domingo, 28 de fevereiro de 2021

 

Deixa o Resto

 

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Cumpra com o seu dever e deixa o resto.

Não se envolva, ou não se permita envolver, com o que possa se lhe constituir em perda de tempo, ou em desgaste emocional inútil.

Não tergiverse com a consciência.

Valha-se da oportunidade de trabalho na presente encarnação para semear o quanto lhe seja possível.

Cerra, de vez, ouvidos à crítica, sem a preocupação de rebater a nenhuma.

Acautele-se contra a possibilidade de tropeço no trecho de caminho que lhe cabe percorrer.

Não seria agora que deveríamos esperar por qualquer reconhecimento pelo diminuto esforço que, em conjunto, temos empreendido.

Silencia um tanto mais.

Não acolha qualquer sugestão das trevas relativa a desanimo ou a cansaço.

Infelizmente, são muitos os que estão se perdendo na jornada, cedendo à ambição do poder, ou mesmo a situações que, em breve, lhes instalarão o desencanto na alma.

Você sabe que, para quem toma a decisão de servir com Jesus, é indiferente as pedras ou as flores que lhe atiram.

Continue não negociando os seus princípios, com os quais, todos os dias, peço a Deus que você venha a deixar o corpo ao se transferir para cá...

Persevera, nada tendo a perdoar a quem seja, e tudo fazendo para que mágoa e rancor não lhe embaracem os passos, porque a necessidade de pedir perdão ou de perdoar, realmente, para quem busca os Cimos, é desnecessária pedra de tropeço.

Muito mais da metade do carma que envolve o espírito na Terra, no mais Além, é falta de melhor saber administrar os problemas naturais da existência.

Não alimente qualquer esperança no campo da facilidade.

Feliz daquele que, lutando até o seu último dia na romagem terrestre, não oferece oportunidade para que as trevas se infiltrem em seu pensamento.

Os luminares do espírito aos quais, verdadeiramente, devemos honrar, não conheceram trégua na luta que muitos travaram contra o assédio do mal desde a infância.

Reconhecendo a nossa enorme falta de mérito, por que conosco seria diferente?! O que haveríamos de fazer de nós mesmos sem que, constantemente, como o inolvidável Apóstolo dos Gentios, não experimentássemos um “espinho” cravado na carne?!

A não ser motivado pela sinceridade de sua fé, com a cruz invisível do testemunho aos ombros, não busque o topo do monte, de onde os que o buscam com outro propósito se precipitam de modo espetacular.

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Estejamos, assim, conversados, e, embora lentamente, continuemos a grafar os nossos pensamentos, porque alguém que com eles, porventura, venha a se deparar haverá de aproveitá-los para que sinta inspirado a fazer mais e melhor.

A reta intenção é a salvaguarda da paz do espírito que, evidentemente, não estando isento de erro, sempre age com o intuito de acertar.

Sobretudo, considera a relatividade da opinião alheia e continuemos com a relatividade da opinião que nos pertence, porém, sempre em busca da Verdade que não se rende aos escusos interesses humanos.

No mais, o que por ora, além destas palavras amigas posso lhe oferecer, é uma vassoura nova para que você continue a exercitar os seus músculos espirituais, varrendo para fora de si os resquícios da poeira da vaidade e do personalismo, que, infelizmente, aqui e acolá, quase a sepultá-los vivos, se amontoa no espírito de muita gente.

Sigamos, porque ainda há muito a ser feito para o Senhor e com o Senhor, hoje e sempre.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 28 de Fevereiro de 2021.

 

 

 

 

 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

 

Escolhas

 

Sem a intenção de pessimismo em nossa palavra, as escolhas que a Humanidade vem fazendo em relação ao seu futuro, infelizmente, não são nada otimistas.

Salvo exceções, e elas não são poucas, os espíritos atualmente encarnados no orbe terrestre vêm revelando grande desinteresse pelas coisas que lhes dizem respeito à essência do ser – do ser imortal, com a tarefa de cuidar do próprio destino, arcando com as consequências de seus atos.

Há, sim, um grande descaso em relação aos temas dos quais as religiões, ao longo do tempo, têm se apropriado, mas que transcendem o seu domínio – as religiões, como um todo, quando não ficaram ultrapassadas em seus postulados, desvirtuaram-se dos Princípios nos quais se alicerçaram.

