domingo, 27 de outubro de 2024

 

Mediunidade e Circo

 

Infelizmente, a invigilância de muitos médiuns termina por transformar a mediunidade em um verdadeiro circo, dando espetáculo de graça aos opositores da Doutrina.

Tal vem acontecendo desde que “famoso” médium foi acusado publicamente, em 1962, por Chico Xavier, de plágio, em carta datilografada de 10 páginas!...

Cremos, de nossa parte, que Chico não teria tomado a decisão que tomou caso não considerasse o que ocorreu como sendo de suma gravidade para a Doutrina.

Envolvidos pelo “canto da sereia”, muita gente boa aplaudiu, e ainda aplaude, o referido medianeiro, cujos adeptos chegam a considerá-lo superior a Chico, sabendo que foi ele o introdutor do Elitismo no Movimento Espírita – a reencarnação de um filósofo sofista.

Os espíritos, evidentemente, podem se comunicar por vários médiuns – os médiuns não são os seus “proprietários”, e vice-versa –, todavia, a falta de ética mediúnica vem, praticamente, desmoralizando a mediunidade perante a opinião pública, com médiuns, sem qualquer escrúpulo, invadindo a seara alheia e se apropriando do trabalho que realizam.

Chico Xavier, em 1958, chegou a sofrer o aludido problema com um seu sobrinho, que, infelizmente, veio acabar alcoólatra, depois de ter acusado o tio de mistificador, com o assunto ganhando as páginas dos principais periódicos da época.

O próprio Kardec não escapou à semelhante artimanha das trevas, pois, mal tendo lançado “O Livro dos Espíritos”, dando início ao trabalho da Terceira Revelação, um advogado francês de nome Roustaing, já se atrevia a ser o mentor da “Revelação da Revelação”, provocando uma cisão que persiste até hoje, mesmo nos quadros diretivos da Federação Espírita Brasileira.

Acreditamos que a questão do plágio espírita, cometido por médiuns e não médiuns, haverá de continuar e, no futuro, causará grave problema para a Doutrina.

Não sabemos, ao certo, o que a move, mas há um misto de admiração e inveja, de mistificação e insanidade, em sua base, sendo lamentável ver tantos medianeiros promissores sem coragem para desbravar o seu próprio caminho no intercâmbio com o Mais Além.

Note-se, por exemplo, que no delicado campo da cura são inúmeros os médiuns que dizem “receber” o Dr. Fritz, quando sabemos que a tarefa do médico alemão desencarnado se encerrou com a desencarnação de José Arigó, o seu único intérprete.

Pode acontecer, sim, que muitos outros espíritos ajam em seu nome, todavia não temos observado os seus instrumentos mediúnicos, em nome da honestidade, fazendo semelhante esclarecimento. Em Uberaba, nesta última eleição, um candidato a vereador, que se diz médium de cura, espalhou cartazes pela cidade pedindo à população que votasse no “Dr. Fritz”... Ridiculíssimo!... Felizmente, foi derrotado fragorosamente.

De fato, muitos médiuns incipientes, à procura de promoção pessoal, estão à procura de picadeiro, o que, na atualidade, não é difícil encontrar, pois existem até aqueles que estão pagando para vê-los em ação com as suas acrobacias.

Em Portugal, inúmeros médiuns brasileiros que lá têm ido, desde muito tempo, estão ganhando dinheiro – era em escudos, agora é em euro –, com um desses médiuns de cura do Brasil tendo, inclusive, feito que o seu anfitrião se levantasse de madrugada e fosse até ao Banco sacar determinada importância – o depoimento é do próprio anfitrião.

Enfim, como disse Denis, o Espiritismo será o que dele fizerem os espíritas... – na atualidade, estão estendendo uma grande lona e fazendo um circo!

Façamos o que quisermos, só não nos esquecendo de que, em breve tempo, por tudo haveremos de responder, e a coisa há de ser mais feia do que muita gente que brinca de Espiritismo possa imaginar!...

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 27 de outubro de 2024.

 

 

domingo, 20 de outubro de 2024

 

Está Chegando o Natal

 

Está chegando o Natal, a luta de nossos irmãos e irmãs do Lar Espírita “Pedro e Paulo”, de Uberaba, para arrecadar cestas básicas e brinquedos para as famílias assistidas.

Todo ano a mesma luta, a mesma expectativa de quem reside na periferia, nos bairros mais pobres.

Adultos carentes e crianças solicitando fichas para receberem, em nome de Jesus, um pouco de alegria pela época do seu Nascimento.

O descaso social ainda é uma realidade no Brasil.

O mirrado salário, por vezes, mal dá para o remédio, o uniforme escolar, os cadernos e os livros, para o gás de cozinha, para pagar a energia elétrica no final do mês.

A fome ainda ronda muitos estômagos famintos, enquanto se encaminha ao lixo milhares de toneladas de alimentos.

É preciso socorrer, trabalhando pela diminuição da violência, pela revolta que, tomando conta de muitos adolescentes, os desvia para o vício e a criminalidade.

Felizmente, escudados nos exemplos de tanta gente boa, de Chico Xavier, nos tempos mais recentes, muitos Centros Espíritas mantêm as suas obras sociais, que são diárias.

No entanto, pela época do Natal aumenta a expectativa dos corações necessitados que batem às portas de nossas Instituições com mais intensidade e esperança.

É preciso tudo fazer para atendê-los, na multiplicação dos pães e dos peixes.

Venha você conosco participar desta Festa de Luz, que relembra o nascimento Daquele a quem tudo devemos.

Cerra os ouvidos aos que apenas sabem criticar, porque, talvez, nunca souberam o que seja a fome de casa, nunca tiveram qualquer decepção com Papai Noel.

