segunda-feira, 4 de novembro de 2019


MUITAS MORADAS

“Na Casa de meu Pai há muitas moradas.” – João, 14-2

Há muitas moradas físicas no Universo Físico.
Muitas moradas extrafísicas no Universo Extrafísico.
Muitos Mundos ditos Espirituais.
Mundos Espirituais de Mundos Espirituais.
O Universo Físico não tem teto.
O Universo Extrafísico não tem fronteira.
Muitos são os corpos espirituais – os perispíritos.
O corpo físico, ou material, é tão somente um deles.
Longe ou perto é questão de ponto de referência – apenas.
Alto ou baixo, igualmente.
Lá é aqui.
O Reino de Deus não está alhures.
Mas, sim, “dentro em vós”...
Não há maior universo do que a mente.
A mente do espírito é repleta de mundos.
O chamado “Big-Bang” é mais fenômeno interior que exterior.
Universo mental em expansão.
O Cristo é o “universo” para o qual as mentes humanas devem se expandir.
O “Buraco Negro” é o “buraco de minhoca” do Universo Físico.
Ele também existe no Extrafísico.
Reencarnar ou desencarnar – atravessar Dimensões.
Revestir-se ou desvestir-se de matéria.
É viajar no Tempo e no Espaço.
A “morte” é fenômeno de periferia.
Inacessível à essência do ser.
À nossa volta aqui, no Mundo Espiritual, formas etéreas que não vemos.
Que apenas em rocio podemos sentir.
Formas sem forma.
Sem cor, tamanho.
Sem sexo.
Sem nexo, talvez.
Luzes pulsantes.
Cérebro e coração, coração e cérebro.
Dois em um só.
Amor e Sabedoria em fusão.
Mundos Paralelos?!
Mundos Circulares – por todos os lados, sem lados.
O Mundo Espiritual espírita?!
Apenas um passo de criança fora do berço.
Mundo pequeno que se crê grande.
Mundo limitado – ultralimitado.
Mundo do “ego”.
Ainda, infelizmente.
A Casa do Pai é um “queijo suíço”.
O rato, ou melhor, o “gato de Schrödinger”...
A Terra – uma pequena pedra...
O homem – um sapo debaixo da pedra.
Fui generoso - um girino num pingo de lama.
Quanta inutilidade na vaidade.
Quanta briga pelo poder de “não-ser”.
Gigantes pigmeus.
O homem! Ah, que coisinha tola...
Tanta polêmica à toa.
Exercício da mente analfabeta.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba - MG, 4 de novembro de 2019.
















segunda-feira, 28 de outubro de 2019


ESPÍRITA DE “CENTRO”

Não sou espírita de direita.
Nem de esquerda.
Não estou com Dimas.
Nem com Gestas.
Não sou espírita do alto.
Nem de baixo.
Graças a Deus, nem de salto.
Talvez, de chinelo.
Ou, quem sabe, descalço.
Sim, como Chico, o Médium dos Pés Descalços.
Mas... não sou espírita de partido.
De partido nenhum.
Nem de qualquer ala.
Ou bloco.
Sou espírita de “Centro”.
De Centro Espírita.
Pequeno.
Humilde.
Sem filiação alguma.
Onde não se use.
Nem abuse.
Não se federe, nem se confedere.
Centro Espírita de Mesa.
Não de Mesa Branca.
Mesa de todas as cores.
Centro de periferia.
De sopa para os pobres.
Centro que tem terreiro.
Tem quintal.
Tem jardim.
Tem um frondoso abacateiro.
Centro Espírita do Povo.
De guia anônimo.
De mediunidade arroz com feijão.
De crianças e jovens.
Evangelização.
Passe sem diploma.
Centro com alegria.
Fraternidade.
Se possível, luz de lampião.
Ninho de pardal no telhado.
De telha “francesa”.
Kardeciana – faço questão.
Centro de Chico.
Muito chique.
Sem obsessão por limpeza.
Pureza, a do coração.
Principalmente.
Centro com Diretoria.
Presidente – Jesus Cristo.
Secretário – Allan Kardec.
Tesoureiro – a Caridade.
Conselho Fiscal – as Boas Obras.
Orador Oficial – o Exemplo.
Sou espírita de “Centro”.
De Belém.
De Assis.
De Pedro Leopoldo.
Centro Espírita da roça.
Lá do “Capão da Onça”.
De Santa Maria.
E adjacências.
Lá aonde “doutor” não vai.
Tem terra, tem lama.
Tem buraco.
Mas, tem muita fé.
E é o que me basta.
Para que eu não me perca.
Do “centro”...
De mim mesmo.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 28 de outubro de 2019.

















segunda-feira, 21 de outubro de 2019

FICA ASSIM!