O mundo, na atualidade, não sente falta de religiões, que contam-se às centenas, para todos os gostos e interesses, mas se ressente, profundamente, da ausência de religiosidade, ou, em outras palavras, de espiritualidade.

Emmanuel, o prefácio do livro “Nosso Lar”, de André Luiz, grafou em 3 de Outubro de 1943, portanto há quase 80 anos atrás: “...precisamos, em verdade, do ESPIRITISMO e do ESPIRITUALISMO, mas muito mais de ESPIRITUALIDADE.”

O que temos assistido, pois, em matéria de escolhas que os homens, em geral, estão efetuando, não nos autoriza a prognósticos que não nos induzam a receios de que as provas coletivas, doravante, venham a se multiplicar e a se diversificarem.

O homem, no que tange ao respeito e à ética, está chegando ao limite do “tolerável”, e não falta muito para que, de livre escolha, faça transbordar o fel da taça.

Infelizmente, imensas legiões de espíritos, em todo o mundo, que estão despertando para as realidades mais altas da Vida, não terão como serem poupadas das tempestades que hão de se abater sobre a Humanidade, e muitos haverão de sofrer as consequências do naufrágio em alto mar, sendo, porém, pela Lei Divina, recompensados pelos seus testemunhos de fé.

Quando o próprio Senhor não se eximiu, em favor das criaturas humanas, do martírio na cruz, não há um só espírito, por mais justo, que possa se considerar em situação de privilégio.

A Espiritualidade Maior, desde muito tempo, tem envidado esforços no sentido de que o homem, pelo menos, faça jus à sua condição humana, mas o lamentável espetáculo que assistimos nos leva a duvidar de que já tenhamos nos distanciado o suficiente de nossa condição primitiva.

Portanto, continuemos a orar e a vigiar, procurando, os que assim o desejarem, a perseverar nos caminhos do Bem, não contemporizando com o mal, nem que, para tanto, venhamos a conhecer o menosprezo da maioria.

Nada parece conseguir deter a marcha dos acontecimentos infelizes que estão se desencadeando, a curto e a médio espaço de tempo, que farão com que muitas lágrimas sejam vertidas, sob a insensibilidade daqueles que se julgam inatingíveis pelas provações que irão bater às portas de seus bunkers e de suas fortalezas palacianas, nivelando-os ao mais comum dos mortais que sempre abjuraram em sua condição social.

Que o Cristo nos auxilie a não tergiversar na hora do testemunho pessoal e, resignados, aceitemos a parte que nos compete, qual, outrora, os cristãos, de todas as idades, aceitavam o sacrifício nos circos de martírio, faceando, a cantar, a morte com que se deparavam nas fogueiras, nas câmaras de tortura e na boca das feras famintas que as devoravam vivas.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 21 de Fevereiro de 2021.

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

 

Médiuns Familiares

 

“Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos.” – Hebreus, cap. 11 – v. 35

 

Em sua Epístola aos Hebreus, Paulo escrevendo a respeito de quanto tantos, desde os tempos mais antigos, sofreram no testemunho da fé, refere-se às mulheres que se fizeram médiuns de “seus mortos”, ou seja, daqueles que, tendo demandado o Mundo Espiritual, comunicaram-se por intermédio de intérpretes existentes no próprio grupo familiar.

Interessante destacarmos na reflexão que estamos efetuando, três situações no versículo, no texto constituído de apenas sete palavras:

1-    “Mulheres”.

2-    “Ressurreição”.

3-    “Seus mortos”.

Analisemos, com síntese.

As “mulheres”, no exercício da mediunidade, de fato, têm se revelado portadoras de psiquismo mais sensível que os homens... Não olvidemos que, na Obra Ciclópica da Codificação, foram as mulheres que mais valeram o Codificador, não pretendendo, com isto, dizer que os espíritos encarnados como médiuns no sexo masculino, igualmente, não logram se desincumbir de seus deveres de ordem mediúnica.

