentais dos que ali se congregavam, com as dolorosas impressões da morte física e, muita vez, sob o império de baixos pensamentos.” Realmente, o pensamento possui odor, e, não raro, extremamente desagradável... Esses “odores” do pensamento, por vezes, podem se tornar perceptíveis entre os próprios encarnados, tenham eles, para tanto, sensibilidade psíquica, ou não. Todavia, necessitamos informar que o perispírito enfermo, ou sem os cuidados higiênicos necessários, qual ocorre ao corpo físico, igualmente pode exalar odores característicos.
Tobias, em diálogo com André Luiz, que, a cada passo, se surpreendia com a situação, esclareceu que aqueles espíritos, homens fora do corpo, em situação lastimável, eram “contrabandistas na vida eterna”. E explicou: “Acreditavam que as mercadorias propriamente terrestres teriam o mesmo valor nos planos do espírito. Supunham que o prazer criminoso, o poder do dinheiro, a revolta contra a lei e a imposição dos caprichos atravessariam as fronteiras do túmulo e vigorariam aqui também, oferecendo-lhes ensejos a disparates novos. Esqueceram de cambiar as posses materiais em créditos espirituais. Não aprenderam as mais simples operações de câmbio do mundo.” De fato, quem saia do Brasil, em visita a Europa, sem permutar reais por euros... – Até o idioma necessita ser cambiado! Os valores propriamente terrestres, nos Planos Mais Altos, valem muito menos que pó!...
E Tobias, arrematou: “Temos os milionários das sensações físicas transformados em mendigos da alma.”
Digo-lhes que, por tal motivo, a grande maioria dos desencarnados não consegue se ausentar da psicosfera mais próxima ao planeta, continuando a viver não na condição de desencarnados de fato, mas na de semi-encarnados – eles nem sequer conseguiriam respirar em atmosfera mais rarefeita!
Tobias, anteriormente, falando com André Luiz sobre a situação daqueles homens e mulheres fora do corpo, internados nas “Câmaras de Retificação”, esclareceu: “Lembre, meu irmão, que estes doentes estão atendidos, que já se retiraram do Umbral, onde tantas armadilhas aguardam os imprevidentes descuidosos de si mesmos.”
Perguntamos, então:
- Que espécie de “armadilhas”?!...
- “Armadilhas” preparadas por quem?!...
- “Alguém” poderia lhes fazer algum tipo de mal no “Umbral” mais grosso?! Como?! De que jeito?!...
- Podemos considerar o “Umbral Grosso” como submundo?! – submundo da delinquência humana, que prossegue ativa além da morte do corpo?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de julho de 2017.




 



segunda-feira, 10 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XVI
 
Para estudar e aprender, ninguém deve ter pressa – não raro, apenas uma única verdade que se apreende amplia-nos, significativamente, os horizontes da compreensão. Aqui, também, pode ser aplicada a lição de Jesus, quando ensina: “Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância...”
No capítulo 26, intitulado “Novas Perspectivas” –, do livro “Nosso Lar” –, ao qual já nos referimos anteriormente, em seu último paragrafo, André Luiz anotou: “As Câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em ‘Nosso Lar’.” 
As chamadas “Câmaras de Retificação”, conforme o autor espiritual esclarece no próximo capítulo, o de número 27, constituem um verdadeiro hospital: “Era uma série de câmaras vastas, ligadas entre si e repletas de verdadeiros despojos humanos.” Pertencentes ao Ministério da Regeneração, as “Câmaras” nada mais eram – como nada mais são! – que extensos pavilhões abrigando centenas e centenas de enfermos do espírito, recém-desencarnados.
O Ministério da Regeneração, segundo explicações de Lísias a André Luiz, é aquele que mais se liga à Crosta Terrestre, ficando logo abaixo, “hierarquicamente”, do Ministério do Auxílio. Veneranda, à época, era um dos doze ministros do Ministério da Regeneração. André Luiz, ao ser “resgatado do Umbral”, foi diretamente acolhido no Ministério do Auxílio, onde, hospitalizado, passou a ser tratado pelo Dr. Henrique de Luna. Clarêncio era Ministro do Auxílio. 
