domingo, 7 de fevereiro de 2021

 

“Lockdown” Espírita?!

 

“Lockdown” dos Centros Espíritas?!...

Sinceramente, um absurdo.

Não se concebe que um Centro Espírita, que é um Hospital de Almas, permaneça fechado indefinidamente.

Em tempos de pandemia, compreende-se os cuidados – claro, ninguém quer desrespeitar a lei ou expor à existência humana ao desenlace precoce.

Concordamos com as medidas de prevenção – mas não concordamos com o COMODISMO DOS DIRIGENTES DOS CENTROS ESPÍRITAS.

Fazem parte da turma de risco?! Padecem de inúmeras comorbidades?!

Mais do que justo que se cuidem, por si e por aqueles que, eventualmente, possam contaminar.

Todavia, é bom saber, a maioria dos que estão desencarnando pelo “Covid” contaminou-se dentro de casa...

Então, somos de parecer que o “Lockdown” espírita está extrapolando os limites do bom senso, desconsiderando a necessidade espiritual de quem precisa tomar um passe.

Estamos fazendo o “jogo” da esquerda – calma, não estou me referindo à política – quero dizer que estamos fazendo o “jogo” de Gestas, o mau ladrão, que, segundo a fé popular, estava à esquerda do Cristo!...

Aproveito para esclarecer que não sou de direita e nem de esquerda, sou de “Centro” – estou com Jesus Cristo, que, segundo as narrativas foi crucificado entre dois ladrões, sendo que um era bom, Dimas, e outro mau, Gestas, porém ambos ladrões – ambos viviam de surripiar o povo!...

Então, com o propósito de colocarmos um ponto final no “Lockdown” dos Centros Espíritas, que já vai fazer aniversário, e com possibilidade de completar dois anos logo, logo, sou de parecer que as chaves dos Centros fossem passadas às mãos dos mais jovens – daqueles que, presentemente, não estão integrando o considerado “grupo de risco”.

Desapeguem-se das chaves dos Centros Espíritas, seus Presidentes e Dirigentes, que, talvez, até, indevidamente, é claro, considerem-se os seus “donos”...

Dê-se oportunidade aos confrades de sua confiança, que não irão transformar o Centro em salão de dança, de abrirem a referida Instituição e... receberem os que estão ávidos por ouvirem alguém no comentário de uma lição de “O Evangelho”, ou, conforme dissemos, receberem um passe, que já provou ser mais eficaz do qualquer vacina que ande por aí, sem maior competente aval da Ciência.

De minha parte, somente tenho autoridade para lhes dizer que as trevas estão adorando ver os Centros Espíritas fechados – indefinidamente fechados.

Os espíritas, muitos, estão ficando amolentados, porque estão perdendo o hábito que sequer ainda haviam adquirido da disciplina espiritual.

Ah, ainda em referência à vacina, nada contra os lobbies das indústrias farmacêuticas, que se expressem em inglês ou em mandarim – nada contra!

Todavia – ái meu Deus, tenho que falar! –, uma vacina que se preza não permitiria que o imunizado ficasse assim tão exposto a se contaminar de novo e, mais, a continuar contaminando indiscriminadamente...

Coitados de meus irmãos encarnados, condenados a usarem máscaras por um tempo à frente que somente Deus sabe até quando – pelo menos, vocês poderão inovar, não é?! – transmitir e receber um passe mascarados, infelizmente, tão ao gosto de médiuns que, em tempos de “Covid” ou não, são naturalmente “mascarados”...

 

INÁCIO FERREIRA

 

PS: Por favor, caso venham a me execrar pelo exposto, pelo menos usem máscara, certo?! Ao bafo de certos irmãos espíritas, tão pios e tão doutrinariamente corretos, eu prefiro o bafo do Demônio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 30 de janeiro de 2021

 

