segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Aviso Fraterno:
Tendo em vista alguns desentendimentos no campo da “logística” doutrinária, em relação à opinião de nossos confrades internautas, neste Blog, solicitamos, na condição de moderador, que os nossos irmãos e irmãs, que tanto nos prestigiam, procurem ater-se, em seus comentários, apenas em torno da matéria publicada semanalmente pelo Dr. Inácio Ferreira, não efetuando, quanto possível, maiores referências aos comentários que outros venham a fazer.
Certos de, como sempre, contarmos com a sua compreensão e prestimosa cooperação em favor da paz geral, somos, fraternalmente –
O Moderador

Uberaba – MG, 20 de novembro de 2017.


domingo, 19 de novembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXIV

O livro “Nosso Lar”, este compêndio de extraordinárias lições, em seu capítulo 38 – “O Caso Tobias” –, transmite-se valiosos ensinamentos a respeito da vida afetiva dos espíritos, além da morte do corpo físico.
Resumindo, diremos que Tobias, um dos grandes seareiros de “Nosso Lar”, convidara André Luiz para efetuar uma visita à sua residência, onde ele, Tobias, residia na companhia de duas irmãs.
Interessante a informação que André nos transmite logo no terceiro parágrafo: “Reunidos na formosa biblioteca de Tobias, examinamos volumes maravilhosos na encadernação e no conteúdo espiritual.”
E aqui, naturalmente, surgem as primeiras perguntas que tomamos a liberdade de dirigir aos nossos internautas:
- Que livros seriam aqueles na biblioteca de Tobias?! Livros de autores encarnados, ou desencarnados?! Livros que haviam sido concebidos na Terra e na Terra impressos, ou escritos lá mesmo, no Mundo Espiritual, por autores desencarnados, e impressos por um serviço gráfico do Além?!...
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Examinar, com atenção, cada parágrafo de “Nosso Lar” é de suma importância para que, tanto quanto possível, nada nos escape em termos de informação.
Muitos dos que rejeitam a referida Obra, psicografada por Chico Xavier, talvez, ainda não tenham alcançado o necessário amadurecimento para conceber a Vida em seu natural espírito de sequência – inconscientemente, influenciados por outras teologias religiosas, ainda não conseguem raciocinar sob outro prisma, se não aqueles que descrevem a Vida no Além de forma maravilhosa, ou sobrenatural.
*
Em seguida a sua visita à biblioteca, André é convidado pela senhora Hilda a observar o jardim, novamente, assim, dando especial destaque à Natureza no Mundo Espiritual, demonstrando, uma vez mais, que, por aqui, nada é criação da mente, pois que as plantas crescem e se desenvolvem como crescem e se desenvolvem nos jardins terrestres – existe, sim, REPRODUÇÃO VEGETAL, como também REPRODUÇÃO ANIMAL, e, consequentemente, REENCARNAÇÃO NO MUNDO ESPIRITUAL.
Irmãos, poucos esclarecidos ou maledicentes, têm afirmado que nós temos dito que espírito reproduz, quando a tese que sustentamos é que corpo espiritual se reproduz, ou seja: perispírito, ou envoltórios do espírito, que constituem os seus corpos mais ou menos materiais, podem, sim, se reproduzir.
Espanta-nos, em nossos confrades adeptos da tese da FÉ RACIOCINADA, a não aceitação desta realidade, tão clara quanto à meridiana luz do Sol. Se bem, Nicodemos, o doutor da lei, nada entendeu quando Jesus tentou explicar a ele a Reencarnação, dizendo: “Mas, se não me credes, quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis, quando vos fale das coisas do céu?”
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Entrando em conversação mais íntima com André, Tobias começa a narrar a ele o seu interessante caso familiar, semelhante a milhares de outros existentes na Terra inteira.
Tobias havia sido casado na Terra duas vezes – casara-se, inicialmente, com Hilda, com quem tivera dois filhos, e, depois, por sua vez, desposara Luciana. Ambas estavam residindo com ele, na mesma casa, em “Nosso Lar”. Os mais afoitos, talvez, pensem que Tobias, desencarnado, tenha constituído um harém depois da morte...
André, no entanto, que ainda ignorava que a sua esposa, Zélia, havia se unido a outro companheiro na Terra, diz a Tobias: - De fato (...), o problema interessa profundamente a todos nós. Há milhões de pessoas, nos circuitos do planeta, em estado de segundas núpcias. Como resolver tão alta questão afetiva, considerando a espiritualidade eterna?”
Um de nós – quem sabe?! –, talvez esteja dentro da mesma situação de Tobias... Quantos, enviuvando-se, sentem necessidade de se unirem a novo cônjuge?! E, na maioria das vezes, não é nem por conta de viuvez, mas pelo motivo de uma separação motivada, por exemplo, devido a incompatibilidade entre o casal...
Antes de encerrarmos, porém, a matéria desta semana, perguntamos: por que razão as uniões conjugais prosseguem além da morte?! Por que Tobias continuava com Hilda na condição de sua esposa, tudo levando a crer, que ele e ela prosseguiam mantendo íntimo relacionamento na Vida Espiritual?! Ora, anteriormente, no capítulo 18 – “Amor, Alimento das Almas” –, vimos que Lísias sai ao encontro de Lascínia, de quem se encontrava enamorado, e que o aguardava no “Campo da Música”.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 20 de novembro de 2017.