Mas, o que pretendemos em nosso presente arrazoado é procurar entender a palavra de Tobias a André, quando o convida a “descer”, a fim de visitar as “Câmaras de Retificação”: “Depois de extensos corredores, deparou-se-nos vastíssima escadaria, comunicando com os pavimentos inferiores.” – construídos, por assim dizer, no “subsolo” do Mundo Espiritual!
Cotejando capítulos, depreende-se, das narrativas de André, que a cidade de “Nosso Lar” não é uma cidade exatamente “plana”, que exista sem qualquer ligação geográfica, ou territorial, com os Planos Inferiores do Mundo Espiritual, ou, em outras palavras, sem qualquer ligação com o denominado “Umbral Grosso”. 
“Nosso Lar”, embora localizada em região superior, é uma “cidade umbralina” – assim como a Terra não possui topografia homogênea, possuindo uma imensa variação, inclusive, climática, e de fertilidade de seu solo, o Mundo Espiritual imediato, que é um Planeta, é constituído por territórios mais um menos acidentados. Sobre a Terra, embora a beleza de regiões que nos parecem inóspitas, como comparar-se, no Brasil, por exemplo, as caatingas do semiárido nordestino com os vales férteis existentes nos Estados do Sul?! Quanta diversidade entre a Antártida, o Saara e a Amazônia! Podemos dizer que se o Umbral fosse a Terra, o denominado “Umbral Grosso” seria no “Saara”, localizado no norte da África – o segundo maior “deserto” do mundo, embora de gelo, é a Antártida, com catorze milhões de quilômetros quadrados!
Bem, continuemos.
André Luiz, ao escrever “Nosso Lar”, necessitou lançar mão de certos expedientes literários, pois, caso contrário, teria fugido ao objetivo de nos transmitir – à época, não se esqueçam, eu me encontrava encarnado na Terra –, apenas e tão somente informações iniciais (e, depois de 160 anos da Codificação, continuam apenas iniciais) a respeito da Vida no Mundo Espiritual! Então, os “extensos corredores” que, na companhia de Tobias, ele percorreu, e a “vastíssima escadaria” que desceu, são, em verdade, mais que “corredores” e “escadarias” – tal distância não poderia ter sido cumprida a pé!
Em nossos próximos estudos, pretendemos prosseguir explorando a questão da topografia do Mundo, ou Planeta Espiritual. Se a Terra possui uma área de 510.100.000 km², digo-lhes que, com uma população bem maior, o Umbral, incluindo todas as suas sub-Dimensões, ocupa uma área, aproximada, de 1.500.000.000 km². Aliás, temos uma proposta: que tal mudarmos o nome de “Umbral”, com o qual, genericamente, se denomina todo o Mundo Espiritual mais próximo?! Que nome pouco simpático – “Umbral”! Não, não somos nós, os desencarnados, habitantes do “Umbral” – somos habitantes da Terra Espiritual! Vamos deixar o termo “Umbral” apenas para designar a sub-Dimensão, na qual, rente à Crosta, respiram milhões de recém-desencarnados?! O “Umbral” é por aí mesmo, nas vizinhanças da Crosta, e não por aqui! Afinal, “umbral” significa apenas “limiar” – não se traduz por espaço a ser, anteriormente ou posteriormente, ocupado. “Umbral” é fronteira – não é país, e muito menos planeta! Quem não concordar com a nossa proposta, agradecemos caso tenha a bondade de nos apresentar outra. “Umbral” está mais para “Purgatório”, do que para Mundo Espiritual!...
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba – MG, 10 de julho de 2017.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XV

Retomando as nossas reflexões em torno do capítulo 26 de “Nosso Lar”, André Luiz escuta de Genésio a célebre sentença, por mais pura expressão da realidade: “Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.” André desejava, ardentemente, retomar a possibilidade de ser útil além da morte – ele havia desencarnado há cerca de dez anos – e, até então, não redescobrira a alegria de servir.
Visitando as “Câmaras de Retificação”, destinada a acolher os recém-desencarnados em estado de maior penúria – perispiritual quanto psicologicamente –, ele, o grande sanitarista, teria, finalmente, oportunidade de recomeçar, dando-nos preciosa lição – altamente diplomado, recomeçaria na condição de anônimo serviçal! Infelizmente, muitos são os que chegam à Casa Espírita e já querem ir logo frequentar reuniões mediúnicas, ou ocupar a tribuna.
