domingo, 27 de setembro de 2026

 

Oratória Espírita

E

Suicídio

 

Quando o assunto abordado, nos Centros Espíritas, em suas reuniões públicas, relacionar-se a suicídio, convém que os oradores chamados à palavra o façam com a maior prudência possível, sem se esquecerem da compaixão para com aqueles que praticaram o autoextermínio.

Sabemos que, infelizmente, na atualidade, o número de suicídios vem aumentando em todo o mundo, principalmente entre os jovens, em uma faixa etária de 10 e 24 anos.

Quase sempre, consequência da descrença em relação à imortalidade, de fato, o suicídio merece atenção especial por parte daqueles que, contra semelhante desatino, devem alertar os que pensam, como dizia Chico Xavier, em “travar uma guerra inútil e vã contra Deus em si mesmos”.

No entanto, o motivo deste presente arrazoado sobre o tema é que, não faz muito, uma expositora dos princípios espíritas, falando sobre o suicídio, teceu comentários quase impiedosos em relação aos que cometeram o referido equívoco.

Ela esboçou, através da palavra, um quadro terrível, esquecendo-se de que os genitores de um filho suicida estava na plateia do Centro Espírita, escutando-a, tendo, assim, com o seu verbo invigilante, os seus sofrimentos íntimos agravados.

Sem dúvida, naquele momento, em sua boca, o Espiritismo deixou de ser a doutrina consoladora que é, e que deve continuar sendo, para ser uma espécie de implacável cirurgiã que sai amputando membros sem sequer o benefício do conforto e da esperança aos amputados.

Necessário que, em geral, os espíritas revejam essa questão do já chamado “Vale dos Suicidas”, ao qual se destinariam, por tempo indeterminado, quiçá pela eternidade, os que, não raro, premidos pelos desespero ou por questões graves de ordem psiquiátrica, deliberam, vencidos por suas perturbações, colocarem ponto final (sic) em sua própria existência.

No ato do suicídio, sempre deplorável, existem casos e casos, e, de nossa parte, cremos que existem “Vales” de muito maior sofrimento, ocupados, por exemplo, por aqueles que, não raro, são indutores do suicídio de terceiros... Recordemos a Palavra de Jesus, anotada por Mateus, no capítulo 18, versículo 6: “Mas, se alguém induzir a pecar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que ele amarrasse uma pedra de moinho no pescoço e se afogasse nas profundezas do mar.”

Ah, os “Vales” dos corruptos e corruptores, dos estupradores, dos traficantes, dos que comercializam com a miséria humana, dos políticos que prejudicam comunidades inteiras, dos ditadores e tiranos...

Não iremos nos alongar, mas, quem subir à tribuna espírita para falar a respeito do suicídio, não se esqueça de uma mãe que possa estar na plateia, necessitada de consolo, ou de um pai que, então, possa sentir-se como quem, em vez de estar em uma Casa de Oração, esteja em um tribunal escutando sentença condenatória pelo boca incompassiva de quem, por certo, não tem a mínima autoridade para tanto.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 27 de setembro de 2026.