segunda-feira, 25 de abril de 2022

Pactos Entre Encarnados

 

549. Há alguma coisa de verdadeiro nos pactos com os maus espíritos?

- Não, não há pactos, mas uma natureza má simpatiza com espíritos maus. Por exemplo: queres atormentar o teu vizinho, e não sabes como fazê-lo; chamas então a ti os espíritos inferiores, que, como tu, não querem senão o mal, e para te ajudar querem também os sirvas nos seus maus desígnios. Mas disto não se segue que o teu vizinho não possa se livrar deles, por uma conjuração contrária ou pela sua própria vontade. Aquele que deseja cometer uma ação má, pelo simples fato de o querer, chama em seu auxílio os maus espíritos, ficando obrigado a servi-los como eles o auxiliam, pois eles também necessitam dele para o mal que desejam fazer. É nisso somente que consiste o pacto. (De “O Livro dos Espíritos”)

 

Os espíritos encarnados, com as mesmas inclinações e intenções, buscam-se uns aos outros, e, mesmo não tendo qualquer simpatia entre si, unem-se contra o adversário que lhes é comum.

Não levemos em consideração aqui, neste pequeno comentário, a influência que os desencarnados possam ter sobre os encarnados, e vice-versa.

Sim, porquanto, não raro, os mais ferrenhos obsessores estão entre os encarnados, e não entre os espíritos libertos do corpo carnal – muitas vezes, em uma influência às avessas, são os encarnados que submetem os desencarnados aos seus caprichos e desejos.

As criaturas humanas que possuem propósitos semelhantes, sejam eles de natureza negativa ou positiva, atraem-se, e, para tanto, sequer necessitam que falem o mesmo idioma – basta que os interesses que comunguem se identifiquem, parcial ou totalmente.

Sentindo-se atraídos uns para os outros, formam grupos, bandos, facções, quadrilhas, corporações, coletividades, enfim, organizações as mais variadas, criminosas ou não, com o fito a que se propõem.

Tais espíritos costumam se congregar até mesmo dentro de uma instituição religiosa, como, por exemplo, um Centro Espírita, ou um outro órgão qualquer do Movimento Espírita, e, anulando as possíveis disposições em contrário, fazem-se prevalecer pela “força” de suas opiniões pessoais, que chegam, por vaidade ou personalismo, sobrepor aos interesses da Doutrina.

Investidos de um poder que não possuem, valem-se dos cargos para os quais foram indicados na condição de aparentes cordeiros, para, em seguida, revelarem-se como lobos à frente da matilha – chegam eles, inclusive, a falarem em nome dos Espíritos Benfeitores que mistificam a seu talante, e, segundo a palavra do Cristo, caso possível, chegariam a enganar até os próprios escolhidos...

Infelizmente, o que se vê hoje no Espiritismo na Terra, é um pacto, consciente e/ou inconsciente, feito entre certos espíritos que se encontram encarnados e que se lhe fazem adeptos com a única intenção de impedir que ele venha a cumprir com a sua tarefa de Consolador Prometido.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 25 de Abril de 2022


     

 

 

 

sábado, 16 de abril de 2022

 

Demasiadamente Humano

 

Sendo a desencarnação tão somente o desenlace do espírito, ou seja, a sua liberação do casulo de carne, psicológica e intelectualmente ele continua sendo o mesmo...

Poucos são os espíritos que, com o seu retorno ao Mundo Espiritual, logram acessar as suas existências pregressas, entrando, assim, em nível mais profundo de consciência com o despertar de certas faculdades adormecidas.

Assim, possivelmente, aquele que deixar o corpo com determinadas convicções, e todo o universo intelecto-moral que delas seja decorrente, não se verá em outra identidade – não se apequenará e nem se engrandecerá, continuando a ser do exato tamanho que, na Terra, tem se revelado.

Do espírito encarnado, ao longo dos séculos, sendo esta a melhor experiência física por ele vivenciada, não convém esperar que de sua personalidade atual emerja “algo” muito diverso do que venha demonstrando ser.

O pensamento de que, após o decesso físico, do homem, por exemplo, pertencente à média evolutiva da Humanidade, possa ressuscitar um gênio, ou um santo, tem concorrido para que o espírito se acomode dentro de sua limitada realidade existencial.

As conquistas do espírito, incluindo as suas virtudes, jamais se perdem, todavia, elas ainda não assim tão expressivas quanto se imagina...

Não faz muito, poucos eram os homens que poderiam ser considerados realmente civilizados – e mesmo que tenham conseguido realizar algum progresso em outro orbe, dentro ou fora do Sistema, ele não evitou que fossem parar em um mundo de provas e expiações, ou que viessem encarnar em um mundo de provas e expiações (inclusive, agora habitando as suas imediações), que guarda estreita relação com a sua recente condição primitiva.

Portanto, lógico deduzir-se que o Mundo Espiritual, do qual muitos esperam maravilhas, como a extinção de todos os problemas sociais e todas as desigualdades que imperam na comunidade dos encarnados, infelizmente, ainda é demasiadamente humano.

Quase que os mesmos conflitos que os homens faceiam na Terra haverão de prosseguir faceando no Mais Além das proximidades, porque, em suma, a sua realidade íntima não se altera com o simples fenômeno da morte.

Na extensão do pomar, enquanto nascer e renascer da mangueira, guardando, sobretudo, as mesmas características na forma e no sabor, a manga não tem como deixar de ser manga...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 16 de Abril de 2022.