Testemunhar a Verdade é para espíritos que, em geral, já se sintam descompromissados com os homens, mas, cada vez mais comprometidos com o Cristo.
Conheço muitos espíritas, encarnados e desencarnados, que adoram ficar em cima do muro – são “taipeiros” profissionais.
Sabem onde está o erro, todavia, não querem se expor.
Ficam calados, coniventes.
Estão acostumados a tanto, desde o terceiro século do Cristianismo, quando, lamentavelmente, fracassaram na hora de defender a pureza do Evangelho.
Estão repetindo os seus equívocos.
Amam, em demasia, o poder, para baterem de frente com establishment.
Possuem muitos interesses em jogo.
Até financeiros.
Querem se colocar ao lado de uma suposta maioria – talvez, sejam os mesmos que ficaram contra Jesus, ficando ao lado de Barrabás.
Não são capazes de se apequenarem, e cumprirem as suas tarefas no anonimato.
Adoram aplausos e bajulações.
Desculpem o termo – masturbação do ego!...
Essa gente, encarnada e desencarnada, em conluio, quer tomar as rédeas do Espiritismo – o que, absolutamente, o Espiritismo não tem.
Disputam cargos, e não encargos.
Imitam os ditadores que não abrem mão do poder – trabalham, politicamente, nos bastidores, para que sejam reeleitos, ou se tornem vitalícios.
Incrível.
Fogem da periferia da cidade, onde moram os mais pobres – desacostumaram-se de transpirar.
Para não terem que praticar a Caridade, eles a menoscabam – o seu discurso doutrinário, dizem, é da modernidade, pois, afinal, sustentam que os tempos são outros.
Opõem-se, declarada ou veladamente, aos exemplos de vida de Chico Xavier – e ao do próprio Kardec, que era desapegado de tudo – até do próprio nome!
Essa turminha vai arder – alguns já se encontram ardendo – na fornalha mais quente que é a da consciência culpada – ela é de fazer inveja aos fornos de Satanás!
Fica assim.
Fazer o quê?!
Aliás, por que time de futebol só tem 11 jogadores, e não 12?! Deve ser por conta de Judas, não é?! Eu não acredito que culpa seja da bola...
Como se costumava dizer na Maçonaria tem muito “quinta-coluna” por aí – traidores da Causa, que ADORAM UM ANONIMATO. (Os anônimos irônicos não sabem onde têm a cara – na hora de nascer, ela trocou de lugar com as nádegas – simples erro genético! Então, quando eles falam soltam pum, e quando soltam pum, falam...)
Vendem a alma por uma tapinha nas costas...
Por elogio falso.
Triste.
Vamos ficando por aqui.
Eu vou procurar a D. Maria, uma pobre lavadeira de roupas, que conheci às margens do córrego do Barro Preto, em Uberaba, quando, evidentemente, as águas eram claras e cristalinas, para tomar um passe.
Ela fuma um cigarro de palha que mal lhe cabe na boca.
Recomendo que vocês façam o mesmo por aí, onde moram.
Eu quero um passe de médium analfabeto e pobre – um passe de médium de mãos calosas, sem diploma.
Para mim, é o melhor que existe.
Tenho direito, não tenho?!...
Um passe (ops!), um abraço.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 21 de outubro de 2019.

domingo, 13 de outubro de 2019


ENTÃO, É ISSO!