Turbulência Espiritual

Irmãos e irmãs: Jesus conosco.
Não desejando que a nossa palavra soe com pessimismo, não podemos negar, no entanto, que a Terra de agora vem atravessando grande momento de turbulência espiritual.
A referida questão, evidentemente, não se deve apenas aos problemas desencadeados pelo “Covid”, de vez que a pandemia que, nos tempos atuais, assola a Humanidade, é efeito, e não causa.
A verdade é que a turbulência, que ora se agrava, acenando com permanência mais ou menos longa, vem, pelo comportamento humano, se avolumando gradativamente através das últimas décadas.
O que constatamos ocorrer, qual tsunami psíquico a se lançar sobre as criaturas encarnadas, ameaçando tragá-las em suas caudalosas ondas de cepticismo, é consequência, sem dúvida, do descaso dos homens em relação ao que é pertinente ao espírito, e, em essência, à “rejeição” do Cristo que, após o episódio do Calvário, nunca padeceu perseguição semelhante à que vem experimentado agora.
Referimo-nos ao assunto pela insistência de muitos de nossos irmãos e irmãs de Ideal que têm nos dirigido incessantes apelos para que expressemos o nosso singelo ponto de vista em torno desse desassossego coletivo que parece tomar conta de imensas legiões de almas.
Tranquilizem-se, pois, não nos encontramos indiferentes às lutas morais que estão a caracterizar este século, desde o alvorecer do novo milênio – tudo temos feito para cumprir com os nossos deveres de fraternidade junto aos nossos companheiros que mourejam na carne. Não obstante, confessamos, a quantos anseiam pela nossa palavra e pela nossa presença, que, igualmente, não nos têm sido fácil atravessar esse “oceano mental” em constante turbulência, sem, muitas vezes, nos depararmos com um ancoradouro de fé e oração, a fim de que possamos contar com a mínima condição necessária para, em nome do Cristo, prosseguirmos em nossos labores exercidos entre as Duas Dimensões.
Todavia, estamos firmes e não haveremos de recuar, quanto solicitamos a todos os nossos irmãos e irmãs que a nós se unam no esforço de manter a calma e continuar enfrentando a situação na certeza de que as trevas não prevalecerão sobre a luz.
Forças espirituais antagônicas vêm encontrando respaldo nos pensamentos de pessimismo e nos sentimentos menos nobres de muitos que se encontram encarnados, preocupados tão somente com o imediatismo da existência no corpo perecível.
O momento é, sim, de pacífica resistência em nosso devotamento ao Bem, sem nos permitir contagiar pelo noticiário alarmista que se generaliza e pode nos dar a impressão de que o mundo seja um barco à matroca, perto de inevitável naufrágio. Em absoluto, porque o Senhor, com as suas Divinas Mãos, permanece no leme e essa turbulência, necessária a nosso ver, há de nos constranger à mudança de rota, induzindo-nos à descoberta de um novo mundo na própria Terra, na qual há de florescer uma nova Humanidade.
Inúmeros espíritos compromissados com a Justiça e com o Bem e, consequentemente, com o Cristo, já se encontram corporificados no planeta, ou em processo de corporificação, e, a pouco e pouco, haverão de substituir os espíritos renitentes que estão tendo uma de suas derradeiras oportunidades no orbe, antes que partam em demanda a doloroso exílio.
Redobremos, assim, as nossas orações e, sobretudo, a nossa confiança, sem consentir que a tempestade avassaladora que sopra em todas as latitudes do planeta estabeleça o caos em nosso mundo íntimo e nos arraste para onde pretendem nos conduzir aqueles que se erigem em adversários gratuitos do Senhor, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 31 de Janeiro de 2021.



domingo, 24 de janeiro de 2021

 

Pandemia

E

Comodismo Espiritual

 

Irmãos e irmãs: o Senhor nos abençoe.

Natural, sim, conforme nos ensina “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que procuremos cuidar da saúde do corpo, sem, no entanto, olvidarmos a do espírito.

Nossas palavras vêm a propósito da atual pandemia que, desde o início do ano passado, assola a Humanidade, e que, infelizmente, ainda haverá de se estender por algum tempo.

As adversidades, individuais e/ou coletivas, são inevitáveis nos caminhos do espírito em evolução.

Realmente, os homens encarnados, com as exceções existentes, e elas não são poucas, enveredavam por atalhos que terminariam por comprometer as conquistas atuais da civilização.