(Na antevéspera do lançamento de “O Livro dos Espíritos”, o Livro-Esperança de que, um dia, as concepções humanas sobre a Vida e a Morte venham, realmente, a mudar).

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 10 de abril de 2022

Nos Dois Planos

 

Para que a Humanidade melhore, torna-se necessário que o homem melhore nos Dois Planos da Vida – que melhore na condição de encarnado e de desencarnado.

As duas Humanidades coexistem e, todos os dias, milhares e milhares de espíritos deixam a Terra pelo Mundo Espiritual e vice-versa.

O denominado exílio não atingirá apenas e tão somente a Crosta, mas, igualmente, as Dimensões Espirituais que lhe são mais próximas.

A Esfera, ou Planeta Espiritual que habitamos ainda não é um Mundo de Regeneração.

Deste Outro Lado, sobrevive a criatura humana, e não o anjo.

Muitos dos problemas que acometem o homem na Terra são reflexos dos problemas existenciais com os quais ainda lidamos deste Outro Lado.

Daí a necessidade de nos integrarmos no esforço conjunto de renovação íntima, porque sem espírito melhorado o homem renovado será uma utopia.

Carecemos de homens espiritualizados que deixem o corpo e venham enriquecer a comunidade dos desencarnados, quanto carecemos daqueles que possam retomar o corpo físico fazendo a diferença para melhor entre os encarnados.

Difícil, no entanto, que os encarnados algo venham a acrescentar ao Mundo Espiritual, e muito mais difícil que o contrário aconteça, de vez que, quando envergam o corpo pesado, a maioria olvida os seus compromissos e se corrompe nos valores que vem alicerçando.

Sem Jesus Cristo, por norte, ou por foco de suas maiores aspirações éticas, o espírito, esteja encarnado ou não, se perde com grande facilidade, marcando passo nas sendas da evolução.

Torna-se, pois, urgente que o homem considere a sua natureza imortal para que não se deixe aprisionar tão facilmente pelas ilusões do mundo material – e tal urgência torna-se indispensável dos Dois Lados da Vida, porque milhões e milhões de espíritos fora do corpo, infelizmente, ainda não têm consciência do por que e do para que vivem.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 10 de Abril de 2022.

 

 

domingo, 3 de abril de 2022

 

Alguns Confrades

 

Alguns confrades encarnados parecem ficar contrariados quando manifestamos opiniões, doutrinárias ou, por vezes, até sócio-políticas, que contrastam com as que eles possuem sobre os mesmos temas.

Precisamos dizer, uma vez mais, que respeitamos os pontos de vista que lhes dizem respeito, mas que, igualmente, esperamos que eles respeitem os que nos pertencem.

Ainda jovem aprendi com a minha mãe, e não com a Doutrina, posto que eu ainda nem espírita era, a respeitar os direitos do próximo, sem, todavia, abrir mão dos que me são pertinentes.

Assim sendo, lamentamos o aborrecimento que, por vezes, ou quase sempre, causamos a alguns de nossos irmãos de Ideal, que, compreensivelmente, não pensam como pensamos – e isso sobre os mais diferentes assuntos que tratamos em nossos arrazoados escritos do Mais Além para a Terra.

Carecemos, no entanto, dizer aos que não concordam conosco, que é absolutamente inútil a crítica ferina que, não raro, nos endereçam, talvez até com propósito de nos causar alguma espécie de intimidação.

No campo doutrinário prosseguiremos, sem interrupção, dizendo o que entendemos da Vida e de nossos postulados doutrinários, preferindo, se for o caso, a nos equivocarmos, de maneira solitária, com a melhor das intenções de acerto, do que nos juntarmos às vozes daqueles que desfraldam as suas bandeiras movidos por escusos interesses de ordem pessoal ou de grupo...

E no setor sócio-político, embora a nossa presente condição de espírito fora do corpo, igualmente, não consentiremos que ninguém nos venha amordaçar, inclusive sob o pretexto de que nada temos a ver com o desenrolar de certos acontecimentos envolvendo a Humanidade da qual não mais fazemos parte (sic)...

Manifestar-nos-emos, sim, quando e quanto nos aprouver, em defesa do futuro melhor para o Brasil e para o mundo, que julgamos começando agora a prenunciada Nova Era que, faz tempo, aguardamos com ansiedade.

Infelizmente, na atualidade, não divisamos, no campo político da Terra, nenhum Francisco de Assis e nenhuma Teresa D’Ávila, na disputa dos próximos cargos eletivos, não obstante, de nossa parte, já conseguimos identificar os déspotas e os tiranos que, não faz muito, saquearem os cofres públicos, e, outra vez, desejam saqueá-los, ludibriando o povo com as suas mentiras e falácias.

Não olvidemos que em “O Livro dos Espíritos”, os Espíritos da Codificação afirmaram que os maus prosperam na Terra por conta da tibieza dos bons, ou, no meu caso, segundo deduzo, dos que estão fazendo um esforço hercúleo para não seguir compactuando com o mal.

Então, meus caros, pedindo-lhes escusas pelos transtornos que, possivelmente, venhamos causando ao seu sono tranquilo, encerramos este despretensioso comunicado de espírito vulgar afirmando e lhes reafirmando que não percam conosco o seu precioso tempo, porque eu também sei cantar o “cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu”...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 3 de Abril de 2022.