Quanto ao termo “ressurreição” claro está que o Apóstolo referiu-se à sobrevivência do espírito, após a morte física, conservando a identidade que lhes diz respeito, com a possibilidade assim de entrarem em contato com os que deixaram nas retaguardas da luta humana na Terra. Inclusive, no mesmo versículo citado acima, Paulo complementa grafando “Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição”, significando, com clareza, que tais se negaram a renunciarem à sua fé com o propósito de escaparem ao martírio, e que assim procederam para que a sua “ressurreição”, ou seja, o seu regresso ao Mundo Espiritual não os cobrisse de vergonha e não lhes viesse a ser um peso na consciência.

Com referência aos “seus mortos”, que, em essência, é o objetivo de nossos estudos no Blog desta semana, concluímos, sem dificuldade, que as comunicações mediúnicas podem se fazer mais autênticas quando acontecem através de médiuns familiares dos desencarnados.

Médiuns, de certa maneira, “estranhos” aos espíritos que os procuram para contato com os que ficaram na Terra, ou que, na grande parte das vezes, são procurados pelos encarnados para contatarem os seus entes amados que partiram, são instrumentos mais difíceis de serem utilizados, com o êxito que se deseja, na obtenção das notícias almejadas.

No futuro, pois, não muito distante, quando a mediunidade se mostrar mais generalizada entre as criaturas encarnados, os médiuns familiares serão em maior número e, assim, eles mesmos haverão de se encarregar do contato com os precederam na Grande Mudança.

No livro “Nosso Lar”, no capítulo 48 – “Culto Familiar” –, André Luiz descreve a manifestação de Ricardo, que já se encontrava encarnado, portanto, em um contato mediúnico “às avessas”, valendo-se das condições que, principalmente, lhe eram oferecidas pelos integrantes de sua família...

Meditemos no conteúdo do versículo da Carta de Paulo aos Hebreus, e procuremos ampliar as nossas concepções em torno do intercâmbio mediúnico.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 14 de Fevereiro de 2021.

 

 

 

domingo, 7 de fevereiro de 2021

 

“Lockdown” Espírita?!

 

“Lockdown” dos Centros Espíritas?!...

Sinceramente, um absurdo.

Não se concebe que um Centro Espírita, que é um Hospital de Almas, permaneça fechado indefinidamente.

Em tempos de pandemia, compreende-se os cuidados – claro, ninguém quer desrespeitar a lei ou expor à existência humana ao desenlace precoce.

Concordamos com as medidas de prevenção – mas não concordamos com o COMODISMO DOS DIRIGENTES DOS CENTROS ESPÍRITAS.

Fazem parte da turma de risco?! Padecem de inúmeras comorbidades?!

Mais do que justo que se cuidem, por si e por aqueles que, eventualmente, possam contaminar.

Todavia, é bom saber, a maioria dos que estão desencarnando pelo “Covid” contaminou-se dentro de casa...

Então, somos de parecer que o “Lockdown” espírita está extrapolando os limites do bom senso, desconsiderando a necessidade espiritual de quem precisa tomar um passe.

Estamos fazendo o “jogo” da esquerda – calma, não estou me referindo à política – quero dizer que estamos fazendo o “jogo” de Gestas, o mau ladrão, que, segundo a fé popular, estava à esquerda do Cristo!...

Aproveito para esclarecer que não sou de direita e nem de esquerda, sou de “Centro” – estou com Jesus Cristo, que, segundo as narrativas foi crucificado entre dois ladrões, sendo que um era bom, Dimas, e outro mau, Gestas, porém ambos ladrões – ambos viviam de surripiar o povo!...

Então, com o propósito de colocarmos um ponto final no “Lockdown” dos Centros Espíritas, que já vai fazer aniversário, e com possibilidade de completar dois anos logo, logo, sou de parecer que as chaves dos Centros fossem passadas às mãos dos mais jovens – daqueles que, presentemente, não estão integrando o considerado “grupo de risco”.

Desapeguem-se das chaves dos Centros Espíritas, seus Presidentes e Dirigentes, que, talvez, até, indevidamente, é claro, considerem-se os seus “donos”...

Dê-se oportunidade aos confrades de sua confiança, que não irão transformar o Centro em salão de dança, de abrirem a referida Instituição e... receberem os que estão ávidos por ouvirem alguém no comentário de uma lição de “O Evangelho”, ou, conforme dissemos, receberem um passe, que já provou ser mais eficaz do qualquer vacina que ande por aí, sem maior competente aval da Ciência.