Nesses momentos cruciais da história humana na Terra, mormente agora com uma população de mais de sete bilhões de almas, o inconsciente coletivo opera, e, então, determinados fenômenos se desencadeiam, sempre no propósito de socorrer e de ensinar, e nunca no de fazer sofrer, qual se o Criador, através de Suas Leis, magnânimas e justas, fosse um Pai insensível que não se importasse com as lágrimas dos filhos.

Assim, embora a muitos possa não parecer, imensas legiões, sobre o orbe terrestre, a pouco e pouco, vêm modificando o seu modo de pensar a Vida, ensejando no terreno do próprio espírito a separação do joio e do trigo.

Contudo, sem dúvida, carecemos de discernimento e prudência, para não consentirmos que o medo excessivo de perder o corpo físico não nos induza a descuidos, em relação à necessidade de prosseguirmos trabalhando em nosso processo de educação espiritual.

Ninguém, é claro, deve se expor desnecessariamente ao perigo de contágio pelo denominado “Covid 19 “, quanto não deve arriscar-se em outros campos que possam lhe comprometer a encarnação, que, afinal, como ensina André Luiz, em “Nosso Lar”, “é sempre uma tentativa de magna importância”, para os anseios da criatura.

Contudo, não se justifica, igualmente, o demasiado retraimento a que muitos vêm se entregando, não muito atentos aos valores do tempo, que, para o espírito encarnado, se mostram limitados, sem que alguém possa prever, com exatidão, quando haverá de empreender a Viagem de Volta.

Apelamos, pois, para que, na medida do possível, os nossos irmãos e irmãs espíritas-cristãos, deem prosseguimento às suas atividades, na doação de si mesmos, à Causa do Evangelho, que não deve sofrer interrupções que venham a lhe ser impostas, direta ou indiretamente, por ação de seus adversários, encarnados e desencarnados.

Vendo a menor possibilidade de avançar, não permaneçam os nossos confrades e confreiras, encolhidos, ou acuados, como quem ainda não aprendeu a dar o seu testemunho de fé na imortalidade.

O Senhor, evidentemente, não espera de nós outros o menosprezo pelas hostilidades que rondam os passos de todos os que intentam segui-Lo! Não obstante, repetimos, não se justifica o receio que nos imobilize completamente, quase que a nos subtrair as conquistas que, às duras penas, vimos efetuando de algum tempo para cá... Sim, porque somos, em maioria, espíritos muito jovens na aquisição de novos hábitos, e corremos sérios riscos de retrocesso nas nobres aquisições, que, à luz do Cristianismo Redivivo, estamos realizando.

Sem descaso às orientações das autoridades sanitárias que são chamadas a nos orientar neste momento delicado, busquemos, com a segurança indispensável – que diga respeito a nós e aos nossos semelhantes –, retomar as tarefas espirituais sob a nossa responsabilidade, convictos, sobretudo, de que, na hora que passa, o homem nunca necessitou tanto de encontrar uma porta que não se lhe cerre, indefinidamente, à extrema carência de pão para o corpo e para a alma.

 

Irmão José

 

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de 22 de Janeiro de 2021, em Uberaba – MG).

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

 

Oração

No Alvorecer

De 2021

 

Senhor...

No alvorecer deste ano que começa, de volta ao contato com os nossos irmãos encarnados, que tantas provações enfrentaram em 2020, rogamos, à Tua magnanimidade, que interceda em favor de todos eles, na Terra inteira...

No entanto, Mestre, não Te rogamos apenas pelos que choram os seus entes queridos que partiram vitimados pela pandemia que assola o planeta, e nem tampouco por aqueles que temem o seu contágio, ainda não estando preparados para o desenlace do corpo em que, presentemente, se abrigam em suas experiências evolutivas...

Vimos Te pedir, Senhor, por todos aqueles que se erigem em obstáculos ao progresso da Humanidade, insistindo em espalhar a sombra que conspira contra os Teus ideais de construir o Reino de Deus entre as criaturas...

Que eles possam se sensibilizar com o sofrimento do povo e, assim tocados no espírito, renunciem aos seus propósitos egoísticos de obter vantagens transitórias à custa de tantas lágrimas alheias derramadas...

Que se esqueçam dos interesses imediatistas que os movem em suas ilusórias ambições, compreendendo que, mais cedo ou tarde, serão chamados pela Lei a prestarem contas de seus desmandos, que, infelizmente, vêm entravando o progresso espiritual das grandes coletividades no planeta...

