segunda-feira, 15 de outubro de 2018


XXI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

André Luiz faz questão de descrever de maneira pormenorizada o cenário com o qual se depara, assim que atravessa a “fronteira” das Dimensões – ele, Gúbio e Elói haviam “descido” abaixo da Crosta Terrestre. Haviam concluído uma verdadeira “viagem no tempo” – sem dúvida, poderiam ser considerados na condição de “agêneres” na Dimensão visitada, quase mesmo que na condição de extraterrestres!
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“Lembrando a ‘selva oscura’, a que Alighieri se reporta no imortal poema, eu trazia o coração premido de interrogativas inquietantes.
Aquelas árvores estranhas, de frondes ressecadas, mas vivas, seriam almas convertidas em silenciosas sentinelas de dor, qual a mulher de Lot, transformada simbolicamente em estátua de sal? E aquelas grandes corujas diferentes, cujos olhos brilhavam desagradavelmente nas sombras seriam homens desencarnados sob tremendo castigo da forma? Quem chorava nos vales extensos de lama? criaturas que houvessem vivido na Terra que recordávamos, ou duendes desconhecidos para nós?”
No texto acima, sem dúvida, André Luiz nos leva a refletir nos fenômenos denominados zoantropia, licantropia e cinantropia.
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 Chico Xavier contava que um filho sempre costumava a espancar a mãe... Um dia, cansada de tanto dele apanhar, a mãe começou a maldizer o filho, dizendo que as suas mãos ainda haveriam de secar... Com o tempo, de fato, os braços do rapaz foram secando, assumindo a forma retorcida dos galhos de árvores ressequidas ao Sol... E ele, o filho agressivo – segundo Chico – haveria de renascer assim – com os braços e as mãos retorcidos, à semelhança dos galhos mortos de uma árvore.
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Até então – segundo o impressionante relato do autor espiritual –, eles não se faziam notar pelos grupos hostis com os quais se defrontavam...
“...indiferentes, incapazes de registrar-nos a presença. Falavam em alta voz, em português degradado (destacamos), mas inteligível, evidenciando, pelas gargalhadas, deploráveis condições de ignorância. Apresentavam-se em trajes bisonhos e conduziam apetrechos de lutar e ferir.”
Notemos: eles poderiam lutar e ferir... Sim, em seus organismos perispirituais, os três amigos poderiam ser feridos – recomendamos aqui, para maiores esclarecimentos, a leitura do livro “O Rosário de Coral”, escrito pelo Dr.Wylm, editado pela FEB.
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Gúbio, em seguida, fala com André e Elói sobre a necessidade de se materializarem – na verdade, auto-materilizarem-se!
“Finda a nossa transformação transitória, seremos vistos por qualquer dos habitantes desta região menos feliz.”
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Então, eles passaram a inalar “as substâncias espessas que pairavam em derredor, como se o ar fosse constituído de fluidos viscosos.
Elói estirou-se, ofegante, e não obstante experimentar, por minha vez, asfixiante opressão, busquei padronizar atitudes pela conduta do Instrutor, que tolerava a metamorfose, silencioso e palidíssimo.”
Percebamos que nem o próprio Gúbio deixou de algo sofrer com a “metamorfose”...
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Pelo exposto, podem os nossos irmãos encarnados imaginar o sacrifício relativo a que se expõem os desencarnados que sempre estão em contato com a Crosta...
Quando o contato é muito longo, sem indispensáveis intervalos de refazimento, o corpo espiritual, inclusive, pode ser afetado por doenças.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de outubro de 2018.