Não estamos saindo em defesa desse ou daquele médium – muito menos deste nosso amigo aqui, que aprendemos a ter em alta estima e consideração.
Ele sabe se defender por si mesmo.
Mas, realmente, na gleba mediúnica, vem crescendo muito joio, que contém, em sua genética, o DNA do trigo – não sei que “mutação” os acometeu, ou vem acometendo, à determinada altura de seu desabrochar.
Sinceramente, não sei que espécie de “alucinação” ataca a cabeça de tantos médiuns promissores para que, de repente, eles passem a se sentir, inclusive, maiores que Chico Xavier – mais capacitados, mediúnicamente, que o maior fenômeno mediúnico de todos os tempos, à exceção, claro, de Jesus Cristo, que era Médium de Deus.
Creio que cada médium, no exercício de faculdade mediúnica qualquer, deveria ter a preocupação de se colocar em seu próprio lugar, ou seja: na mediocridade espiritual de que todos eles são portadores – todos!
Humaníssimos que são, deveriam deixar de criar a expectativa que tão somente os deuses da mitologia grega criavam naqueles que neles acreditavam – e, por eles, procriavam! Impressionante como esses deuses reproduziam entre si, e, não contidos em seu erotismo, sequer poupavam os pobres mortais...
Convém que os médiuns, notadamente os de psicografia, de cura e de “vidência”, procurassem ficar menos em evidência – menos, menos! –, e deixassem de rebolar feito a vedetes no palco, e parassem com essa tolice de que estão no cumprimento de um mandato – até onde sei o único médium com real mandato entre os homens foi Chico, que se dizia ser uma formiguinha, das menores, que andava pela Terra cumprindo com a sua obrigação.
Ora, meus amigos, vocês estão dando muito crédito aos médiuns, consequentemente, os sobrecarregando – eles não dão conta do recado, não! Honestamente, não! E tem mais: atualmente, aqui da Vida Maior, não conhecemos nenhum médium encarnado capacitado a se submeter à perícia de natureza científica para a comprovação inequívoca da imortalidade – e nem pesquisador habilitado para tanto, dado à sutileza com que o fenômeno de ordem intelectual, não raro, se processa.
Vocês querem a comprovação inequívoca da imortalidade da alma?! Estudem a Doutrina, pois, quem se dispuser a estudá-la com afinco, sequer necessitará de enxergar espíritos, inclusive o seu, para saber que eles, ou que nós existimos. Não há saída filosófica para a compreensão da Vida que não seja a que, através da Fé Raciocinada, o Espiritismo nos oferece – sem a Reencarnação, a Vida, no Universo inteiro, passa a ser um “acidente” que melhor fora – muito melhor – não tivesse acontecido.
Então, os nossos irmãos médiuns precisam parar de ser bajulados, e de aceitarem bajulação – e, sobretudo, ostensivamente, ou em surdina, de se colocarem uns contra os outros, como se estivessem disputando prestígio, quando, em verdade, agindo assim, estão apenas disputando um lugar um pouco mais sujo no lamaçal!
Tem muito médium que, ao lado do tratamento espiritual que lhes enseja o trabalho no Bem, necessita de um tratamento psiquiátrico, mas com um psiquiatra que também esteja aceitando tratamento, como eu estou, e muito espírita, com título acadêmico ou não, com urgência, também precisava aceitar.
Então, é isso.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 13 de outubro de 2019.













domingo, 6 de outubro de 2019


POIS É!...