De minha parte, somente tenho autoridade para lhes dizer que as trevas estão adorando ver os Centros Espíritas fechados – indefinidamente fechados.

Os espíritas, muitos, estão ficando amolentados, porque estão perdendo o hábito que sequer ainda haviam adquirido da disciplina espiritual.

Ah, ainda em referência à vacina, nada contra os lobbies das indústrias farmacêuticas, que se expressem em inglês ou em mandarim – nada contra!

Todavia – ái meu Deus, tenho que falar! –, uma vacina que se preza não permitiria que o imunizado ficasse assim tão exposto a se contaminar de novo e, mais, a continuar contaminando indiscriminadamente...

Coitados de meus irmãos encarnados, condenados a usarem máscaras por um tempo à frente que somente Deus sabe até quando – pelo menos, vocês poderão inovar, não é?! – transmitir e receber um passe mascarados, infelizmente, tão ao gosto de médiuns que, em tempos de “Covid” ou não, são naturalmente “mascarados”...

 

INÁCIO FERREIRA

 

PS: Por favor, caso venham a me execrar pelo exposto, pelo menos usem máscara, certo?! Ao bafo de certos irmãos espíritas, tão pios e tão doutrinariamente corretos, eu prefiro o bafo do Demônio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 30 de janeiro de 2021

 

Turbulência Espiritual

Irmãos e irmãs: Jesus conosco.
Não desejando que a nossa palavra soe com pessimismo, não podemos negar, no entanto, que a Terra de agora vem atravessando grande momento de turbulência espiritual.
A referida questão, evidentemente, não se deve apenas aos problemas desencadeados pelo “Covid”, de vez que a pandemia que, nos tempos atuais, assola a Humanidade, é efeito, e não causa.
A verdade é que a turbulência, que ora se agrava, acenando com permanência mais ou menos longa, vem, pelo comportamento humano, se avolumando gradativamente através das últimas décadas.
O que constatamos ocorrer, qual tsunami psíquico a se lançar sobre as criaturas encarnadas, ameaçando tragá-las em suas caudalosas ondas de cepticismo, é consequência, sem dúvida, do descaso dos homens em relação ao que é pertinente ao espírito, e, em essência, à “rejeição” do Cristo que, após o episódio do Calvário, nunca padeceu perseguição semelhante à que vem experimentado agora.
Referimo-nos ao assunto pela insistência de muitos de nossos irmãos e irmãs de Ideal que têm nos dirigido incessantes apelos para que expressemos o nosso singelo ponto de vista em torno desse desassossego coletivo que parece tomar conta de imensas legiões de almas.
Tranquilizem-se, pois, não nos encontramos indiferentes às lutas morais que estão a caracterizar este século, desde o alvorecer do novo milênio – tudo temos feito para cumprir com os nossos deveres de fraternidade junto aos nossos companheiros que mourejam na carne. Não obstante, confessamos, a quantos anseiam pela nossa palavra e pela nossa presença, que, igualmente, não nos têm sido fácil atravessar esse “oceano mental” em constante turbulência, sem, muitas vezes, nos depararmos com um ancoradouro de fé e oração, a fim de que possamos contar com a mínima condição necessária para, em nome do Cristo, prosseguirmos em nossos labores exercidos entre as Duas Dimensões.
Todavia, estamos firmes e não haveremos de recuar, quanto solicitamos a todos os nossos irmãos e irmãs que a nós se unam no esforço de manter a calma e continuar enfrentando a situação na certeza de que as trevas não prevalecerão sobre a luz.
Forças espirituais antagônicas vêm encontrando respaldo nos pensamentos de pessimismo e nos sentimentos menos nobres de muitos que se encontram encarnados, preocupados tão somente com o imediatismo da existência no corpo perecível.
O momento é, sim, de pacífica resistência em nosso devotamento ao Bem, sem nos permitir contagiar pelo noticiário alarmista que se generaliza e pode nos dar a impressão de que o mundo seja um barco à matroca, perto de inevitável naufrágio. Em absoluto, porque o Senhor, com as suas Divinas Mãos, permanece no leme e essa turbulência, necessária a nosso ver, há de nos constranger à mudança de rota, induzindo-nos à descoberta de um novo mundo na própria Terra, na qual há de florescer uma nova Humanidade.
Inúmeros espíritos compromissados com a Justiça e com o Bem e, consequentemente, com o Cristo, já se encontram corporificados no planeta, ou em processo de corporificação, e, a pouco e pouco, haverão de substituir os espíritos renitentes que estão tendo uma de suas derradeiras oportunidades no orbe, antes que partam em demanda a doloroso exílio.
Redobremos, assim, as nossas orações e, sobretudo, a nossa confiança, sem consentir que a tempestade avassaladora que sopra em todas as latitudes do planeta estabeleça o caos em nosso mundo íntimo e nos arraste para onde pretendem nos conduzir aqueles que se erigem em adversários gratuitos do Senhor, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 31 de Janeiro de 2021.