domingo, 12 de novembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXIII

Concluindo as nossas ligeiras reflexões sobre o capítulo 37, de “Nosso Lar”, versando sobre a preleção da Ministra Veneranda, estimaríamos ainda destacar alguns trechos de sua inspirada e profunda dissertação.
- “Será crível que, somente por admitir o poder do pensamento, ficasse o homem liberto de toda a condição inferior? Impossível!
Uma existência secular, na carne terrestre, representa período demasiadamente curto para aspirarmos à posição de cooperadores essencialmente divinos. Informamo-nos a respeito da força mental no aprendizado mundano, mas esquecemos que toda a nossa energia, nesse particular, tem sido empregada por nós, em milênios sucessivos, nas criações mentais destrutivas ou prejudiciais a nós mesmos.”
Antes de Cristo, em termos evolutivos, o que éramos sobre a Terra?! Qual seria o nosso grau de lucidez espiritual, no que se refere, por exemplo, à própria imortalidade e as nossas condições de sobrevivência além da morte?!
Em dois mil anos, ou vinte séculos, quantas vezes teremos vindo ao Mundo Espiritual e voltado a Terra, em novo corpo, sem justa noção da própria desencarnação?!
Quais os pensamentos que nos “fizeram” a cabeça até agora, quando, então, estamos tendo oportunidade de conhecer o Espiritismo, que, segundo Emmanuel, “é processo libertador de consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos”?!
*
No excelente livro “Pensamento e Vida”, da lavra mediúnica de Chico Xavier, Emmanuel, no capítulo 20 – “Hábito” –, considera que “o hábito é uma esteira de reflexos mentais acumulados, operando constante indução à rotina.
Herdeiros de milênios, gastos na recapitulação de muitas experiências análogas entre si, vivemos, até agora, quase que à maneira de embarcações ao gosto da correnteza, no rio de hábitos aos quais nos ajustamos sem resistência.”
E mais adiante, acentua:
“Nesse círculo vicioso, vive a criatura humana, de modo geral, sob o domínio da ignorância acalentada, procurando enganar-se depois do berço, para desenganar-se depois do túmulo, aprisionada no binômio ilusão-desilusão, com que despende longos séculos, começando e recomeçando a senda em que lhe cabe avançar.” (destacamos)
Lamentável verdade!
No entanto, mesmo agora, com a Terceira Revelação, o pensamento de muitos prossegue oferecendo resistência à Verdade, com imensa tendência ao comodismo.
Alguns adeptos do Espiritismo, por exemplo, continuam não aceitando as revelações constantes nas obras de André Luiz, preferindo ficar apenas com o que os Espíritos falaram a Kardec – para eles, o espírito desencarnado vive em função de uma nova encarnação na Terra, posto que, através do trabalho e do estudo, não lhe é dado progredir no Planeta Espiritual!
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Infelizmente, temos constatado enorme dificuldade da parte até de alguns companheiros considerados mais cultos para aceitarem o que, já em 1935, no livro “Cartas de Uma Morta”, Maria João de Deus, a genitora de Chico nos falava pelo seu abençoado lápis: “A vida é o eterno fenômeno dos jogos vibratórios e tempo virá em que as almas na Terra compreenderão o papel do espírito na sua esfera infinita de influenciação.”
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O mundo real é somente o Espiritual – o Espiritual do Espiritual, e, assim. sucessivamente. Todos os demais Planos nos quais a Vida se manifesta é expressão mental de seus habitantes, que, na condição de cocriadores, os “criam” para si, no aprendizado gradativo que lhes compete realizar, despertando as suas faculdades latentes – o espírito que vive na superfície dos sentidos, vive ilusoriamente.
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Podemos dizer que, sem dúvida, grosso modo, a Terra é um “Matrix”, tanto quanto o Mundo Espiritual que povoamos ainda o é.
Deus cria a realidade, e o homem, a ficção, até o dia em que a ficção humana se ajuste à Realidade Divina.
Ouça o que tenha ouvidos de ouvir.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 13 de novembro de 2017.