Tobias, o novo amigo que ele conhecera, encarregado de levá-lo até às “Câmaras”, constituídas por vários edifícios, que foram construídos como, naturalmente, são levantadas as construções na Terra – com o material de construção pertinente ao Mundo Espiritual. Não são meras “construções mentais” – são edifícios concretos, e não abstratos!
Depois de atravessarem “largos quarteirões”, observando os numerosos edifícios que se erguiam, André ouve de Tobias a explicação: “Temos aqui as grandes fábricas de “Nosso Lar”. A preparação de sucos, de tecidos e artefatos em geral, dá trabalho a mais de cem mil criaturas, que se regeneram e se iluminam ao mesmo tempo.”
Como você interpreta a informação?!
Fábricas de sucos, em “Nosso Lar”?! Que espécie de sucos?! Para quê são fabricados?! De onde é extraída a sua matéria prima?! Então, na referida cidade espiritual existem pomares?! Os desencarnados continuam tendo necessidade de se alimentarem – de alimentarem o seu corpo espiritual, ou perispírito?! Ou, para você, trata-se apenas de uma imagem literária de ficção, criada pelo autor do livro?!
E o que pode dizer a respeito da preparação de “tecidos e artefatos”?!
Tecidos, para quê?! Então os “mortos” ainda sentem necessidade de cobrirem o seu corpo, escondendo as partes mais íntimas?! Sim, porquanto, sobre a Terra, os homens, em geral, apenas andam vestidos para ocultarem as suas partes íntimas, ou seja, genitália e nádegas, e, no caso das mulheres, os seios. Quer dizer que o perispírito continua dotado desses implementos que, de maneira equivocada, muitos consideram “órgãos do pecado”?!
E mais: Tecidos feitos de que material?! Serão sintéticos ou ainda oriundos da plantação, por exemplo, de algodão?! Ou, ainda da lagarta das mariposas asiáticas, e seus cruzamentos genéticos?!
Mais ainda: o que você tem a nos dizer sobre a referência aos artefatos?! Qual seria a sua necessidade no Mundo Espiritual?! Artefatos manuais ou industrializados, ou os dois ao mesmo tempo?! Artefato é sinônimo de artigo, objeto, peça, etc. Um vaso é um artefato, uma cadeira, um mesa, uma cama, um tapete, um aparelho, uma máquina, etc.
Interessante a explicação de Tobias dizendo que, à época, tais atividades davam “trabalho a mais de cem mil criaturas...” Não nos esqueçamos que, na década de 30, “Nosso Lar” contava com cerca de um milhão de habitantes! Outra constatação curiosa: Tobias não se refere a espíritos, mas, sim, a criaturas. No Dicionário, a palavra “criatura” possui por sinônimo, dentre outras, as palavras pessoa e indivíduo.
Realmente, então, pode-se concluir de que espírito é pessoa, gente?! Ou não?! Como é que você interpreta?! O espírito é um “Gasparzinho”, ou um “Brasinha”, das estórias em quadrinhos?! Quando deixar a carcaça, você será um “Gasparzinho”, um “Brasinha”, ou você mesmo?!...
Não podemos deixar de destacar, na palavra de Tobias, que, mesmo no Mundo Espiritual, o trabalho regenera e ilumina! Alguns espíritos estariam trabalhando nas fábricas e indústrias de “Nosso Lar”, cumprindo, digamos assim, alguma espécie de sentença, objetivando a sua regeneração?! Ou a o termo “regeneração” foi tão somente empregado em seu sentido geral?!...
Já são perguntas demais para a semana, não é?!
