quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Por motivo de viagem doutrinária do médium, estaremos de volta com o BLOG dentro de duas semanas.

Gratidão.

domingo, 24 de agosto de 2025

 

 

Desencarnação e Frustração

 

(Síntese de um Diálogo)

 

 

 

- Dr. Inácio, estou decepcionado comigo mesmo... Fui espírita...

 

- Foi espírita?!...

 

- Fui, sou ou serei... Não sei...

 

- Humm...

 

- Eu não acreditava muito... Deixei o tempo passar quase em vão...

 

- Desperdício de tempo na encarnação é queixa comum aos que, pelo menos, têm consciência de que não estão mais na Terra de baixo...

 

- Nunca presenciei um fenômeno mediúnico que poderia classificar como autêntico...

 

- Eles são raros...

 

- Nunca vi um espírito, nunca ouvi...

 

- Não se olhava no espelho, não escutava a sua voz interior?!... Espírita não precisa ver espírito para ser espírita – basta ver a Doutrina com a sua lógica irrefutável...

 

- Sim, mas eu...

 

- Balançava na fé?!...

 

- Como espírita, eu tinha tudo para que a minha encarnação fosse mais proveitosa...

 

- Concordo e digo: eu também...

 

- Mas... Até onde sei, o senhor fez...

 

- Pouco, muito pouco, quase nada, zero...

 

- Se o senhor pensa assim, então eu...

 

- A Doutrina sempre nos dá mais do que damos a ela...

 

- Doutor, vivi no corpo quase 80 de idade... Praticamente, nasci em berço espírita... A minha avó era médium, uma tia, uma cunhada...

 

- O que posso fazer por você?!...

 

- Eu queria que o senhor me consolasse... Estou muito triste comigo... E agora?!...

 

- Reencarnação, meu amigo...

 

- Temo falhar de novo...

 

- É possível... Se não tomarmos cuidado, se não levarmos o Cristo conosco para a carne... Conheço um montão de gente...

 

- Como?!...

 

- Que está lá embaixo sendo como você diz que foi...

 

- Doutor, não deixa, não... Sei que o senhor escreve para a Terra...

 

- Conhece a Parábola de Lázaro e o rico avarento, anotada por Lucas, o Evangelista?!...

 

- Sim, sim, mais ou menos...

 

- Pois é... Eu não sou Abraão e eles têm um monte gente lá embaixo...

 

- Reencarnação, e essa questão do esquecimento do passado...

 

- O problema, meu caro, não é propriamente de esquecimento do passado, mas, sim, de esquecimento do dever...

 

- É... Entendo o que o senhor, sem dizer, está querendo dizer...

 

- Muitos querem ter a certeza de que ser bom vale a pena, caso contrário...

 

- (Silêncio)...

 

- Infelizmente, tem muito espírita que continua sendo médium sem crer em nada...

 

- (Lágrimas)...

 

- Continua, por que, sem Jesus, como perguntou Simão Pedro, para onde iremos?! – para onde e para quem?!...

 

- (Soluços)...

 

- Tenha calma...

 

- Doutor, mesmo deste Outro Lado, continuo perdendo tempo... O que fazer?!...  

 

- Uma vassoura faz milagres... A minha eu não posso lhe dar, mas posso lhe conseguir uma...

 

- Vassoura?!...

 

- Sim, convém que sempre reencarnemos, ou desencarnemos, com uma vassoura nas mãos... Em vez de flores, vassoura no caixão... Assim, a possível frustração que experimentarmos será sempre menor...  

 

- (Reflexão)...

 

- Com uma boa piaçava nas mãos, você não se perderá... Conheço muita gente lá embaixo perdida na tribuna, perdida na mediunidade, perdida em tanta vaidade e personalismo, mas não conheço ninguém que, de vassoura nas mãos, esteja perdido!...

 

(O interpelador olhou para as próprias mãos, lisas como papel de seda, sem um calo sequer que o salvasse e... retirou-se.)

 

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 24 de agosto de 2025.

 

 

 

domingo, 17 de agosto de 2025

 

Continua Trabalhando!

 

 

 

Minha irmã, você me escreve dizendo-se desanimada ante tantos problemas que a Humanidade está faceando na atualidade, com o materialismo ameaçando as melhores conquistas da civilização – diz-se, inclusive, entristecida com os conflitos que observa entre os próprios adeptos da Doutrina, com a vaidade e o personalismo fragilizando o nosso Movimento, já tão fragilizado depois da desencarnação de Chico Xavier, ocorrida em 2002.

