domingo, 3 de setembro de 2023

Barulho Demais

 

Às vezes, deixas que qualquer problema faça barulho demais em teu mundo íntimo e te impeça de ouvir a solução que alguém esteja desejando te apresentar para ele.

Desliga-te dos ruídos perturbadores em torno, que anseiam por se sobreporem aos alvitres que o Mundo Espiritual procura fazer com que te cheguem aos ouvidos na equação dessa ou daquela dificuldade.

Não olvides que, a diferença básica entre mediunidade e obsessão está no direcionamento da sintonia.

A fonte cristalina, caso delibere pela estagnação, se transformará em pântano, mas se, tranquila, continua a deslizar encontra o leito do rio que a abraça.

Se permaneces vigilante, com o pensamento firme nos interesses de ordem superior, os sons bizarros que as trevas possam promover para que não ouças a inspiração benfeitora não haverão de subtrair dela a tua atenção.

Na Terra de agora, são tantos os barulhos externos que conspiram contra o teu recolhimento espiritual, que, não raro, torna-se difícil conseguir a necessária ambientação psíquica para uma simples prece.

Torna-te mouco para as vozes das sombras que gritam aos teus ouvidos, e lograrás registrar as palavras sempre amigas daqueles que, do Mais Além, se esforçam para dialogar contigo, aconselhando-te o melhor.

Cede o teu pensamento às vibrações positivas do Bem e o mal, por maior alarido tente fazer, com o propósito de te causar prejuízo, há de se perder sem eco ao teu redor.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 3 de Setembro de 2023.

 

domingo, 27 de agosto de 2023

Lição da Natureza

 

Entre as ruínas de uma velha casa, reduzida a escombros pelo tempo, existia um pé de orquídea, que, agarrado a pequeno coqueiro, resistia bravamente...

Ambos estavam, literalmente, maltratados, naquela estação em que não caía uma gota de água do céu.

Ao redor, crescia o matagal, que, semelhante à sombra, não necessita mais do que sombra para se tornar ainda mais espessa.

Contudo, para surpresa de quantos puderam ver o pé de orquídea quase morto, imaginando que não escaparia da morte, ei-lo que, de repente, se abre em flores, atraindo um pequeno enxame de abelhas.

Carecemos, quanto possível, imitar o pé de orquídea sobrevivente nas ruínas do velho casarão, e, reunindo as forças remanescentes no espírito, florescer, glorificando a Vida.

Ignorando a erva daninha que, por vezes, nos intenta sufocar no esforço do Bem, e a falta de ânimo que nos encoraje a prosseguir, não olvidemos que, de maneira imperceptível, o Senhor Todo Misericordioso, quando cai a noite, nos rega com o orvalho de sua Infinita Bondade.

Por mais ressequidos nos vejamos, pelas provações da existência, podemos, sim, nos comparar ao mirrado pé de orquídea que, quantos viam agarrado ao humilde pé de coqueiro, criam que, agonizante, ele não mais conseguiria produzir flor alguma.

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 27 de Agosto de 2023.

 

domingo, 20 de agosto de 2023

Na Parábola da Pérola

“Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;
E, encontrando uma pérola de grande valor, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.” – Mateus, 13:45 e 46

Na Parábola da Pérola Preciosa, contada por Jesus, o que sempre mais me impressionou foi aquele que, possuindo-a, foi capaz de vendê-la...
Ele, por certo, não sabia o valor do que tinha em suas mãos, e trocou-a por um preço irrisório, de vez que, para o que buscava boas pérolas, toda a sua riqueza nada significava diante da pérola que pode adquirir.
Acontece conosco, muitas vezes, o que aconteceu com o vendedor da pérola, que cambiamos os bens espirituais pelos temporais.
Quase todos os grandes luminares da Espiritualidade não hesitaram em renunciar a tudo o que detinham pela luz da sabedoria que haveriam de cumulá-los de bens imperecíveis.
Francisco de Assis, por exemplo, deixou toda a herança de seu pai para trás, e, segundo os seus biógrafos, literalmente despido, preferiu a “pérola” do espírito, transfigurando-se no “pobrezinho de Assis”...
Conta-se que o grande Castro Alves, esnobado por uma dama em certo baile, escreveu em um dos versos do poema “Orgulhosa”: “Não troco uma estrofe minha, por um colar de rainha, por um troféu de latão...”
Albert Schweitzer, um dos maiores executores de Bach, internou-se nas selvas de Labaréné, no Gabão, e renunciou à vida de fausto que poderia ter na Europa...
Chico Xavier, logo após “Parnaso de Além-Túmulo”, recebeu propostas para frequentar os meios literários de Belo Horizonte, desde, no entanto, que renunciasse à mediunidade...
A vida, sem dúvida, é feita de escolhas.
O jovem rico que esteve com Jesus, não quis deixar tudo o que tinha para segui-Lo, com a finalidade de ter um tesouro nos céus... Conta-nos o Evangelista que ele retirou-se muito triste, porque era possuidor de muitos bens – não seria ele, com certeza, quem adquiria a “pérola preciosa”!...
E, certamente, não seremos nós, enquanto amantes dos bens transitórios da vida, que se resumem em dinheiro e poder, que seremos capazes de realizar semelhante transação.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 20 de Agosto de 2023.