O Espírita
E a Política
Eu não vejo o porquê de o espírita não poder se envolver com Política, com P maiúsculo.
O espírita que não se preocupa com a administração pública é omisso.
Claro que quando me refiro ao “envolvimento” do espírita com Política, não estou me referindo à denominada “politicagem”, com a qual, infelizmente, muitos terminam por se envolver.
O espírita com vocação política, voltada para o bem-estar da comunidade, deve, sim, por ela se interessar e não há absolutamente nada que, por exemplo, o impeça de candidatar-se a um cargo eletivo.
Bittencourt Sampaio, político sergipano, presidiu a Província do Espírito Santo.
Bezerra de Menezes foi vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pelo, então, Partido Liberal, chegando a ser Presidente da Câmara Municipal da Corte.
Eurípedes Barsanulfo, apóstolo da mediunidade, foi eleito vereador pela Câmara Municipal de Sacramento, Minas Gerais, com mandato de 1902 a 1910.
Cairbar Schutel foi o primeiro Prefeito da cidade de Matão, São Paulo.
Freitas Nobre, espírita convicto, foi reeleito deputado federal por três vezes.
Muitos outros aqui poderiam ser citados por nós.
Agora, se me perguntarem se o Espiritismo é doutrina que se inclina para esse ou aquele partido político, para a esquerda ou para a direita, ou mesmo para o centro, etc., a minha resposta é “não”.
A afinidade de determinada pessoa por esse ou aquele partido político é algo complicado, porque pode, ou não, falar de suas intenções mais íntimas.
Na teoria, a ideologia política mais apurada, na prática pode ser o braço de uma facção criminosa.
O Cristianismo, convertido em Catolicismo, ou forçado a tanto, não se desvirtuou?!
O Movimento Espírita, com as inclinações elitistas de alguns de seus adeptos, não vem, de certa maneira, comprometendo o avanço da Doutrina?!
Política não deve ser sinônimo de poder, mas, sim, de DEVER.
Quem é eleito pela maioria legítima dos votos para exercer um mandato, é escolhido para uma responsabilidade, e não para o seu personalismo.
Infelizmente, na Terra, proliferam, na atualidade, os maus políticos, porque, em essência, igualmente, são maus cristãos – maus católicos, maus protestantes, maus espíritas, enfim, maus cidadãos.
Tendentes à ditadura, revelam os seus propósitos ditatoriais, escravizando povos e nações.
São instrumentos das Trevas, que, no fundo, combatem o Evangelho, e não desejam que, intelectual e moralmente, a Humanidade avance.
Dizem-se democratas, contudo, não passam de comunistas, que, à feição dos Imperadores Romanos, ofertam ao povo “pão e circo” – o pão é do trigo que cresce na gleba abençoada, o circo é da palhaçada que eles mesmos aprontam no picadeiro.
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 18 de outubro de 2026.