domingo, 5 de novembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXII

Dando sequência às nossas reflexões sobre o capítulo 37, de “Nosso Lar” – “A Preleção da Ministra”, Narcisa explica a André Luiz que apenas os companheiros mais “adiantados na matéria”, que seria objeto da exposição de Veneranda, poderiam interpelá-la – eles haviam adquirido tal direito “pela aplicação ao assunto”. E é Narcisa quem ainda esclarece: “O Governador determinou essa medida, nas aulas e palestras de todos os Ministros, a fim de que os trabalhos não se convertessem em desregramento da opinião pessoal, sem base justa, com grave perda de tempo para o conjunto.”. Notem os internautas que nos acompanham o quanto a questão do tempo é levada a sério nas Dimensões Espirituais mais altas, principalmente em respeito àqueles aos quais cabe a tarefa de instruir, que não devem, em suas exposições, serem interrogados por questões de caráter pessoal, nas quais muitos, em momento impróprio, costumam se estender desnecessariamente.
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Veneranda não se fez anunciar à assembleia por nenhum de seus títulos, sequer sendo anunciada por um locutor, qual, infelizmente, anda na moda nos Congressos Espíritas, com os oradores sempre apresentados pela leitura de extenso e enfadonho currículo, que nada tem a ver com a simplicidade que deve caracterizar o nosso Movimento.
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A preleção da Ministra, que logo tomou a palavra, sem qualquer formalidade, girou em torno do pensamento, justificando a escolha do tema: “Encontram-se, entre nós, no momento, algumas centenas de ouvintes que se surpreendem com a nossa esfera cheia de formas análogas às do planeta. Não haviam aprendido que o pensamento é a linguagem universal? Não foram informados de que a criação mental é quase tudo em nossa vida?” Com base, talvez, em tais palavras, ainda nos deparamos com aqueles que insistem em dizer que tudo o existente em o Mundo Espiritual é criação da mente – sim, tanto quanto são criação da mente encarnada todos os engenhos existentes na Terra, desde a invenção da roda!
*
Pedimos licença para efetuar pequena digressão, que nos fornece, porém, importante material de reflexão para que melhor possam os nossos irmãos encarnados entender a vida que os espera deste Outro Lado. Transcreveremos do livro “Chico Xavier, à Sombra do Abacateiro”, a lúcida palavra de Emmanuel, na tarde de 20 de novembro de 1982:
“Imaginem que nós todos perdemos o corpo físico ontem... Mas não perdemos o nosso sentido de viver, porque somos eternos. Então o nosso instinto funcionaria procurando a companhia de outras pessoas... Estaríamos aqui à procura de fazer alguma coisa, a sermos aproveitados nisso ou naquilo...
Não temos méritos para subir aos Céus, mas também nos acreditamos filhos de Deus e não seríamos enviados a regiões inferiores... Não deixaríamos de ser nós mesmos; cada qual com aquilo que fez, com as imperfeições de cada um de nós, especialmente eu, trazemos de vidas passadas... Todos estaríamos ajustando os nossos pensamentos para saber aqui quem é que poderia ensinar, encaminhar, maternar crianças abandonadas... Procuraríamos, enfim, um meio de trabalhar e de servir.
Uma reunião como esta nos lembra reuniões que faremos futuramente; quando chegarmos ao Mundo Espiritual, procuraremos os que pensam de um modo semelhante ao nosso para sabermos o que vamos fazer. Procuremos fazê-los, então, desde agora...
Estamos numa reunião, em que o acesso é dado a todos, para que não haja nenhuma desculpa; estamos no mesmo chão, debaixo do mesmo teto... Não temos diferenças do ponto de vista social, senão o respeito que devemos a cada um. Sermos como somos, vestirmos o que pudermos... (O Chico, aqui, alude à liberdade que impera numa reunião espírita, onde cada qual comparece como pode e como é, sem recear críticas, sem ter que prestar obediências a protocolo, etc.) Essas reuniões precedem as reuniões que virão depois... Partiremos ao encontro de uma vida, e todos sentiremos necessidade de ser úteis, de ajudarmos uns aos outros; buscaremos o auxílio de alguém e alguém buscará auxílio em nós... Va os pensar nisto. Não é filosofia de morte, não é pessimismo... De quando em vez, vamos pensar que estamos desencarnados. Como vamos ajudar um filho que ficou à distância, uma mãe, um irmão? Reuniões como esta têm a função de repartirmos com os nossos irmãos o pouco que temos (...). Se realizam, em nome do Cristo, ao ar livre, onde todos puderam estar com todos e ser como são, sem nenhuma pergunta. Estamos livres para pensar que somos eternos e que vamos facear esta situação em outros Planos... Isto pode, de certo modo, ativar a nossa marcha para a frente e a nossa melhoria dentro de nós mesmos.
É o que diz o nosso Emmanuel.”
*
Realmente, cremos que nós, os espíritas, estamos necessitando de estudar e refletir um pouco mais! Não acham os nossos irmãos e irmãs internautas?!
Estaríamos, depois da morte do corpo carnal, mentalmente habilitados a construir uma vida muito diversa da vida que vivemos enquanto encarnados?!...

INÁCIO FERREIRA


Uberaba – MG, 6 de novembro de 2017.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXXI

