segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


XXXV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O tema dos “ovóides”, que alguns espíritas relutam em aceitar, contestando a autoridade espiritual de André Luiz, e, porque não dizer, a idoneidade mediúnica de Chico Xavier, levou o autor de “Libertação” a efetuar questionamentos diversos a Gúbio.
André estava assustado, observando, através da grade da janela do aposento em que se encontrava com os amigos, que várias entidades “transportavam” essas “esferas vivas”, “como que imantadas às irradiações que lhes eram próprias”. Com certeza, André, para observá-las, estaria se servindo de sua clarividência espiritual, de vez que seria ilógico, irracional mesmo, que aqueles espíritos estivessem “andando” pela cidade arrastando “ovóides” materializados – presos à sua cabeça, aos seus ombros, enfim, ao seu corpo... Os “ovóides”, que haviam “perdido” o corpo espiritual grosseiro, assim se apresentavam transfigurados em corpo espiritual mais etéreo – sem significar, evidentemente, que pudessem estar num patamar evolutivo de ordem superior... Eles haviam “regredido” à sua condição de “mônada” – de “mônada” que, ainda em “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz afirma  que “através do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta...” (destacamos)
Repetimos: nascimento e morte nos dois planos, deixando evidente, uma vez mais, a questão da Reencarnação no Mundo Espiritual, cuja tese, até o presente momento, não houve quem pudesse rebater com argumentos lógicos e racionais.
*
A tese da Reencarnação no Mundo Espiritual, que sustentamos, tem sido simplesmente tratada com ignorância e ironia, porquanto a sua fonte espiritual e mediúnica não é do agrado de tais confrades e confreiras, que, em vez de defenderem a Verdade, defendem seus interesses pessoais, que vão se tornando cada vez mais claros, envolvendo questões ligadas ao poder e ao dinheiro.
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O assunto dos “ovóides” possibilitou, ainda, que Gúbio e André Luiz enfocassem outra questão: a SEGUNDA MORTE.
Transcrevemos abaixo pequeno trecho:
- André – respondeu ele, circunspecto, evidenciando a gravidade do assunto –, compreendo-te o espanto. Vê-se, de pronto, que és novo em serviços de auxílio. Já ouviste falar, de certo, numa “segunda morte”...
- Sim – acentuei –, tenho acompanhado vários amigos à tarefa reencarnacionista, quando, atraídos por imperativos de evolução e redenção, tornam ao corpo de carne. De outras vezes, raras, aliás, tive notícias de amigos que perderam o veículo perispiritual (1), conquistando planos mais altos. A esses missionários, distinguidos por elevados títulos na vida superior, não me foi possível seguir de perto.
(1) O perispírito, mais tarde, será objeto de mais amplos estudos das escolas espiritistas cristãs. – Nota do Autor espiritual.
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 “Mais tarde”, quando?! Se o livro “Libertação” está a completar, em 2019, neste mês de fevereiro, 70 anos de sua publicação, e, até agora, ninguém se dispôs a estudar o assunto com o interesse devido?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 18 de fevereiro de 2019.





