domingo, 15 de julho de 2018


VIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – CHICO XAVIER/ANDRÉ LUIZ

Flácus, inspirado pelos Planos Maiores, acentua em sua preleção:
“Espíritos incompletos que somos ainda, aderimos aos movimentos que lhes dizem respeito e colhemos os benefícios da ascensão e da vitória ou os prejuízos da descida e da derrota, controlados pelas inteligências mais vigorosas que a nossa e que seguem conosco, lado a lado, na zona progressiva ou deprimente, em que nos colocamos.
 O inferno, por isto mesmo, é um problema de direção espiritual.
Satã é a inteligência perversa. (destacamos)
O mal é o desperdício do tempo ou o emprego da energia em sentido contrário aos propósitos do Senhor”.
Na condição de espíritas, não podemos olvidar a questão do livre arbítrio, repetindo aqui as célebres palavras de León Denis: “O Espiritismo será o que os homens o fizerem”.
Na atualidade, porém, observamos a existência de “dois” Movimentos Espíritas: o primeiro, e mais autêntico, o de seus adeptos que frequentam os grupos espíritas, interessados em colocar em prática as lições que aprendem; o segundo, e totalmente equivocado, o de seus adeptos que se deixaram picar pela “mosca azul” do poder, ditando normas, regras, estabelecendo direções, como se fossem altos mandatários do Mundo Espiritual na Terra...
*
Logo na sequência, severo alerta de Flácus:
“Misturam-se à multidão terrestre, exercem atuação singular sobre inúmeros lares e administrações e o interesse fundamental das mais poderosas inteligências, dentre elas, é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...” (destacamos)
Seríssimo!
“... adiando-se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente...”.
Podem fazê-lo?! Claro, pois que o têm feito desde épocas imemoriais, mormente quando lograram desfigurar os ensinamentos cristãos, fazendo com o Cristianismo o que fizeram e ainda fazem...
O Espiritismo, infelizmente, vem se transformando numa caricatura dos princípios cristãos, com os espíritas incautos, fazendo em muito menor tempo, o que os cristãos primitivos levaram três séculos para começarem a fazer com o Evangelho.
*
Todavia, ainda se tem tempo para deter o processo da falência de nossos princípios doutrinários que vêm sendo espezinhados e ridicularizados, a partir do comportamento arbitrário e nada fraterno dos espíritas que se consideram “donos” do Movimento, na exibição apenas e tão somente de duvidosa cultura acadêmica ou do pretenso status social que possuem – que os Centros Espiritas bem intencionados, com os seus leais frequentadores, prossigam laborando pelo Mundo Melhor, sem se inclinarem à autoridade “papal” ou “cardinalícia” que alguns espíritas vêm procurando exercer no Movimento.
Que os Centros Espíritas proclamem a sua independência dos órgãos de condução e se transformem em colmeias de serviço e de amor ao próximo, e em escolas sem cátedras onde o verdadeiro Espiritismo possa ser ensinado aos seus adeptos, para que eles, por fim, aprendam a pensar por si mesmos.
Não se trata de rebeldia, mas, sim, de “defesa pacífica” da originalidade espírita, para que o Espiritismo não venha a se transformar em simplesmente mais um “ismo”, no campo da vaidade pessoal de tantos, que, praticamente por imposição, em trama de bastidores pelo poder, querem impor a sua liderança.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de julho de 2018.