No capítulo 37, de “Nosso Lar”, antes de transcrever “A Preleção da Ministra” Veneranda, volta a falar André Luiz sobre a questão do “Bônus-Hora”, sistema de remuneração, que, não sendo propriamente moeda, é “ficha individual, funcionando como valor aquisitivo”. Intrigava-lhe o sistema econômico que prevalecia na cidade espiritual, que havia “banido” o dinheiro como forma de remuneração pelo esforço individual nos serviços prestados à coletividade.
Ele refletia: “Como poderia estar a compensação da hora afeta a Deus? Não era atribuição do administrador espiritual, ou humano, a contagem do tempo?” Notemos, no entanto, que, em qualquer parte da Criação Divina, “a compensação da hora” fica por conta de Deus, que, certamente, não se detém apenas na quantidade de horas trabalhadas, mas, sobretudo, na sua qualidade. Aliás, a questão do “Bônus-Hora” também é tratada por Jesus na Parábola dos Trabalhadores da Vinha, quando o Dono da Casa delibera remunerar os trabalhadores que contratara segundo o Seu critério de avaliação do esforço e do mérito de cada um. Nos versículos de 13 a 15, o Dono da Casa responde aos rebelados: “Toma o que é teu, e vai-te; pois quero dar a este último, tanto quanto a ti. Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?”
*
Conversando com Tobias, André tem oportunidade de registrar novos esclarecimentos sobre o assunto: “Aos administradores, em geral, impende a obrigação de contar o tempo de serviços, sendo justo, igualmente, instituírem elementos de respeito e consideração ao mérito do trabalhador; mas, quanto ao valor essencial do aproveitamento justo, só mesmo as Forças Divinas podem determinar com exatidão. Há servidores que, depois de quarenta anos de atividade especial, dela se retiram com a mesma incipiência da primeira hora, provando que gastaram tempo sem empregar dedicação espiritual, assim como existem homens que, atingindo cem anos de existência, dela saem com a mesma ignorância da idade infantil.” (destacamos)
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Realmente, existem vidas que, perdendo em quantidade, ganham em qualidade, e vidas que ganhando em quantidade, perdem em qualidade. Podemos aqui, citar como exemplo, a vida do missionário Eurípedes Barsanulfo, que, tendo vivido apenas 38 anos no corpo carnal, do ponto de vista espiritual, viveu intensamente, conferindo singular proveito à sua encarnação. E, ainda, citamos o extraordinário exemplo de Chico Xavier, cuja vida, ao mesmo tempo, ganhou em quantidade e qualidade – vivendo 92 janeiros no corpo, realizou uma obra que a grande maioria, talvez, não venha a realizar nem em muitos séculos de existência.
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A lição do “Bônus-Hora” deve, sem dúvida, servir-nos de advertência, de vez que, em termos espirituais, o tempo não conta apenas e tão somente pelo correr dos ponteiros do relógio. Muitos espíritas costumam dizer: - Estou há 40, ou há 50 anos na Doutrina!... Como se o muito tempo de estágio na Doutrina lhes conferisse crédito para opinarem a respeito de tudo sempre de maneira acertada, com as suas opiniões tendo que ser acatadas pelos considerados iniciantes. Ora, diante da Reencarnação, nas experiências que nos são conferidas através das Vidas Sucessivas, essa argumentação de “muito tempo na Doutrina” carece de sentido, posto que uma criança possa ser portadora de uma bagagem muito maior que a de um adulto.
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É de se notar, antes que adentremos no conteúdo da preleção de Veneranda, que a sua conferência estava sendo realizada, em grande auditório, de modo INTEIRAMENTE GRATUITOinfelizmente, na atualidade – ah, e como eu me envergonho disso! –, quase todos os grandes Eventos Espíritas estão sendo pagos! E o pior é que alguém é sempre posto à porta deles para impedir a entrada daqueles que não têm dinheiro...
Que vexame!...
- Você não entra, porque não pagou a inscrição! Você não entra porque não tem dinheiro! Ou você só pode ficar na sala anexa ao grande auditório – não pode ter a visão direta do orador!...
Ora, gente, não perca tempo com isso – não participe dessa baboseira. Qualquer orador espírita bem intencionado fala tão bem quanto àquele que possa ser considerado grande tribuno – o que nos deve interessar é a Mensagem da Doutrina a ser transmitida, e não o timbre de voz do fulano ou do beltrano, ou as piadinhas sem graça que ele conta para arrancar aplausos da plateia. Vocês precisam começar a prestigiarem os oradores locais, da cidade ou da região. Os “oradores” que falam de graça, e que não dão maiores despesas aos promotores de um Evento Espírita que a despesa com uma simples hospedagem, um almoço em casa de amigos e, no máximo, o dinheiro gasto com combustível – nada de pagarem hotéis 5 estrelas, nada de passagens de avião, em primeira classe, às custas dos participantes do Congresso, ou do Encontro, nada de carros de luxo para buscar o médium, ou o orador – e, por favor, acabem de vez com as chamadas “Salas Vip”, que são os “Salões do Elitismo”.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de outubro de 2017.






