segunda-feira, 25 de junho de 2018




V – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO”, ANDRÉ LUIZ/ CHICO XAVIER

A preleção do Ministro Flácus, sem dúvida, é a mais substanciosa página do Espiritismo, e do Espiritualismo em geral, abordando o tema da existência do Mundo Espiritual e o regime de interdependência em que vivem encarnados e desencarnados.
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Discorrendo sobre a situação da comunidade dos que vivem fora do corpo, nas proximidades do orbe terrestre, o Ministro elucida:
“Um reino espiritual dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e do poder”.
Infelizmente, desta realidade, nem mesmo o Espiritismo tem escapado, pois que há muito joio lançado em meio ao trigo do Movimento Espirita, e muitos lutam pelo poder, chegando mesmo a serem tirânicos contra aqueles que não rezam pela sua cartilha.
O chamado Movimento Espírita está contaminado, em quase todos os seus seguimentos, e carece ser saneado, com os seus militantes voltando a se devotarem ao verdadeiro espírito da Doutrina.
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Outra afirmação importante de Flácus:
“Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a dominação da Terra”.
Vejamos a situação espiritual do Brasil, onde os “filhos do desespero”, que, atualmente, se encontram encarnados, sequer pensam na existência de Deus e agem como não tivessem que vir a prestar contas à Lei. Colocam-se acima de tudo e de todos, e sob forte hipnose, são comparsas do crime organizado, que, no Brasil, se apresenta, também, disfarçado de partidos políticos.
Há uma onda de cepticismo percorrendo o país de ponta a ponta, da qual somente os que perseverarem até o fim haverão de ser salvos, ou seja: escaparão de sua influência funesta e arrasadora.
A verdade é que o Brasil, esse gigante, que concentra as esperança de vir a ser a Pátria do Evangelho, agoniza, quase ferido de morte pelos seus próprios filhos.
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A afirmação que Flácus faz em seguida é estarrecedora:
“... e anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária”.
Representam eles a figura do Demônio, ou do anjo do mal, que se atreve a colocar em oposição ao Criador. A sua ousadia é tanta, e tão inconsequente, e tão insana, que desejam perverter a Lei Divina!
Organizam-se eles, no mundo todo, em falanges imensas, e, principalmente, através da Política e da Religião, agridem os homens, espíritos encarnados que, com extrema dificuldade, estão lutando para saírem do lugar comum.
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O Espiritismo, evidentemente, não haveria de ser poupado desse “ataque” das trevas, que lhe é movido pelos seus pseudo profitentes, que estão ocupando o poder, a partir de um simples Centro Espírita até a um órgão unificador.
Na atualidade, a fim de que o “poder” se descentralizasse, seria interessante que surgisse uma vertente paralela ao poder dos órgãos unificadores atuais – o que está dividido carece sem dúvida, de ser mais fracionado ainda, porquanto a verdadeira unificação se alicerça na descentralização do poder, promovendo a união espiritual.
O Espiritismo há de ser forte quando os homens se enfraquecerem em sua ânsia de poder.
Com o devido respeito às Leis Divinas, ouso clamar aos Céus que, infelizmente, Chico Xavier, aos 92 de idade, desencarnou cedo demais.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 25 de junho de 2018.