domingo, 8 de março de 2026

 

Ana, a Profetisa

 

“... e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo...” – Lucas, 2 – v.37

 

Precioso e comovente o depoimento de Lucas sobre Ana, s profetisa, que não se arredava do templo, na expectativa do cumprimento das profecias em torno da vinda do Messias.

Avançada em dias, em longa vigília, ao lado de Simeão, ela não perdia a esperança de que o Senhor viesse para a redenção dos povos da Terra.

Certamente, com limitações impostas pela idade e com a saúde comprometida, não desistia da oração e do auxílio quantos procuravam por seus préstimos espirituais.

Desde quanto tempo Ana, que já viúva, aguardara pela presença do Cristo? É possível que, desde a mocidade, na condição de profetisa, se tivesse dedicado ela a anunciar seu Advento, sofrendo, muitas vezes, o escárnio da incredulidade alheia e a humilhante desconsideração de quem a apontava por insana.

Muitos companheiros de Espiritismo, alcançada certa soma de idade no corpo físico, passam a ser considerados, ou eles mesmos se consideram, inúteis e ultrapassados para o cumprimento de suas obrigações.

Não raro, são propositalmente marginalizados pelos mais jovens, que não lhes possuem a experiência e tampouco a maturidade espiritual que os coloca em espontâneo contato om a inspiração que verte do Alto.

Enquanto no corpo, compete-nos a todos vigiar o patrimônio da fé, até que o Senhor nos dispense de semelhante dever, dentre os homens, e nos convoque a servi-Lo em outros caminhos.

Não aleguemos cansaço de qualquer natureza e não esmoreçamos, mesmo quando mais não possamos fazer do que fazia Ana, que “não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações”, para que o Messias, ao chegar, o encontrasse de portas abertas.

Quem disse que orar não é uma das ações mais importantes?!

Ai do mundo, sem as orações dos homens e mulheres que, devido à sua avançada idade, já foram descartados pela sociedade! Porque, enquanto os jovens insensatos se atritam lá fora e ameaçam a vida na Terra, são eles que permanecem em estado de vigília, na expectativa de um intervenção de ordem superior que salve a Humanidade de completo desastre.

Inácio Ferreira

·       Extraído do livro “O Jugo Leve” – edição LEEPP

·       Uberaba – MG.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

 

Prece por Determinação

 

Senhor,

Eu não sou muito de orar,

Porque, em verdade, não saberia

Nem por onde começar,

Tantos são os rogos

Que tenho a fazer-Te.

A lista das petições é grande, Senhor:

Paciência.

Compreensão.

Aceitação.

Desapego.

Renúncia.

Indulgência.

Humildade...

E por aí, vai, enchendo

Um caderno de mil folhas!

Todavia, para resumir,

Eu te pediria apenas que me auxiliasses

Na Determinação de ser melhor

Do que sou,

Na superação de mim mesmo,

Fazendo o bem ao meu alcance,

Sem dar ouvidos àqueles

Que procuram me desanimar

De seguir-Te os passos,

Hoje e para sempre!...

 

Inácio Ferreira

Uberaba – MG, 22 de fevereiro de 2026.

 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

 

Drogas – Problema de Base

 

No Sanatório Espírita de Uberaba era comum que familiares fossem levar algum de seus entes queridos a fim de se tratar do vício das drogas – comumente, pais ou avós internando o filho ou o neto.

Imaginavam, em maioria, que o problema fosse de ordem obsessiva, ou seja: ação dos desencarnados sobre o encarnado, induzindo-o ao consumo de drogas – à época, no que tange ao vício, o álcool e a cannabis eram as drogas de uso mais corriqueiro.

Conversando conosco, solicitavam, inclusive, que um trabalho de desobsessão fosse feito, com o propósito de que o obsessor, no singular ou no plural, fosse afastado, crendo, ainda, que pudéssemos fazê-lo como em um passe de mágica.

Habitualmente, os que chegavam para tratamento no Sanatório já estavam em situação complicada também no campo da saúde física e/ou mental.

Contudo, observávamos que, praticamente, quase em todos os casos de semelhante dependência tinha no lar, ou na educação, a sua base de origem.

Pais que, ignorando as questões da Reencarnação e da lei de Causa e Efeito, pensavam que os seus filhos fossem espíritos de superior elevação, sem qualquer desvio de caráter ou que o valha.

E, sendo assim, na infância e na adolescência, os havia relegado a certo esquecimento no que tange à disciplina necessária, com o intuito de desenvolverem hábitos novos.

Não se interessavam pelos seus estudos na escola, não os vigiavam na escolha dos companheiros, não os fazia sequer com que arrumassem os seus quartos, quando se levantassem...

E por aí vai.

Sobretudo, quando adolescentes, ou entrando na fase adulta, não necessitassem trabalhar para aprenderem, às suas custas, a ganhar o pão de cada dia.

Não vamos aqui mencionar outras causas, como, por exemplo, os constantes conflitos domésticos que os filhos, então menores, eram constrangidos a assistirem ao vivo.

Em síntese, como dizia Chico Xavier, eles, os filhos e netos carecendo internação, devido aos vícios, às vezes, de muito tempo, não haviam recebido de seus tutores a indispensável cota de amor de que todos necessitamos.

Há quem seja contrário à disciplina imposta aos menores, esquecidos de que disciplina, igualmente, é uma forma de amor. Ninguém ama menos o filho ou o neto porque, desde quando possível, os conduza a trabalho digno.

A facilidade, unida ao tempo ocioso, é péssima educadora.

Na atualidade, com tantos e tantos, no mundo todo, se entregando às drogas, cada uma mais viciante e destruidora que outra, não temos dúvida em afirmar, e reafirmar, que o seu problema de base – inclusive para os que as traficam – é o ambiente doméstico – o lar!...

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de fevereiro de 2026.