OBS: Estamos, ansiosamente, aguardando de nossos irmãos encarnados, que rotulam as obras de “André Luiz”, pela lavra de Chico Xavier, de ficção, ou mesmo de alucinação da mente mediúnica, que apresentem as suas teorias a respeito da Vida além da vida. Por uma questão de lógica e inteligência, não aceitaremos apenas o “não é assim, porque eu não creio”. Ora, vocês que dizem assim, tão catar coquinho no meio do asfalto, tá?! Vocês cansam a minha beleza! E como são desprovidos de qualquer espírito de autocrítica! Vocês não acham?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de julho de 2017.                                                                                                                                                    
 



segunda-feira, 26 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA – XIV

No capítulo 26 – Novas Perspectivas –, de “Nosso Lar”, André relata o seu encontro com o Ministro Genésio, ao qual, em estudos anteriores, tivemos oportunidade de nos referir. Vocês estão lembrados, daquele “velhinho simpático, cujo semblante revelava, entretanto, singular energia”?! Cremos que sim, não é?! Foi quando, na oportunidade, fizemos menção à idade com que o espírito se apresenta depois da morte do corpo físico – à sua fisionomia, altura, cor de pele, etc.
O capítulo 26 da referida obra marca a determinação do grande cientista Dr. Carlos Chagas, que adotou o pseudônimo de André Luiz, em homenagem ao irmão de Chico Xavier.
Contemos, rapidamente, o caso.
O Dr. Carlos Chagas, conduzido por Emmanuel, foi levada até à cidade de Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, para ser apresentado ao Médium Chico Xavier, através do qual, se possível, ele passaria a escrever.
Amigos de Chico contam que, ao ser apresentado ao Médium, que, à época, estava com um pouco mais de 30 de idade, o Dr. Carlos Chagas, não contendo a sua emoção, postou-se de joelhos diante dele – o fato foi relatado pelo próprio Chico, que, em relação à própria mediunidade, sempre foi muito reservado. Se quiserem conferir, consultem o livro “Nossos Momentos com Chico Xavier”, de autoria de Osvaldo Godoy Bueno, um dos diretores-fundadores do IDEAL, em São Paulo – SP.
A reação do Dr. Carlos Chagas, diante da grandeza espiritual de Chico, que ele, certamente, enxergou, fora espontânea, e, assim, o Médium não tivera tempo para evitar a sua ação – porquanto, Chico jamais aceitaria que alguém se lhe prostrasse aos pés.
A apresentação do Dr. Carlos Chagas a Chico deu-se no início da década de 40, mais propriamente em 1943, porém os rumores de um processo que seria movido, em 1944, pela viúva do escritor Humberto de Campos já frequentava as páginas dos jornais e circulavam de boca em boca. Desde 1937, Humberto de Campos, espírito, vinha escrevendo pela lavra mediúnica do Médium de Pedro Leopoldo.
Então, com o intuito de salvaguardar a Causa Espírita, e, evidentemente, o Médium, de mais um possível processo judicial, Emmanuel explicou a Chico que o Dr. Carlos Chagas adotaria um pseudônimo – inclusive com o qual não pudesse ser facilmente identificado, nem mesmo através de seus relatos mediúnicos. Realmente, lendo-se cruamente as páginas iniciais de “Nosso Lar”, não se pode concluir que André Luiz seja o Dr. Carlos Chagas, já que ele, orientado pela Equipe Espiritual que tutelou o trabalho mediúnico de Chico Xavier, recomendou que, neste sentido, poucas pistas fossem deixadas. Por este motivo, o próprio Emmanuel, no prefácio da obra, datado de 3 de Outubro de 1943 (significativa a data, não?!), escreveu:
“Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção.
“Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. (...)
“André Luiz precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.
“É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.”
Bem, para não nos estendermos neste arrazoado, Chico perguntou ao Dr. Carlos Chagas com que nome ele pretenderia assinar o que, porventura, viesse a escrever por seu intermédio. Vendo que um dos irmãos de Chico, do segundo casamento de seu pai, ressonava numa cama próxima, o ilustre cientista perguntou-lhe: - Qual é o nome de seu irmão?... O Médium respondeu-lhe de pronto: - André Luiz!... – Então – disse-lhe o Dr. Chagas –, será esse o nome que adotarei, porque eu também sou seu irmão!...
Simples assim.
Agora, evidentemente, as controvérsias, tão a gosto dos espíritas, existem. Mas este é outro assunto com o qual, sinceramente, não pretendemos perder tempo.
E os comentários que havíamos planejado para o capítulo 26 de “Nosso Lar”, ficarão para a próxima semana. Claro, se até lá o médium não desencarnar por aí, e eu, por minha vez, não desencarnar por aqui.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de junho de 2017.