León Denis, em seu livro “No Invisível” escreveu: “O Espiritismo será o que dele fizerem os homens.” Creio que, parafraseando o discípulo de Allan Kardec, podemos afirmar: Os espíritas serão o que a si mesmos fizerem com o conhecimento do Espiritismo!...
Quando escrevemos, do Mais Além, externando preocupação com os rumos do Movimento Espírita, igualmente estamos preocupados com os irmãos e irmãs de Ideal, que, infelizmente, não estão se valendo desse “processo libertador de consciências”, que é o Espiritismo, para melhor cuidarem, na atual experiência terrestre, de seu progresso espiritual.
O nosso intuito não é o de criticar os confrades que imaginam estar acertando, quando, deste Outro Lado, percebemos os equívocos em que estão incorrendo – por excesso de personalismo, por vaidade, por espírito de contradição, por falta de introjetarem as lições do Evangelho...
O Espiritismo, sem a vivência prática de suas lições morais, não pode ser verdadeiramente praticado – ele não resulta no que objetiva resultar para quantos o abraçarem!
O Espiritismo prático não é o da mediunidade, mas, sim, o da vivência do amor aos semelhantes – o do empenho incansável do adepto em seu processo de renovação íntima.
A minha luta pessoal sempre foi, e continua sendo, não pela aquisição de mais amplos conhecimentos, digamos, doutrinários, mas, sim, para ajustar à minha conduta ao pouco que já sei.
Como é duro ser menos orgulhoso! – menos cabeça dura! Como é difícil a libertação de nós mesmos!...
Meu Deus, que luta titânica para sermos um pouco mais humildes, no entanto, sem ser “bobos”! E aqui, uma vez mais, recordo Chico Xavier dizendo: “Jesus quer que a gente seja bom, bonzinho não, porque o bonzinho é bobo...”
A falsa humildade é tão fácil de encenar – qualquer ator amador representa o seu papel, às vezes, com excelência. Mas, a verdadeira humildade, que se traduz pela vontade sincera de acertar, é muito difícil...
Então, meus caros internautas, que Deus nos auxilie a fazer do Espiritismo em nossas vidas o melhor que pudermos – o Espiritismo, acreditem, triunfará em sua pureza original – por mais que hoje possa ser desvirtuado, ele triunfará conforme a Lei Divina determina.
Toda essa “bagunça” que os homens, encarnados e desencarnados, aprontam com o corpo doutrinário do Espiritismo, é pura perda de tempo – o ortodoxo teórico de hoje, o fundamentalista da fé espírita, amanhã, numa nova existência, há de voltar, por exemplo, fazendo sopa para os pobres, pedindo esmola na rua para manter uma Instituição... E será chamado de “missionário”...
A questão toda é a seguinte: se a gente errar, vamos errar com a intenção de acertar, porque quem erra com a intenção de errar, ai dele!...
Vocês se recordam do que Jesus disse a respeito da blasfêmia contra o Espírito?! “Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.”
Pois é!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 6 de outubro de 2019.








domingo, 29 de setembro de 2019


“PASSEATA” ESPÍRITA

Estamos no tempo das “passeatas”, das reivindicações nas ruas e praças públicas. Liberdade de expressão do pensamento. Democracia. A prática, porém, não é nova. Gandhi, em sua luta pela independência da Índia, convocava o povo indiano para longas caminhadas – a mais famosa delas, a Marcha do Sal, de quatrocentos quilômetros, que durou vinte e cinco dias, na qual ele apanhou prá burro.
No Movimento Espírita, creio, sinceramente, que estamos carecendo de uma “passeata” (ou de várias) – sempre pacífica, claro, protestando contra o mercantilismo, que vem ensejando o Elitismo.
“Passeata” contra os Congressos pagos – aliás, contra toda atividade doutrinária de palestras que seja paga, não importa se cobrando 1 ou 1.000 reais, ou até mais, como vem acontecendo, ante o mutismo dos Órgãos Unificadores, e o aval explícito dos oradores que participam das programações.
Sim, os oradores e médiuns que concordam em participar de Congressos e Encontros Espíritas pagos também são responsáveis – são coniventes com o Elitismo que vem desviando o Movimento de sua nobre finalidade.
Muitos desses convidados dos Congressos pagos, dizem: - Não sou eu quem organiza... Compareço em nome da Doutrina... Sofisma! Se agissem em nome da Doutrina não haveriam de dar o seu endosso a tamanho descalabro.
Os Congressos pagos, que, infelizmente, estão se multiplicando no Movimento, são verdadeiros cânceres doutrináriostumores malignos altamente comprometedores da saúde do Movimento, e, para eles, não há a menor justificativa.
Arrecadar dinheiro para obras sociais?! Melhor, então, que elas não existam.
A Doutrina, em si, é a maior contribuição que pode ser dada ao mundo descrente da atualidade.
Chico Xavier, toda semana, realizava trabalho assistencial na periferia da cidade – com doações espontâneas! Não cobrava entrada no “Grupo Espírita da Prece”...
As obras assistenciais podem, e devem, organizar promoções beneficentes com a finalidade de sustentá-las – cafés, chás, almoços, jantares, etc.
Então, seria interessante, sim, que “passeatas” espíritas fossem levadas a efeito para combater esse estado de coisas, que, infelizmente, tem os seus incentivadores – determinados Congressos – você é bom em aritmética?! – têm rendido, por vezes, em dois, três dias, a bagatela de 500 mil reais, ou mais! Haja Instituição Assistencial com tamanha despesa, não é?! A verdade verdadeira, como dizia a minha mãe, é que a coisa virou comércio – a preocupação é mais com $$$, que com a divulgação da Mensagem Espírita.
Insistiram comigo para que voltasse com estas crônicas no Blog – não deveriam. Agora, terão que me aguentar nesta tribuna... E não me venham dizer que, estando “morto”, não tenho direito a opinião. Tenho. E sabem por que tenho?! Porque, infelizmente, a covardia de opinião, entre muitos encarnados que se dizem espíritas, vem imperando...
 Ah! Em tempo: se essa gente tivesse que morrer na fogueira como os cristãos de outrora, o que haveria de ser de nossa Causa?!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 29 de setembro de 2019.



segunda-feira, 12 de novembro de 2018


66... – Falta só mais um 6!...

