domingo, 7 de agosto de 2022

Concordância Universal?!...

 

Quando se fala em Concordância Universal do Ensino dos Espíritas, sabiamente preconizada por Allan Kardec, no século XIX, necessário se faz que se pergunte: na atualidade, onde estão os médiuns franceses, belgas, portugueses, espanhóis, alemães, norte-americanos, argentinos, chilenos, etc., com trabalho regular na mediunidade?!...

Infelizmente, medianeiros, fora do Brasil, com trabalho doutrinário no campo literário, inexistem – a não ser que, em um caso ou outro, recorramos à existência de sensitivos espiritualistas, não comprometidos com a Terceira Revelação, na revivescência do Evangelho do Cristo.

Carecemos, ainda, ponderar que, na organização de “O Livro dos Espíritos”, e demais livros do Pentateuco, Kardec contou quase que exclusivamente com médiuns franceses, sendo que muitos, pertencentes a outras “escolas”, como a de Louis Alfonse Cahagneth, não endossavam a tese da Reencarnação – pilar filosófico em que todo o edifício doutrinário do Espiritismo se levanta...

Em verdade, o Codificador, embora tenha falado em Controle Universal, não pode contar senão com um Controle Nacional...

O Controle Universal do Ensino dos Espíritos, enfatizado por Kardec, referia-se, basicamente, à Reencarnação e à Lei de Causa e Efeito, que, desde todos os tempos, os Espíritos ensinaram, e, neste sentido, mais os encarnados que os desencarnados, justamente por falta de intérpretes mediúnicos em condições para tanto.

E no que tange à Reencarnação e à Lei de Causa e Efeito, com direta implicação na Evolução do Ser, foi o Espiritismo que concordou, e não as doutrinas ancestrais que com ele concordaram.

Assim, sobre o assunto em pauta – a Concordância –, carecemos de nos limitar ao que Kardec se viu constrangido, ou seja, à Concordância Nacional dos médiuns que mourejam no Brasil, e assim mesmo se, por exemplo, não estiverem sob a tutela ortodoxa das Instituições, como muitos excelentes médiuns, estando sob a tutela da Federação Espírita Brasileira, permitiram, no passado, que, por seu intermédio, a tese do Corpo Fluídico de Jesus fosse endossada.

Este pequeno arrazoado é destinado apenas aos que possuem liberdade para pensar no assunto, sem o cabresto doutrinário que, infelizmente, lhes tenha sido aposto.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 7 de Agosto de 2022.

 

 

 

domingo, 31 de julho de 2022

Autismo

 

O “Autismo”, como toda doença de ordem psíquica, tem a sua causa no espírito, e não exatamente no corpo somático.

O corpo físico tão somente reflete, em seus componentes cromossômicos, os desarranjos da mente, alicerçados na Lei de Causa e Efeito.

A mente “autista”, não raro, é consequência de um espírito introspectivo, incomodado pelo seu subconsciente, devido aos mais diversificados complexos de culpa.

O “autista”, em geral, mental e emocionalmente, estaciona ou insiste em permanecer estacionado no tempo, como quem desejasse fazer o tempo retroceder em um processo de reinicialização de sua trajetória.

Assim, de maneira mais ou menos acentuada, podemos concluir que todos, sem exceção, os que carregamos culpa na consciência, somos portadores de “autismo” em algum grau de manifestação, pois, mercê da Misericórdia Divina, não há espírito que não anseie por reinicializar-se, zerando as consequências das infrações cometidas.

Todavia, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, na página intitulada “A Melancolia”, no cap. V, podemos nos deparar com uma espécie de “autismo” que diz respeito aos espíritos que, vitimados pela “saudade” de sua ancestralidade, sentem-se deslocados nos mundos em que peregrinam, muitas vezes, cumprindo árduas tarefas junto aos seres que os habitam e pelos quais são incompreendidos.

Em Jesus Cristo, quando, por exemplo, tantas vezes retirava-se para orar “ele só”, nos deparamos com o que podemos entender como sendo a sublimação do estado “autista”, que nada tem a ver com as patologias de ordem psíquica.

Enfim, o assunto é vasto, e, aos poucos, induzirá a Ciência a considerar a realidade da Reencarnação, por deixar evidente, por uma razão ou outra, a inadaptação do espírito à sua nova experiência no corpo material.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 31 de Julho de 2022.

 

 

 

 

 

domingo, 10 de julho de 2022

A Mágoa do Apóstolo

 

“Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras.” – 2 Timóteo – cap. 4 – v. 14

 

A mágoa é uma emoção com a qual carecemos de tomar muito cuidado, pois, do que depreendemos do texto de sua Segunda Epístola a Timóteo, nem mesmo Paulo, o Apóstolo dos Gentios, conseguiu isentar-se dela.

Indiretamente, ele chega, inclusive, a clamar ao Senhor para que lhe faça justiça, em face dos muitos males que o referido latoeiro havia lhe causado.

Que espécie de males, teria o latoeiro proporcionado a Paulo para que tivesse se sentido tão ferido no espírito, ele que, em inúmeras ocasiões, sofrera as mais injustas agressões?!

Com certeza, não fora mais uma das ofensas físicas que, ao longo de seu apostolado, o ex-doutor da lei, haveria de sofrer, culminando com o golpe de espada que lhe retirou do corpo físico.

O infeliz latoeiro deve ter ocasionado a Paulo prejuízos morais de significativa monta, espalhando, talvez, inverdades a seu respeito, calúnias que lhe afetaram as atividades no labor de difundir a Boa Nova.

Seja como for, carecemos, de nossa parte, tomar muito cuidado para que a mágoa, à semelhança de nuvem borrascosa, não nos permaneça no espírito, dele subtraindo a lucidez de que necessita para seguir adiante sem se prender ao passado.

Cremos que Paulo, escrevendo ao discípulo, estivesse mais lamentando a atitude de Alexandre, que, pelos males que lhe infligira, a si mesmo sentenciara à penosa quitação dos débitos contraídos perante a Lei.

Não obstante, a mágoa do que sofrera, em prejuízo da Causa a que consagrara a própria vida, ainda estava presente em seu íntimo, demonstrando o quanto, de fato, é difícil esquecer e perdoar...

Olvidando, sobretudo, qualquer referência à identidade daqueles que, ao longo de nosso percurso, nos ocasionam gratuitas lesões, que, se não nos conseguem deter na jornada, podem nos afetar em nosso rendimento espiritual.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 10 de Julho de 2022.

 

NOTA: Por motivo de viagem, estaremos voltando com as páginas publicadas no Blog no próximo dia 01 de Agosto.