Que todos eles, nossos equivocados irmãos em Humanidade, retrocedam em seus estranhos anseios de se perpetuarem no poder que a Bondade Divina, temporariamente, lhes concede, para que, em nome Dela, tutelem os passos daqueles outros irmãos para os quais, muitas vezes, a felicidade, simplesmente, se resume, em ter pão sobre a mesa...

Sim, Mestre, é para todos eles que vimos Lhe pedir neste novo tempo de aprendizado e trabalho que o calendário humano descerra para quantos, na atualidade, se encontram em labuta no orbe terrestre, esperançosos de melhores dias...

Auxilia-nos em nome de Deus, nosso Pai, para que, não venhamos, no corpo ou fora dele, nos constituir em pedra de tropeço, ou em causa de escândalo para quem quer que seja, escutando, hoje e sempre, no âmago do espírito, as Tuas indeléveis palavras:

- “É inevitável que venham escândalos mais ai do homem pelo qual eles vêm!

Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.”

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 17 de Janeiro de 2021.

 

 

 

 

 

 

domingo, 20 de dezembro de 2020

 

PRECE DE 2020

 

Senhor Jesus, Mestre Amado,

Este foi um ano que nos proporcionou inúmeras

E preciosas lições –

Lições somente comparáveis às que nos foram

Transmitidas em oportunidade semelhantes,

Nos séculos que já se foram...

Aprendamos, neste ano,

Sobre –

A fugacidade da existência no corpo físico,

A inutilidade das ambições,

A ilusão do poder transitório...

Sobretudo, aprendemos

Que, crendo ou não crendo nelas,

Estamos à mercê das Leis Divinas,

Das circunstâncias da frágil vida humana

Na Terra,

Que ninguém deve se considerar

Em situação de privilégio...

Aprendemos ainda

O quanto é difícil aprender

As lições mais comezinhas de fraternidade –

O quanto é difícil vencer o egoísmo,

Quando mesmo estejamos

A deixar a carcaça por ação de um

Ser microscópico –

Que nos impôs a derrota que

Davi impôs a Golias, manejando uma funda...

Aprendemos, igualmente,

Que muito temos a aprender –

Praticamente o A, B, C do amor ao próximo,

No qual somos analfabetos...

Aprendemos que não temos memória,

Ou coração, não sei,

Porque como nos esquecemos com facilidade

Dos tropeços, das quedas, dos fracassos –

Como, de repente, o anjo que ensaiávamos ser

Volta a ser humano, e, em certos casos,

Até sub-humano...

Este ano de 2020, dos derradeiros anos,

Nos últimos séculos,

Sem dúvida, foi dos mais preciosos para nós –

No corpo e fora do corpo...

Foi um ano que nos trouxe à flor da pele

O que ficava escondido nas entranhas

Dos tecidos de nossos corpos –

Mais ou menos denso, não importa...

Este ano de 2020 foi “cacete”

Prá burro, mas justamente por ele

Queremos Te agradecer...

Estamos, sim, nos conhecendo melhor

E sabemos mais do que somos capazes,

Tanto no Bem quanto no mal,

Tanto diante de uma Pandemia, quanto fora dela...

E que tristeza, Senhor,

Constatar que, como integrantes da Humanidade,

Ainda estamos tão longe –

Infinitamente distantes –

De sermos quem esperas que, um dia,

Venhamos a ser...

Aprendemos, sim, Senhor,

A olhar um pouco mais para o Céu,

Voltamos a dobrar os joelhos

E a curvar a cerviz –

Ah, o que o medo da morte não faz com o homem!...

Senhor, no que pese os que partiram

Antes de outros,

E vieram se juntar a nós, deste Outro Lado,

2020 foi uma maravilha! –

Expôs as nossas chagas todas,

Ou quase todas –

Tu nos demonstraste o que um simples

Vírus,

Pode nos ensinar em Teu nome,

A nós que, há dois mil anos,

Sequer aprendemos, com os olhos do espírito,

A ler o Teu Testamento

De Sabedoria e de Amor

À Humanidade egóica – que nome feio –

Para uma coisa mais feia ainda –

O egoísmo,

Responsável pelos insucessos espirituais do homem

E que ainda lhe custará,

Nos anos vindouros,

Lágrimas mais abundantes!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 20 de Dezembro de 2020.