Meu filho, 66...
Falta só mais um 6, para o número da “besta” do Apocalipse...
Mas, você está indo bem...
Ainda há de chegar lá...
A verdade é que, por muitos, você já é considerado um “tsunami”...
Perigoso maremoto...
Invasor de praias e cidades...
Conflita-se com os doutores da lei...
Põe-se contra os modernos escribas e fariseus...
Ousa opinar...
Dizer o que pensa...
Não pode...
Contrariar o status quo do Movimento?!
Um absurdo...
Desafiar os velhos “caciques”...
O que você está querendo, se não apanhar, e muito?!...
Masoquista...
Depois reclama...
Como Eça disse a Fernando, provoca discussão e não quer ser discutido?!...
Ora, não tem jeito...
Seja a reencarnação de um avestruz e... estará tudo certo...
Faça como muita gente, que esconde a cabeça e mostra o traseiro...
Não o estou incentivando ao nudismo...
Para tanto, procure a Cap d’agde Pueblo Naturista, ao sul da França...
Sim, na pátria do Codificador...
Mas, mudemos de assunto...
9 de novembro...
18 de Brumário do ano VIII...
Golpe de Estado...
Terá sido influência da data – novo regime na França, liderado pelo jovem general Napoleão Bonaparte?!...
Não sei, talvez, quem sabe...
O certo é que o tempo avança...
O Carlim das quadras de futebol-de-salão – um tremendo perna de pau! – é o Baccelli dos tablados de MMA...
Não sei como ainda não foi a nocaute...
É cada coice...
Ainda bem que, de mim, além de meus pensamentos, você, na condição de médium, tem assimilado a alegria – ou o deboche, sei lá...
Sabe, desde que me tornei espírita, plantei um bananal...
Tenho sempre bananas para distribuir...
Verdes e maduras...
Grandes e pequenas...
Sempre cantarolo aquela canção “O Vendedor de Bananas”...
Conhece?!...
Pesquisei – de Jorge Ben Jor...
Ele ainda está na carcaça...
“Eu vendo banana, mãe, mas eu sou honrado, mãe...”
No meu caso, eu não vendo – distribuo de graça... É tanto bananão no fundo do meu quintal!...
Continue firme, viu?!...
Você conhece aquele ditado que a gente deve fingir de morto?!... Continue fingindo...
Fingir de morto... Como é mesmo o ditado?!...
Ai, meu Deus, até aqui a minha “consciência exterior” me cerceia...
A Modesta me vigia de longe...
O Odilon me enquadra...
Já o Manoel Roberto me inspira...
Mas, em contrapartida, eu não lhe dou sossego...
Sim, a você...
Um jovem, aos 66...
Fumando feito uma chaminé, eu fui aos 84...
Você, que não fuma, tem obrigação de ir a mais – pelo menos, mais uns quatro lustros...
Em 20 anos, talvez, possamos rabiscar um tanto mais...
Incomodar mais gente...
Provocar...
Enfurecer...
Parabéns, viu!...
Não tenho aqui, para a gente comemorar, um daqueles sucos de caju que tomávamos juntos, em nossa casa, com os meus gatos passeando sobre a mesa...
Nem uma bela taça de vinho do Porto...
Ou uma Malzbier geladinha, igual à que sua mãe, Dona Odette, degustava aos domingos...
Dizia que era para aumentar o leite...
E o ”epicurismo”...
Mas, tenho um grande abraço para lhe dar – de toda a turma!...
Continue firme na trincheira...
Se não morreu até agora, é porque, de fato, é imortal!...
Não da Academia de Letras...
Mas, da Academia da Teimosia elevada ao quadrado, porque é a minha somada à sua!...
Abraços.
Desculpe a informalidade...
O seu presente?! A sua viagem de graça a Portugal, e o lançamento de um livro editado lá...
Polêmico, mas verdadeiro...
Eu gosto é de médium assim...
Bem haja!...
Se o seu avião despencar, estou lhe esperando...
Com uma vassoura novinha...
Tem muita sujeira a varrer por aqui também...
Eu não sei, mas tem espírita que, mesmo depois de morto, parece que vive com diarreia...
Deus meu!...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 9 de novembro de 2018.