domingo, 10 de fevereiro de 2019


XXXIV – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VI, do livro em estudo, as informações prosseguem reveladoras, com Elói e André recebendo esclarecimentos de Gúbio, que se refere aos “corpos ovóides”, ou aos espíritos que regrediram no que tange à forma, pois, psiquicamente, não lograram sustentar a forma humana, que, no entanto, lhes permanece intrínseca.
O espírito, conforme ensina Kardec, não regride moralmente, mas, transitoriamente, pode, sim, não mais exercer controle mental sobre a sua forma humana.
André descreve: “... reparei, não longe de nós, como que ligadas às personalidades sob nosso exame, certas formas indecisas, obscuras. Semelhavam-se a pequenas esferas ovóides, cada uma das quais pouco maior que um crânio humano. Variavam profusamente nas particularidades. Algumas denunciavam movimento próprio, ao jeito de grandes amebas, respirando naquele clima espiritual; outras, contudo, pareciam em repouso, aparentemente inertes, ligadas ao halo vital das personalidades em movimento.”
Tais “corpo ovóides”, em sua forma “concentrada”, podem ser comparados às “mônadas” da evolução inicial dos seres. Imaginemos um ovo de qualquer ave que, essencialmente, encerra a forma da espécie a que pertence. Não nos esqueçamos, de outro lado, que, praticamente, todo espírito reencarnante se transfigura em “ovóide”, tendo suprimido em seu corpo espiritual os implementos característicos do corpo humano.
Avançando um pouco mais, podemos dizer que o espírito, ao transcender a sua humanidade, retorna ao estado de origem, ou seja, de mônada, porém completamente lúcido. Em “O Livro dos Espíritos”, quando discorrem sobre a forma dos espíritos, os Autores da Codificação afirmam que, em si, o espírito é “uma flama, um clarão ou uma centelha etérea”.
*
O “ovóide” nada mais que a expressão do “corpo mental”.
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No livro “Evolução em Dois Mundos”, atestando, em passant, a tese da Reencarnação no Mundo Espiritual, André Luiz escreveu no capítulo II, da lavra mediúnica de Chico Xavier: “Esse corpo (perispírito) que evolve e se aprimora nas experiências de ação e reação, no plano terrestre e nas regiões espirituais que lhe são fronteiriças, é suscetível de sofrer alterações múltiplas, com alicerces na adinamia proveniente da nossa queda mental no remorso, ou na hiperdinamia imposta pelos delírios da imaginação, a se responsabilizarem por disfunções inúmeras da alma, nascidas do estado de hipo ou hipertensão no movimento circulatório das forças que lhe mantêm o organismo sutil, e pode também desgastar-se, na esfera imediata à esfera física, para nela se refazer, através do renascimento, segundo o molde mental preexistente, ou ainda restringir-se à fim de se reconstituir de novo, no vaso uterino, para a recapitulação dos ensinamentos e experiências de que se mostre necessitado, de acordo com as falhas da consciência perante a Lei.”
No texto acima está clara a questão da Reencarnação no Mundo Espiritual.
Não raro, para se reconstituírem, em seus corpos perispirituais, os corpos “ovóides” carecem de renascer no Mundo Espiritual, antes que voltem a reencarnar na Esfera Física.
O assunto, sem dúvida, é intrigante e maravilhoso, não obstante apenas para aqueles que não se encontram presos a preconceitos, ou que insistem em seus velhos dogmas doutrinários – dogmas que a Doutrina, em absoluto, não possui, mas nos quais muitos ainda sentem necessidade de se apoiarem endossando interesses de ordem pessoal.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 11 de fevereiro de 2019.



domingo, 3 de fevereiro de 2019


XXXIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Continuando as suas elucidações no capítulo VI – “Observações e Novidades”, Gúbio faz importante revelação a respeito das “inteligências sub-humanas”:
“Aqui mesmo, nesta cidade, tínhamos, a princípio, autêntico império de vidas primitivas que, pouco a pouco, se fez ocupado por extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis. Entrincheiravam-se nestes sítios, guardando o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa, e exercem funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas...”
Destacamos os ensinamentos:
1 – A cidade, ou o espaço correspondente a ela, era ocupado por vidas primitivas, que, evidentemente, careciam de evolver, ou seja, de ser “impulsionadas” a sair da mesmice evolutiva em que se encontravam.
2 – Tais vidas primitivas, então, foram “dominadas” por “extensas coletividades de almas vaidosas e cruéis”, que, certamente, embora as escravizando, induziram-nas a trabalhar, e, de alguma sorte, desenvolver a sua capacidade intelectual. Vejamos que o “processo” é semelhante ao que ocorreu, e tem ocorrido, ao longo da história da Humanidade, em que alguns povos são submetidos a outros, que terminam por lhes ensejar algum bem.
3 – Essas “almas vaidosas e cruéis”, segundo Gúbio, entrincheiravam-se, e entrincheiram-se, com “o louco propósito de hostilizar a Bondade Excelsa”, opondo-se às Leis Divinas – fugindo à Lei do Carma, ansiando por perpetuarem-se no poder, enfim, amotinarem-se contra o Criador – almas insanas, quais, sobre a Terra, deparamo-nos com tantas, que imaginam que lograrão enganar a Eterna Justiça.
4 – “... funções úteis junto a enorme agrupamento de criaturas, ainda sub-humanas...” Na sequência, esclarece o Instrutor: “Usam a violência em largas doses, todavia, no curso dos anos, a influenciação intelectual delas trará grandes benefícios aos oprimidos de agora e estejamos convictos de que, apesar de blasonarem inteligência e poder, permanecerão nos postos que ocupam apenas enquanto perdurar o consentimento da Divina Direção...” – o mal a serviço do Bem. Como ensinou Jesus sobre a necessidade do escândalo... Essa situação de opressão – ela mesma – termina por “fermentar” e, assim, possibilitar o surgimento de lideranças libertárias e progressistas, que levam ao povo escravizado a novas concepções existenciais. Tal fenômeno pode ser apreciado na história política, social, religiosa, etc, de todos os povos.
*
Que “inteligências sub-humanas” serão as referidas por Gúbio?! Certamente, seres racionais, ou completamente racionais, ainda não são – são “sub-humanos”! Sem dúvida, o Instrutor se refere aos espíritos denominados, genericamente, de “elementais”, que, aliás, se fazem presentes em literatura de ficção de muitos autores encarnados. No livro “Roteiro”, de Emmanuel, no capítulo 9, “O Grande Educandário”, o Benfeitor Espiritual, igualmente, se refere a “bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços do progresso planetário”...
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Essas “criaturas” – Gúbio não as denomina de “espíritos”, posto não terem ainda atingido a razão plena – constituem um elo de transição entre a animalidade e a racionalidade, entre o instinto e a inteligência, uma espécie que, digamos, se situaria entre o macacóide e o homem propriamente dito.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de fevereiro de 2019.  