 

NOTA – este Blog voltará com página inéditas do Dr. Inácio Ferreira no dia 17 de Janeiro de 2021.

 

 

 

 

 

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

 

MAR E PRAIA

 

Qual a água do mar toca a praia, e a encharca, assim é o Mundo Espiritual próximo, em relação à Terra.

Notemos que os banhistas, muitos deles, em seus trajes menores, à feição dos desencarnados, permanecem num estado de transição – continuam tão humanos que, quando logram se retirar da praia, deixam-na quase completamente repleta de lixo.

A praia, por assim dizer, é o “Umbral”, a Dimensão intermediária entre a cidade e o oceano – entre a Terra e o Mundo Espiritual livre.

Raros são os banhistas que, por saberem nadar, se aventuram mar adentro, distanciando-se da praia.

A esmagadora maioria, quando se vê fora do corpo, com receio do Infinito, não ousa mais que molhar os pés – depois de breve bronzeado, deliberam voltar à cidade e retomar a segurança de quem pisa em chão já conhecido.

Dando as costas para o Infinito, ou seja, para o Mundo Espiritual de natureza mais transcendente, opta pelo regresso à vida comum – toma um banho quente em casa e procura se livrar de toda e qualquer lembrança da areia das praias do litoral.

Não obstante, o oceano, ou seja, o Mundo Espiritual, em suas águas mais rasas ou mais profundas, permanece na expectativa de quem seja capaz de desbravá-lo.

Até o presente momento, poucos são os banhistas que, exímios nadadores, arriscam-se a ir um pouco mais longe, e, depois, retornam procurando encorajar os mais temerosos a não se contentarem com apenas molhar os pés, ou dormir sob as sombrinhas postadas na areia da praia.

Realmente, para que alguém se aventure mar adentro é preciso que tenha aprendido a nadar, e mergulhar, assimilando, inclusive, a técnica da flutuação.

Alguns têm tanto receio do mar que preferem, embora em trajes de banho, permanecer num dos bancos da calçada, à sombra de uma palmeira, repetindo de maneira inconsciente: - Eu quero a minha mãe!...

E é justamente esse desejo, o de querer a mãe, que faz muitos banhistas retornarem mais depressa às suas casas, entrarem num pijama e dormir ao barulho da maré...

Contudo, o mar permanecerá onde sempre esteve – desafiador. E quem não vencer o medo do Infinito nada conseguirá, por muito e muito tempo, mais que pisar na areia da praia e permitir que a água do oceano lhe toque os pés.

A praia é o “Umbral” dos espíritos que deixam o corpo – praia, diga-se de passagem, repleta da presença humana dos banhistas que não se preocupam com o meio ambiente.

O Espiritismo é excelente “escola de natação”, para que os futuros banhistas percam o medo das águas do oceano e comecem a bracejar na direção do Infinito.

Mas, por hora, o receio de afogamento vem predominando na maioria dos banhistas, que, como eu, literalmente, nunca puderam realmente aprender a nadar sequer numa piscina – eu tinha medo de afogar até debaixo do chuveiro, ou, quando era mais menino, até na bacia d’água em que minha mãe me colocava para que eu pudesse me livrar da poeira cotidiana de minhas traquinagens.

Todavia, é verdade que tem banhista na cidade que sequer nunca foi à praia – eu penso que deve ter medo de ser puxado pelas ondas do mar...

Por este motivo, meu caro, se você quiser, o Espiritismo também pode ser, para você e para muita gente, um “Manual de Natação”, que, talvez, quando você for à praia, consiga encorajá-lo a entrar no mar da Vida Mais Alta com a água lhe dando, pelo menos, à cintura.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 13 de Dezembro de 2020.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 6 de dezembro de 2020

 

PROCURANDO UM CORPO...

FICÇÃO?!...

(Um caso dentre muitos de... reencarnação)

 

O espírito sente que deve reencarnar.

Trata-se de um impulso da Lei.

Íntimo.

Irresistível.

Necessita continuar evoluindo.

Precisa trabalhar.

