sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

 

Drogas – Problema de Base

 

No Sanatório Espírita de Uberaba era comum que familiares fossem levar algum de seus entes queridos a fim de se tratar do vício das drogas – comumente, pais ou avós internando o filho ou o neto.

Imaginavam, em maioria, que o problema fosse de ordem obsessiva, ou seja: ação dos desencarnados sobre o encarnado, induzindo-o ao consumo de drogas – à época, no que tange ao vício, o álcool e a cannabis eram as drogas de uso mais corriqueiro.

Conversando conosco, solicitavam, inclusive, que um trabalho de desobsessão fosse feito, com o propósito de que o obsessor, no singular ou no plural, fosse afastado, crendo, ainda, que pudéssemos fazê-lo como em um passe de mágica.

Habitualmente, os que chegavam para tratamento no Sanatório já estavam em situação complicada também no campo da saúde física e/ou mental.

Contudo, observávamos que, praticamente, quase em todos os casos de semelhante dependência tinha no lar, ou na educação, a sua base de origem.

Pais que, ignorando as questões da Reencarnação e da lei de Causa e Efeito, pensavam que os seus filhos fossem espíritos de superior elevação, sem qualquer desvio de caráter ou que o valha.

E, sendo assim, na infância e na adolescência, os havia relegado a certo esquecimento no que tange à disciplina necessária, com o intuito de desenvolverem hábitos novos.

Não se interessavam pelos seus estudos na escola, não os vigiavam na escolha dos companheiros, não os fazia sequer com que arrumassem os seus quartos, quando se levantassem...

E por aí vai.

Sobretudo, quando adolescentes, ou entrando na fase adulta, não necessitassem trabalhar para aprenderem, às suas custas, a ganhar o pão de cada dia.

Não vamos aqui mencionar outras causas, como, por exemplo, os constantes conflitos domésticos que os filhos, então menores, eram constrangidos a assistirem ao vivo.

Em síntese, como dizia Chico Xavier, eles, os filhos e netos carecendo internação, devido aos vícios, às vezes, de muito tempo, não haviam recebido de seus tutores a indispensável cota de amor de que todos necessitamos.

Há quem seja contrário à disciplina imposta aos menores, esquecidos de que disciplina, igualmente, é uma forma de amor. Ninguém ama menos o filho ou o neto porque, desde quando possível, os conduza a trabalho digno.

A facilidade, unida ao tempo ocioso, é péssima educadora.

Na atualidade, com tantos e tantos, no mundo todo, se entregando às drogas, cada uma mais viciante e destruidora que outra, não temos dúvida em afirmar, e reafirmar, que o seu problema de base – inclusive para os que as traficam – é o ambiente doméstico – o lar!...

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de fevereiro de 2026.

 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

 

Amor Ao Espiritismo (III)

 

Poucos são os espíritas e os médiuns que, verdadeiramente, têm compromisso com a Doutrina e se mostram disciplinados nas atividades das quais participam.

Sabemos que muitos Grupos Espíritas, na Terra, lutam com a indisciplina dos médiuns, que, às vezes, por questões de somenos, deixam de comparecer às reuniões, mormente aquelas de enfermagem espiritual, nas quais servem no campo da psicofonia, ou da incorporação.

A grande maioria dos labores doutrinários, levados a efeito nos Centros, é mantida pela perseverança de dois ou três companheiros, irmãos e irmãs que sacrificam interesses pessoais por amor à Causa.

Outros, infelizmente, que ainda não lograram disciplinarem-se no que tange a horário e compromisso, ausentam-se das tarefas que consideram mais penosas, ou nas quais não podem “mostrarem-se” de acordo com os traços de vaidade que os induzem a procurarem os holofotes do elogio ou do aplauso.

Recordamos que Emmanuel, quando apareceu ao Médium Chico Xavier, lhe solicitou que atentasse para os três requisitos básicos para a tarefa a ser cumprida por ambos: “Disciplina, Disciplina, Disciplina”.

Não são poucos, por exemplo, os espíritas que estimam frequentar as reuniões doutrinárias que são muito concorridas, afastando-se daquelas de menor comparecimento do público.

Certo orador, quando, por vezes, convidado à uma exposição doutrinária através da palavra, procurava saber, com antecedência, quantas pessoas haveriam de caber no auditório a fim de ouvi-lo – e não aceitava falar para público considerado menor.

Notemos que o amor à Doutrina Espírita, como, igualmente, o desamor, pode ser manifestado de muitas maneiras, que, em verdade, acaba por denunciar que, infelizmente, em nós, o personalismo está se sobrepondo ao idealismo.

Esquecemo-nos de que Allan Kardec, lançando-se ao trabalho da Codificação, reunia-se em sua casa com um grupo composto de oito a dez pessoas – ele, Amèlie Boudet e mais uns quatro ou cinco.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 8 de fevereiro de 2026.

  

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

 

Amor ao Espiritismo – II

 

Amor ao Espiritismo é, sobretudo, estudá-lo para melhor colocá-lo em prática, se tornando-lhe o adepto em mensagem viva de seus postulados

Temos observado que, infelizmente, nos tempos que correm a mediunidade tem sido o “ponto frágil” para que a Doutrina se propague com a lisura moral com que sempre se propagou.

 

Muitos são os medianeiros que têm se servido de suas possíveis faculdades mediúnicas para delas tirarem proveito pessoal.

 

Soubemos, não faz muito, de um médium, transformado em terapeuta, que, profissionalmente, estabelecia um preço para os seus consulentes, mas, caso os seus consulentes desejassem, por seu intermédio, uma palavra de sua “guia” teriam que pagar um pouco mais.

 

Nunca, em nossos tempos na Terra, havíamos ouvido falar em tal descalabro.

 

Médiuns outros que dizem nada cobrar diretamente por um passe de “maca”, ou por um tratamento espiritual à luz mortiça das salas onde atendem, indiretamente solicitam doações, ou taxam, a preços elevados, os medicamentos fitoterápicos, ou homeopáticos, que dizem distribuir gratuitamente.

 

O que muitos aventureiros no campo da mediunidade desejam é ver os “seus” centros espíritas cheios de pessoas sem o mínimo discernimento doutrinário, porque as que possuem o mínimo bom senso neles não comparecem.

 

Outros “sensitivos” levantam o lápis, ou a caneta, e já querem se fazer intérpretes de mensagens para os destinatários saudosos de sua presença física – depressa querem publicar livros e autografá-los, como qualquer autor profano.

 

Amor ao Espiritismo?! Não. Amor a si mesmos, com o comprometimento da Causa – comprometimento pelo qual haverão de responder, porquanto estão ensejando que, por seu intermédio, os espíritos inimigos da Doutrina a distorçam.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 1 de fevereiro de 2026.