domingo, 24 de janeiro de 2021

 

Pandemia

E

Comodismo Espiritual

 

Irmãos e irmãs: o Senhor nos abençoe.

Natural, sim, conforme nos ensina “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que procuremos cuidar da saúde do corpo, sem, no entanto, olvidarmos a do espírito.

Nossas palavras vêm a propósito da atual pandemia que, desde o início do ano passado, assola a Humanidade, e que, infelizmente, ainda haverá de se estender por algum tempo.

As adversidades, individuais e/ou coletivas, são inevitáveis nos caminhos do espírito em evolução.

Realmente, os homens encarnados, com as exceções existentes, e elas não são poucas, enveredavam por atalhos que terminariam por comprometer as conquistas atuais da civilização.

Nesses momentos cruciais da história humana na Terra, mormente agora com uma população de mais de sete bilhões de almas, o inconsciente coletivo opera, e, então, determinados fenômenos se desencadeiam, sempre no propósito de socorrer e de ensinar, e nunca no de fazer sofrer, qual se o Criador, através de Suas Leis, magnânimas e justas, fosse um Pai insensível que não se importasse com as lágrimas dos filhos.

Assim, embora a muitos possa não parecer, imensas legiões, sobre o orbe terrestre, a pouco e pouco, vêm modificando o seu modo de pensar a Vida, ensejando no terreno do próprio espírito a separação do joio e do trigo.

Contudo, sem dúvida, carecemos de discernimento e prudência, para não consentirmos que o medo excessivo de perder o corpo físico não nos induza a descuidos, em relação à necessidade de prosseguirmos trabalhando em nosso processo de educação espiritual.

Ninguém, é claro, deve se expor desnecessariamente ao perigo de contágio pelo denominado “Covid 19 “, quanto não deve arriscar-se em outros campos que possam lhe comprometer a encarnação, que, afinal, como ensina André Luiz, em “Nosso Lar”, “é sempre uma tentativa de magna importância”, para os anseios da criatura.

Contudo, não se justifica, igualmente, o demasiado retraimento a que muitos vêm se entregando, não muito atentos aos valores do tempo, que, para o espírito encarnado, se mostram limitados, sem que alguém possa prever, com exatidão, quando haverá de empreender a Viagem de Volta.

Apelamos, pois, para que, na medida do possível, os nossos irmãos e irmãs espíritas-cristãos, deem prosseguimento às suas atividades, na doação de si mesmos, à Causa do Evangelho, que não deve sofrer interrupções que venham a lhe ser impostas, direta ou indiretamente, por ação de seus adversários, encarnados e desencarnados.

Vendo a menor possibilidade de avançar, não permaneçam os nossos confrades e confreiras, encolhidos, ou acuados, como quem ainda não aprendeu a dar o seu testemunho de fé na imortalidade.

O Senhor, evidentemente, não espera de nós outros o menosprezo pelas hostilidades que rondam os passos de todos os que intentam segui-Lo! Não obstante, repetimos, não se justifica o receio que nos imobilize completamente, quase que a nos subtrair as conquistas que, às duras penas, vimos efetuando de algum tempo para cá... Sim, porque somos, em maioria, espíritos muito jovens na aquisição de novos hábitos, e corremos sérios riscos de retrocesso nas nobres aquisições, que, à luz do Cristianismo Redivivo, estamos realizando.