domingo, 27 de janeiro de 2019


XXXII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo VI – “Observações e Novidades” – do livro “Libertação”, André Luiz afirma que, por ordem de Gregório, os três – Gúbio, Elói e ele – foram alojados num aposento de janelas gradeadas, que os mantinham em condição de cativeiro.
O texto a seguir, na palavra de Gúbio, enseja, sem dúvida, muitas reflexões aos estudiosos:
“Não mediste ainda – respondeu, prestimoso –, a extensão do intercâmbio entre encarnados e desencarnados. A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contato conosco e a maior percentagem desses semi libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração qual este em que nos movimentamos provisoriamente.”
Vejamos: passadas algumas décadas do que Gúbio disse a André, a situação por ele exposta ainda não se alterou... Durante o sono físico, “três quartas partes da população” encarnada, praticamente, “invade” as zonas espirituais mais próximas, que, então, fica superpovoada – na atualidade, mais de cinco bilhões de almas, semi libertas do corpo, mantém contato mais direto com o Plano Espiritual ao redor... Imaginem os nossos irmãos o que, então, é suscetível de acontecer. Notemos, ainda, como a existência de Leis que regulem o contato do Mundo Físico com o Mundo Espiritual, e vice-versa, são imprescindíveis, pois, caso contrário seria uma calamidade...
*
Continuando, esclarece o Instrutor:
“Por aqui, muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos de carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas.”
Talvez, aqui, devêssemos apenas silenciar para pensar nos “dramas” que se entabulam entre os Dois Mundos – as tramas terríveis, as sugestões, as hipnoses, o vampirismo, o assédio/contato sexual, etc... Mais uma vez, aproveitamos para recordar ao homem a importância da oração antes de ele se entregar ao repouso físico! – a importância de sanear, psiquicamente, os seus aposentos, valendo-se de pensamentos elevados, de leitura edificante, de conversas sobre assuntos nobres...
*
Gúbio, logo adiante, acentua com sabedoria:
“O homem encarnado vive simultaneamente em três planos diversos. Assim como ocorre à árvore que se radica no solo, guarda ele raízes transitórias na vida física; estende os galhos dos sentimentos e desejos nos círculos de matéria mais leve, quanto o vegetal se alonga no ar; e é sustentando pelos princípios sutis da mente, tanto quanto a árvore é garantida pela própria seiva. Na árvore, temos raiz, copa e seiva por três processos diferentes de manutenção para a mesma vida e, no homem, vemos corpo denso de carne, organização perispirítica em tipo de matéria mais rarefeita e mente, representando três expressões distintas de base vital, com vistas aos mesmos fins.”
Habitualmente, nem mesmo os estudiosos do Espiritualismo mais avançado costumam pensar que o homem vive, simultaneamente, em três planos diversos!
No livro “No Mundo Maior”, no capítulo 3 – “A Casa Mental” –, André Luiz se refere à transcendente questão do Inconsciente, do Consciente e do Superconsciente, que possibilita ao espírito certa onipresença no tempo, abarcando Passado, Presente e Futuro.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de janeiro de 2019.


