domingo, 22 de março de 2026

 

Liberdade de Pensamento

E de Expressão

 

Não devemos confundir liberdade de pensamento com liberdade de expressão, de vez que, se somos livres para pensar, não somos assim tão livres, no que tange às suas consequências, para expressar o que pensamos.

Podemos e devemos pensar de acordo com as luzes da compreensão que tenhamos adquirido, através das sucessivas existências, mas carecemos de tomar extremo cuidado com as palavras ao expor os próprios pensamentos.

À pretexto de liberdade de pensamento, não devo me considerar no direito de manifestar o que penso sem o devido respeito pelo pensar diferente de meus semelhantes.

Quantos são os que, escusados pela sua liberdade pensar, atacam e agridem, moralmente, os que não logram ver o mundo e as coisas pela sua ótica?!

Quantos, dizendo-se primar pela liberdade de pensamento, mesmo em uma Doutrina livre quanto ao Espiritismo, discordam dissentindo daqueles que, talvez, ainda não alcançaram o patamar evolutivo em que se encontram?!

E quantos, por não estarem à altura do pensamento dos que consideram na condição de opositores de suas ideias, a fim de fazer com que a eles se nivelem não hesitam em lhes cortar as pernas?!...

Jesus Cristo, claro, soube como ninguém unir a liberdade de pensamento à liberdade de expressão, mesmo quando, de maneira contundente, tivesse que se referir à hipocrisia dos escribas e dos fariseus.

Na atualidade, infelizmente, a liberdade de pensamento não é para quase ninguém, sendo que a liberdade de expressão é total para os seus opressores – sim, apenas a liberdade de expressão, porque, em essência, dão-nos eles a impressão de que não pensam.

A liberdade de expressão sempre há de ser legítima manifestação da liberdade de pensamento, e de crença, desde que não nos desviemos do moral que deve inspirá-la, para que a nossa boca não se transforme em uma latrina.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de março de 2026.

 

domingo, 15 de março de 2026

 

Guerra Necessária

 

Antes não fosse, a guerra necessária.

Antes não fosse, necessário o escândalo.

Todavia, como o disse Jesus, e os Espíritos disseram a Kardec (Pergunta 742, de “O Livro dos Espíritos”), o escândalo e a guerra, devido às condições atuais em que a Humanidade se encontra, infelizmente, devem acontecer, estão acontecendo e acontecerão.

Não será sem grandes confrontos que a Terra virá a ser um Mundo de Regeneração. Não estamos aqui nos referindo a mocinhos e bandidos, nem a bom e a mau ladrão – estamos pontuando que as Leis Divinas podem se servir dos menos maus para punirem os teimosamente maus. O futuro Mundo de Regeneração não abrigará espíritos regenerados, mas, sim, espíritos em estado de regeneração, porém, muitos deles ainda passíveis de cometerem equívocos e padecerem exílio.

Não se há negar que os países com ideologia comunista são essencialmente escravizadores, e que, sem dúvida, desejam apagar o Nome de Jesus Cristo da face da Terra.

Disfarçados de sociais-democratas são espíritos dominadores, a serviço das trevas – simples assim!

Por este motivo, embora lamentando os que, indefesos, sucumbem e sucumbirão nas catástrofes bélicas que haverão de se multiplicar, as guerras, que possam ter outras motivações, em essência, possuem uma Motivação Divina, com a qual poucos conseguem atinar. Jesus não se dirigiu aos vendilhões do templo com palavras afáveis.

Segundo Chico Xavier, os espíritos recalcitrantes não se exilaram de Capela – eles foram compulsoriamente exilados. E, na atualidade terrestre, em toda parte, falando em todos os idiomas, existem muitos espíritos-dragões de terno e gravata, ou de túnicas talares quanto de vestes sacerdotais.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 15 de março de 2026.

domingo, 8 de março de 2026

 

Ana, a Profetisa

 

“... e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo...” – Lucas, 2 – v.37

 

Precioso e comovente o depoimento de Lucas sobre Ana, s profetisa, que não se arredava do templo, na expectativa do cumprimento das profecias em torno da vinda do Messias.

Avançada em dias, em longa vigília, ao lado de Simeão, ela não perdia a esperança de que o Senhor viesse para a redenção dos povos da Terra.

Certamente, com limitações impostas pela idade e com a saúde comprometida, não desistia da oração e do auxílio quantos procuravam por seus préstimos espirituais.

Desde quanto tempo Ana, que já viúva, aguardara pela presença do Cristo? É possível que, desde a mocidade, na condição de profetisa, se tivesse dedicado ela a anunciar seu Advento, sofrendo, muitas vezes, o escárnio da incredulidade alheia e a humilhante desconsideração de quem a apontava por insana.

Muitos companheiros de Espiritismo, alcançada certa soma de idade no corpo físico, passam a ser considerados, ou eles mesmos se consideram, inúteis e ultrapassados para o cumprimento de suas obrigações.

Não raro, são propositalmente marginalizados pelos mais jovens, que não lhes possuem a experiência e tampouco a maturidade espiritual que os coloca em espontâneo contato om a inspiração que verte do Alto.

Enquanto no corpo, compete-nos a todos vigiar o patrimônio da fé, até que o Senhor nos dispense de semelhante dever, dentre os homens, e nos convoque a servi-Lo em outros caminhos.

Não aleguemos cansaço de qualquer natureza e não esmoreçamos, mesmo quando mais não possamos fazer do que fazia Ana, que “não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações”, para que o Messias, ao chegar, o encontrasse de portas abertas.

Quem disse que orar não é uma das ações mais importantes?!

Ai do mundo, sem as orações dos homens e mulheres que, devido à sua avançada idade, já foram descartados pela sociedade! Porque, enquanto os jovens insensatos se atritam lá fora e ameaçam a vida na Terra, são eles que permanecem em estado de vigília, na expectativa de um intervenção de ordem superior que salve a Humanidade de completo desastre.

Inácio Ferreira

·       Extraído do livro “O Jugo Leve” – edição LEEPP

·       Uberaba – MG.