segunda-feira, 20 de agosto de 2018


XIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, DE ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Gúbio, codinome de alto Instrutor da Vida Espiritual, ainda esclarece:
“Nossa mente é uma entidade colocada entre forças inferiores e superiores, com objetivos de aperfeiçoamento.
(...) O espírito encarnado sofre a influenciação inferior, através das regiões em que se situam o sexo e o estômago e recebe os estímulos superiores, ainda mesmo procedentes de almas não sublimadas, através do coração e do cérebro”.
Notemos que o ser encarnado, quanto o desencarnado, que ainda não alcançou patamares evolutivos mais altos, vive, no presente, entre o passado e o futuro – o hoje vive entre o ontem e o amanhã.
Através dos “chakras”, ou “centros de força”, considerados inferiores, o Básico e o Esplênico, e os superiores, o Coronário, o Frontal e o Cardíaco, o homem, ou seja, o espírito se divide entre apelos que o “puxam para baixo”, e outros que o “puxam para cima”...
Imaginemos uma árvore que, pela sua raiz fincada no solo, recebe influencias do centro da Terra, e pela sua copa, lançada às alturas, recebe influencias do Cosmos – do magma que é sinônimo de morte, e da claridade solar que se traduz em vida.
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Afirma Gúbio, estendendo o seu raciocínio:
“Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se no caminho que deseja.”
Eis a questão do livre arbítrio, que vai se acentuando quanto mais o espírito cresce, para, depois, anular-se completamente, com a sua vontade se submetendo à Vontade do Criador.
Jesus ensinava: “Não busco a minha vontade, mas a Vontade do Pai que me enviou”.
Sob a ação do Determinismo, acatado inconscientemente, o ser evolui, adquire o livre arbítrio, que vai se desenvolvendo, para, posteriormente, voltar a ser Determinismo, mas com lucidez.
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Anotamos, assim, que, no uso de seu livre arbítrio, o ser pode levar indefinido tempo no processo de sua maturação psíquica. Metaforicamente, ele pode ficar vagando entre os seus “chakras” inferiores e superiores, por vezes, estacionando por séculos no “Laríngeo”, quando o homem costuma ser mais “garganta”, ou seja, mais palavra que ação – ou se refestelando no “Solar”, como alguém que vai a praia apenas para expor-se ao Sol, e não para refletir na transcendência do mar.
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Gúbio, continuando a ponderar, elucida com sabedoria:
“Atitudes mentais enraizadas não se modificam facilmente”.
Para que elas se modifiquem, ou comecem a se modificar, muitas vezes, necessitam do concurso da dor...
Assim como a paisagem terrestre, que não se modifica sem que sofra a ação de fortes “sacudidas”, o espírito para se transformar carece de experimentar “terremotos” em seu mundo íntimo, no soterramento de seus egos...
É quando, então, o sofrimento surge para cumprir com a sua parte no processo da Criação Divina – somente o sofrimento pode “desalojar” o espírito do comodismo em que ele estaciona, com os seus equívocos e ilusões.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de agosto de 2018.