segunda-feira, 9 de julho de 2018


VII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Continuando com a sua profunda alocução, o Ministro Flácus considera no primeiro capítulo de “Libertação”:
“A mente infantil da Terra, embalada pela ternura paternal da Providência, através da teologia comum, nunca pode apreender, mais intensivamente, a realidade espiritual que nos governa os destinos”.
A verdade é que todas as religiões mais tradicionais da Humanidade se encontram ultrapassadas – pararam no espaço e no tempo, prosseguindo a pregar o que pregavam ao tempo de seus primeiros iniciados.
O Espiritismo, que é Fé Raciocinada, igualmente, corre o risco de estagnação, de vez que são muito poucos os seus adeptos, encarnados e desencarnados, que estão realizando perquirições sérias, procurando ampliar as informações que os Espíritos transmitiram a Kardec no século XIX. A Obra Xavieriana, propositalmente, tem sido rejeitada por espíritas que não aceitam que o Mundo Espiritual, através da mediunidade singular de Chico Xavier, desdobrou, a partir da Codificação.
As palestras, habitualmente, realizadas nos Centros Espíritas, e nos mais diversos Encontros sob a chancela da Doutrina, são demasiadamente superficiais e com base na chamada “filosofia de autoajuda”, que não deixa de ser recurso de imediatismo espiritual, ante a impossibilidade de apresentar-se algo doutrinariamente mais consistente.
Fala-se para agradar e ser aplaudido, e não para informar, esclarecer, libertar.
*
Prosseguindo, considera Flácus:
“Raros compreendem na morte simples modificação de envoltório (destacamos), e escasso número de pessoas, ainda mesmo em se tratando dos religiosos mais avançados, guardaram a prudência de viver, no vaso físico, de conformidade com os princípios superiores que esposaram. Somos defrontados, agora, pela necessidade da proclamação de verdades velhas para os velhos ouvidos e novas para os ouvidos novos da inteligência juvenil situada no mundo”.
Flácus, elevado mentor da Vida Maior, considera que, em maioria, somos inteligências juvenis – espíritos imaturos, agindo levados por interesses pessoais, sem quase nenhuma preocupação com a vivência da Mensagem que veiculamos.
De fato, no Movimento Espírita atual, o que mais falta, mormente entre os que se arvoram em seus líderes, é a exemplificação da Doutrina, de vez que, semelhantemente ao que, no campo da política, vem acontecendo no Brasil, o exemplo de cima está faltando, porquanto sobra vaidade e personalismo, ambição de poder e mistificação mediúnica.
*
Flácus ainda considera:
“E, se há uma corrente, brilhante e maravilhosa, de criaturas encarnadas e desencarnadas que se dirigem para o monte da sublimação, desferindo glorioso cântico de trabalho, imortalidade, beleza e esperança, exaltando a vida, outra corrente existe, escura e infeliz, nas mesmas condições, interessada em descer aos recôncavos das trevas...”
Por invigilância do Movimento Espirita atual, o futuro do Espiritismo no Brasil se encontra seriamente ameaçado, de vez que, em seus caminhos, ou descaminhos, o Movimento está a repetir os enganos cometidos pelas cadaverizadas religiões de massa. E o que pior: sob o incentivo e a orientação de seus pretensos líderes, médiuns encarnados e “orientadores” do Mundo Espiritual!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 9 de julho de 2018.