domingo, 20 de janeiro de 2019


XXXI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Comentando o fenômeno de “licantropia”, a que tivera oportunidade de presenciar, envolvendo pobre espírito de uma mulher, André perguntou a Gúbio se ela permaneceria no “aviltamento da forma”...
Sintetizando a resposta do Instrutor, transcrevemos: “Tudo, André, em casos como este se resume a problema de sintonia. Onde colocamos o pensamento, aí se nos desenvolverá a própria vida.”
Caberia àquela entidade feminina movimentar-se interiormente, a fim de conseguir libertar-se da hipnose, a que, com base na consciência culpada, ela fora induzida.
*
Vejamos agora que intrigante.
O “magistrado” anunciou, em seguida, que Espíritos Seletores haveriam de se materializar naquele ambiente! – em meio àquele verdadeiro “tribunal” montado além da morte... Uma pergunta se nos impõe, tomando a liberdade de transferi-la para os nossos internautas: - De onde procederiam tais “Espíritos Seletores”, que haveriam de se materializar na cidade dos gregorianos?!
Conta André: “E pouco a pouco, diante de nossos olhos assombrados, três entidades tomaram forma perfeitamente humana...”
Que entidades seriam essas, cuja autoridade era acatada, inclusive, pelos “magistrados” que efetuavam o julgamento daquelas almas que não atinavam com as realidades profundas da Vida de além-túmulo?!
O próprio autor espiritual de “Libertação” diz: “Ainda não sei de que recôndita organização provinham tais funcionários espirituais; no entanto, reparei que o chefe da expedição tríplice mostrava infinita melancolia na tela fisionômica.”
Com certeza, digo-lhes, de minha parte, que não provinham das Altas Esferas – possivelmente, haviam atravessado as fronteiras de alguma Dimensão paralela onde se reuniam, e se reúnem, com as suas organizações religiosas, que insistem em manter, arrebanhando almas ao seu modo de “pensar” a Criação Divina.
*
Os espíritos que estavam ali sendo “julgados”, com certeza, caso considerados culpados, seriam condenados a expiações semelhantes àquelas nas quais haviam acreditado, ou fingido acreditar, quando encarnados.
Tudo induz o leitor atento a admitir que, naquela “cidade estranha”, estava sendo protagonizado um “julgamento” de acordo com o sistema teológico da Igreja Católica – aquelas entidades esperavam, naquele arremedo de “Purgatório”, a sua liberação para o “Céu”, ou a sua condenação ao “Inferno”...
Notemos o poder extraordinário da mente, que organiza para si, além da morte, o cenário em que há de continuar vivendo, iludindo-se para desiludir-se só Deus sabe quando...
*
Vale ressaltar que os “Espíritos Seletores” portavam um aparelho – “um captador de ondas mentais” –, uma espécie de avançado “detector de mentiras”, que colocava à mostra os pensamentos e as intenções dos espíritos sob exame – a aura daquelas entidades registrava a condição de cada uma delas, como se lhes “radiografando” as emoções.
Tais aparelhos haverão, sim, sem demora, de aparecerem na Crosta, servindo como auxiliares na identificação íntima dos encarnados.
No livro “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz a eles se refere com o nome de “psicoscópio”.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de janeiro de 2019.