Movimentar-se.

Criar.

Retomar um trabalho.

Ampliá-lo com novas ideias.

Adquiridas no Espaço.

Em seus vislumbres espirituais.

Ou em contato com outros espíritos.

Nem sempre dá para planejar.

Cuidar de detalhes.

Preferências.

Minúcias.

Raça.

Sexualidade.

Meio social.

Ele precisa apenas de um corpo.

Relativamente saudável.

Cérebro ativo.

Que lhe atenda ao comando mental.

Acolha o seu pensamento.

Possibilite o trabalho racional.

Intuitivo.

Corpo adequado aos sentimentos a externar.

Não carece de ser exatamente perfeito.

Tem que ser instrumento.

Maleável.

De seus pensamentos.

Palavras.

Mãos.

Se não puder, além do razoável,

Razoável serve.

Então, de iniciativa própria –

Livre arbítrio –,

Ele procura um ventre.

Ninho materno.

Atravessar a barreira das Dimensões.

Ressurgir no berço.

Ser criança, outra vez.

Construir no mundo –

Construindo o mundo,

Edificando a si.

Ele desce.

Peregrina nos arredores da Crosta.

Procura.

Fareja.

Facilidade pode ser obstáculo.

Dinheiro.

Beleza.

Paparicos quaisquer.

Um pouco de carinho, sim.

Atenção afetiva.

Principalmente da mãe.

Do pai, nem tanto.

Se o tiver, que não seja excessivo.

Precisa de um corpo –

Não de uma redoma.

De um corpo com reminiscências.

Sonhos.

Visões.

Anseios.

Quer ser semente entre espinhos.

Germinar.

Florescer.

Produzir frutos.

Permanecer anônimo – quanto possível.

Sabe das trevosas oposições.

Até certa idade, uma criança comum.

Depois, o gênio.

O artista.

O cientista.

O novo.

Sim, sobre a Terra –

Do centro à periferia,

De canto a canto –

Espíritos peregrinam.

À procura de um corpo.

Adequado.

Sem necessidade de lastros espirituais.

Sem programação.

Mas, evidente, com a permissão da Lei.

Em obediência à Lei.

Assumindo riscos.

Pois, o meio ainda é hostil.

Ele nasce e, de repente, luz.

Uma lamparina.

Chama bruxuleante.

Mas que, na sombra, é um clarão.

Fala e descerra caminhos.

Escreve e amplia horizontes.

Age e muda

Respira e inspira.

Depois, deixa a carcaça.

Sobe.

Um pouco mais alto.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 6 de Dezembro de 2020.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 29 de novembro de 2020

 

DESOBSESSÃO A LONGO PRAZO

 

Desculpem-me, mas, sem exceções, todos os integrantes de um grupo mediúnico de desobsessão, no serviço de enfermagem espiritual aos desencarnados, igualmente, estão em tratamento desobsessivo de longo prazo.

Habitualmente, dirigentes e médiuns que integram os referidos grupos mediúnicos imaginam estarem tão somente cooperando com o esclarecimento daqueles que deixaram o corpo sem maior consciência do fenômeno da desencarnação...

Creem que, através do diálogo fraterno, estão concorrendo para que os desencarnados se desapaguem das ilusões da existência finda e se reintegrem à Dimensão Espiritual a que se conduziram pelo desenlace.

Realmente, os benefícios de uma reunião mediúnica de desobsessão – assim chamada – para os que se transferiram de domicílio espiritual, são imensos, contudo, sem dúvida, entre os seus maiores beneficiados estão os próprios participantes encarnados, que carecem de repetir, vezes sem conta, para si mesmos, o que dizem aos “ouvidos” dos supostos mortos.

O médico psiquiatra que trata em seu consultório do paciente em desequilíbrio que o procura, no fundo, está trabalhando para que venha a lograr maior harmonia em suas próprias emoções.

O expositor espírita que sobe à tribuna discorrendo em torno das lições doutrinárias que expõe com clareza ao público que o assiste, efetua, na essência, sucessivas tentativas de fixar no espírito os valores que exalta aos outros.