segunda-feira, 2 de julho de 2018




VI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Ainda no capítulo I, de “Libertação”, o Ministro Flácus faz espantosa afirmação:
“Mentes cristalizadas na rebeldia, tentam solapar, em vão, a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras que lhes vergastam as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações”. (destacamos)
Diante do que elucida o Ministro Flácus, o que dizer àqueles nossos confrades que vivem afirmando que os espíritos, antes de voltar a Terra, em novo corpo, passam por “Institutos de Reencarnação”?! Se tal ocorresse com todos os espíritos, seria a falência moral desses “Institutos”, já que, ao que se vê, a suposta preparação pouco lhes tem servido ao êxito em seu regresso ao corpo.
Como falar-se, por exemplo, em “Institutos de Reencarnação” funcionando para espíritos que sequer aceitam as Vidas Sucessivas?! Será que os fanáticos religiosos, espalhados por toda a parte do orbe terrestre, se submetem a tais “Institutos”?!...
*
Muitos espíritas, infelizmente, continuam a pensar muito “pequeno” em relação à Vida, e a grandeza da Revelação Espírita – passaram a se considerar “donos” do Mundo Espiritual, como se o Mundo Espiritual se inclinasse a atender aos seus caprichos pessoais...
*
Pelo exposto por Flácus, existem espíritos, altamente intelectualizadas, que, igualmente, dominam o conhecimento da técnica reencarnatória, e que providenciam para que os seus “agentes” tomem corpo na Terra, a fim de impedir o progresso da Humanidade.
Parece ficção, mas não é – a Vida parece ficção! Estamos diante da mais pura realidade, com espíritos, inclusive, renascendo no meio espírita, para criaram a perturbação, desviando a Doutrina de seus propósitos.
Chico Xavier, desde que reencarnou com a missão de complementar a Obra Kardeciana, sempre teve as trevas em seu encalço – começou quando ele tinha 5 anos de idade e, tendo ficado órfão, foi morar com uma senhora desequilibrada, sua madrinha, através da qual, várias vezes, o Mundo Espiritual inferior tentou matá-lo – enfiando garfos em seu ventre –, ou prejudicar a sua lucidez intelectual deixando que ele crescesse em estado de subnutrição – literalmente, ele passou fome...
Até a sua desencarnação, em 2002, aos 92 de idade, Chico teve as trevas por companhia, rondando os seus passos, padecendo, inclusive, ao que sabemos, ameaças de morte, com revólver apontado à sua cabeça...
*
Ainda hoje, infelizmente, passados mais de quinze anos de seu desenlace, os “despojos” de Chico são disputados pelas “hienas” do Mundo Espiritual inferior, que não desistem de lhe sugar a abençoada carcaça...
Porém, o reinado das próprias trevas tem seu fim, e, felizmente, já estamos às vésperas de indispensável “limpeza” na seara, que, então, sob o fôlego de espíritos mais nobres, que estão reencarnados e reencarnando, há de respirar novos ares.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 2 de julho de 2018.







segunda-feira, 25 de junho de 2018




V – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, ANDRÉ LUIZ/ CHICO XAVIER

A preleção do Ministro Flácus, sem dúvida, é a mais substanciosa página do Espiritismo, e do Espiritualismo em geral, abordando o tema da existência do Mundo Espiritual e o regime de interdependência em que vivem encarnados e desencarnados.
*
Discorrendo sobre a situação da comunidade dos que vivem fora do corpo, nas proximidades do orbe terrestre, o Ministro elucida:
“Um reino espiritual dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e do poder”.
Infelizmente, desta realidade, nem mesmo o Espiritismo tem escapado, pois que há muito joio lançado em meio ao trigo do Movimento Espirita, e muitos lutam pelo poder, chegando mesmo a serem tirânicos contra aqueles que não rezam pela sua cartilha.
O chamado Movimento Espírita está contaminado, em quase todos os seus seguimentos, e carece ser saneado, com os seus militantes voltando a se devotarem ao verdadeiro espírito da Doutrina.
*
Outra afirmação importante de Flácus:
“Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a dominação da Terra”.
Vejamos a situação espiritual do Brasil, onde os “filhos do desespero”, que, atualmente, se encontram encarnados, sequer pensam na existência de Deus e agem como não tivessem que vir a prestar contas à Lei. Colocam-se acima de tudo e de todos, e sob forte hipnose, são comparsas do crime organizado, que, no Brasil, se apresenta, também, disfarçado de partidos políticos.
Há uma onda de cepticismo percorrendo o país de ponta a ponta, da qual somente os que perseverarem até o fim haverão de ser salvos, ou seja: escaparão de sua influência funesta e arrasadora.
A verdade é que o Brasil, esse gigante, que concentra as esperança de vir a ser a Pátria do Evangelho, agoniza, quase ferido de morte pelos seus próprios filhos.
*
A afirmação que Flácus faz em seguida é estarrecedora:
“... e anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária”.
Representam eles a figura do Demônio, ou do anjo do mal, que se atreve a colocar em oposição ao Criador. A sua ousadia é tanta, e tão inconsequente, e tão insana, que desejam perverter a Lei Divina!
Organizam-se eles, no mundo todo, em falanges imensas, e, principalmente, através da Política e da Religião, agridem os homens, espíritos encarnados que, com extrema dificuldade, estão lutando para saírem do lugar comum.
*
O Espiritismo, evidentemente, não haveria de ser poupado desse “ataque” das trevas, que lhe é movido pelos seus pseudo profitentes, que estão ocupando o poder, a partir de um simples Centro Espírita até a um órgão unificador.
Na atualidade, a fim de que o “poder” se descentralizasse, seria interessante que surgisse uma vertente paralela ao poder dos órgãos unificadores atuais – o que está dividido carece sem dúvida, de ser mais fracionado ainda, porquanto a verdadeira unificação se alicerça na descentralização do poder, promovendo a união espiritual.
O Espiritismo há de ser forte quando os homens se enfraquecerem em sua ânsia de poder.
Com o devido respeito às Leis Divinas, ouso clamar aos Céus que, infelizmente, Chico Xavier, aos 92 de idade, desencarnou cedo demais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de junho de 2018.