segunda-feira, 7 de maio de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LVI

O último capítulo de “Nosso Lar” – “Cidadão de ‘Nosso Lar’” –, sem dúvida, é um dos mais emocionantes. André Luiz não nega que se sentia muito abatido com a situação familiar encontrada, admitindo que o alimento espiritual estivesse lhe faltando, e esclarecendo que, em “Nosso Lar”, “atravessava vários dias de serviço ativo, sem alimentação comum...”
Aqui necessitamos efetuar pequeno stacatto para dizer que, quando examinar-se a situação dos espíritos recém-desencarnados, indispensável levar em conta a sub-Dimensão em que estejam eles domiciliados – “Umbral” é um termo genérico, que, realmente, não serve para se ajuizar a condição de cada espírito que nele estagia, após o desenlace. Nas circunvizinhanças da Terra, os espíritos “Umbralinos” continuam carecendo de alimentação quase tão grosseira quanto carecem os homens. Não nos esqueçamos de breve consulta ao capítulo 9, de “Nosso Lar”, quando o autor nos fala de certo embate havido entre os habitantes da cidade, concernente a problemas de alimentação.
*
Logo no segundo dia de sua visita à família encarnada, André, superando as surpresas consideradas desagradáveis, já se encontra realizando reflexões mais maduras, lutando consigo para aceitar a realidade, e, para tanto, ele recorre, de imediato, ao exemplo de sua mãezinha, prestes a voltar a Terra, a fim de socorrer a seu pai, com as três entidades femininas que Laerte infelicitara no mundo – de imediato, recordou-se ainda da própria Veneranda que “trabalhava séculos sucessivos pelo grupo espiritual que lhe estava mais particularmente ligado ao coração”... Pensou em Narcisa, na senhora Hilda vencendo “o dragão do ciúme inferior”, em Clarêncio, Tobias... A lembrança das lutas de todos esses amigos, fez com que ele colocasse o amor divino acima de seus interesses pessoais.
Grande vitória a de André Luiz, que, por isto mesmo, e por motivos outros, consideramos como sendo o nosso doutor Saulo de Tarso do Mundo Espiritual, que, às portas de Damasco, ante a visão do Cristo Redivivo, levantara-se da areia escaldante do deserto com o propósito de ser um novo homem...
Sim, Paulo de Tarso, na Terra, e André Luiz, no Mundo Espiritual, nos são dois grandes exemplos de renovação íntima – “... se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios, 5:17)
*
André não vacilou. Deixando o homem velho de lado, procurou os aposentos do Dr. Ernesto, a ver no que, em sua condição de médico fora do corpo carnal, poderia auxiliá-lo – e ele vai encontrar aquele que, em outras circunstâncias, consideraria por rival, ternamente acariciando a mão de Zélia, a sua ex-esposa, e, agora, sua irmã.
*
- “Roguei ao Senhor energias necessárias para manter a compreensão imprescindível e passei a interpretar os cônjuges como se fossem meus irmãos.”
A oração! Quão poucos são os que a ela recorrem no dia a dia, a fim de haurirem forças no enfrentamento das provas indispensáveis ao seu crescimento íntimo! –  até mesmo, irmãos e irmãs internautas, para penetrarmos o espírito de determinada lição que nos seja transmitida, carecemos, muitas vezes, de orar, rogando que os Espíritos Superiores nos facilitem o seu entendimento e nos auxiliem com os seus raciocínios...
Ninguém deveria abrir qualquer livro edificante, sem antes formular uma oração, predispondo o espírito a sorver a linfa cristalina, que, porventura, de suas páginas possam jorrar a fim de lhes atender a sede de Conhecimento!...
A oração, em si, é um Livro de Sabedoria, que, conduzindo os espíritos pelos caminhos da intuição, lhes faz apreender o que somente através da intelectualidade fria torna-se sempre mais difícil.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 7 de maio de 2018.