Médiuns psicofônicos e “doutrinadores”, em parceria com os espíritos que se comunicam em suas reuniões, esperando por socorro, em certa medida, também são espíritos doentes, e, não raro, de longa data, extremamente carentes de tratamento, notadamente no campo da autodesobsessão, lidando com os reflexos das antigas personalidades que animaram.

Em muitos casos, os médiuns psicofônicos, conhecidos como de “incorporação”, no momento do transe, concedem passividade ao seu próprio “subconsciente”, ou, então, em fenômeno de ordem mais transcendente, ao psiquismo em expansão dos médiuns doutrinadores que se dispõem a atendê-los.

Dentro deste contexto, carecemos ainda considerar que muitas entidades desencarnadas, por afinidade, são atraídas aos grupos mediúnicos pelas questões psicológicas dos encarnados que os integram, ou mesmo de seus amigos e familiares que, diretamente, não participam dessa reunião de psicoterapia grupal, à luz do Evangelho do Cristo.

Seja como for, todos os integrantes encarnados de qualquer grupo mediúnico, do dirigente ao médium denominado de “sustentação”, estão, repetimos, em tratamento espiritual de longo curso, a fim de que se liberem de seus complexos de culpa e possam se reaproximar dos desafetos de outras eras, na ingente tarefa da autodesobsessão.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 29 de Novembro de 2020.

 

domingo, 22 de novembro de 2020

 

“E, Por Se Multiplicar a Iniquidade...”

 

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos”. – Mateus, 24-12

 

O Senhor nos advertiu a respeito da iniquidade humana, que faria com que o amor, ou a fé, de QUASE TODOS, esfriasse.

Infelizmente, é o que vem acontecendo, mormente de algum tempo para cá – décadas, desde o começo do século XX.

Pela iniquidade de alguns, o amor de quase todos se encontra esfriando – descrença, desalento, comodismo, apatia...

A Humanidade vem sofrendo maior assédio das trevas em todos os seus segmentos, estabelecendo o caos e colocando em dúvida o valor da ética.

Realmente, o espírito encarnado está debaixo de forte tempestade moral, com enchentes de detritos ameaçando sufocar a sua confiança no futuro – em Deus e em sua Justiça.

Muitos estão se encolhendo nas demonstrações de fé – dentro de suas casas, no reduto da família, passaram a viver com foco apenas no pão de cada dia, com recrudescimento do egoísmo.

A confiança do homem no homem está em crise.

Nem mesmo a recente Pandemia, ainda vigente, está sendo capaz de tornar o homem mais introspectivo.

Ele, inclusive, vem saqueando os que quase agonizam nos hospitais, vítimas do vírus chinês.

Está tripudiando sobre a dor humana.

Revelando-se capaz do inconcebível para quem se confessa cristão.

No Espiritismo, cuja proposta é a de reviver o Cristianismo, a situação não é diferente.

Médiuns enlouquecem.

A disputa por cargos ensandece muitos espíritos que fracassam.

Manobras políticas tomam conta de grupos – poucos se eximem da lamentável situação.

A vaidade fascina encarnados e desencarnados.

Chegaram ao cúmulo de adulterar o que é intocável.

Necessário, pois, que não reste pedra sobre pedra.

A Internet está colocando a nu as intenções mais infelizes do personalismo humano.

Ninguém quer nada com a “vassoura”, e quer tudo com a tribuna – com o destaque pessoal que dela possa advir. Cavam com as próprias mãos o buraco em que haverão de se enterrar.

Não nos iludamos.

Sem necessitar do endosso de qualquer profecia, a curto e a médio prazo, a Humanidade enfrentará provas muito mais graves que a da atual Pandemia.

Moralmente, é só efetuar os cálculos.

Tempos difíceis, mais difíceis, estão se aproximando – céleres.

Feliz de quem aprofundar raízes espirituais no amor aos semelhantes.

Feliz de quem não se escandalizar com os escândalos à vista.

Feliz de quem souber separar o joio do trigo.

Não olvidemos as palavras que, a seguir, foram ditas pelas Senhor: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”.

PERSEVERANÇA ATÉ O FIM – ou seja, o fim há de vir – a taça de fel haverá de transbordar.

Firmem-se em seus humildes postos de trabalho, em seus humildes Grupos Espíritas.

Não deixem que a mediunidade lhes suba à cabeça – mantenham-na sob a sola dos pés.

