domingo, 17 de agosto de 2025

 

Continua Trabalhando!

 

 

 

Minha irmã, você me escreve dizendo-se desanimada ante tantos problemas que a Humanidade está faceando na atualidade, com o materialismo ameaçando as melhores conquistas da civilização – diz-se, inclusive, entristecida com os conflitos que observa entre os próprios adeptos da Doutrina, com a vaidade e o personalismo fragilizando o nosso Movimento, já tão fragilizado depois da desencarnação de Chico Xavier, ocorrida em 2002.

 

Solicita-me uma palavra, não de orientação (que me reconheço incapaz de orientar quem seja), mas de irmão que, igualmente, quando no corpo, deve ter vivenciado muitas lutas e nunca ter se entregado ao desalento.

 

Sim, é verdade, minha irmã... Quando mais encarnado que hoje eu me encontro, as lutas não eram assim tão menores – veja que, quando estive por aí, a Terra enfrentou duas Grandes Guerras, a de 1914 a 1918 e a de 1939 a 1945, como também a pandemia da “gripe espanhola”, que começou em 1918, logo ao término da Primeira Guerra... No Brasil e no mundo, o clima político sempre foi instável – se, em relação à situação de agora, havia diferença, é que a gente não ficava sabendo de muita coisa que, atualmente, com a velocidade de um relâmpago, é colocado à mostra na Internet, como as vísceras de um cadáver em uma sala de anatomia.

 

Quanto ao Espiritismo, minha cara, as lutas se desdobravam em dois campos: sofríamos a perseguição dos adeptos de outras religiões e, intramuros, não satisfeitos com a oposição externa, nos desentendíamos quase como nos desentendemos agora. Surgiu até o denominado “Pacto Áureo”, em 5 de outubro de 1949, com o intuito de pacificar os exaltados ânimos espíritas, na incessante peleja pelo poder doutrinário (científicos versus místicos), “Pacto” que, em essência, poucos colocaram e colocam em prática em face das ingerências do Movimento Unificacionista, que tem à frente, através de seus órgãos, um punhado de padres e freiras reencarnados, e, quiçá, bispos, arcebispos, cardeais e madres ou abadessas, quase todos, como dizia João, o Batista, fugindo da “ira vindoura”...

 

Você, ainda na carta que me escreveu, afirma que, em sua opinião, estão tentando fazer agora com o Espiritismo o mesmo que foi feito com o Cristianismo – opinião da qual partilho completamente.

 

Bem, a orientação que eu posso lhe transmitir é a que sempre elegi para mim mesmo sob a inspiração da Abençoada Doutrina que nos acolhe e dos exemplos vivos que Chico Xavier nos transmitia em sua própria vivência: Continuar trabalhando, deixando que o trabalho, em sua silenciosa eloquência, diga por você tudo o que, se pudesse, estimaria dizer do alto de uma pirâmide qualquer, que pudesse ser mais alta que o Evereste...

 

Eu não sei se você sabe, mas, aproveitando, digo-lhe que Chico, depois que se aposentou de seu serviço na “Fazenda Modelo”, passava a maior parte do dia, em suas vinte e quatro horas, trabalhando em silêncio, e praticamente sozinho, dentro de casa – psicografava, escrevia cartas, endereçava impressos espíritas pelos Correios, tratava de seus bichanos, ou de seus cães de estimação, enfim, não parava de se ocupar com algo útil – claro, saía para ir ao Grupo Espírita da Prece, comparecia a lançamentos de livros, atendia a periódicos convites para, em nome da Doutrina, receber títulos de “cidadania”, e quando, de táxi, descia ao centro de Uberaba, era para um rápido cafezinho, adquirir jornais em uma banca e passar pela Livraria Católica onde tinha amizade com as irmãs que a dirigiam e que sempre se alegravam com a sua presença...

 

Então, minha irmã, não se deixe deprimir pela situação geral do mundo que, neste 2025, está cumprindo o primeiro quartel do primeiro século do Terceiro Milênio – este século promete, e promete coisas boas, porque, nos 75 anos que faltam para que ele se complete, não mais estará sobre a Terra nenhum tirano como também nenhum líder religioso personalista – os espíritas atuais, inclusive você – desculpe-me –, já terão batido as botas... Não é maravilhoso?!... O tempo, que não cessa de transpirar e nem pensa em aposentadoria, continuará fazendo o seu trabalho, silenciosamente!...

 

Imitemo-lo, perseverando, em silêncio, no cumprimento do dever, sem consentir que nada e ninguém nos derrubem o ânimo de seguir sob as bênçãos misericordiosas do Cristo.

 

Abraços cordiais.

 

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 17 de agosto de 2025.

 

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

domingo, 10 de agosto de 2025

 

Emmanuel Reencarnou?...

 

 

 

Sim, meu caro, tenho acompanhado a polêmica que, de quando a quando, se reacende entre alguns irmãos de Ideal: Emmanuel reencarnou? Onde, quando? Com que idade estará?...

 

Felizmente, a sua cabeça não me deixa sem tantas informações do mundo assim, e creio até que ela me informe mais a minha do que a minha à sua...

 

Mas, vamos lá.

 

Chico Xavier, que privou e priva com Emmanuel há séculos, disse, quando encarnado, que Emmanuel teria, sim, reencarnado, por volta no ano 2000, e, se Chico disse, ponto.

 

Agora, a turma que é do contra – contra Chico ser a reencarnação de Kardec, contra a Obra Mediúnica de André Luiz, contra o aspecto religioso da Doutrina e mil eteceteras, é contra tudo, e, infelizmente, creio que, se pudesse, colocaria, depressa, uma tornozeleira eletrônica em Chico Xavier, ou melhor, uma munhequeira!...