segunda-feira, 24 de dezembro de 2018


XXX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Precisamos compreender que a redação erudita e gramaticalmente perfeita nas obras de André Luiz, pertence a ele, o seu Autor espiritual. Os diálogos são recontados por ele, de vez que, com certeza, a palavra dos espíritos infelizes não poderia ser tão precisa em seus argumentos quanto nos parece ser. André realizou verdadeira síntese, preservando, claro, a essência das lições transmitidas. E, em mediunidade, é quase sempre assim que acontece, cabendo ao espírito autor de qualquer obra, em parceria com o médium, tornar a sua redação tão clara e fiel quanto possível aos acontecimentos, sem, no entanto, faltar com a verdade dos fatos aos leitores.
*
No capítulo sobre o qual refletimos – “Operações Seletivas” –, André continua a relatar a palavra de um dos “juízes” que efetuava a avalição daquela pequena multidão desencarnada, distribuindo sentenças de acordo com a sua orientação teológica – um tribunal “montado” além da morte, para “suprir” as expectativas daqueles que, mentalmente, esperavam ser “julgados”, a fim de que, segundo as suas concepções de crença religiosa, fossem destinados ao Céu, ao Inferno ou ao Purgatório. Impressionante como a sugestão mental prevalece nos espíritos por séculos, incapazes de conceberem ideias diferentes das que lhe foram impostas.
*
“Amaldiçoados sejam pelo Governo do Mundo – prosseguia o implacável “juiz” – quem nos desrespeite as deliberações, baseadas, aliás, nos arquivos mentais de cada um.”
“Quem nos acusa de crueldade? Não será benfeitor do espírito coletivo o homem que se consagra à vigilância de uma penitenciária? e quem sois vós, senão rebotalho humano? Não viestes, até aqui, conduzidos pelos próprios ídolos que adorastes?”
Notemos que o espírito estava convicto de que, em nome das Leis Divinas, lhe competia julgar e sentenciar aquelas almas fora do corpo, que haviam cometido inúmeros equívocos na experiência terrestre...
*
Ante a turba que começou a gritar por perdão, o “magistrado” continuou:
“Perdão? Quando desculpastes sinceramente os companheiros de estrada? onde está o juiz reto que possa exercer, impune, a misericórdia.”
Por mais nos pareça estranho, concluímos que, infelizmente, tais “tribunais” são necessários por corrigenda às mentes infantilizadas, que não estão amadurecidas para as realidades que transcendem.
*
Neste instante, o “juiz” solicita que se aproxime uma mulher, determinando que ela confessasse os seus crimes.
“A desventurada senhora bateu no peito, dando-nos a impressão de que rezava o ‘confiteor’ e gritou, lacrimosa:
- Perdoai-me! Perdoai-me, ó Deus meu!”
E começa a relatar que matara quatro filhinhos, com o auxílio de seu esposo, que lhe fora comparsa.
O “magistrado” indaga, em voz alta:
“Como libertar semelhante fera humana ao preço de rogativas e lágrimas?”
“A sentença foi lavrada por si mesma! não passa de uma loba, de uma loba, de uma loba”...
E ali, de consciência culpada, a recordação de seus crimes vindo à tona, o espírito daquela mulher, sob a indução hipnótica das palavras do “magistrado”, começa a se transfigurar, no fenômeno denominado “licantropia”...
*
Quantos de nós não traremos, escondida sob a condição humana, a forma de uma fera qualquer?! Quantos, realmente, pelos crimes cruéis que são capazes de praticar, mais nos parecem animais do que gente?! – com todo o respeito que os animais, nossos irmãos inferiores, nos merecem, muitos deles em condições de docilidade que os considerados humanos ainda não demonstram possuir?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 24 de dezembro de 2018 (*).

(*) Informamos aos nossos irmãos e irmãs que estaremos de volta com as postagens do Blog no dia 21 de janeiro de 2019. Muito grato.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018