Sem descaso às orientações das autoridades sanitárias que são chamadas a nos orientar neste momento delicado, busquemos, com a segurança indispensável – que diga respeito a nós e aos nossos semelhantes –, retomar as tarefas espirituais sob a nossa responsabilidade, convictos, sobretudo, de que, na hora que passa, o homem nunca necessitou tanto de encontrar uma porta que não se lhe cerre, indefinidamente, à extrema carência de pão para o corpo e para a alma.

 

Irmão José

 

(Página recebida pelo médium Carlos A. Baccelli, em reunião do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, na manhã de 22 de Janeiro de 2021, em Uberaba – MG).

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

 

Oração

No Alvorecer

De 2021

 

Senhor...

No alvorecer deste ano que começa, de volta ao contato com os nossos irmãos encarnados, que tantas provações enfrentaram em 2020, rogamos, à Tua magnanimidade, que interceda em favor de todos eles, na Terra inteira...

No entanto, Mestre, não Te rogamos apenas pelos que choram os seus entes queridos que partiram vitimados pela pandemia que assola o planeta, e nem tampouco por aqueles que temem o seu contágio, ainda não estando preparados para o desenlace do corpo em que, presentemente, se abrigam em suas experiências evolutivas...

Vimos Te pedir, Senhor, por todos aqueles que se erigem em obstáculos ao progresso da Humanidade, insistindo em espalhar a sombra que conspira contra os Teus ideais de construir o Reino de Deus entre as criaturas...

Que eles possam se sensibilizar com o sofrimento do povo e, assim tocados no espírito, renunciem aos seus propósitos egoísticos de obter vantagens transitórias à custa de tantas lágrimas alheias derramadas...

Que se esqueçam dos interesses imediatistas que os movem em suas ilusórias ambições, compreendendo que, mais cedo ou tarde, serão chamados pela Lei a prestarem contas de seus desmandos, que, infelizmente, vêm entravando o progresso espiritual das grandes coletividades no planeta...

Que todos eles, nossos equivocados irmãos em Humanidade, retrocedam em seus estranhos anseios de se perpetuarem no poder que a Bondade Divina, temporariamente, lhes concede, para que, em nome Dela, tutelem os passos daqueles outros irmãos para os quais, muitas vezes, a felicidade, simplesmente, se resume, em ter pão sobre a mesa...

Sim, Mestre, é para todos eles que vimos Lhe pedir neste novo tempo de aprendizado e trabalho que o calendário humano descerra para quantos, na atualidade, se encontram em labuta no orbe terrestre, esperançosos de melhores dias...

Auxilia-nos em nome de Deus, nosso Pai, para que, não venhamos, no corpo ou fora dele, nos constituir em pedra de tropeço, ou em causa de escândalo para quem quer que seja, escutando, hoje e sempre, no âmago do espírito, as Tuas indeléveis palavras:

- “É inevitável que venham escândalos mais ai do homem pelo qual eles vêm!

Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos.”

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 17 de Janeiro de 2021.

 

 

 

 

 

 

domingo, 20 de dezembro de 2020

 

PRECE DE 2020

 

Senhor Jesus, Mestre Amado,

Este foi um ano que nos proporcionou inúmeras

E preciosas lições –

Lições somente comparáveis às que nos foram

Transmitidas em oportunidade semelhantes,

Nos séculos que já se foram...

Aprendamos, neste ano,

Sobre –

A fugacidade da existência no corpo físico,

A inutilidade das ambições,

A ilusão do poder transitório...

Sobretudo, aprendemos

Que, crendo ou não crendo nelas,

Estamos à mercê das Leis Divinas,

Das circunstâncias da frágil vida humana

Na Terra,

Que ninguém deve se considerar

Em situação de privilégio...

Aprendemos ainda

O quanto é difícil aprender

As lições mais comezinhas de fraternidade –

O quanto é difícil vencer o egoísmo,

Quando mesmo estejamos

A deixar a carcaça por ação de um

Ser microscópico –

Que nos impôs a derrota que

Davi impôs a Golias, manejando uma funda...

Aprendemos, igualmente,

Que muito temos a aprender –

Praticamente o A, B, C do amor ao próximo,

No qual somos analfabetos...

Aprendemos que não temos memória,

Ou coração, não sei,

Porque como nos esquecemos com facilidade

Dos tropeços, das quedas, dos fracassos –

Como, de repente, o anjo que ensaiávamos ser

Volta a ser humano, e, em certos casos,

Até sub-humano...