segunda-feira, 30 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! – LV

Concluindo as nossas reflexões sobre o capítulo 49, de “Nosso Lar”, reflexões que temos efetuado com os irmãos internautas que nos auxiliam o raciocínio, depreendemos que, de fato, a Sabedoria de Deus se patenteia não consentindo que encarnados e desencarnados, mormente os pertencentes ao mesmo grupo consanguíneo/afetivo, não estejam sempre em contato, pois, realmente, não lograriam suportar a realidade, ante os novos caminhos que uns e outros são chamados a trilhar, em obediência às suas necessidades de aprendizado.
Vejamos o caso de André Luiz:
- a esposa, Zélia, havia contraído novo matrimônio;
- a filha mais nova ironizava as saudades que a primogênita estava sentindo do pai, desencarnado há mais de dez anos;
- o seu único filho varão, praticando “loucuras” pela cidade...
Eis o que, com as suas próprias palavras, ele nos diz: “Angústias e decepções sucediam-se a tropel. Minha casa pareceu-me, então, um patrimônio que os ladrões e os vermes haviam transformado. Nem haveres, nem títulos, nem afetos! Somente uma filha ali estava – a primogênita – de sentinela ao meu velho e sincero amor”.
E carecemos de considerar que André Luiz, teria sido um homem devotado à família, que, ao que tudo indica, ainda sobrevivia a expensas do patrimônio material que ele lhe havia deixado. Contudo, em seu primeiro dia de sua visita ao lar – ele conseguira uma semana para tanto –, aliás, em suas primeiras horas, fora o suficiente para que registrasse: “Nem os longos anos do sofrimento, nos primeiros dias de além-túmulo, me haviam proporcionado lágrimas tão amargas”.
Como o homem encarnado carece de se exercitar no campo do desapego, notadamente no que ele, habitualmente, imagina ser sua propriedade!...
*
Outro fato digno de destaque é a visita que o Ministro Clarêncio lhe faz à noitinha. Percebendo o abatimento em que o amigo se encontrava mergulhado, Clarêncio não se dirigiu a ele com palavras de adulação – não o abraçou qual estivesse abraçando a vítima de uma ingratidão familiar. Sem meias palavras, o Ministro foi curto e grosso ao lhe dizer:
“Compreendo suas mágoas e rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho! (Vale a repetição, com destaque: “... rejubilo-me pela ótima oportunidade deste testemunho!) Não tenho diretrizes novas. Qualquer conselho de minha parte, portanto, seria intempestivo. Apenas, meu caro, não posso esquecer que aquela recomendação de Jesus para que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, opera sempre, quando seguida, verdadeiros milagres de felicidade e compreensão, em nossos caminhos”.
A hora do testemunho, que, em geral, sempre tememos, na palavra de Clarêncio é sempre ótima oportunidade de autossuperação...
E, no caso de André Luiz, era a de entender que a sua família não se resumia àqueles quatro corações queridos, que ele, depois de mais de dez anos, estava logrando visitar!...
*
No último parágrafo do referido capítulo, André escreveu magistralmente – após ouvir rapidamente a Clarêncio:
“Preciso era, pois, lutar contra o egoísmo feroz. Jesus conduzira-me a outras fontes.”
Sinceramente, sabedor como sou de que nada acontece antes do tempo devido, principalmente no campo das bênçãos que descem de Mais Alto sobre os homens na Terra, ponho-me, neste instante, a pensar se, em verdade, os homens, e, no caso, principalmente, os espíritas, estariam, de fato, preparados para receberem uma obra tão esclarecedora/reveladora como é “Nosso Lar”?!...
 O que você acha, amigo (a) internauta?!...
Sobre a Terra, um mundo ainda de tanta indiferença espiritual pela Vida, algum espírito seria capaz de chegar às conclusões alcançadas por André Luiz, o nosso eminente Dr. Carlos Chagas, um dos maiores humanistas do século?!...
Sei não...
Tenho quase a impressão de que, no que tange à Obra Mediúnica de Chico Xavier, pérolas foram atiradas aos porcos, que, a confundi-las com farelo, as andam fuçando...
E, no caso, os suínos somos nós, encarnados e desencarnados, os que receberam um nome na “pia batismal”, e, em qualquer circunstância, não se avexam de assumi-lo, e os que, a pretexto de humildade, não têm sequer coragem de decliná-lo...