segunda-feira, 18 de junho de 2018




IV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Prosseguindo em nossas reflexões em torno da preleção do Ministro Flácus, inserida no primeiro capítulo de “Libertação”, atentemos para a frase:
“Entretanto, nesse mesmo espaço, alonga-se a matéria noutros estados, e, nesses outros estados, a mente desencarnada, em viagem para o conhecimento e para a virtude, radica-se na esfera física, buscando dominá-la e absorvê-la, estabelecendo gigantesca luta de pensamento (destacamos) que ao homem comum não é dado calcular”.
Vejamos:
Nem todos os que desencarnam estão preparados para se “aclimatarem” no Plano Extrafísico...
Grande número dos que deixam o corpo carnal continua a “radicarem-se” na esfera física...
Os espíritos infelizes, fora do corpo, contando com “médiuns” encarnados, em todos os setores de atividade humana – inclusive na Doutrina Espírita, que, essencialmente, é uma doutrina libertadora –, buscam “dominar” a Terra – anseiam por quererem que a Terra continue sendo o seu “pasto psíquico”, através dos vampirismos que exercem...
O Mundo Espiritual de muitos que desencarnam é tão somente a “contraparte” da Terra...
“... estabelecendo gigantesca luta de pensamento...” – são as obsessões, que Allan Kardec, ao estudá-las, segundo a sua gravidade, classificou-as: simples, fascinação e possessão...
Inegável que as trevas possuem os seus “agentes” encarnados, que, não raro, são manipulados de forma inconsciente por elas, a fim de conspurcarem as fontes mais cristalinas destinadas a saciar a sede de Conhecimento e de Amor da Humanidade...
*
Considerou Flácus:
“Frustrados em suas aspirações de vaidoso domínio no domicílio celestial (destacamos), homens e mulheres de todos os climas e de todas as civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar”.
Vejamos ainda:
No Mundo Espiritual próximo, do qual muitos procedem para a Terra e para o qual, da Terra, muitos hão de regressar, apenas se prolongam as atividades terrenas...
Em geral, são esses espíritos que entram em contato com os médiuns, e, portanto, pouco eles conseguem acrescentar ao que já sabem os homens...
Não é fácil, assim, romper com esse círculo vicioso em que se transforma o ato de reencarnar... Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, anotou com sabedoria no capítulo 20: “Nesse círculo vicioso, vive a criatura humana, de modo geral, sob o domínio da ignorância acalentada, procurando enganar-se depois do berço, para desenganar-se depois do túmulo, aprisionada ao binômio ilusão-desilusão, com que despende longos séculos, começando a recomeçando a senda em que lhe cabe avançar”.
Longos séculos!...
Indispensável muita coragem para romper com a hipocrisia, com a mentira, com os interesses inferiores, com o desejo de poder, com a ambição do mando, com o personalismo, enfim, com as máscaras que afivelamos à face...
A libertação é solitária...
A ascensão é penosa...
É de fazer sangrar a alma...
Lance-se a ele quem seja suficientemente ousado para encarar a verdade a respeito de si mesmo!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de junho de 2018.