segunda-feira, 19 de junho de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XIII

Ainda no capítulo 24, do livro “Nosso Lar”, André Luiz registra o apelo do locutor de “Moradia”, ante a iminência da guerra que estava prestes a estourar (a Segunda Grande Guerra Mundial):
“Emissora do Posto Dois, de Moradia. Continuamos a irradiar o apelo da colônia em benefício da paz na Terra. Companheiros e irmãos, invoquemos o amparo das poderosas Fraternidades da Luz, que presidem aos destinos da América! Cooperai conosco na salvação de milenários patrimônios da evolução terrestre. (...)
Vejamos que os espíritos, vinculados à evolução da Humanidade, contavam com a participação decisiva da América do Norte, no sentido de que a guerra fosse evitada – infelizmente, tal não aconteceu, porque a Alemanha, no dia 1 de setembro de 1939, invadiu a Polônia. Mesmo assim, com as bombas atômicas que foram lançadas, respectivamente, sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, a 6 e 9 de agosto de 1945, – a guerra que não cessara no Pacífico –, os EEUU, provocando a rendição do Japão, interferiram para que a Grande Guerra cessasse. No entanto, segundo dados estatísticos, cerca de 47 milhões de pessoas foram mortas no confronto, que arrasou diversas cidades: Londres, Varsóvia, Roterdã, Tókio, Osaka, Hambugo, Dresden, Berlin.
Com a guerra, segundo a palavra preocupada do locutor de “Moradia”, e qual não se é difícil inferir, vastos patrimônios culturais da Humanidade foram destruídos. Fato semelhante ao que foi praticado, no século XVIII, quando aconteceu a destruição da Biblioteca de Alexandria, considerado o maior patrimônio perdido da História, por ordem do governador provincial do Egito, Amir Ibne Alas.
*
No final do capítulo 24, podem-se ler as palavras de Lísias, no diálogo mantido com André Luiz:
“... o Ministério da União Divina esclareceu que a humanidade carnal, como personalidade coletiva, está nas condições do homem insaciável que devorou excesso de substâncias no banquete comum. A crise orgânica é inevitável. Nutriram-se várias nações de orgulho criminoso, vaidade e egoísmo feroz. Experimentam, agora, a necessidade de expelir os venenos letais.”
Não estaria a Humanidade atual, quase oitenta anos depois, vivenciando a mesma situação, de vez que, infelizmente, a lição “estomacal” não tendo sendo aprendida, continuou ela a se alimentar do que, agora, parece ter necessidade de voltar a expelir?!
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No capítulo seguinte, o de número 25 de “Nosso Lar” – intitulado “Generoso Alvitre” –, André Luiz transcreve orientações transmitidas por D. Laura, que, então, o aconselha a agarrar a primeira oportunidade de trabalho que se lhe oferecesse:
“Ao invés de albergar a curiosidade, medite no trabalho e atire-se a ele na primeira ocasião que se ofereça. (...) não olvide que o espírito de investigação deve manifestar-se após o espírito de serviço. Pesquisar atividades alheias, sem testemunhos no bem, pode ser criminoso atrevimento.”
Têm-se a impressão de que a sábia advertência da genitora de Lísias aplica-se, claramente, a atitude de muitos, inclusive de muitos companheiros de Ideal, que vivem de pesquisar as atividades alheias... Incapazes de produzirem por si mesmos criticam os que estão produzindo. Nada escrevem eles de substancioso, sequer uma brochura, e, no entanto, querem atear fogo à “Biblioteca de Alexandria”, acreditando estarem prestando um grande serviço à Doutrina.
*
Prosseguindo a incentivar André Luiz ao trabalho, a ele que fora sobre a Terra o célebre cientista brasileiro Dr. Carlos Chagas – Carlos Justiniano Ribeiro Chagas –, Dona Laura pontifica:
“A ciência de recomeçar é das mais nobres que nosso espírito pode aprender.”
O diálogo entre ambos, porém, necessitou ser interrompido, porque alguém batera à porta da residência. Tratava-se de Rafael, o amigo que fora buscar André Luiz – ele, simplesmente, bateu à porta, e não a atravessou como se fosse uma fumacinha que se esgueira pelo buraco da fechadura...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 19 de junho de 2017.