 

Devo informar aos interessados que nem nós, no Plano em que nos encontramos, sabemos do atual paradeiro do venerável Emmanuel, o nosso distinto Padre Manoel da Nóbrega, considerado o Primeiro Escritor do Brasil.

 

Chico, às vezes, dizia que ele reencarnaria para atuar no campo da Educação e que, talvez, mais tarde, iria ao Senado – coitado de Emmanuel duas vezes!... No campo minado da Educação Brasileira e no Senado com aqueles nossos irmãos comprometidos moralmente até ao pescoço?!...

 

Pensamento estreito é o dos que imaginam que Emmanuel haveria de reencarnar para ser espírita e médium... Ora, a Obra Mediúnica que, através de Chico, ele realizou é Obra para o consumo espiritual de décadas!

 

Agora, entre as informações de Chico, testemunhada por muitos que já desencarnaram e outros que por aí, entre os futuros defuntos, ainda estão, e as de qualquer “doutor da lei”, vocês me desculpem, mas é covardia dizer com as quais eu fico e ficarei sempre, vocês não acham?!...

 

Querem um conselho de um espírito débil, no caso, eu?!... Ocupem-se de outra coisa, vão estudar a Doutrina e parar com tanta tola vaidade e personalismo; vão... pescar!... Aliás, como Chico fazia, em Pedro Leopoldo, quando, ante a insistência dos amigos, levava as minhocas para tomar banho nas águas do rio...

 

Vão, ou vamos fazer sopa na periferia, não dando sopa aos espíritos desocupados, do Além e da Terra, que estatelam os olhos quando vêm uma câmera de TV, ou quando teatralizam a mais simples e corriqueira exposição doutrinária, carentes do aplauso do povo que, em geral, aplaude até político que mente a valer em comício.

 

Vão transmitir passes em doentes e cuidar das plantas do jardim, e deixemos que Emmanuel, quando puder e possível for, apareça através de suas obras, porque, em essência, meu caro, vocês os chafurdados nas ilusões da carne nunca vão saber quem seja Emmanuel reencarnado – estão imitando os judeus ortodoxos que até hoje estão esperando pelo Messias...

 

Nada mais havendo a acrescentar, encerro essa reunião, como diz um amigo, entre os Dois Planos, pedindo ao EMMANUEL em espírito e verdade que a todos nos abençoe e proteja.

 

 

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 10 de agosto de 2025.

 

domingo, 3 de agosto de 2025

 

Reencarnação Moral

 

Do ponto de vista material, a reencarnação se completa quando o espírito, por fim, renasce em seu novo corpo, que foi formado especialmente para ele.

Todavia, do ponto de vista moral, podemos dizer que, não raro, o espírito pode reencarnar mais de uma vez no mesmo corpo que ocupa.

Em geral, afirma-se que a reencarnação moral dá-se quando o espírito completa sete anos de idade, embora León Denis, grande estudioso da Doutrina, afirme que o referido fenômeno ocorre por volta dos vinte e um de idade.

De nossa parte, depois de estudar o assunto e observá-lo por longo tempo, cremos que o tempo da chamada reencarnação moral é variável de espírito a espírito.

Alguns há que, em plena adolescência já se revelam em sua personalidade, outros na juventude, e outros mais no período adulto.

A mudança de personalidade, que, naturalmente, se estende à mudança comportamental, e, por vezes, até no timbre de voz, pode ser confundida com a subjugação espiritual, sendo, então, rotulada de obsessão, quando, em essência, não passa de auto obsessão.

Ao longo dos lustros, espíritos existem que vão modificando o seu caráter, e não apenas no aspecto positivo, mas, principalmente, no aspecto negativo, dando-nos a impressão de que tenham passado a viver sob o constante assédio de obsessores.

Acontece, na grande maioria das vezes, que as diferentes personalidades animadas pelo espírito, ao longo de suas vidas sucessivas, logram se impor à sua personalidade atual – o “homem velho” termina por prevalecer sobre o “homem novo”, que, no corpo ou fora do corpo, todos somos chamados a ser.

A influência do meio, em vez de atuar para que o espírito melhore, atua para que ele, embora o natural esquecimento do passado, passe a viver através do que armazenou no inconsciente.

E convenhamos que, no que André Luiz chama de “porão da Individualidade”, não temos assim muito que possamos “aproveitar” em forma de estímulos positivos na personalidade que o homem anima no presente.

Crianças afáveis, em determinado período da vida, transfiguram-se em jovens rebeldes, e jovens que se mostravam pacíficos vão se modificando até quase, emocionalmente, se tornarem irreconhecíveis.

Notemos que os nossos compromissos cármicos, não raro, mostram-se tão complexos, que, em certa idade – até em idade considerada avançada –, suscitam comportamentos doentios, que a Medicina, inclusive, chega a rotular, genericamente, de esquizofrenia.

Muitos familiares conduzem filhos e netos, enfim, familiares em geral, aos Centros Espíritas, a fim de se trataram de uma suposta obsessão, quando, em essência, o problema chega a ser mais grave.

A reencarnação moral, como dissemos anteriormente, variável de espírito a espírito, pode ser constatada na mudança de comportamento, nem sempre súbito, mas gradativo, naqueles que parecem, ocupando o mesmo corpo, se apresentarem sob nova personalidade.

O assunto, evidentemente, comporta muitos estudos e reflexões, e aqui, resumidamente, apenas o apresentamos à análise sincera dos que desejam estudar o fenômeno que, infelizmente, não é assim tão raro quanto se pensa.

Até mesmo espíritas temos visto a se “repaginarem” no aspecto negativo, permutando fraternidade por agressividade, como se um “antigo ser” passasse a possui-los, quase anulando por completo as novas possibilidades de progresso em sua nova experiência física.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de agosto de 2025.