segunda-feira, 11 de junho de 2018




III – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Nos primeiros parágrafos de sua preleção, o Ministro Flácus enfoca o tema da evolução da mônada, a partir do reino mineral:
“... a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação”.
Adiante:
 “Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada frequência do Universo. E o amor divino alcança-nos, a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes”.
*
Espantosa a afirmação dos Espíritos Superiores a Kardec, na pergunta 597-a, de “O Livro dos Espíritos”: “(...) Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância, quanto entre a alma do homem e Deus”.
*
Quão longos são os caminhos da evolução!...
E o homem, lidando com a razão há quarenta mil anos, ainda revela em suas atitudes traços de animalidade. Não se pode dizer que o homem já tenha tomado completa posse de sua humanidade.
*
Mais adiante, Flácus aborda a questão da interdependência que vige entre todos os seres da Criação – interdependência não apenas física, mas também psicológica. Daí não nos ser atitude lícita e inteligente menosprezarmos que se movimentam na retaguarda evolutiva, pelos quais, sem dúvida, necessitamos nos sentir responsáveis – assim como Jesus Cristo sentiu-se e sente-se por nós outros.
O que seria da Humanidade Terrestre se o Cristo não tivesse vindo a até nós?! Com certeza, ainda desconheceríamos o que seja Amor – com A maiúsculo!
*
Flácus, em sua palestra, estava justificando o trabalho que os espíritos mais esclarecidos necessitam desenvolver em nome da solidariedade universal – preparando os espíritos que ali estavam presentes para as tarefas sacrificiais que os mais lúcidos devem abraçar em favor da libertação dos que se demoram nas faixas da ignorância.
*
Vejamos a sua consideração:
“Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens”.
Com tais palavras, ele nos induz a pensar que, até certo ponto, o chamado vampirismo é natural. Assim como o corpo humano é parasitado por milhares de vidas inferiores, em evolução, a mente humana também. Todavia, a questão não é a de “carregarmos” conosco mentes desencarnadas, necessitadas de esclarecimento – a questão é nos deixarmos possuir por elas, e, em vez de fazer com que cresçam consentir que elas nos façam estagnar em nossa caminhada.
Mediunidade generalizada!...
Notemos a importância da Doutrina Espírita que, em nos conscientizando de semelhante situação, nos prepara para melhor a facearmos.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de junho de 2018.




segunda-feira, 4 de junho de 2018




II – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O primeiro capítulo do livro “Libertação”, cujo prefácio de Emmanuel é de 1949 – a obra, portanto, está prestes a completar os seus 70 anos! -, nos deparamos com a belíssima e substanciosa prelação do Ministro Flácus, que estava na condição de um dos Ministros de “Nosso Lar”.
Sob o título “Ouvindo Elucidações”, André Luiz transcreve, em síntese, a palavra do Ministro, que, sem dúvida, mereceria uma “separata”, ou seja, uma impressão à parte, pois que, em nossa opinião, ela vale por um livro.
*
Na companhia do Instrutor Gúbio, André se pôs a ouvir a preleção de Flácus, que, em sua palavra, aborda a questão das Dimensões Inferiores do Mundo, ou Planeta Espiritual – dando-nos a conhecer a existência da denominada Dimensão das Trevas, que, “geograficamente”, se localiza logo abaixo da Crosta Terrestre.
*
À determinada altura de sua peroração, Flácus considera:
“A rigor, portanto, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizadas no ócio reprovável ou confundidas no eclipse temporário da razão”.
Começa, pois, com André Luiz, a se detalhar, com informações mais precisas, o que ele havia dito, em “Nosso Lar”, sobre as regiões subcrostais, dando-nos outra visão do significado teológico do chamado Inferno. André, que, com “Nosso Lar”, nos levara a efetuar uma “viagem ao futuro”, com “Libertação” começa a nos levar a realizar uma “viagem ao passado”.
*
E, em seguida, o Ministro considera:
“... a nossa Terra, com todas as esferas de substância ultrafísica que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores, que dominam na sabedoria e na santidade, não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor. Entretanto, guindados a singelas culminâncias da inteligência, somos micróbios que sonham com o crescimento próprio para a eternidade.”
Sabemos que, praticamente, não há distinção entre bactéria e micróbio. Mas, o que o Ministro quer dizer é que, um pouco mais avançados, até mesmo espiritualmente, deixamos de sermos bactérias, para, simplesmente, sermos micróbios – e, por vezes, micróbios que se vestem de terno e gravata e que sabem falar inglês!
*
A preleção de Flácus, belíssima, considera, um pouco mais adiante, que não passamos de “micróbios” lidando com a razão há quarenta mil anos...
O quanto evoluímos?!
O quanto temos a evoluir?!
E, não obstante, nos consideramos... Ah, deixa para lá, pois é melhor nem dizer.
E o pior é que exigimos, dos outros, respostas definitivas, quando sequer sabemos, ao certo, como se forma o bolo fecal em nossos intestinos físicos e perispirituais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 4 de junho de 2018.