Estudem a Doutrina, com base em Jesus, Kardec e Chico.

Os médiuns e os dirigentes espíritas, em maioria, repetimos, estão loucos.

São vítimas de espíritos mistificadores, e mistificam eles mesmos.

Coisas absurdas na Internet.

Todo mundo parece querer ser missionário, quando não passa de espírito doente, em tratamento no corpo – muitos quase em situação comatosa, no respiradouro.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de Novembro de 2020.

 

domingo, 15 de novembro de 2020

 

ALGUNS POUCOS MUITOS

 

O Mundo Espiritual não existe em função da Terra – é o contrário: o material se submete ao espiritual.

A Vida Verdadeira é a do espírito, que, nos diferente Mundos, cumpre diversos estágios reencarnatórios.

Certos espíritos, quando deixam o corpo, pela desencarnação, simplesmente, seguem o seu caminho.

Não é que se esqueçam dos que ficam à retaguarda.

O amor não olvida a quem seja – é um laço que se estreita para sempre.

Todavia, alcançando a compreensão da Vida Imortal, eles não permanecem debruçados sobre o passado.

Nem sobre o passado recente.

Compreendem que necessitam caminhar.

Sabem que o reencontro com os que amam, aqui, além ou alhures, é mera questão de tempo.

Lamentam as provas em que muitos encarnados se debatem, não obstante, as veem agora com outros olhos.

Claro, imensa legião continua apegada, inconformada com o desenlace.

O tempo passa para eles sem que tenham noção do tempo que está passando.

Não conseguem se desapegar – quando o apego é apenas de ordem afetiva, tudo bem. Acontece, no entanto, que os apegos mais doentios e difíceis são motivados pela situação social que foram constrangidos a deixar.

“Suas” propriedade, “seu” dinheiro, “seu” nome, “sua” posição social, “suas” ilusões e... até “seu” corpo...

Doença mental que, no Além, acomete milhões e milhões de espíritos.

Seu único ponto de referência é a Terra – seu único ponto de referência de Vida é o berço, que, não raro, buscam de maneira inconsciente.

Mas, realmente, certos espíritos, talvez um pouco mais lúcidos, ao se verem dentro de nova realidade, seguem adiante.

São “absorvidos” pela Nova Vida.

Não dispõem de tempo para estarem se comunicando, escrevendo cartas ou... aparecendo em sonhos.

Reencontram-se com antigos amigos e compromissos que os requisitam.

E devagar, quanto mais o tempo passa, vão como que se desligando da Terra...

Assim como os encarnados vão se desligando do Mundo Espiritual.

Existe, sim, o esquecimento às avessas.

Esses espíritos, deste Outro Lado, nem sempre compreendem que estão deste Outro Lado – aceitam, pacificamente, que estavam vivendo um sonho do qual, finalmente, acordaram, sem saber que continuam sonhando,.

Sim, sonhavam que estavam encarnados, vivendo num planeta distante...

A mente é uma caixa de surpresas – infinitas!

Daí, na maioria das vezes, a ausência de notícias para os encarnados daqueles que partiram – eles, os que partiram, sequer sabem da Mediunidade, sequer sabem utilizá-la, sequer creem na possibilidade do contato interdimensional...

Assim como os espíritos deixam o Mundo Espiritual para construir uma nova vida na Terra, os homens devem deixar a Terra para construir uma nova vida no Mundo Espiritual – ou, então, retomar, conforme dissemos, antigos compromissos que ficaram à sua espera.

A reencarnação é uma viagem mais longa, mais duradoura – apenas e tão somente isto.

Alguns poucos muitos espíritos, ao desencarnarem, afastam-se, e, passam a considerar que nada de mais significativo lhes sucedeu – um tropeço na caminhada.

Não têm noção de Vida Eterna – não sabem que uma Vida se continua à outra e... não sabem costurar as Duas Realidades.

Alguns poucos muitos, pela vez primeira, estão ouvindo falar em Reencarnação – em Vidas Sucessivas.

Morrem e prosseguem vivendo com naturalidade – estão dentro da cena de um filme, que, essência, é uma minissérie de inesgotáveis capítulos.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 15 de Novembro de 2020.