segunda-feira, 23 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXX
 
O capítulo 36 de “Nosso Lar” – “O Sonho” –, sem dúvida, é um dos mais interessantes da Obra – um dos mais reveladores.
André Luiz começa dizendo: “Ao cair da noite, já me sentia integrado no mecanismo dos passes, aplicando-os aos necessitados.” Então, vejamos: André Luiz, que não era espírita – ele não disse, anteriormente, que havia se convertido ao Espiritismo, como, de resto, não diz tal em nenhum dos cinquenta capítulos do livro –, é convidado a cooperar na transmissão de passes aos enfermos internados nas Câmaras de Retificação. Você, amigo/a internauta, não acha curioso que ele, por exemplo, não tivesse, antes, necessidade de frequentar um Curso de Passe, para, formalmente, habilitar-se (ou lhe ser permitido) a cooperar com os doentes recém-chegados do Umbral?!
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Conta André que, no outro dia, pela manhã, naturalmente cansado pelas atividades intensas, como médico e médium passista, sentiu necessidade de algum descanso. Não é interessante?! Veja que, em verdade, nas Dimensões Espirituais próximas ao Orbe, o repouso físico ainda é indispensável na reconstituição das energias perispirituais – do perispírito que, deixando de ser perispírito, passa, na Vida do Além, a ser o envoltório externo do espírito, ou, em outras palavras, o seu corpo físico – a discussão em torno de sua densidade, em relação ao corpo carnal, é outro assunto.
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Descansando num apartamento de repouso que Tobias lhe disponibilizara ali mesmo, “ao lado das Câmaras”, André, em desdobramento, vai ao encontro de sua mãe, ou seja: “sonha” com ela, que se encontrava domiciliada em Dimensão Superior. Notemos o que ele diz: “Eu sabia, perfeitamente, que deixara o veículo inferior no apartamento das Câmaras de Retificação, em ‘Nosso Lar’, e tinha absoluta consciência daquela movimentação em plano diverso. Minhas noções de espaço e tempo eram exatas.” André Luiz, pois, ao referir-se ao perispírito como “veículo inferior”, experimentara um sonho lúcido. Curioso, ainda, ele afirmar, em parágrafo anterior, que estava sendo “acompanhado” por um “barqueiro” silencioso, extasiando-se ele com as “magnificências da paisagem”, enquanto “subia”...
Ainda vamos gastar muito tempo até que, mentalmente, solucionemos em nós essa sensação direcional de “alto” e “baixo”, “direita” e “esquerda”, etc, no Universo! Por que André tinha a sensação de um movimento ascensional?! – “Parecia-me que a embarcação seguia célere, não obstante os movimentos de ascensão.” Em realidade, o que pode ser classificado de “ficar acima”, ou de “ficar abaixo”, na Criação Divina?! 
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Tendo deixado o perispírito em “Nosso Lar”, em que corpo André se projetara para fora dele?! Num outro perispírito?! No chamado “corpo mental”?! Afinal, quantos corpos espirituais nós possuímos?! No livro “Evolução em Dois Mundos”, em uma das várias notas de rodapé, André Luiz escreveu: “As expressões ‘Plano Físico’ e ‘Plano Extrafísico’, largamente usadas nestas páginas, foram utilizadas por nós, à falta de termos mais precisos que designem as esferas de evolução para os espíritos encarnados e desencarnados, pertencentes ao ‘habitat’ planetário.” Com o devido respeito, lhes perguntamos: como você interpreta esta nota de rodapé?! Enfim, não lhes parece que Mundo Material e Mundo Espiritual são quase tão somente uma questão de terminologia?! Ou será que estou avançando muito?!...
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Apenas a título de informação, esclarecemos que Chico Xavier afirmava, com a Teosofia, e outras filosofias orientais, que, de fato, são sete os nossos corpos espirituais. Disse mais: segundo ele, o único livro da literatura espírita em que lhe fora possível ler algo a respeito é “Romance de Uma Rainha” (publicado, pela FEB, em dois volumes), de Rochester, que, os mais ortodoxos, consideram, inclusive, antidoutrinários.
*
As palavras da mãezinha de André, a ele dirigidas, são um verdadeiro primor de beleza espiritual – uma verdadeira síntese da mais alta sabedoria. E ela, atente-se, também não fora espírita quando encarnada. Notemos como o amor no coração confere natural sabedoria ao espírito, enquanto que o conhecimento, por si só, por vezes, nada mais confere ao espírito a não ser certa quantidade de informações. 
Entre tantas palavras belas e sábias que a sua mãe lhe diz, escolhemos: “Deus nos vê e acompanha a todos, desde o mais lúcido embaixador de sua bondade, aos últimos seres da Criação, muito abaixo dos vermes da Terra.”
Não se trata para nós outros de um consolo, que nos sabemos colocados “... muito abaixo dos vermes da Terra”?!...
Ah, desculpem-me! Eu sei que muita gente se imagina muito acima das estrelas!...
 
INÁCIO FERREIRA
 
Uberaba, 23 de outubro de 2017.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXIX

Antes de darmos sequência às nossas reflexões sobre os capítulos de “Nosso Lar”, livro de autoria de André Luiz, gostaríamos de fazer uma observação. Não nos esqueçamos de que se, em suas obras anteriores, ou seja, nos demais volumes de sua extraordinária Coleção, o competente autor espiritual escreveu sob o endosso de sua própria vivência além da morte do corpo carnal, e, sobretudo colhendo depoimentos de elevados Mentores da Vida Maior, em “Evolução em Dois Mundos” e “Mecanismos da Mediunidade” (além do maravilhoso “Agenda Cristã”), ele revelou a sua própria capacidade de espírito altamente lúcido. Eis algo que, infelizmente, muitos dos que se referem a André Luiz, com o intuito de minimizar o valor dos livros de sua lavra espiritual, esquecem-se de destacar.
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No capítulo 35 de “Nosso Lar”, intitulado “Encontro Singular”, André Luiz nos relata experiência comovente e altamente instrutiva, semelhante, sem dúvida, a muitas com as quais os desencarnados se defrontam, quando, é óbvio, em desencarnando, têm oportunidade para tanto – porque, a grande maioria daqueles que deixam o corpo na Terra sequer logra oportunidade igual à que André desfrutou, logo que adentrou a cidade espiritual. Até mesmo para estarmos com possíveis desafetos, e pedir-lhes perdão pelo prejuízo que lhes causamos, necessitamos ter merecimento.
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Todos os que já tiveram oportunidade de ler “Nosso Lar” sabem que André, no capítulo 35, narra o seu encontro com Silveira, um dos integrantes dos “Samaritanos”. O próprio Silveira, ao vê-lo em “Nosso Lar” surpreende-se com a sua presença lá, posto, talvez, não esperar que André tivesse desencarnado tão cedo.
André sente-se constrangido, de vez que Silveira, junto com a família, tinha sido prejudicado pelo seu pai, que, na condição de agiota, em vista da impossibilidade de que Silveira resgatasse com ele o débito adquirido, o espoliara de todos os bens, deixando-o numa situação econômica muito difícil – então, o referido chefe de família estava doente, com dois filhos igualmente acamados, certamente, à época, vitimados por alguma enfermidade tropical.
A esposa de Silveira havia tentado obter a intercessão da mãe de André junto ao esposo, de nome Laerte, todavia ele não a ouviu, e, encorajado pelo próprio filho ainda muito jovem, levou a cabo a execução da dívida, que, inclusive, levara a senhora Silveira a ficar sem o seu piano. Escreveu o autor espiritual: “Derrotados na luta, os Silveiras haviam procurado recanto humilde no Interior, amargando o desastre financeiro em extrema penúria.”
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Silveira, ao reencontrar André, age cavalheirescamente, e, nem de leve, menciona o desagradável episódio, que, junto a outros equívocos, muito estava custando ao pai de André Luiz, retido em obscuras regiões umbralinas.
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Procurando Narcisa, igualmente sua conselheira nos primeiros tempos de “Nosso Lar”, André, naturalmente avexado, descreve o ocorrido, escutando dela o seu próprio depoimento: “Já tive a felicidade de encontrar por aqui o maior número das pessoas que ofendi no mundo. Sei, hoje, que isso é uma bênção do Senhor que nos renova a oportunidade de restabelecer a simpatia interrompida, recompondo os elos quebrados, da corrente espiritual.”
E, em seguida, ouve-lhe a pergunta: “Aproveitou você, o belo ensejo?” Ante a negativa de André, a simpática Narcisa o incentiva: “Vá, meu caro, e abrace-o de outra maneira. Aproveite o momento, porque o Silveira é ocupadíssimo e talvez não se ofereça tão cedo outra oportunidade.”
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Recordemos aqui a recomendação de Jesus: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho...”
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Atitude linda a de Silveira que, quando André o procura, para desculpar-se em seu nome e em nome de seu pai, praticamente nem o deixa terminar de falar, não consentindo que ele prosseguisse se humilhando – repetindo, que bela atitude! Quantos, antes de se disporem a perdoar algum mal entendido, esperam que o pretenso ofensor se humilhe ao extremo!...
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Terminando, em nossa síntese, Silveira diz a André: “... seu pai foi meu verdadeiro instrutor. Devemos-lhe, meus filhos e eu, abençoadas lições de esforço pessoal. Sem aquela atitude enérgica que nos subtraiu as possibilidades materiais, que seria de nós no tocante ao progresso do espírito?”
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Pois é, caros internautas, poucas perguntas desta vez, mas, com certeza, a mais incisiva de todas as que aqui já tivemos oportunidade de lhes formular: - Antes de passarem por um constrangimento semelhante ao de André Luiz deste Outro Lado, algum de vocês, se for o caso, já procurou aproveitar “o belo ensejo”?!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 16 de outubro de 2017.