segunda-feira, 28 de maio de 2018




I – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – André Luiz/Chico Xavier

Encerrada a série “COMO VOCÊ INTERPRETA?!”, abordando temas do livro “Nosso Lar” – que iniciamos em Fevereiro de 2017 –, daremos início a algumas reflexões sobre o livro “Libertação”, que o 7º da Obra Andreluizina.
Esclarecemos, no entanto, aos nossos internautas, que, dos vinte capítulos substanciosos que compõe o livro, destacaremos apenas alguns tópicos de cada capítulo, deixando com eles estudos que possam ser mais completos.
Solicitamos aos nossos irmãos e irmãs que nos prestigiam com os seus apontamentos que nos perdoem por não podermos responder a cada uma das arguições que nos são dirigidas, considerando-nos felizes por motivarmos entre eles a discussão sadia sobre os assuntos abordados.
Cremos que, de nossa parte, nos estudos efetuados sobre “Nosso Lar”, cumprimos com o nosso dever que era, e continua sendo, apenas o de despertar novo interesse pelo estudo das obras de autoria de André Luiz, repletas de interessantes informações sobre a vida do espírito, nos mais variados Planos que habita.
Agradecemos o prestígio e a consideração que não merecemos da parte de nossos confrades, rogando ao Senhor que continue a nos inspirar na compreensão de Suas divinas lições, e, sobretudo, nos encorajando a colocá-las em prática no cotidiano.
*
Do excelente prefácio de Emmanuel para o livro “Libertação”, datado de 22 de fevereiro de 1949 – a obra está prestes e completar 70 anos! – prefácio significativamente intitulado “Ante as Portas Livres”, salientamos apenas o que escreveu o venerável Benfeitor, ao recontar a antiga lenda egípcia do “peixinho vermelho”:
“O esforço de André Luiz, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho.
Encantando com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.
Fala, informa, prepara, esclarece...
Há, contudo, muitos peixes humanos que sorriem e passam, entre a mordacidade e a indiferença, procurando locas passageiras, ou pleiteando larvas temporárias.
Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos depois da morte do corpo.
Mas, sem André Luiz e sem nós, humildes servidores de boa vontade, para todos os caminheiros da vida humana pronunciou o Pastor Divino as indeléveis palavras: - ‘A cada um será dado de acordo com as suas obras.’”
*
Conscientes, assim, da nossa condição de pobre bagre, que tenta escapar das águas barrentas da lagoa existencial em que se movimenta, longe de nós qualquer pretensão da missão que coube ao destemido “peixinho vermelho”...
O que nos consola, porém, é saber, que já não mais pertencemos à classe dos anfíbios anuros, que se contentam com sua condição de girinos, ou, no máximo, de batráquios coaxantes.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de maio de 2018.