 

Solicita-me uma palavra, não de orientação (que me reconheço incapaz de orientar quem seja), mas de irmão que, igualmente, quando no corpo, deve ter vivenciado muitas lutas e nunca ter se entregado ao desalento.

 

Sim, é verdade, minha irmã... Quando mais encarnado que hoje eu me encontro, as lutas não eram assim tão menores – veja que, quando estive por aí, a Terra enfrentou duas Grandes Guerras, a de 1914 a 1918 e a de 1939 a 1945, como também a pandemia da “gripe espanhola”, que começou em 1918, logo ao término da Primeira Guerra... No Brasil e no mundo, o clima político sempre foi instável – se, em relação à situação de agora, havia diferença, é que a gente não ficava sabendo de muita coisa que, atualmente, com a velocidade de um relâmpago, é colocado à mostra na Internet, como as vísceras de um cadáver em uma sala de anatomia.

 

Quanto ao Espiritismo, minha cara, as lutas se desdobravam em dois campos: sofríamos a perseguição dos adeptos de outras religiões e, intramuros, não satisfeitos com a oposição externa, nos desentendíamos quase como nos desentendemos agora. Surgiu até o denominado “Pacto Áureo”, em 5 de outubro de 1949, com o intuito de pacificar os exaltados ânimos espíritas, na incessante peleja pelo poder doutrinário (científicos versus místicos), “Pacto” que, em essência, poucos colocaram e colocam em prática em face das ingerências do Movimento Unificacionista, que tem à frente, através de seus órgãos, um punhado de padres e freiras reencarnados, e, quiçá, bispos, arcebispos, cardeais e madres ou abadessas, quase todos, como dizia João, o Batista, fugindo da “ira vindoura”...

 

Você, ainda na carta que me escreveu, afirma que, em sua opinião, estão tentando fazer agora com o Espiritismo o mesmo que foi feito com o Cristianismo – opinião da qual partilho completamente.

 

Bem, a orientação que eu posso lhe transmitir é a que sempre elegi para mim mesmo sob a inspiração da Abençoada Doutrina que nos acolhe e dos exemplos vivos que Chico Xavier nos transmitia em sua própria vivência: Continuar trabalhando, deixando que o trabalho, em sua silenciosa eloquência, diga por você tudo o que, se pudesse, estimaria dizer do alto de uma pirâmide qualquer, que pudesse ser mais alta que o Evereste...

 

Eu não sei se você sabe, mas, aproveitando, digo-lhe que Chico, depois que se aposentou de seu serviço na “Fazenda Modelo”, passava a maior parte do dia, em suas vinte e quatro horas, trabalhando em silêncio, e praticamente sozinho, dentro de casa – psicografava, escrevia cartas, endereçava impressos espíritas pelos Correios, tratava de seus bichanos, ou de seus cães de estimação, enfim, não parava de se ocupar com algo útil – claro, saía para ir ao Grupo Espírita da Prece, comparecia a lançamentos de livros, atendia a periódicos convites para, em nome da Doutrina, receber títulos de “cidadania”, e quando, de táxi, descia ao centro de Uberaba, era para um rápido cafezinho, adquirir jornais em uma banca e passar pela Livraria Católica onde tinha amizade com as irmãs que a dirigiam e que sempre se alegravam com a sua presença...

 

Então, minha irmã, não se deixe deprimir pela situação geral do mundo que, neste 2025, está cumprindo o primeiro quartel do primeiro século do Terceiro Milênio – este século promete, e promete coisas boas, porque, nos 75 anos que faltam para que ele se complete, não mais estará sobre a Terra nenhum tirano como também nenhum líder religioso personalista – os espíritas atuais, inclusive você – desculpe-me –, já terão batido as botas... Não é maravilhoso?!... O tempo, que não cessa de transpirar e nem pensa em aposentadoria, continuará fazendo o seu trabalho, silenciosamente!...

 

Imitemo-lo, perseverando, em silêncio, no cumprimento do dever, sem consentir que nada e ninguém nos derrubem o ânimo de seguir sob as bênçãos misericordiosas do Cristo.

 

Abraços cordiais.

 

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 17 de agosto de 2025.