XXIX – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Alhures, já tivemos oportunidade de dizer que a Obra de André Luiz realiza, sob a coordenação do Mundo Espiritual Superior, a transição do pensamento católico para o pensamento espírita – tal transição, evidentemente, não poderia ser brusca, sem promover uma violência mental no campo da fé das almas que ainda não sabem se valer da razão.
*
Continuando com a sua descrição sobre o “julgamento”, além da morte, naquela “cidade estranha”, André Luiz descreve a presença dos espíritos considerados “magistrados”, que tomavam a Justiça Divina em suas mãos – a cena descrita pelo Autor espiritual é a expressão da realidade para milhares de espíritos que, todos os dias, deixam o corpo na Terra.
*
- Os magistrados! os magistrados! Lugar! lugar para os sacerdotes da justiça!
André diz que notou os referidos “magistrados”, precedidos por serviçais, “trajados à moda dos lictores (servidor público civil romano) da Roma antiga”, adentraram ao recinto, carregados em andores – era uma espécie de solenidade religiosa, um tribunal armado no Mundo Espiritual para proceder ao julgamento das almas desenfaixadas do corpo físico.
*
- Os julgadores, por sua vez, desceram, pomposos, dos tronos içados e tomaram assento numa espécie de nicho a salientar-se de cima, inspirando silêncio e temor, porque a turba inconsciente, em redor, calou-se de súbito.
Tudo lembra, sem dúvida, o que, por vezes, continua acontecendo em alguns atos religiosos e nas aparições de certas autoridades católicas – bispos, cardeais, Papa –, embora, semelhante costume, nos tempos atuais, venha sendo abolido pela Igreja.
*
As palavras de um dos “julgadores” aos espíritos que ali se concentravam foram estarrecedoras – impressionante o domínio mental que exerciam sobre eles! Aquelas entidades estavam “criando” um tribunal para o julgamento das almas – com o intuito de que a sua teologia não fosse desmentida pelas realidades de além-túmulo.
*
- Nem lágrimas, nem lamentos.
Nem sentença condenatória, nem absolvição gratuita.
Esta casa não pune, nem recompensa.
A morte é caminho para a justiça.
Escusado qualquer recurso à compaixão, entre criminosos.
Não somos distribuidores de sofrimento, e, sim, mordomos do Governo do Mundo. (...)
*
Gúbio esclareceu:
- O julgador conhece à saciedade as leis magnéticas, nas esferas inferiores, e procura hipnotizar as vítimas em sentido destrutivo, não obstante usar, como vemos, a verdade contundente.
*
Os nossos irmãos e irmãs internautas poderão imaginar a cena, que, infelizmente, é real, retratando o que ainda ocorre com aqueles que deixam a Terra de mente infantilizada, presa ao fanatismo religioso, na expectativa de Céu, Inferno ou Purgatório.
Depois da morte do corpo, a mente mergulha no mundo de suas convicções mais íntimas, sustentando ilusões nas quais, durante séculos vem acreditando.
Vejamos, assim, a importância do Espiritismo, que, no dizer de Emmanuel, por Chico Xavier, “é processo libertador de consciências”!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 17 de dezembro de 2018.


domingo, 9 de dezembro de 2018


XXVIII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

No capítulo V – “Operações Seletivas”, de “Libertação”, André Luiz descreve a triagem a que os espíritos eram submetidos, semanalmente, por “juízes implacáveis”, qual se, realmente, tivessem “montado” ali, no palacete de Gregório, um tribunal inquisidor.
Curioso! A ideia que o estudioso mais arguto pode extrair do fato é que os espíritos, que haviam pertencido à Igreja de Roma, não tendo, além da morte, encontrado o Céu e o Inferno, tomavam a justiça em suas próprias mãos.
*
As “operações seletivas”, segundo André, realizavam-se “com base nas irradiações de cada um”, a partir das emanações de seu corpo espiritual, sendo feitas com “instrumentos”, talvez, semelhantes ao chamado “Kirlian”, “acidentalmente” descoberto, em 1939, por Semyon Kirlian, e que ainda esperam por maior aperfeiçoamento na Terra.
*
Entre André e Gúbio, então, desenvolve-se interessante diálogo:
- Todas as entidades vieram constrangidas, conforme sucedeu conosco? Há espíritos satânicos recordando as oleografias religiosas da Crosta, disputando as almas no leito de morte?
O Instrutor respondeu, esclarecendo:
- Sim, André, cada mente vive na companhia que elege. Semelhante princípio prevalece para quem respira no corpo denso ou fora dele. É imperioso reconhecer, porém, que a maioria das almas asiladas neste sítio vieram ter aqui, obedecendo a forças de atração. (...)
Na sequência, indaga o Autor espiritual:
- Oh! – exclamei em voz sussurrante – por que motivo confere o Senhor atribuições de julgadores a espíritos despóticos? Por que estará a justiça, nesta cidade estranha, em mãos de príncipes diabólicos?
Gúbio esclarece:
- Quem se atreveria a nomear um anjo de amor para exercer o papel de carrasco? Ao demais, como acontece na Crosta Planetária, cada posição, além da morte, é ocupada por aquele que a deseja e procura.
*
A esta altura, solicitamos permissão para perguntar aos nossos irmãos e irmãs internautas:
- Como será o Mundo Espiritual dos seguidores do Islamismo, os nossos irmãos fieis à palavra do profeta Maomé, contida no “Corão”?
E o dos seguidores de Buda, os chamados budistas, que acreditam na existência do Nirvana?
E o dos judeus, adeptos do Judaísmo, que, em sua maioria, acreditam na ressurreição em um mundo futuro?
E o de profitentes de outras crenças religiosas, levando-se em consideração que, na atualidade, o número de religiões no mundo ultrapassa dez mil?...
*
André Luiz, Gúbio e Elói estariam, porventura, em visita àquela “cidade estranha”, dominada pelos “gregorianos”, visitando uma cidade habitada pelos adeptos do Espiritismo?!
Pode-se, ainda, dizer que mesmo “Nosso Lar”, situada em plano superior da Dimensão Umbralina, é caracterizada como cidade espírita?!
O Mundo Material que habitam os homens na Terra não lhes será apenas um reflexo do Mundo Espiritual mais próximo, e vice-versa?!...
Recorremos aqui à “bancada universitária espírita” para que, evidentemente, nos socorram nas respostas de semelhantes questões.
- Espíritas! Vamos pensar! Aonde é que vocês andam com a cabeça?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 10 de dezembro de 2018.