segunda-feira, 21 de maio de 2018




COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVIII

Ainda no último capítulo do excelente “Nosso Lar”, livro de conteúdo ainda a ser explorado, mais atentamente, pelos espíritas em geral, dentre os quais eu me incluo, nos deparamos com o episódio de Narcisa que, atendendo ao apelo mental de André Luiz, o convida para irem à Natureza, a fim de “recolherem” fluidos no socorro a Ernesto, o segundo esposo de Zélia.
Antes, Narcisa teve o zelo de providenciar “passes de reconforto ao doente, isolando-o das formas escuras, que se afastaram como por encanto”. O passe, realmente, sendo, no dizer de Emmanuel, uma “transfusão de energias fisio-psíquicas”, através da simples imposição das mãos, opera prodígios. Nas Casas Espíritas, o passe é o legítimo “trabalho de cura”, sem desmerecermos, claro, o esforço dos medianeiros que se empenham no campo da cura segundo as suas características e as orientações de seus guias espirituais, que nem sempre possuem segura iniciação no estudo e na aplicação das forças “magnéticas”. Não nos esqueçamos de que Jesus curava pela imposição das mãos – Ele curava quando tocava e... quando era tocado! Curava através da saliva, do sopro, do olhar, de Sua simples Presença!...
*
Justificando o convite feito a André, para que fossem à Natureza, Narcisa, lhe diz: “Não só o homem pode receber fluidos e emiti-los. As forças naturais fazem o mesmo, nos reinos diversos em que se subdividem. Para o caso do nosso enfermo, precisamos das árvores. Elas nos auxiliarão eficazmente”.
Esse “para o caso de nosso enfermo”, naturalmente, nos leva a pensar na especificidade dos fluidos que Ernesto carecia, estando ele com os pulmões comprometidos. Com certeza, em outros casos fluidos de natureza diversa podem estar indicados, como aqueles nos quais, por exemplo, baseia-se a própria ciência Alopática, a Homeopática, a Fitoterápica, a Ortomolecular, e outras.
*
De mais notável, no entanto, no capítulo mencionado, é o encontro de Narcisa com os “servidores comuns do reino vegetal”, habitualmente chamados de “elementais”... Segundo André, ela os chamou com “expressões” que ele “não podia compreender”, ou seja, Narcisa a eles se dirigiu (eram “oito entidades espirituais”!) em seu “idioma”, nos induzindo a concluir que Narcisa, com certeza, já vivera entre eles e fora uma deles...
Concordam conosco, os irmãos e as irmãs internautas?!...
O assunto, ainda muito pouco estudado e desenvolvido pela literatura espírita, foi tratado, en passant, por Kardec, nas perguntas de 536 a 540, de “O Livro dos Espíritos”, quando os Instrutores falaram sobre a “Ação dos Espíritos Sobre os Fenômenos da Natureza”.
Vejamos a questão 538: “Os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza formam uma categoria no mundo espírita, são seres à parte ou espíritos que viveram encarnados, como nós?” Resposta: “Que o serão, ou que o foram”.
Diante da resposta dos Espíritos a Kardec, solicitamos vênia para uma indagação a todos os irmãos de Ideal que se nos dignarem responder: - Se os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza já foram, ou viveram encarnados como nós, tornando, após, à condição em que viveram, teriam eles regredido na escala evolutiva?...
Gostaríamos muito de ouvi-los nesta questão.
*
Ainda sobre o tema dos “elementais”, tomamos a liberdade de indicar aos interessados o livro de autoria de Paulino Garcia, “Espíritos Elementais”, editado pela LEEPP – o livro, coordenado pelo nosso preclaro Odilon Fernandes, foi editado em 2004, portanto há exatos 14 anos.
*
Chico Xavier nos contava que quando perdia determinado objeto que precisava encontrar – um documento, uma página psicografada perdida em meio aos seus tantos papéis, enfim, algo que lhe fosse essencialmente útil –, solicitava o auxílio desses “seres” que, então, algumas vezes atendiam ao seu chamado.
Não obstante, cremos que semelhante providência não seja para os incréus, mesmo para os incréus espíritas, que, por excesso de racionalismo, desprezam, muitas vezes, as obras da fé.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de maio de 2018.





