Os Espíritos Podem
Mudar de Opinião?!
Perguntou-me um amigo se os espíritos, mormente aqueles que
se domiciliam nas proximidades do orbe terrestre, podem mudar de opinião sobre
determinado assunto.
A pergunta é interessante, porquanto, de hábito, se atribui
aos espíritos comunicantes a infalibilidade, que, em séculos passados, a Igreja
Católica reivindicava para o seu Sumo Pontífice.
Não estamos vendo, todos os dias, por exemplo, a Ciência
voltando atrás em suas considerações, corrigindo-se através dos erros que ela
própria, talvez, durante séculos, sustentou?!
Não tem vindo a público, nos dias que correm, certas
autoridades médicas, admitindo que certas vacinas “fabricadas” para o Covid,
continuam fazendo ir a óbito um número maior de pessoas do que o próprio
vírus?!
Quantos erros foram cometidos pelos homens antes que ele
lograsse voar com segurança, e que Santos Dumont colocasse o 14-Bis para voar?!
Os espíritos que pululam à volta dos homens nada mais sendo
que homens fora do corpo podem, perfeitamente, mudarem de opinião sobre esse ou
aquele assunto que são chamados a opinar.
O grande Paulo de Tarso não mudou de opinião, às portas de
Damasco, abdicando de sua condição de doutor da lei, e, de perseguidor dos
cristãos, passou a adepto do Cristianismo?!
Evidentemente, que assuntos existem, mesmo aqui, deste Outro
Lado da Vida, que permanecem velados aos espíritos, que continuam a sua busca
pela Verdade.
Por se estar na condição de espírito livre um espírito pode
falar com acerto sobre as suas ou as encarnações passadas de outrem, sem que,
porventura, esteja enganado?!
Equivocam-se quantos imaginam que os espíritos, em geral,
todos os dias, não estejam estudando, interessados pelo conhecimento da Verdade,
e, neste sentido, inúmeras vezes, tenham que reconsiderar concepções.
Podemos dizer, sem receio de estar cometendo erro, que, sobre
a Terra, o único portador da Verdade Absoluta foi Jesus Cristo. O próprio
Sócrates, considerado o mais sábio dos homens, vivia repetindo a que, talvez,
seja a sua sentença mais célebre: “Só sei
que nada sei.”
Em “O Livros dos Espíritos”, em várias oportunidades,
indagados sobre determinados assuntos, os Espíritos não hesitaram em confessar
as suas limitações a respeito, principalmente quando Kardec lhes questionava
sobre o princípio das coisas. Quando, por exemplo, perguntou a eles sobre a
Natureza íntima de Deus, responderam, em uníssono, que não era dado ao homem
compreendê-la, pois que lhe faltava um sentido. (Questão de número 10)
Cogitar sobre a Verdade não o mesmo que à ela ter acesso – o
verbo implica uma “maturação intelectual” sobre um tema.
Assim, sem que esteja sendo mistificado, pode ser,
perfeitamente, que os médiuns, ao traduzirem o pensamento dos espíritos a
respeito de certos temas, estejam apenas a refletirem a ideia que, no momento,
eles possuem, deles fazendo seu objeto de crença transitória.
Estamos todos a caminho, mas, convém saber que ainda estamos
longe de alcançar o ponto de chegada.
E pior do que não se mostra disposto a mudar é quem se
cristaliza no erro, e, por orgulho e vaidade, dispõe-se a sustentá-lo ao longo
de tempo indefinido.
Lembremo-nos do Cristo, falando aos escribas e fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!
Porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois, vós não entrais, nem
deixais entrar os que estão entrando.” (Mateus, 23:13).
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 25 de abril de 2026.