Não escute os que, inclusive, cunharam uma palavra pejorativa – assistencialismo! – para o trabalho que os espíritas fazem pelos menos favorecidos, ou, dizendo melhor, pelos injustiçados sociais.

Que eles continuem falando o que quiserem, porque a Lei de Causa e Efeito os escutará e, no tempo, haverá de respondê-los de maneira conveniente.

Por agora, venha conosco, e se, porventura, sobrar a você alguns reais, encaminhe a sua cesta básica, ou o seu mimo de amor, à Casa Assistencial de sua preferência, na cidade em que você reside.

O Lar Espírita “Pedro e Paulo” que assiste, pela época do Natal, cerca, de 4000, 5000 pessoas, entre adultos e crianças, os “filhos do Calvário", agradece, antecipadamente, o seu gesto de amor.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de outubro de 2024. (*)

 

(*) Aos interessados, esclarecemos que a Distribuição de Natal do “PP” será no dia 8 de dezembro – Avenida Padre Eddie Bernardes da Silva, 775, Bairro de Lourdes – Uberaba – MG.

 

domingo, 13 de outubro de 2024

 

Chico Xavier,
Jesus
E o Espiritismo

A contribuição mediúnica de Chico Xavier ao Espiritismo como doutrina, através dos Espíritos que por ele escreveram, foi e continua sendo extraordinária.
A Obra Mediúnica de Chico Xavier complementa Kardec, dando à Terceira Revelação uma dimensão muito mais ampla do que simplesmente à da Codificação.
No século XIX, os Espíritos Codificadores não puderam dizer mais do que disseram, porquanto nem instrumentos mediúnicos adequados eles possuíam para tanto, e, mesmo que eles tivessem se valido apenas das “mesas” e das “cestas”, não teriam encontrado a receptividade intelectual que encontraram com o avanço da Ciência, principalmente depois de Einstein, e as consequências da Revolução Francesa, colocando fim à Inquisição.
Reencarnando, Kardec então, na roupagem física de Chico Xavier, possibilitou que a Falange do Espírito da Verdade prosseguisse em seu labor com novas revelações e aproximando ainda mais os Dois Planos da Vida.
Emmanuel e André Luiz, na condição de intérpretes dos Espíritos Superiores, trouxeram o Espiritismo do século XIX para o século XX, projetando-o para o século XXI.
Temos hoje na Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto, uma doutrina atual, consoante as exigências do homem que, segundo León Denis, mais do que crer, deseja saber.
Todavia, desejamos destacar nesta síntese, que, sem dúvida, a maior contribuição de Chico Xavier, ou, digamos, a sua maior tarefa, foi a de ressaltar o Espiritismo como sendo o Consolador Prometido, ou a Revivescência do Cristianismo.
Sem dúvida, a Obra Mediúnica de Chico Xavier chancelou, em definitivo, o Espiritismo como sendo doutrina cristã, ou seja, o Espiritismo como sendo a verdadeira Volta de Jesus Cristo à Humanidade.
Não há um só livro mediúnico da lavra de Chico, escrito por esse ou aquele espírito, que não exalte a Figura do Cristo, demonstrando que o Espiritismo somente é inovador – eminentemente inovador – porque vincula revelações seculares, como a da Reencarnação, ao Evangelho de Jesus, para que, de fato, a evolução do espírito possa deixar de ser mera teoria.
Talvez, na atualidade, em que a perseguição ao Cristo se reaviva, igualmente no Brasil, através de movimentos políticos, a perseguição à Obra de Chico Xavier venha ocorrendo, chegando ao cúmulo da adulteração por uma das casas editoras à qual ele havia confiado a guarda das obras dos Espíritos por seu intermédio.
E a referida perseguição ao Cristo, agora também voltada para a Obra Mediúnica de Chico Xavier, tem sido feito até por alguns considerados adeptos da Doutrina, que, pretensamente intelectualizados, vêm fazendo verdadeiros malabarismos para desmerecê-la – sem estatura intelectual e moral para tanto.
A maior tarefa de Allan Kardec, após publicar “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, foi a de reencarnar e agora continuar fazendo uma Obra totalmente voltada para o Cristo, já que, ao seu tempo, no século XIX, não deixou de ser um tanto tímida a caracterização do Espiritismo como uma doutrina que, sem Jesus, simplesmente, se confunde com tantas outras doutrinas orientais.
No Espiritismo, o conhecimento da Verdade tem o Amor como finalidade.
No Espiritismo, o seu aspecto científico somente se justifica e se engrandece no Evangelho do Cristo.
No Espiritismo, a sua filosofia se alicerça em Jesus, pois que, sem Ele, o seu aspecto filosófico careceria de fundamento mais amplo, fugindo à mesmice do que os filósofos gregos falaram muitos séculos antes de Kardec.
Então, a missão de maior relevância de Chico Xavier, de 1927 a 2002, em 75 Anos de Apostolado, foi a de iluminar ainda mais o Espiritismo – dar a ele mais espírito do Espírito do Cristo, o que, felizmente, ele o fez também através de sua vida mais do que de Médium, mas também de Profeta dos tempos modernos.
A pujança do Espiritismo está no Cristo, e não somente estaria em Kardec, caso Kardec não tivesse tido a coragem de trazer a lume “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, provocando, já à época de sua publicação, a ira de alguns adeptos que contra ele se voltaram na “Sociedade Espírita de Paris”, e o traíram.
Sem Kardec não teríamos a Codificação, mas sem Chico Xavier não teríamos Jesus Cristo de novo no coração do povo – sem Kardec não teríamos o Pentateuco, mas sem Chico Xavier não teríamos o Pentateuco atualizado e iluminado, por dentro e por fora.

INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG, 13 de outubro de 2024.