segunda-feira, 14 de maio de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVII

Ainda refletindo sobre o último capítulo do livro “Nosso Lar”, nos deparamos com interessantes lições.
André Luiz, desencarnado há mais dez anos, e residindo na colônia espiritual há quase dois, tendo, inclusive, retomado o trabalho num dos hospitais do Ministério da Regeneração, ainda não havia experimentando os fenômenos da telepatia e da volitação, que, comumente, atribuem-se a todos os espíritos que deixam o corpo carnal.
Você já reparou nesse detalhe nas páginas da magnífica obra da lavra de Chico Xavier?!
Em “Nosso Lar”, para se movimentar, André tomava o “aeróbus”, e mesmo quando, depois de mais de dez anos, voltou a Terra, na companhia de Clarêncio, que acompanhava Dona Laura nas etapas iniciais de seu processo reencarnatório, tudo indica que o fez com o concurso de uma aeronave, que, então, o teria deixado nas proximidades da Crosta.
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Somente quando André reconheceu que, de fato, Zélia, sua ex-esposa, e Ernesto se amavam muito, e passou a se sentir “companheiro fraternal de ambos”, ao necessitar de ajuda, mentalmente procurou entrar em contato com Narcisa – pela primeira vez, ele tentou a possibilidade da telepatia, que, em “O Livro dos Médiuns”, Kardec chamou de “telegrafia humana”. Foi com grande surpresa, e alegria, que, decorridos, mais ou menos, vinte minutos, Narcisa se apresenta, dizendo-lhe: “Ouvi seu apelo, meu amigo, e vim ao seu encontro”.
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Sem dúvida, as conquistas de André Luiz no campo da espiritualidade própria, em tempo relativamente curto, se fizeram evidentes além da morte.
Todavia, enganam-se aqueles que imaginam que logo, ao deixarem o corpo, dispensarão, no Mais Além, o uso da palavra articulada. Chico Xavier nos contava que a sua mãezinha, Maria de São João de Deus, que, à época, estava se preparando para reencarnar, dissera a ele que estava estudando inglês no Mundo Espiritual – segundo ela, seria para facilitar o aprendizado do referido idioma quando, então, estivesse no corpo.
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Depois que André e Narcisa logram socorrer ao Dr. Ernesto em sua recuperação, inclusive através da transmissão do passe e intervindo para afastar as três entidades que o vampirizavam no leito, por sentir-se extremamente “mais leve”, André conquista a capacidade de volitar, ou de se transportar no espaço através da volição, ou do voo sem o concurso de qualquer objeto voador. Já ao fim de seu segundo dia na Terra – ele obtivera uma semana de licença para visitar a família –, André começa se movimentar entre a Terra e “Nosso Lar” por si mesmo, simplesmente alçando-se ao Espaço.
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Trata-se de outro equívoco quase generalizado entre os espíritas, que dizem que todos os espíritos, assim que deixam o corpo pesado para trás, adquirem a possibilidade de volitar, esquecidos de que o Mundo Espiritual também é regido pela Lei da Gravidade, e que, para volitar, o espírito carece de “perder peso”.
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Muitos encarnados, porém, pelo fenômeno do desdobramento, no instante do repouso físico, já tiveram a experiência da volitação, que, sem dúvida, é extremante interessante – todavia, o espírito se movimenta dentro de limites que, pelas Leis da Física, não podem ser ultrapassados.
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Percebamos, assim, que o desabrochar das quase infinitas possibilidades do espírito estão diretamente relacionadas com as suas conquistas de ordem íntima, incluindo, é claro, as suas aquisições de ordem mental.
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Você, estimado (a) internauta, já teve oportunidade de experienciar no campo da telepatia, entre encarnado e encarnado, e no da volitação, em desdobramento?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 14 de maio de 2018.