segunda-feira, 9 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVIII

No capítulo 34 – “Com os Recém-Chegados do Umbral” –, André efetua notáveis considerações, a respeito dos espíritos que, desencarnados a mais ou menos tempo – alguns em condições de profunda demência –, foram resgatados pelos “Samaritanos” e encaminhados aos pavilhões das “Câmaras de Retificação”.
Interessante o diálogo que ele entabula com uma senhora, que auxilia a descer de um dos carros da missão socorrista, que – pasmem! – acreditava ter sido resgatada do Purgatório. Vejam os nossos irmãos internautas o poder de sugestão da mente sobre a vida do espírito! Durante séculos e séculos, “fazendo a cabeça” de seus seguidores, a Igreja Católica fez com que se lhes cristalizasse na mente a ideia de Céu, Inferno e Purgatório – é como se fosse uma hipnose de longo curso, da qual, muito lentamente, os espíritos haverão de despertar.
*
Entrando em conversa com a referida senhora, André descobre que ela havia sido “dona” de muitos escravos, que fizera sofrer, tendo a consciência “aliviada” pelas periódicas confissões que realizava com um padre que lhe visitava a fazenda – o padre Amâncio –, em troca de hospedagem, mesa farta e polpudas doações para a Igreja.
No diálogo que, em síntese, o autor espiritual reproduz, ela estava convicta de que a raça negra era inferior: - “Escravo é escravo – dizia. – Se assim não fora a religião nos ensinaria o contrário. Pois havia cativos em casa de bispos, quanto mais em nossas fazendas? Quem haveria de plantar a terra, senão eles? E creia que sempre lhes concedi minhas senzalas como verdadeira honra!...”
Quem saberá dizer de quanto tempo um espírito assim necessitará a fim de modificar as suas concepções raciais?! Quanto carma, de fato, a Humanidade ainda tem a resgatar com os integrantes da raça negra, e outros irmãos nossos, como, por exemplo, os índios?! Às vezes, eu me ponho a pensar que o peso do carma que, coletivamente, paira sobre a Humanidade, caso desabasse de repente, a esmagaria! Poucos, talvez, escapassem desse “terremoto” generalizado! Não fosse a intercessão da Misericórdia Divina, junto à Divina Justiça, advogando a causa dos homens, a raça humana desapareceria, porque, em sua história, há carma suficiente para tanto!...
*
Quando pergunta à antiga senhora de escravos – que tinha consciência de sua “morte” – imaginava ter sido sequestrada ao Purgatório! –, quando é que ela havia deixado a Terra, surpreso, ouve a resposta: - “Em Maio de 1888.”!...
Ora, André Luiz informa que as experiências colhidas para escrever o livro “Nosso Lar”, foram vivenciadas por ele em 1938, às vésperas de estourar a Segunda Grande Guerra (1939-1945) – portanto, a senhora que com ele dialogava havia desencarnado, simplesmente, há 50 anos! – sim, ela havia deixado o corpo há meio século, sem a menor noção de que tanto tempo houvera passado.
Observem, os nossos internautas, que, em determinadas circunstâncias, o espírito “perde” completamente a consciência de espaço e tempo – mormente quando o remorso faz com que ele “estacione” no exato ponto em que adquiriu a culpa. Provavelmente, não fosse a missão socorrista, empreendida pelos “Samaritanos”, a situação espiritual daquela infeliz irmã ter-se-ia prolongado por maior número de lustros. Espíritos existem que, com ou sem consciência de seu desenlace do corpo, permanecem, nas proximidades da Crosta por séculos! Eis, portanto, algo que todos os espíritos deveriam temer em sua desencarnação – mesmo na condição de espíritas, deveriam e devem temer: a ausência de lucidez em relação a si e, consequentemente, de sua nova condição existencial!...
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Informamos ainda que a mencionada senhora – veja-se que coisa! – desencarnou em consequência da Lei Áurea, promulgada pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888! O abalo emocional que experimentou foi tamanho – sabendo que todos os “seus” escravos não mais lhe pertenciam –, que ela teve uma apoplexia!...
Incrível, não!...
Quanta miséria em nós! Quanta sombra ainda por alijar do próprio espírito!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba, 9 de outubro de 2017. (*)
(*) Aniversário do Auto-de-Fé de Barcelona, Espanha, ocorrido em 9 de outubro de 1861.






segunda-feira, 2 de outubro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVII

Os nossos irmãos haverão de nos perdoar, uma vez mais, se nos demoramos na reflexão do capítulo 33, de “Nosso Lar”. Acontece, porém, que todos os capítulos da mencionada Obra estão repletos de preciosas lições – que não nos devem passar despercebidas, pelo seu conteúdo altamente elucidativo e revelador.
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Quando os “Samaritanos” estão regressando do Umbral, onde haviam resgatado inúmeros irmãos desencarnados quase em estado de completa demência, André Luiz não pode deixar de manifestar surpresa com “seis grandes carros, formato diligência, precedidos de matilhas de cães alegres e bulhentos”, que “eram tirados por animais que, mesmo de longe”, lhe “pareceram iguais aos muares terrestres”.
Notando o meio de transporte quase primitivo, em comparação com o progresso tecnológico que, à época, já existia em “Nosso Lar”, utilizado para socorrer aqueles irmãos e irmãs, André indagou a Narcisa: - “Onde o aeróbus? Não seria possível utilizá-lo no Umbral?” Sim, será que a cidade não dispunha de recursos mais avançados para semelhante tarefa de resgate?! Por que aqueles carros antigos, que, certamente, não mais circulavam nas ruas de “Nosso Lar”?! E, ainda, puxados por muares?! Com matilhas de cães na escolta dos “Samaritanos”, e os “íbis viajores”, pássaros da família dos pelicanos, que seguiam a caravana, com a tarefa de devorarem “as formas mentais odiosas e perversas, entrando em luta franca com as trevas umbralinas”?!...
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Informações paralelas: no antigo Egito, o Íbis era considerado sagrado e, segundo os pesquisadores, associado à adoração ao deus Thoth, o deus da escrita e da sabedoria, crendo que havia sido ele o criador dos hieróglifos. Às vezes, o Íbis era representado com a cabeça de um babuíno.
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O Íbis, acompanhando os “Samaritanos”, exerciam, naquelas regiões umbralinas, função semelhante a dos abutres e urubus, aves aparentadas com os condores, que são extremamente úteis na Natureza, devorando as vísceras cadavéricas de animais e homens insepultos. Ainda, pela informação de Narcisa a André Luiz, “entrando em luta franca com as trevas umbralinas”, os Íbis, pelo seu avantajado tamanho e grunhidos, inspiram medo às formas animalescas que pululam nas regiões limítrofes às cavernas existentes nos subterrâneos do Umbral.
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Não obstante, no referido capítulo de “Nosso Lar”, o que mais chama a atenção, sem dúvida, é resposta de Narcisa a André Luiz, justificando a não utilização de veículos mais modernos naquela tarefa de resgate: “Questão de densidade da matéria. Pode você figurar um exemplo com a água e o ar. O avião que fende a atmosfera do planeta não pode fazer o mesmo na massa equórea. Poderíamos construir determinadas máquinas como o submarino (destacamos); mas, por espírito de compaixão pelos que sofrem, os núcleos espirituais superiores preferem aplicar aparelhos de transição. Além disso, em muitos casos, não se pode prescindir da colaboração dos animais.”
Aqui estacamos para indagar de nossos leitores: os “Samaritanos”, não estariam equipados com roupas especiais para aquele “mergulho” na referida sub-Dimensão umbralina, na qual, inclusive, lhes seria difícil respirar com facilidade?! Vocês se recordam de que, no livro “Libertação”, André Luiz, na companhia de Gúbio e Elói, necessita se materializar para ser percebido na cidade dos “gregorianos”, ou dos “draconianos”?!
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Apenas com o propósito de melhor auxiliar na reflexão daqueles que nos prestigiam com a sua atenção neste Blog, informamos que há um livro de autoria de Chico Xavier, publicado pela Editora GEEM, de São Bernardo do Campo – SP, com o sugestivo título “Astronautas do Além”.
O que, portanto, diante do exposto, os leitores atentos da Obra Andreluizina têm a nos dizer?!