Este ano de 2020, dos derradeiros anos,

Nos últimos séculos,

Sem dúvida, foi dos mais preciosos para nós –

No corpo e fora do corpo...

Foi um ano que nos trouxe à flor da pele

O que ficava escondido nas entranhas

Dos tecidos de nossos corpos –

Mais ou menos denso, não importa...

Este ano de 2020 foi “cacete”

Prá burro, mas justamente por ele

Queremos Te agradecer...

Estamos, sim, nos conhecendo melhor

E sabemos mais do que somos capazes,

Tanto no Bem quanto no mal,

Tanto diante de uma Pandemia, quanto fora dela...

E que tristeza, Senhor,

Constatar que, como integrantes da Humanidade,

Ainda estamos tão longe –

Infinitamente distantes –

De sermos quem esperas que, um dia,

Venhamos a ser...

Aprendemos, sim, Senhor,

A olhar um pouco mais para o Céu,

Voltamos a dobrar os joelhos

E a curvar a cerviz –

Ah, o que o medo da morte não faz com o homem!...

Senhor, no que pese os que partiram

Antes de outros,

E vieram se juntar a nós, deste Outro Lado,

2020 foi uma maravilha! –

Expôs as nossas chagas todas,

Ou quase todas –

Tu nos demonstraste o que um simples

Vírus,

Pode nos ensinar em Teu nome,

A nós que, há dois mil anos,

Sequer aprendemos, com os olhos do espírito,

A ler o Teu Testamento

De Sabedoria e de Amor

À Humanidade egóica – que nome feio –

Para uma coisa mais feia ainda –

O egoísmo,

Responsável pelos insucessos espirituais do homem

E que ainda lhe custará,

Nos anos vindouros,

Lágrimas mais abundantes!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 20 de Dezembro de 2020.

 

NOTA – este Blog voltará com página inéditas do Dr. Inácio Ferreira no dia 17 de Janeiro de 2021.

 

 

 

 

 

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

 

MAR E PRAIA

 

Qual a água do mar toca a praia, e a encharca, assim é o Mundo Espiritual próximo, em relação à Terra.

Notemos que os banhistas, muitos deles, em seus trajes menores, à feição dos desencarnados, permanecem num estado de transição – continuam tão humanos que, quando logram se retirar da praia, deixam-na quase completamente repleta de lixo.

A praia, por assim dizer, é o “Umbral”, a Dimensão intermediária entre a cidade e o oceano – entre a Terra e o Mundo Espiritual livre.

Raros são os banhistas que, por saberem nadar, se aventuram mar adentro, distanciando-se da praia.

A esmagadora maioria, quando se vê fora do corpo, com receio do Infinito, não ousa mais que molhar os pés – depois de breve bronzeado, deliberam voltar à cidade e retomar a segurança de quem pisa em chão já conhecido.

Dando as costas para o Infinito, ou seja, para o Mundo Espiritual de natureza mais transcendente, opta pelo regresso à vida comum – toma um banho quente em casa e procura se livrar de toda e qualquer lembrança da areia das praias do litoral.

Não obstante, o oceano, ou seja, o Mundo Espiritual, em suas águas mais rasas ou mais profundas, permanece na expectativa de quem seja capaz de desbravá-lo.

Até o presente momento, poucos são os banhistas que, exímios nadadores, arriscam-se a ir um pouco mais longe, e, depois, retornam procurando encorajar os mais temerosos a não se contentarem com apenas molhar os pés, ou dormir sob as sombrinhas postadas na areia da praia.

Realmente, para que alguém se aventure mar adentro é preciso que tenha aprendido a nadar, e mergulhar, assimilando, inclusive, a técnica da flutuação.

Alguns têm tanto receio do mar que preferem, embora em trajes de banho, permanecer num dos bancos da calçada, à sombra de uma palmeira, repetindo de maneira inconsciente: - Eu quero a minha mãe!...

E é justamente esse desejo, o de querer a mãe, que faz muitos banhistas retornarem mais depressa às suas casas, entrarem num pijama e dormir ao barulho da maré...