  

domingo, 2 de dezembro de 2018


XXVII – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

Encerrando o capítulo IV – “Numa Cidade Estranha” –, André Luiz relata que, caminhando pela cidade, subiram por uma rua íngreme e, de repente, avistaram palácios estranhos que surgiam, imponentes...
Embora estivessem numa cidade semelhante àquelas da Idade Média, os três amigos haviam alcançado “praças bem cuidadas, cheias e povo”, que ostentavam “carros soberbos, puxados por escravos e animais.”
Notemos que descrição impressionante é digna dos enredos de filmes que Hollywood produz, tentando retratar a vida dos homens há séculos...
“Liteiras e carruagens transportavam personalidades humanas, trajadas de modo surpreendente, em que o escarlate exercia domínio, acentuando a dureza dos rostos que emergiam dos singulares indumentos.”
Seria tudo aquilo mera criação mental daquelas entidades que viviam na Dimensão subcrostal?! Com certeza, não. Tais espíritos, assim como distintos portugueses desencarnados, haviam edificado, no século XVI, a cidade de “Nosso Lar”, edificaram aquela cidade lúgubre, em cujo centro se concentravam os “senhores” que ali haviam estabelecido o seu feudo espiritual...
Segundo André, era um reino de misérias, favorecendo a poucos “privilegiados”!
De repente, com certeza sendo notados em seu porte diferente, e até mesmo em suas vestes, os três foram interpelados por alguém que a eles se dirigiu descortês.
- Que fazem?
Era um homem alto, de nariz adunco e olhos felinos, com todas as maneiras do policial desrespeitoso, a identificar-nos.
- Procuramos o sacerdote Gregório, a quem estamos recomendados – esclareceu Gúbio, humilde.
Sintetizando, André informa que a sentinela os conduziu à presença de Gregório, que não os recebeu com hospitalidade. Possivelmente, com as suas percepções aguçadas, o sacerdote, que ali dominava, vivia à espera de adversários de seus planos – convém, novamente, informar que Gregório era o Papa Gregório IX, desencarnado em 1241, em Roma, Itália. Ora, há quantos séculos, em espírito, Gregório permanecia naquela situação espiritual?!...
Tendo André Luiz, o Dr. Carlos Chagas, desencarnado na década de 30, no século XX, podemos dizer que Gregório estacionara naquela condição, no mínimo, há quase sete séculos, ou seja, 700 anos!...
Que pensam os nossos internautas a respeito?! Gregório, com a sua força mental – espírito altamente intelectualizado, sem dúvida –, poderia sustentar-se por tanto tempo em seu corpo espiritual?!...
O diálogo a seguir nos demonstra que ele, Gregório, tinha perfeita noção de sua desencarnação – sabia que não mais estava na Crosta.
- Vieram da Crosta, há muito tempo?
- Sim – respondeu nosso Instrutor –, e temos necessidade de auxílio.
- Já foram examinados?
- Não.
- E quem os enviou? – inquiriu o sacerdote, sob visível perturbação.
- Certa mensageira de nome Matilde.
O anfitrião estremeceu, mas observou, implacável:
- Não sei quem seja (...).
*
Antes de concluirmos os estudos da semana, necessitamos dizer que, igualmente, nas Esferas Espirituais, o perispírito está sujeito à menor ou menor capacidade longeva. Sobre a Terra, se alguns vivem apenas alguns minutos, ou não mais que poucos dias, outros alcançam idade quase centenária, não é assim?!...
Este tema, sem dúvida, é um desafio aos estudiosos do Espiritismo, que, infelizmente, sobre ele têm se calado.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de dezembro de 2018.