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 30 de abril de 2018.



segunda-feira, 23 de abril de 2018


COMO VOCÊ INTERPRETA?! LIV

O capítulo 49 – “Regressando a Casa” –, é o penúltimo dos 50 capítulos de “Nosso Lar”. Nele, de maneira sintética, o autor narra as suas surpresas de espírito, quando, depois de quase dez anos no Mundo Espiritual, tem oportunidade de rever a família na Terra.
Durante uma semana, André, despedindo-se de Dona Laura, permaneceria em visita à família consanguínea, domiciliada no Rio de Janeiro.
Logo nos primeiros parágrafos, o autor espiritual fala de sua emoção ao rever Zélia, a esposa, que, então, se mostrou insensível ao seu espontâneo gesto de amor. Ela estava conversando com um cavaleiro, médico, que havia ido ver a Ernesto, o seu segundo esposo, que estava acamado, acometido de grave enfermidade nos pulmões.
A constatação de André é uma lição a quantos consideram que os seus afetos, por mais queridos, sejam sua propriedade. Afinal, Zélia não parecia ser a “alma gêmea” de André Luiz, porque as “almas gêmeas”, com raras exceções, costumam ser fieis àqueles que demandam o Mais Além...
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Zélia chorava, dizendo ao médico que cuidava de Ernesto que não haveria de suportar uma segunda viuvez. E André registra nas páginas do livro:
“Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara do meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia. Valia a pena ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões? Corri ao meu quarto, verificando que outro mobiliário existia na alcova espaçosa. No leito, estava um homem de idade madura, evidenciando melindroso estado de saúde. Ao lado dele, três figuras negras iam e vinham, mostrando-se interessadas em lhe agravar os padecimentos.”
Além de tudo, Zélia se consorciara com um homem de espírito comprometido com entidades infelizes que se valiam de seu estado de debilidade para vampirizá-lo, concorrendo para o seu desenlace.
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André, desde que desencarnou, mantivera-se na expectativa de um dia, poder reencontrar a companheira, que supunha ser a metade de sua alma...
Quantas surpresas reservam-se ao espírito na desencarnação?! Convém, pois, que todos nós estejamos sempre preparados para enfrentar os próprios equívocos... André, na juventude, pressionado pela família, renegara o amor de uma jovem serviçal de sua casa, e agora, talvez, consorciando-se por conveniência social, sentia-se abandonado!...
A Lei de Causa e Efeito é inexorável, e, no espaço e no tempo, não poupa a espírito algum.
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Os filhos de André, igualmente, quase que já o haviam esquecido, a não ser pela filha primogênita, que, naquele dia, começara a pensar no pai desencarnado. Zélia, no entanto, repreende a filha – simplesmente por mencionar a memória de André, ela repreende a filha! Positivamente, Zélia não era a “alma gêmea”, ou, pelo menos, a alma de afinidade com os seus mais elevados sentimentos.
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Zélia, ao repreender a filha mais velha, diz o que André, amargamente, pode escutar:
“(...) Já proibi a vocês, terminantemente, qualquer alusão nesta casa, a seu pai. (...) Já vendi tudo quanto nos recordava aqui o passado morto; modifiquei o aspecto das próprias paredes, e você não me pode ajudar nisso?”
André, em sua própria casa, era considerado um “passado morto”!...
Para inteirar, a filha caçula de André lança acusações sobre a irmã por se interessar pelo “maldito” Espiritismo, negando que os mortos pudessem voltar a Terra.
- Onde já se viu tal disparate? Essa história dos mortos voltarem é o cúmulo dos absurdos!
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Convém, pois, a vocês que ainda vão morrer prepararem-se, não tanto para as surpresas de além-túmulo, mas para um melhor conhecimento próprio, junto àqueles que, infelizmente, revelam-se de espírito tão pequeno.
Zélia, sem dúvida, tinha todo o direito de consorciar-se com Ernesto – afinal, já amargara muito tempo de solidão afetiva, na condução solitária dos destinos da família, para o que ela se revelara frágil. Todavia, ela não necessitava, praticamente, de exorcizar a memória do ex-marido, pai de seus três filhos, que, pelo menos, lhe deixara o teto sob o qual passara a viver com outro companheiro.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 23 de abril de 2018.