Contudo, o mar permanecerá onde sempre esteve – desafiador. E quem não vencer o medo do Infinito nada conseguirá, por muito e muito tempo, mais que pisar na areia da praia e permitir que a água do oceano lhe toque os pés.

A praia é o “Umbral” dos espíritos que deixam o corpo – praia, diga-se de passagem, repleta da presença humana dos banhistas que não se preocupam com o meio ambiente.

O Espiritismo é excelente “escola de natação”, para que os futuros banhistas percam o medo das águas do oceano e comecem a bracejar na direção do Infinito.

Mas, por hora, o receio de afogamento vem predominando na maioria dos banhistas, que, como eu, literalmente, nunca puderam realmente aprender a nadar sequer numa piscina – eu tinha medo de afogar até debaixo do chuveiro, ou, quando era mais menino, até na bacia d’água em que minha mãe me colocava para que eu pudesse me livrar da poeira cotidiana de minhas traquinagens.

Todavia, é verdade que tem banhista na cidade que sequer nunca foi à praia – eu penso que deve ter medo de ser puxado pelas ondas do mar...

Por este motivo, meu caro, se você quiser, o Espiritismo também pode ser, para você e para muita gente, um “Manual de Natação”, que, talvez, quando você for à praia, consiga encorajá-lo a entrar no mar da Vida Mais Alta com a água lhe dando, pelo menos, à cintura.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 13 de Dezembro de 2020.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 6 de dezembro de 2020

 

PROCURANDO UM CORPO...

FICÇÃO?!...

(Um caso dentre muitos de... reencarnação)

 

O espírito sente que deve reencarnar.

Trata-se de um impulso da Lei.

Íntimo.

Irresistível.

Necessita continuar evoluindo.

Precisa trabalhar.

Movimentar-se.

Criar.

Retomar um trabalho.

Ampliá-lo com novas ideias.

Adquiridas no Espaço.

Em seus vislumbres espirituais.

Ou em contato com outros espíritos.

Nem sempre dá para planejar.

Cuidar de detalhes.

Preferências.

Minúcias.

Raça.

Sexualidade.

Meio social.

Ele precisa apenas de um corpo.

Relativamente saudável.

Cérebro ativo.

Que lhe atenda ao comando mental.

Acolha o seu pensamento.

Possibilite o trabalho racional.

Intuitivo.

Corpo adequado aos sentimentos a externar.

Não carece de ser exatamente perfeito.

Tem que ser instrumento.

Maleável.

De seus pensamentos.

Palavras.

Mãos.

Se não puder, além do razoável,

Razoável serve.

Então, de iniciativa própria –

Livre arbítrio –,

Ele procura um ventre.

Ninho materno.

Atravessar a barreira das Dimensões.

Ressurgir no berço.

Ser criança, outra vez.

Construir no mundo –

Construindo o mundo,

Edificando a si.

Ele desce.

Peregrina nos arredores da Crosta.

Procura.

Fareja.

Facilidade pode ser obstáculo.

Dinheiro.

Beleza.

Paparicos quaisquer.

Um pouco de carinho, sim.

Atenção afetiva.

Principalmente da mãe.

Do pai, nem tanto.

Se o tiver, que não seja excessivo.

Precisa de um corpo –

Não de uma redoma.

De um corpo com reminiscências.

Sonhos.

Visões.

Anseios.

Quer ser semente entre espinhos.

Germinar.

Florescer.

Produzir frutos.

Permanecer anônimo – quanto possível.

Sabe das trevosas oposições.

Até certa idade, uma criança comum.

Depois, o gênio.

O artista.

O cientista.

O novo.

Sim, sobre a Terra –

Do centro à periferia,

De canto a canto –

Espíritos peregrinam.

À procura de um corpo.

Adequado.

Sem necessidade de lastros espirituais.

Sem programação.

Mas, evidente, com a permissão da Lei.

Em obediência à Lei.

Assumindo riscos.

Pois, o meio ainda é hostil.

Ele nasce e, de repente, luz.

Uma lamparina.

Chama bruxuleante.

Mas que, na sombra, é um clarão.

Fala e descerra caminhos.

Escreve e amplia horizontes.

Age e muda

Respira e inspira.

Depois, deixa a carcaça.

Sobe.

Um pouco mais alto.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 6 de Dezembro de 2020.