segunda-feira, 23 de julho de 2018


IX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Quase a encerrar a preleção, um companheiro, que estava assembleia, questionou o Ministro:
- “Grande benfeitor, reconhecemos a veracidade de vossas afirmativas; todavia, porque não suprime o Senhor Compassivo e Sábio tão pavoroso quadro?”
Flácus respondeu:
“Não será o mesmo que interrogar pela tardança de nossa própria adesão ao Reino Divino? Sente-se o meu amigo suficientemente iluminado para negar o lado sombrio da própria individualidade? (destacamos) Libertou-se de todas as tentações que fluem dos escaninhos misteriosos da luta interna? (...)”.
As Leis Divinas respeitam o livre arbítrio da criatura, embora ainda não detentora do livre arbítrio absoluto – nem poderia ser diferente, pois, caso contrário, a criatura, em sua imperfeição, haveria de fazer com que o mal, ou a ignorância, que existe em si, viesse a se perpetuar.
Não obstante, precisamos convir que, pela sua liberdade de escolha, o homem, indefinidamente, pode ser opor às Leis da Evolução.
Portanto, não creiam os nossos irmãos encarnados que o Mundo Espiritual possa tomar providências radicais na mudança do cenário da vida sobre a Terra, nem tampouco interferir nos rumos que o espírita imprimir ao Movimento – que não representa a Doutrina, mas que pode fazer com que a sua assimilação e entendimento se atrase na mente popular.
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Flácus acentua:
“Somos simplesmente alguns bilhões de seres perante a Eternidade. E estejamos convencidos de que se o diamante é lapidado pelo diamante, o mau só pode ser corrigido pelo mau. Funciona a justiça, através da injustiça aparente, até que o amor nasça e redima os que se condenaram a longas e dolorosas sentenças diante da Boa Lei”.
 Diante do exposto, cremos que, encarnados e desencarnados, carecemos de nos preparar para ainda enfrentar muitas dificuldades na senda evolutiva, e que, de fato, a transformação da Humanidade, com a consequente transformação do mundo, é trabalho laborioso, no qual, porém, cada qual, pelo seu esforço, pode se destacar e, assim, se for o caso, elevar-se a Planos mais altos.
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Quase a concluir a sua conferência, Flácus anota:
“... o Planeta, por enquanto ainda não passa de vasto crivo de aprimoramento, ao qual somente os indivíduos excepcionalmente aperfeiçoados pelo próprio esforço conseguem escapar, na direção das esferas sublimes”.
E cita Paulo de Tarso, em sua Epístola aos Efésios:
“... não temos de lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas e contra as hostes espirituais da maldade, nas próprias regiões celestes”.
Os espíritos infelizes organizam-se nas “regiões celestes”, ou espirituais, e, contando com os agentes de sua vontade na carne, pelejam contra a vitória definitiva do Reino Divino. Claro que não podem lograr o seu intento, porém, realmente podem conseguir retardá-la, qual o tem feito com a Doutrina nos tempos atuais, que, no Brasil, segundo as estatísticas, da desencarnação de Chico Xavier para cá, conseguiu, inclusive, perder adeptos. (*)

(*) Vide na Internet os vários Institutos de pesquisa.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 23 de julho de 2018.