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 2 de outubro de 2017. 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

COMO VOCÊ INTERPRETA?! – XXVI

No capítulo 33 do livro “Nosso Lar”, André Luiz, basicamente, aborda quatro assuntos importantes: as saudades que sentia da família terrestre; o desdobramento – fornece notícias de dois espíritos encarnados que, no instante do desprendimento pelo repouso do corpo físico, estavam visitando “Nosso Lar”; a chegada da equipe de resgate denominada “Samaritanos”; e outra vez, referência aos animais no Mundo Espiritual.
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Comentemos, inicialmente, a sua observação daqueles “dois vultos enormes” dos quais, segundo ele, “dos pés e dos braços pendiam filamentos estranhos, e da cabeça como que se escapava um longo fio de singulares proporções.” Evidentemente, André está fazendo referências aos laços perispirituais que unem o espírito ao corpo carnal. O “fio de singulares proporções” que ele observa à altura da cabeça, é uma espécie de cordão umbilical, de natureza elástica, que tão somente, se desprende em definitivo quando do fenômeno da desencarnação.
No livro intitulado “Obreiros da Vida Eterna”, em seu capítulo XIII – “Companheiro Libertado” –, narrando a desencarnação de Dimas, o autor espiritual anota o que lhe disse Jerônimo: “Segundo você sabe, há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos sediados no tórax, e o centro mental, mais importante por excelência, situado no cérebro.”
Os nossos irmãos internautas, certamente, haverão de pensar não apenas no cordão umbilical que, constituído por duas artérias liga o feto à placenta – quando o cordão umbilical é cortado, a criança, então, passa a respirar com autonomia – é o maravilhoso fenômeno do nascimento! Pensarão, igualmente, os nossos irmãos, naquele “cordão” que liga o astronauta à sua nave, e, através do qual, ele recebe suprimento de oxigênio. Se o cordão que liga o astronauta à nave espacial se romper, ele se perderá no espaço sideral. (Semelhantemente, os mergulhadores de grande profundidade – a Organização Internacional do Trabalho considera essa profissão a mais perigosa do mundo! – quando deixam os submarinos, que lhes abrem as escotilhas, ao caminharam sobre o piso dos oceanos, ou em suas proximidades, permanecem presos a eles por uma espécie de “cordão”.) Analogias interessantes, para que os nossos irmãos reflitam no chamado “cordão de prata”, dentro qual circulam energias de natureza atômica que promovem a união entre espírito-perispírito-corpo!...
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Nos espíritos menos evolvidos, os laços perispirituais, claro, se revelam mais grosseiros, e, portanto, menos elásticos, não permitindo que o espírito se ausente do corpo para longas distâncias. O “cordão umbilical” pode também, em sua existência, ser considerado subjetivamente, ou do ponto de vista psicológico, nas “imantações” que o espírito, estando encarnado ou desencarnado, experimenta, não logrando, na maioria das vezes, afastar-se muito do local em que respira, como, por exemplo: família, casa, cidade, país, etc.
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Em alguns episódios de desdobramento, ou da “saída” temporária do espírito do corpo físico, os filamentos perispirituais podem reunir-se em um único, que lhes parece terminar à altura das pernas, dos joelhos aos pés.
Quanto maior for a distância que o espírito, em estado de projeção, esteja de seu corpo físico, mais adelgaçado o “cordão de prata” se apresenta, podendo, quando assim esteja determinado que ocorra, romper-se em definitivo.
Em “Obreiros da Vida Eterna”, em seu capítulo XIX – “A Serva Fiel” –, falando sobre o desenlace de Adelaide Câmara, a nossa Aura Celeste, mais uma vez, André Luiz registrou a palavra de Jerônimo, o Instrutor: “A cooperação de nosso plano é indispensável no ato conclusivo da liberação; todavia, o serviço preliminar do desenlace no plexo solar e mesmo no coração, pode, em vários casos, ser levado a efeito pelo próprio interessado, quando este haja adquirido, durante a experiência terrestre, o preciso treinamento com a vida espiritual mais elevada.”
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Não obstante, a fim de não nos estendermos em demasia, o que André Luiz, no capítulo 33 de “Nosso Lar”, quis demonstrar é que, em circunstâncias especiais, espíritos encarnados na Terra podem, perfeitamente, visitarem outras Dimensões, porquanto, afinal, o espírito não se encontra “emparedado” no corpo carnal.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de setembro de 2017.