domingo, 25 de novembro de 2018


XXVI – REFLEXÕES SOBRE O LIVRO “LIBERTAÇÃO” – ANDRÉ LUIZ/CHICO XAVIER

O Instrutor Gúbio, desdobrando esclarecimentos a André Luiz e Elói, refere-se à condição de simbiose psíquica que muitos espíritos de evolução primária mantêm com os encarnados, muitas vezes, sem exata noção de seu procedimento – vampirizam mentes assim como o corpo físico é vampirizado por microorganismos patogênicos.
“Quase todas as almas humanas, situadas nestas furnas sugam as energias dos encarnados e lhes vampirizam a vida qual se fossem lampreias insaciáveis no oceano do oxigênio terrestre. (destacamos) Suspiram pelo retorno ao corpo físico, de vez que não aperfeiçoaram a mente para a ascensão, e perseguem as emoções do campo carnal com o desvario dos sedentos no deserto.”
Novamente André Luiz menciona a necessidade de aperfeiçoamento mental para que o espírito se adapte às realidades da vida fora do corpo físico... Logo no primeiro capítulo de “Nosso Lar”, o esclarecido autor, falando de suas próprias experiências, após a morte, escreve: “Não adestrara órgãos para a vida nova.”
Os espíritos que não tomam consciência de si mesmos no Mais Além, compreendendo a nova realidade em que passaram a viver, não a “suportam” e, assim, fazem da reencarnação imediata o seu único objetivo.
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As revelações de André Luiz, em suas obras, se sucedem de maneira impressionante.
A obsessão para muitos desencarnados passa a ser quase uma “necessidade” – aliás, Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo XXIII, quando fala das causa da obsessão, anotou o depoimento de um espírito: “Tenho grande necessidade de atormentar alguém...”
Essa “necessidade”, até de certo ponto, não deixa de ser de “sobrevivência psíquica” – claro que não estamos dizendo que o espírito possa vir a “morrer”, mas fica claro que ele, a fim de se alimentar, carece da vitalidade de alguém, pois, caso contrário, entrará em complexa fase de inanição. O pensamento é um “fluido alimentar”, através do qual o espírito pode autonutrir-se nutrir e ser nutrido.
Com a palavra os nossos irmãos e as nossas irmãs internautas, que esperamos venham a opinar sobre o tema.
Com o auxiliá-los em suas reflexões, reproduzimos o que Gúbio diz em seguida: “No fundo, as bases econômicas de toda essa gente residem, ainda, na esfera dos homens comuns e, por isto, preservam, apaixonadamente, o sistema de furto psíquico, dentro do qual se sustentam, junto às comunidades da Terra.” (destacamos)
O psiquismo humano, para tais entidades, funciona como “pasto”, o que nos leva a inferir que, quando os homens não mais lhes oferecerem alimento natural, eles terão que imigrar – assim como o homem dos tempos primitivos, antes do período agrícola, sempre imigrava, de região em região, à procura de alimento abundante.
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Talvez, então, a esta altura de nossas reflexões e estudos, junto aos nossos irmãos encarnados, possamos falar em “obsessão natural”, processo no qual, do ponto de vista mental, todos pesamos sobre a economia psíquica uns dos outros. Ou não?! O que teriam os nossos irmãos e irmãs a dizerem sobre o assunto?! Porventura, os “seres” do mundo microscópico que parasitam o corpo físico fazem-no por maldade, ou por instinto de sobrevivência, e, ainda, compelidos pela própria necessidade de evolução?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 26 de novembro de 2018.