Drogas – Problema de
Base
No Sanatório Espírita de Uberaba era comum que familiares
fossem levar algum de seus entes queridos a fim de se tratar do vício das
drogas – comumente, pais ou avós internando o filho ou o neto.
Imaginavam, em maioria, que o problema fosse de ordem
obsessiva, ou seja: ação dos desencarnados sobre o encarnado, induzindo-o ao
consumo de drogas – à época, no que tange ao vício, o álcool e a cannabis eram as drogas de uso mais
corriqueiro.
Conversando conosco, solicitavam, inclusive, que um trabalho
de desobsessão fosse feito, com o propósito de que o obsessor, no singular ou
no plural, fosse afastado, crendo, ainda, que pudéssemos fazê-lo como em um
passe de mágica.
Habitualmente, os que chegavam para tratamento no Sanatório
já estavam em situação complicada também no campo da saúde física e/ou mental.
Contudo, observávamos que, praticamente, quase em todos os
casos de semelhante dependência tinha no lar, ou na educação, a sua base de
origem.
Pais que, ignorando as questões da Reencarnação e da lei de
Causa e Efeito, pensavam que os seus filhos fossem espíritos de superior
elevação, sem qualquer desvio de caráter ou que o valha.
E, sendo assim, na infância e na adolescência, os havia
relegado a certo esquecimento no que tange à disciplina necessária, com o
intuito de desenvolverem hábitos novos.
Não se interessavam pelos seus estudos na escola, não os
vigiavam na escolha dos companheiros, não os fazia sequer com que arrumassem os
seus quartos, quando se levantassem...
E por aí vai.
Sobretudo, quando adolescentes, ou entrando na fase adulta,
não necessitassem trabalhar para aprenderem, às suas custas, a ganhar o pão de
cada dia.
Não vamos aqui mencionar outras causas, como, por exemplo, os
constantes conflitos domésticos que os filhos, então menores, eram
constrangidos a assistirem ao vivo.
Em síntese, como dizia Chico Xavier, eles, os filhos e netos
carecendo internação, devido aos vícios, às vezes, de muito tempo, não haviam
recebido de seus tutores a indispensável cota de amor de que todos necessitamos.
Há quem seja contrário à disciplina imposta aos menores,
esquecidos de que disciplina, igualmente, é uma forma de amor. Ninguém ama
menos o filho ou o neto porque, desde quando possível, os conduza a trabalho
digno.
A facilidade, unida ao tempo ocioso, é péssima educadora.
Na atualidade, com tantos e tantos, no mundo todo, se
entregando às drogas, cada uma mais viciante e destruidora que outra, não temos
dúvida em afirmar, e reafirmar, que o seu problema de base – inclusive para os
que as traficam – é o ambiente doméstico – o lar!...
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 13 de fevereiro de 2026.